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Capítulo 3 de 10

D. A Inauguração De Um Testamento Melhor (Hebreus 7:20-22)

As Vidas de Jesus

O escritor de “Hebreus” continua tirando mais implicações de seu texto favorito (Salmo 110:4). Faltam-lhe dois pontos de sua exposição. 1. Jesus é feito fiador de um pacto melhor (v. 22). A importância deste feito é que os outros - certamente sem juramento - foram feitos sacerdotes (v. 21). 2. Quem faz o juramento? “Jurou o Senhor e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec” (v. 21). É Deus que toma o mesmo juramento, prometendo estabelecer o sacerdócio individual do Filho para sempre. Semelhante obrigação nunca foi assumida no caso de Aarão. Por esse tipo de juramento, Jesus se converte no fiador de Deus de este novo Pacto, e melhor Pacto.

3. Uma salvação perfeita num salvador perfeito (7:23-28). A maneira como o escritor une seus argumentos é decisiva. a. Um poder perfeito para salvar (7:23-25). A diferença entre o novo sacerdócio de Cristo e o antigo não só reside no fazer o juramento, mas também no feito confirmado pelos feitos da história. Os outros sacerdotes chegaram a ser muitos devido a não poderem continuar depois da morte (vs. 24). Mas este (Cristo), por quanto permanece para sempre, tem um sacerdócio imutável (vss. 24, 60). Se Cristo vive para sempre, seu sacerdócio não termina. Não haverá outro sacerdote que lhe suceda. Ele é o último. Pelo qual pode salvar perpetuamente aos que por Ele se aproximam de Deus, vivendo sempre para interceder por eles (vs. 25). Porque vive sempre, pode salvar sempre a cada pecador em cada geração, e em toda situação de necessidade em qualquer lugar. Seus recursos são inesgotáveis. O poder para salvar está Nele mesmo; porque vive, o poder sempre está ali. É significativa a conexão entre seu poder para salvar e sua intercessão. Ele vive com esse propósito. “Para defender sua causa” (Muller). “Cristo nos assegura não só a liberação da sentença de morte que merecemos por nossos pecados, mas também da depravação de nossa natureza” (Beacon). As palavras “salvar perpetuamente” mostram o grau desta liberação. Vemo-lo com muita dedicação porque mostram claramente que “a salvação perfeita da condenação implica perfeita salvação de todo pecado”. “Todo pecado no coração do crente é prova de uma salvação imperfeita, e o defeito deve estar no salvador ou no crente” (Beacon). b. uma pessoa perfeita que salva (7:26-28). O escritor considera que disse o suficiente sobre o sacerdócio de Melquisedec, e que tem que dizer muito mais acerca d’ Aquele a quem o Pai se dirigiu nesse notável pronunciamento. “Jesus é nosso Sumo Sacerdote, e somente Ele é suficiente para nós, porque somente Ele preenche todos os requisitos estabelecidos” (Beacon). “Porque de tal sumo sacerdote nos convinha (vs. 26), “como se diz, era exatamente adequado para todas nossas necessidades”. E, que sentido? Por que Ele é Santo, inocente, sem mancha, apartado dos pecadores e feito mais sublime que os céus (vs. 26). São sinais que atestam sobre suas condições de seu caráter e sua pessoa. “Santo” no coração; “inocente” em sua conduta e “sem mancha” em sua consciência. Estas qualidades de perfeição e, sua pessoa, devem nos animar a seguir seu exemplo. Os dois últimos sinais falam eloqüentemente do perfeito cumprimento de sua função, e chegam a ser mais sublimes que os céus (vs. 26). Esta separação possivelmente seja uma referência ao isolamento de oito dias que devia guardar o sumo sacerdote antes de fazer a expiação uma vez no ano no lugar santíssimo. A separação de Cristo dos pecadores foi moral, não social; foi de toda a vida, não transitória. Ele estava capacitado para entrar no lugar santíssimo por nós. Devido à natureza de seu caráter pessoal, “não tem necessidades, a cada dia, como aqueles sumos sacerdotes, de oferecer primeiro sacrifícios por seus próprios pecados, e depois pelos do povo” (vs. 27). Precisamente por ter que realizar este ritual diário de sacrifício como suplemento do grande dia de expiação, o sistema levítico era ineficaz. A razão era que o homem peca constantemente, mas em Jesus não é necessário o cerimonial antigo. Jesus fez este sacrifício de uma vez para sempre, oferecendo-se Ele mesmo (vs. 27). No sistema antigo, o sacerdote primeiro oferecia um sacrifício por ele mesmo, ou seja, por seu próprio pecado; e logo oferecia o sacrifício pelo povo. A lei constituía como sacerdotes simples homens débeis (vs. 28). A palavra “débil” se refere à condição dos sacerdotes humanos que tinham que oferecer um sacrifício por seus pecados. A palavra do juramento posterior à lei recolocou e abrogou a lei. Cristo é o Filho perfeito de Deus para sempre (vs. 28). A perfeição de Cristo deve ser vista como o contraste com a imperfeição e enfermidade pecaminosa humana. A superioridade de Cristo como Sumo Sacerdote se prende no feito de estar livre do pecado. O autor de Hebreus nos levou passo a passo, até avançar ao coração da obra e ministério de Cristo por nós. Suas unidades de pensamento parecem cadeias que se entrelaçam. Até aqui nos demos conta de que Cristo é superior aos anjos. Como Filho, é superior a Moisés, como Sumo Sacerdote é superior a Aarão e a Abraão. Agora se vê que essa superioridade deu início à inauguração de um novo Pacto, e superior ao antigo.

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