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Capítulo 4 de 6

Parte 4 de 6

Para Um Mundo Novo Homens Novos · Demetre Abraão Nami

Capítulo XXI CRISTIANIZAÇÃO Há quem atribua ao progresso destes últimos tempos a causa da degradação de caracteres que campeia pelo mundo. Assim, vemos alguns crentes, notadamente os da velha igreja, apalermados por tamanha decadência moral, responsabilizarem o cinema, o rádio, a televisão, os jornais e as revistas como acoroçoadores da imoralidade. Embora também desaprovemos a baixa qualidade dessas divulgações, partidas, naturalmente, de indivíduos sem Deus e sem o menor respeito para com o gênero humano, forçoso é convir que a principal responsável é a péssima formação espiritual dos que se comprazem com esta espécie de expectação e leitura. E óbvio que se não houvesse os afeiçoados, todos esses anedotários de duplo sentido e as publicações fesceninas que presenciamos comumente perderiam a razão de ser. Ainda que alguém, forçado pelas circunstâncias, testemunhasse imoralidades, elas não o influenciariam se fosse dotado de sã espiritualidade.

Seria como uma casa edificada sobre a rocha, de que nos fala o Mestre, em que os ventos da impudicícia, os rios das dificuldades e as tempestades das ingratidões e dos vícios não prevaleceriam contra ela, embora a combatessem duramente. Os ensinamentos do Meigo Nazareno são claros e acessíveis aos mais humildes de intelecto porque, antes de tudo, falam ao coração. Por isso, dispensam as exterioridades para a sua divulgação. Não será com aparatos, censuras e apelos histéricos que se cristianizará o mundo, pois que estes recursos são incompatíveis com a essência cristã e fora do tempo em que vivemos. O objetivo será conseguido com o conhecimento e a boa vontade na propagação das verdades cristãs, revestidos de humildade e bons exemplos.

Aliás, estes foram os traços marcantes com que se houveram os apóstolos do Cristo e que cumpre, aos seus continuadores, imitar. A Humanidade, da qual somos parte, vítima do materialismo impenitente que tem sido, atravessa uma fase dolorosa de guerras, fome e misérias morais. Daí, a necessidade da conjugação de todos os valores morais em seu benefício, a fim de permitir-lhe viver mais dignamente no mundo de amanhã, sem as vergonhas deste século. Capítulo XXII COMO SE AMA A DEUS A descrença em Deus, o Supremo Criador de tudo quanto existe, tem levado muitas criaturas aos extremos. Umas, desiludidas da vida, buscam nos vícios ou no suicídio o modo infalível para dela fugirem.

Outras, desesperadas por sofrimentos atrozes, blasfemam inconsoláveis, perdendo, em razão disso, o mérito do resgate. Outras ainda, buscam tirar o máximo proveito de ordem material desta curta existência, pouco se lhes dando a desgraça do próximo. O que crê em Deus e realiza a Sua Vontade já conquistou a si próprio. À frente das vicissitudes da vida, ele mostra firmeza de ânimo porque sabe que tudo tem a sua razão de ser e obedece a sábios desígnios. Não conhece o desespero, a indiferença, e sempre busca realizar a vontade do Pai fazendo ao próximo o que desejaria que lhe fizesse, na alegria ou na dor. o o o A fé e o amor a Deus se expressam na realização da Sua Vontade consubstanciada nos dois maiores mandamentos, dos quais o Cristo foi o seu exemplo vivo.

Os que não acreditam em Deus são os que não fazem a Sua Vontade. Podem dizer, à boca larga, que Nele crêem, todavia se a sua conduta não é boa, se os seus atos não forem de acordo com o que preceituam os Evangelhos, positivamente não têm fé nem amam a Deus. Para encerrar, passamos a palavra ao grande vulto do Espiritismo, Léon Denis, que assim se expressa: ‘‘Deus não é desconhecido, é somente invisível. A alma, o pensamento, o bem, a beleza moral são igualmente invisíveis. Entretanto, não devemos amá-los?

E amá-los não será ainda amar a Deus, sua origem e ao mesmo tempo o pensamento supremo, a beleza perfeita, o bem absoluto?” Capítulo XXIII JESUS E NÓS O conhecimento da Doutrina Espírita implica em grande responsabilidade para os seus possuidores, como ensina o O Evangelho Segundo o Espiritismo, quer no tocante aos pensamentos que emitem, quer na expressão e exteriorização de palavras e atos. Ser espírita não é somente frequentar sessões espíritas, conhecer e pregar os seus ensinamentos, mediar Espíritos no sentido de consolar e curar. Mas sim, cuidar, sobretudo, da reforma moral. Esta a finalidade principal do Espiritismo, imprescindível ao estabelecimento do Reino de Deus na Terra. Com a Codificação Kardeciana, os Céus se desvelaram e novas revelações no que tange à espiritualidade se .derramaram sobre os objetos da esperança de Nosso Salvador, agora representados pelos espiritas, aos quais compete exemplificá-las e veiculá-las por todo o orbe.

Por aí, se pode avaliar a responsabilidade dos espíritos, pela certeza que adquiriram, através do Espiritismo, da imortalidade da alma e de uma vida melhor, pela prática das boas ações, uma vez transpostas as barreiras da carne. Os espíritas simbolizam os “trabalhadores da última hora”, sobre cujos ombros foi colocada a tarefa espinhosa, porém enobrecedora, de continuarem o apostolado do Divino Mestre. Esta tarefa, se levada a bom termo, pode redimi-los de seus débitos passados para com a Humanidade e proporcionar-lhes um futuro espiritual feliz. ooo O Divino Mestre volve, agora, o seu olhar amorável para esses obreiros devotados do Bem, deles esperando á divulgação e prática de seus ensinamentos em “espírito e verdade” como ensina o Espiritismo, única maneira de irmanar os homens e tomá-los felizes. Isto porque, até então, os seus ensinamentos têm sido obscurecidos e deturpados pelos seus falsos seguidores, preocupados tão-somente no atendimento de seus interesses. Cerremos fileiras, portanto, em tomo do ideal salvador do Cristo, resumido no “'Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo Busquemos projetar largamente as luzes benditas da Terceira Revelação para a mais rápida recristianização do mundo.

Capítulo XXIV SUPREMO CONSOLO Com a desencarnação da companheira de cinquenta e sete anos de vida conjugal, nosso sogro entrou em profundo abatimento, alheando-se a tudo e a todos, permanecendo neste estado por mais de um mês. Foi quando decidimos levá-lo a Uberaba, em busca do Chico, na expectativa de um lenitivo à saudade dolorida que o acabrunhava. Chegados a Uberaba, após pequena pausa para o refazimento das energias da longa, mas agradabilíssima viagem sobre o asfalto e debaixo de um céu amplo, claro e ameno, rumamos ao “Comunhão”, juntamente com a esposa, a cunhada, o cunhado que nos transportara em seu automóvel e nosso sogro. Lá chegando, divisamos o admirável Chico, atendendo verbal e carinhosamente, como sempre o faz, uma longa fila, esperando igualmente a nossa vez. Quando o atendimento ia ao meio, Chico, escusando- se, adentrou um pequeno recinto, fechando-se nele de tal sorte que não pudemos ser atendidos.

Ficamos sabendo, depois, que o abnegado irmão havia sido orientado pelo seu guia espiritual para a recepção mediúnica de receitas aos inúmeros pedidos de consultas que se avolumavam sobre a mesa e, entre eles, os nossos, inclusive o do nosso sogro. Findos os pedidos da maior parte das pessoas que ali se encontravam, estes foram encaminhados ao médium. Haviam decorrido três horas aproximadamente — a esta altura o relógio marcava meia hora do dia seguinte —, quando o Chico saiu do referido recinto. Logo após, as receitas eram distribuídas aos seus destinatários. Todos demonstraram grande contentamento ao constatarem a precisão da finalidade dos medicamentos que lhes foram receitados pelos Benfeitores Espirituais.

Porém, a mensagem de emoção e júbilo indescritíveis, portadora de supremo consolo, a par de inequívocas provas da continuação da vida depois de largados os despojos mortais na escuridão da sepultura, estava reservada ao nosso sogro, tão incorformado pela separação física da que foi sua consorte estremecida por longos anos, duramente provados nc cadinho das experiências terrestres. Transcrevemos abaixo, na íntegra, a mensagem retro- aludida, esperando que ela sirva a todos os que passaram ou venham a passar pela dor da separação — como no caso do nosso sogro — de estímulo no prosseguimento da jornada terrena com todas as suas lutas e vicissitudes, de consolo e de esperança de um feliz reencontro com aqueles que amamos e que nos precederam no Além. Ei-la: “Filho, devotados Amigos Espirituais estão amparando a nossa irmã Amanda em seu necessário refazimento. Acalme o seu coração de companheiro, confiando em Jesus. Aquela que o seu carinho de homem de bem sempre considerou como sendo a Rosa de Luz de seu caminho muito breve estará cooperando em seu auxílio.

Ajude-a com a sua paz. Jesus nos abençoe”. Cumpre-nos assinalar aqui que o nosso sogro somente naquela oportunidade vira o médium pessoalmente, ambos não trocaram palavra, bem como nenhum de nós, seus acompanhantes. Por conseguinte, o médium não estava a par da sua viuvez e do objetivo da sua visita. Outro fato relevante: apesar de termos convivido com a nossa sogra durante mais de quatro anos, ignorávamos completamente que o seu nome fosse AMANDA, conforme consta da mensagem.

Nós a chamávamos por Armanda, do mesmo modo que a chamava o nosso sogro. Concluindo, queremos agradecer ao Pai Amantíssimo pela presença do nosso querido Chico entre nós e, ao mesmo tempo, rogar o cumule de bênçãos cada vez mais, pelas copiosas mensagens plenas de sabedoria, carinho, consolos e esperanças inefáveis que do mais Alto vem carreando à Terra através de sua mediunidade gloriosa e bendita. E, principalmente, pelos seus exemplos de amor e humildade. Capítulo XXV DIANTE DA ENFERMIDADE E DA MORTE Causa-nos espécie, senão repugnância, a atitude ridícula e desencorajadora de certas pessoas diante de um enfer- mo. Destituídas do mais elementar princípio de humildade, ao visitarem um doente, põem-se a falar de tudo e de todos, com impressionante desenvoltura.

Exageram a enfermidade com cores negras, quais corujas de mau agouro; esmiú- çam a sua vida, convertendo-a logo em tema central de suas longas e cacetes conversações, levando assim o desespero e a desolação ao lar, antes cheio de esperança pelo restabelecimento do ente querido. Diante da morte, a atitude dessas pessoas não é muito diferente. Transformam o recinto mortuário em uma espécie de tribuna livre, onde os assuntos mais corriqueiros, tais como: problemas domésticos, política e outros são ventilados com desfaçatez, não faltando mesmo os comentários desairosos em tomo da pessoa desencarnada. Se esta deixou bens, quase comuns as divergências entre elas; quando herdeiras, às vezes, vão às vias de fato antes do corpo baixar à sepultura. Paralelamente, o contrário se verifica quando a visita a um enfermo é a de um espírita compenetrado de seus deveres.

E sempre esperado com ansiedade, como se fora mensageiro de Deus, porque ele é instrumento de conforto e esperança e, não raro, de cura. No que se refere à morte, o Espiritismo desensina o choro lastimoso e o desespero exarcebado frente à desencarnação de um familiar, porque isto implicaria revolta contra os desígnios de Deus. Mas, ensina sim, que este momento deve ser cercado de respeito e prece a favor do desencarnado, de consolo e mesmo auxilio, quando necessário, aos seus familiares. Nessas condições é que as visitas aos enfermos e aos que largaram o corpo físico tornam-se caridade. Só pela prática da caridade é que evidenciaremos o nosso amor ao próximo e a Deus.

Capítulo XXVI MEDIUNIDADE LATENTE Causa-nos pena ver certas criaturas, dotadas de apreciável vitalidade, a par de uma mediunidade incipiente que, por ignorância, preconceito religioso ou má vontade, se descuram de exercitá-la, decorrendo para elas, em consequên- cia, sérios prejuízos de ordem moral e física, além de privarem muita gente necessitada de seus benefícios. Geralmente, essas criaturas padecem de inquietações, provenientes da própria mediunidade desprezada ou ignorada. São impacientes, irritadiças e de difícil trato, vivem se queixando de enfermidades que só existem nos próprios Espíritos ignorantes ou maus que as envolvem e lhes incutem tais pensamentos enfermiços. Em nossas reuniões mediúnicas, tivemos oportunidade de libertar algumas criaturas de supostas enfermidades, depois da doutrinação dos Espíritos que as afligiam. E o subsequente desenvolvimento de suas faculdades mediúnicas, juntamente com o estudo metódico das obras kardecia- nas, fortaleceu-lhes o bem-estar geral.

A causa das perturbações a que acima aludimos, por parte dessas criaturas, prende-se ao fato de elas não movimentarem grande soma de fluidos de que são possuidoras, em direção ao Bem. Assim, esses fluidos estagnados por falta de dispersão, no sentido de aliviar, confortar, ensinar e curar os que sofrem, que é a sua finalidade precípua, congestionam o sistema nervoso de seus detentores, propiciando o avizinhamento de Espíritos infelizes que os arrastam à perturbação. Muitas vezes essas criaturas são levadas, ainda, a chafurdarem no lodaçal dos vidos ou à criminalidade e, não raro, à demência, quando não enleadas por entidades espirituais perversas e pertinazes. o o o A mediunidade é um dom que Deus concedeu às criaturas a fim de se reabilitarem, através da prática honesta e desinteressada, dos erros de passadas existências, concorrendo ainda para a elevação espiritual de seus semelhantes. Ninguém a conspurca ou a relega impunemente. Segundo a Doutrina Espírita, os seus portadores responderão pelo uso que dela fizerem.

Por isso, quando nos defrontarmos com indivíduos desavisados, com indícios de mediunidade, não titubeemos em esclarecê-los quanto à necessidade de seu desenvolvimento, encaminhando-os para uma sociedade espírita idônea, onde possam receber a assistência de que carecem. Assim procedendo, estaremos contribuindo — e disso temos muitos exemplos — para que essas criaturas não venham a ser objeto de alguma obsessão, ou vítimas da loucura, da qual o Espiritismo é o imunizador por excelência. Capítulo XXVII NO PALCO DA TERRA A Terra, com suas lutas, incompreensões e amargores, constitui-se no palco onde fomos colocados péla Divina Providência, a fim de ressarcirmos erros e amealharmos experiências aperfeiçoadoras de nossos Espiritos. Em decorrência de acertos e desacertos carreados do pretérito nos encontramos presentemente no lugar devido, com tarefas definidas e perfeitamente condizentes com as nossas condições evolutivas. O objetivo é o adestramento espiritual capaz de nos alçar, através dos próprios esforços, a planos de vida mais elevados.

Para a nossa legítima felicidade, ilusoriamente buscada na satisfação sensorial, o Pai facultou-nos todos os recursos necessários ao seu conseguimento, notadamente o que estabelece o preceito divino: “Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a nós mesmos”. Eternos viajores que somos rumo ao Infinito da Perfeição, sem pouso duradouro em parte alguma além do necessário ao nosso adiantamento prefigurado nas asas do saber e da moral, cumpre desvincularmo-nos dos nossos erros passados e presentes, absolutamente subjugáveis, e forrarmo- nos para sempre, das descidas aos planos sofrimentais. O homem é conversível. Se assim não fora, nenhuma razão existiria para que Deus, na Sua infinita Sabedoria, enviasse Seus Mensageiros que se empenharam bravamente, e muitas vezes com o sacrifício de suas próprias vidas, no erguimento espiritual do homem. Valorizemos, portanto, a oportunidade desta encarnação, encarecidamente por nós solicitada e não raro custodiada por merttores espirituais que confiaram nas possibilidades da nossa regeneração.

Busquemos assimilar e pôr em prática os ensinamentos legados pelos Corifeus da Espiritualidade, a fim de que, amanhã, quando estivermos do outro lado, não venhamos a nos arrepender do malbaratamen- to dessa nossa curta existência. Capítulo XXVIII FRATERNIDADE CRISTÃ Só a compreensão e a prática da fraternidade cristã é que poderão tomar o homem feliz e apressá-lo na escala evolutiva da Espiritualidade. A fraternidade cristã não se restringe a uma pessoa, a uma família, ou a um povo. É universal porque abrange tudo e todos. Do minério ao homem, deste ao infinito, tudo se entrosa, se encadeia.

É lei à qual todos estão sujeitos e ninguém pode se furtar, em que pese seu orgulho. o o o Fraternidade não é ajuntamento. Vemos, muitas vezes, uma família reunida sob o mesmo teto, não obstante não seja unida. Está ajuntada, mas não irmanada. A fraternidade, para ser legítima, tem que se assentar nos magnos princípios evangélicos salvadores do homem: Amar a Deus e ao próximo como a si mesmo. Lemos na história religiosa que os arautos da fé e do bem arrostaram toda uma existência de sofrimentos e privações pela elevação moral do homem.

Exemplo grande esse de fraternidade cristã. Mostraram, assim procedendo, a possibilidade e a necessidade de tal prática, a única que poderá construir um mundo melhor e assegurar um futuro espiitual promissor. Capítulo XXIX “PARA UM MUNDO NOVO, HOMENS NOVOS” “Para um mundo novo, homens novos”, diz o grande vulto do Espiritismo, Léon Denis. E, para que o mundo seja melhor, é preciso que os homens sejam melhores, o que só se conseguirá através de uma educação com base espiritual científica. Esta, sem favor nenhum, só o Espiritismo poderá oferecer, porque ele é essençialmente científico, e a moral decorrente de sua filosofia é puramente cristã.

Não nos cansamos de repetir que ele é o Consolador prometido por Jesus. As igrejas dogmáticas, com os seus métodos arcaicos e pouco convincentes em virtude de não serem precedidos de bases científicas — exigência inelutável deste século, em que a razão se acha mais amadurecida com o progresso da Ciência —, já não influenciam mais, como não influenciaram como era de se esperar, na formação moral dos povos. A moral imposta pelo terror do “inferno”, na qual ninguém que tenha um pouco de bom-senso acredita mais, é falsa, e não melhora na verdade o homem. Ou o toma fanático, ou o toma vacilante. A educação moral não se aprende, é óbvio, nas escolas, porque o que ai se ensina é uma educação convencional, que periclita e se apaga quando cessa o seu interesse.

Moral verdadeira é a moral cristã, escoimada dos prejuízos de seitas. E o Espiritismo, como Ciência que ê—pois que o seu corpo doútrinário é baseado em fatos concretos e não em dogmas ou hipóteses —, está credenciado, superiormente a quaisquer credos religiosos, a enunciá-la na sua pureza e simplicidade primitivas. Em razão disso, o Espiritismo está destinado a renovar os homens, tomando-os melhores, através da prática dos seus ensinamentos divinos. Só com a chave que faculta o Espiritismo é que se podem abrir os arcanos das verdades imortais ensinadas pelo Cristo. Por conseguinte, sem Espiritismo não há, verdadeiramente, Cristianismo.

A corrupção atual constitui-se num atestado de óbito aos métodos de educação moral sem base científico-religiosa. ooo A geração que surge há de ser espírita, se quiser sobreviver ao caos moral em que o mundo se debate. Por isso, reveste-se de grande importância o papel dos pais espíritas na educação de seus filhos. Missão nobilíssima esta, porque objetiva forjar caracteres nobres para o mundo de amanhã, em que a fraternidade, a paz e a justiça deixarão de ser palavras vãs. Capítulo XXX RECORDANDO VINÍCIUS No período de 1946 a 1951, quando prestávamos nossos humildes serviços na Federação Espírita do Estado de São Paulo, tivemos a rara felicidade de privar quase que diariamente do convívio do preclaro, saudoso e venerando Pedro de Camargo, sobejamente conhecido pelo pseudônimo Vinícius nos meios espiritas. Durante todo esse tempo ele nos confiou a datilografia para a imprensa de seus trabalhos, va2ados num estilo todo seu, ameno e escorreito, em que se vislumbrava a intenção louvável do autor em veicular os ensinamentos do Divino Mestre sob as claridades da nossa Doutrina, de forma acessível ao intelecto mais modesto.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.