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Capítulo 10 de 15

Iii — parte 3 de 8

Nuctemeron de Apolonio De Tiana

Quinta Hora: A Voz das Grandes Águas entoa louvores ao Deus das Esferas Celestiais.

Seguimos o candidato nos Mistérios Libertadores em sua viagem pela esfera refletora. Ele, como uma Pistis Sophia, atravessou todas as regiões dessa esfera, enquanto fez uso das quatro lanternas mágicas, que soube manter acesas, de modo que, todas as ilusões e encantamentos das esferas dialéticas não puderam retê-lo nem prejudicá-lo.

E assim, o candidato entra na Quinta Hora, no quinto período, na quinta fase de seu caminho de desenvolvimento. Esta Quinta Hora diz: "A Voz das Grandes Águas entoa louvores ao Deus das Esferas Celestiais."

A Quinta Hora é a Hora da Vitória, a hora da completa libertação de todas as influências, de todas as forças e aspectos da dialética, tanto em relação à esfera material, como também em ralação à esfera refletora. Só agora é possível falar-se de uma Nova Gênese Humana, de um nascimento verdadeiramente novo, da estrela de cinco pontas de Belém, da verdadeira, da profunda paz interior.

Esta situação, totalmente nova, não se encontra, para os candidatos que progridem numa Escola Espiritual Gnóstica, a uma distância imensamente grande, sendo experimentada tão somente quando toda a corporeidade dialética tenha desaparecido pela morte, mas o Nuctemeron nos quer informar que esse estado de ser pode ser festejado enquanto o candidato ainda possui completo controle sobre sua personalidade natural, e esta tornou-se perfeitamente "Joanina", tendo ingressado, pela morte do eu, no estado de Nascimento da Alma.

É justamente de homens tais que a Fraternidade Universal necessita, a fim de que trabalhem na colheita; pessoas que estão no mundo mas já não mais pertencem ao mundo. É magnífico o saber-se que fomos recebidos nos braços amorosos da Fraternidade, e estamos sendo guiados, passo a passo, para o Mundo do Estado Vivente da Alma.

Felizes e contentes ficaremos quando deixarmos, definitivamente, o lacrimatório terrestre após o Nascimento da Alma, porém ainda mais maravilhoso é o fato de que podemos sair para o grande campo de colheita, como servo, sabendo-se que a colheita será abundante. Quando, no simbolismo evangélico, a Estrela de Belém brilha sobre a gruta do nascimento, então ficamos sabendo que isso se refere a semelhante servo da humanidade, a semelhante "filho do homem."

Ele é portador da assinatura da Quinta Hora do Nuctemeron. Ele é um Homem-Alma vivente na figura de um corpo joanino, ele penetra na natureza da morte para realizar a sua tarefa. Ele se encontra nas Correntes de Vida da Vida Universal, e assimila as Grandes Forças de Vida que protegem e suportam a Humanidade Divina.

E essas Correntes de Vida só têm uma Voz, a Voz do único e grande Plano Divino da Onimanifestação. Na Quinta Hora o Homem-Alma escuta a Voz das Grandes Águas. Por isso, quem ingressa nessa Quinta Hora, que é a Hora da Vitória, ouve a música celestial da Vida Universal, ouve o som básico do Universo, som este que, pela Fraternidade dos Cátaros em seus hinos, vibrou mediante as cinco vogais A-E-I-O-U.

São as cinco vogais da Quinta Hora, as quais, como a Voz das Grandes Águas das esferas celestiais, entoam louvores ao Deus. São as cinco vogais que abrem as fronteiras da Cabeça Áurea e convidam os Efésios a entrar.

Pois bem, nesta Hora da Vitória, nesta Hora do Nascimento, o candidato deve, antes de tudo, refletir profundamente sobre aquilo que deixou para trás e sobre aquilo que se encontra à sua frente. Essa reflexão é absolutamente necessária, porque o passado sempre conservará certa característica no microcosmo. Apagar o passado, ou remover o karma, não significa "perdê-lo totalmente". Mas, sim, significa, unicamente, tê-lo esgotado, tê-lo vencido! Em certo sentido o passado sempre permanece na memória do microcosmo, sempre podemos evocá-lo em nossa lembrança, enquanto vivemos. Essa lembrança pode ser uma tendência, ou - se ela se relaciona a predecessores no microcosmo a uma influência.

Contudo, ao lado disso abre-se (se o candidato alcançou os novos domínios), na base das novas possibilidades, um futuro completamente novo.

E, na reflexão da Quinta Hora, o candidato deve decidir-se a pôr um fim definitivo ao passado, apesar de ele estar disponível, apesar de este poder ser imediatamente vivificado outra vez. O candidato não deve ingressar na Nova Terra senão com as novas possibilidades, para com elas investigá-la.

Alguns exemplos poderão ser úteis no sentido de esclarecer o que se disse, visto que, em muitas fases anteriores do aluno, aparece a mesma situação, como sombras antecipadas da Quinta Hora.

Suponde que vós, como criaturas amadurecidas, com muitas experiências na vida, com uma existência de muito trabalho e muitas obrigações, suponde que ingressais, num certo momento, numa Escola Espiritual Gnóstica e lá ficais encarregados de um trabalho qualquer. Então ficais animados, com as melhores intenções, em também usar na Escola Espiritual antigos comportamentos, que se mostraram de utilidade e de bom êxito.

Então constatareis que esse método de ação, esse comportamento sempre mostra um resultado negativo numa Escola Espiritual.

Quando, por conseguinte, o candidato na Hora da Vitória lança um olhar retrospectivo, vê ele toda a série de fraquezas tipicamente humanas que ocupavam a sua vida anteriormente, que apuseram o seu sinete em seu caráter, que formaram a sua personalidade, que determinaram a sua conduta para com os seus sernelhantes, as suas alegrias e as suas tristezas.

Em seguida, ele descobre que no passado ele nada mais foi que um joguete do destino. O destino, a dialética determinou o seu caminho de vida. E então ele vê nitidamente por que o destino, nesse período, tomou em suas mãos as rédeas de sua vida. Por que dia e noite ele ocupou-se da dialética. Desde o nascimento até o momento do amadurecimento na vida, cada homem é preparado, sintonizado a fim de participar da vida dialética, para familiarizar-se com os hábitos e as forças de uma prática de vida dialética.

E é mais do que evidente, absolutamente claro e simplesmente inevitável que o homem seja arrebatado por essas forças, por elas dominado e, por conseguinte, por elas governado.

São hábitos, práticas decorrentes da vida que são tão refinadamente inteligentes, tão engenhosos, mental e astralmente tão poderosos, tão coroados de êxito na natureza comum, que é preciso resistir à tentação de também aplicá-los em um novo estado de ser. Em sua vista retrospectiva o candidato, estando na Quinta Hora, deve tomar a absoluta decisão de não aplicar, no novo estado de vida, nenhum, mas absolutamente nenhum, dos antigos hábitos de vida e métodos.

E assim ele retorna de sua vista retrospectiva para o Novo Vivente e o futuro nele contido, e ele toma em suas mãos, na da Vitória, as novas armas, e faz uso de suas novas possibilidades.

O que encerram elas?

O candidato se encontra nas correntes de vida das Grandes Águas Universais o que quer dizer que um Novo Fogo Mágico toca-o, transpassa-o e passa a residir nele.

As Vozes das Grandes Águas cantam nele mediante os cinco sons primordiais. Esses cinco sons se interpenetram, e o candidato extrai a quinta-essência desse cântico, o que significa, na música, o quinto degrau do som fundamental; e na Magia significa o mais excelente, o mais nobre, o mais forte dessa grande Força, a qual tornou-se dele, e ele destaca-se como servidor, como servidor de grande Pátria do Divino Desvelo, para realizar as tarefas que o aguardam no Campo de Colheita. É uma Força básica com a qual ele leva por toda parte, mesmo nas maiores profundidades do inferno, harmonia, a calma e a paz, a paz de Belém. Quem sabe empregar essa Força, e pode empregá-la, não precisa mais lutar, porquanto toda disputa surge da recíproca inimizade entre as forças gêmeas da natureza, dialética. Quem já não vive mais dessas forças, triunfa sobre toda contenda, e é para todos os que ainda vivem nas trevas, um Mensageiro de Paz sobre a Terra.

Um tal homem traz esse vácuo do Novo Estado da Alma para a natureza da morte, para que nesse vácuo os infelizes e os doloridos possam ser santificados, possam ser curados. Nos Mistérios isso é denominado o "casamento dos Opostos". Bem e Mal, luz e trevas, alegria e melancolia, amor e ódio estes contrários, quando se fizerem presentes neles, são postos em harmonia pela Alma.

Assim a Alma, somente ela, vence a dialética! A Sexta Hora, até onde acaba de chegar a nossa exposição, diz: "O Espírito permanece impassível. Ele vê o monstro infernal vir ao Seu encontro e está sem medo."

Pudemos, então, estabelecer que a Quinta Hora foi a "Hora da Vitória", na qual o candidato nos Mistérios Gnósticos, primeiramente, lança um olhar retrospectivo e depois, sob nenhuma condição, toma a decisão de não mais trabalhar com as forças e os métodos da vida antiga; porque, se o fizesse, essas forças, como que automaticamente, passariam a governá-lo. Em seguida, dirige os seus olhos para o futuro, onde, provido de forças completamente novas, isto é, provido das forças das Grandes Águas, as Forças do Espirito Sétuplo, como servo de Deus e dos homens, toma sobre si a sua tarefa.

Após ter comemorado a sua vitória, o candidato se encontra em seu caminho de desenvolvimento, pela primeira vez, como homem perfeitamente livre, dentro da natureza da morte.

Agora, para ele, valem integralmente as palavras: "Está no mundo mas não é do mundo."

Muitos foram os místicos que procuraram dar solução a essas palavras, fugindo, literal e corporalmente, do mundo. Ocultaram-se atrás das grossas paredes dos mosteiros, ocultaram-se em lugares inacessíveis das florestas virgens ou das montanhas e, isto não bastando, procuraram ainda, no interior das paredes dos mosteiros, o isolamento em celas.

Mas agora não se trata de paredes e celas em lugares isolados, mas trata-se de estar no mundo, no sentido mais amplo da palavra. E, em meio deste mundo, o candidato provará que é uma peça valiosa e atuante a serviço do mundo e da humanidade; uma peça ativa, perfeitamente mergulhada na vida da natureza da morte, tendo como objetivo poder assim aproximar-se de todos os que, nessa mesma natureza, se encontram aprisionados.

E, deste modo, está o candidato no mundo e no entanto não pertence ao mundo!

Esse é o segredo da Arte Hermética.

O "não pertencer ao mundo" não é nenhuma fuga do mundo, nenhuma inimizade pelo mundo ou pela vida, mas é estar no mundo, servi-lo e, através dos Mistérios Gnósticos e com o seu auxilio, vencer interiormente este mundo, por meio do Nascimento da Alma e do Novo Estado de Consciência. E alcançar o poder, mediante o novo estado de ser, manter impassível o Espirito diante dos ataques e da tirania dialéticos.

Semelhante homem tornou-se um homem sem medo. Ele se encontra, em sentido gnóstico, enobrecido para o serviço à humanidade. Ele pode caminhar sossegadamente pelo mundo e, não obstante, contar com perigos, porém ele não os teme, devido a Nova Força interior.

Penetrar nessa superior e profunda Liberdade, deve ser o anseio mais profundo e a meta de todo aluno da Escola Espiritual, porquanto toda forma dialética de liberdade é um grande e fundamental embuste, uma auto-ilusão absoluta e sempre uma forma de aprisionamento. Permiti, pois, que acompanhemos o rumo da verdadeira Liberdade de um tal servo da humanidade, dentro da vida dialética. Ele realiza sua tarefa por incumbência da Luz Universal. Por isso ele recebe o título de Rei- Sacerdote. Seu sacerdócio é-nos compreensível porque ele serve a Deus e ao homem, ele é uma luz, na Senda, para o pesquisador. A sua realeza devemos compreendê-la no sentido clássico. Um rei, em sentido fundamental, é um monarca, um homem que se tornou autônomo, um homem que, vivendo verdadeiramente o sacerdócio, elevou-se a essa autonomia.

Não há poder algum (afora o da Gnosis) que esteja acima do dele. Não há na dialética domínio algum em que ele não poderia penetrar para realizar sua tarefa. Com certeza, já deveis ter lido na Escritura Sagrada Universal acerca da verdadeira realeza da alma, da realeza que foi libertada pelo Espirito. Compreende-se que um tal Sacerdócio Real, um estado de ser absoluto, seja necessário para o Obreiro do Reino de Deus!

Por isso que semelhante Sacerdócio Real é, por exemplo, indicado como Sacerdócio Real de Melquisedec, o do misterioso dirigente de uma Ordem elevada, a Ordem de Melquisedec.

Melquisedec é a entidade que representa a Superior Justiça Divina, e reside na eqüidade do Divino Reino da Paz. Por isso, diz-se que ele é Rei de Salém, Rei do Reino da Paz. Todos, portanto, e na Sexta Hora de sua viagem para a Vida Universal começam a sua tarefa em serviço integral, são reis-sacerdotes segundo a Ordem de Melquisedec, com que se indica, na natureza da morte, a elevada autonomia e a inviolabilidade desse sacerdócio. Assim, precisais compreender bem que o candidato nos Mistérios Gnósticos, candidato que ingressou na Ordem do Sacerdócio Real e executa o seu trabalho prestimoso, tem mais o que fazer, do que talar e testemunhar a respeito da vida libertadora do estado da alma. Mediante exemplo dinâmico e vivo, e mediante a construção de um "campo de trabalho", um tal rei-sacerdote precisa estimular os pesquisadores a tomarem em suas mãos o cajado de peregrino. Este trabalho é, porém, tão somente uma relativa e pequenina parte do que, efetivamente, vai ser realizado. O campo de atividade, ao qual o Rei-Sacerdote deve dirigir-se, é tão extenso, que é quase impossível fazer-se dele uma idéia.

Quem, pois, quer também compreender, mais ou menos, o significado da Sexta Hora, deve procurar dar uma vista de olhos nesse "campo de atividade", para abranger algo de sua grandiosidade e inviolabilidade.

Vivemos num mundo de ilusões, cujas causas, em sua maioria, encontram-se veladas. Quem quer realmente auxiliar uma criatura, em todos os seus caminhos, pelo campo da existência, deve conhecer as mais recônditas causas desta vida.

Todos nós possuímos caracteres distintos, e não obstante sermos seres humanos, possuímos tipos basicamente diferentes, e, nas mesmas situações, pensaremos, sentiremos e agiremos diferentemente. As atividades psicológicas são, quanto às causas e os resultados, inteiramente individuais.

Poderíamos liquidar essas diferenças falando em: passado, karma, estado de sangue, fatores hereditários, raça, povo, vida burguesa, mas, com tais palavras, pouco damos a entender basicamente. Pois, quando dizemos que somos produtos do passado, então ainda nada dissemos da verdadeira natureza desse passado; e não é nada fácil sondar completamente esse passado, ainda que seja um pouco dele. Na Escola aproximandonos desse problema quando dizermos que toda manifestação de vida é a conseqüência de uma certa radiação eletromagnética de natureza cósmica. Mas também assim ainda nada dissermos daquilo que se encontra por trás.

Os raios cósmicos, no que se refere ao seu objetivo, vêm diretamente a nós ou não? Existem forças ou seres que a esse respeito ocasionam transformações que as distorcem com segundas intenções? Existem talvez ainda outras obstruções? Não seria que vários reinos de vida estariam se influenciando reciprocamente, fazendo surgir assim toda a espécie de radiações secundárias?

Deste modo podereis propor uma série de perguntas, e, quando na Escola da Rosacruz dizermos simplesmente que há uma radiação dialética e uma radiação gnóstica, estamos unicamente balbuciando o primeiro princípio de uma ciência da radiação, que deve ser investigada, ciência esta da qual se devem explicar todas as causas e estados da vida, antes de que se possa falar de um verdadeiro auxílio, de uma verdadeira terapia.

O que sabemos basicamente um do outro?

Vemos uns aos outros fazer coisas estranhas, funestas, deploráveis muitas vezes consternados, perguntamos por que?

E assim assomam muitas perguntas! Por que um vem para a Escola da Rosacruz e um outro não? Por que muitos, que estavam a ponto de encontrar a Rosacruz, no último momento, recuaram?

Que influências invisíveis fizeram-no mudar de direção?

Eis por que o verdadeiro e profundo amor ao próximo requer que se saiba por que alguém pensa, sente e age assim como o faz.

Que forças, em toda sua variegada multiplicidade, governam o homem? É possível, uma vez descoberta a fonte dessas forças, obstruí-las ou desviá-las de seu curso em relação a determinados grupos humanos?

Percebeis que possuir o domínio e o conhecimento da ciência da radiação, em sentido universal, é uma necessidade para se executar verdadeiro serviço ao próximo?

Os Antigos distinguiram muitos grupos de radiações, segundo os seus efeitos. Eles personificaram esses grupos e assim fala-se de deuses, ídolos e espíritos. Mediante muitas invocações e apelos, mediante muitas práticas ocultas, procurou-se, em seguida, limitar a eficácia de certas radiações em sua atividade; ao mesmo tempo, procurou-se estimular outras radiações. Assim, descobrimos que se trata de uma antiga ciência que, em certo sentido, perdeu-se, foi esquecida e arruinou-se, por ter sido empregada, ilegitimamente. Essa ciência só deve ser conhecida e utilizada, quando se está animado de intenções verdadeiramente gnósticas, intenções que a todos nós são diariamente sugeridas.

Podemos esboçar para vós essa Ciência (ciência que há muitas dezenas de milhares de anos esteve em poder da humanidade), para com segurança e rapidamente aplainar, um para o outro e conjuntamente, o Caminho para a Vida Libertadora.

Porém, desde há muito que esse Antigo Saber, outra vez foi retirado para os Mistérios da Ordem de Melquisedec, e só é presenteada àqueles que, na Sexta Hora, devem iniciar o seu trabalho auxiliador..

Em nosso próximo artigo, vos falaremos acerca dessa Ciência das Radiações Cósmicas, sobre sua natureza, objetivo e prática, a fim de pôr o significado da Sexta Hora do Nuctemeron sob luz clara.

Uma parte da Sexta Hora foi agora esclarecida para vós, justamente a que diz: "O Espirito permanece impassível. Ele está sem medo." A outra parte: "Ele vê o monstro infernal vir ao seu encontro", deve ainda seguir-se, e com estas últimas palavras fazse, sob certos aspectos, referencia às Radiações Intercósmicas.

O Espirito permanece impassível. Ele vê o monstro infernal vir ao Seu encontro e está sem medo.

Examinaremos neste artigo a segunda parte da Sexta Hora, cujo texto completo diz: "O Espirito permanece impassível. Ele vê o monstro infernal vir ao Seu encontro e está sem medo."

Temos, por conseguinte, de responder à pergunta: Por que o homem liberto da dialética, mas que ainda nela se encontra em atividade a serviço do mundo e da humanidade, está absolutamente sem medo, apesar de ver aproximar de si o monstro infernal?

É necessário que compreendais bem que esse "sem medo" nada tem a ver com um eventual medo atinente a si mesmo, medo que se refira ao seu próprio estado de ser, porquanto o candidato, já na Quinta Hora, obteve a vitória sobre a morte e sobre a matéria. Por isso que é compreensível, quando ele dá inicio a sua tarefa de libertação da humanidade, não pode, de nenhum modo, tratar-se de um vulgar medo atinente à sua existência, e, por conseguinte, também atinente à típica luta dialética pela existência.

O liberto tornou-se "sem medo" em relação à existência e, por isso, não tem nenhum sentido, na Sexta Hora, referir-se novamente a um estado que se relaciona com o ser natural.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.