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Capítulo 14 de 15

Calma e Coragem

Ninguém Morre · Chico Xavier, espíritos diversos

Fátima Solange de Assis Campos

Das oito mensagens - cinco delas, praticamente bilhetes - , que o Espírito de Fátima Solange de Assis Campos transmitiu, por intermédio de Chico Xavier, aos pais, por motivo de espaço, selecionamos apenas duas _ a primeira e a sétima, recebidas, respectivamente, a 15 de dezembro de 1978 e 17 de abril de 1981 _ para este volume. Ante do sumário de nossa Autora Espiritual, transcrevemos os principais tópicos da seguinte carta, que recebemos de sua genitora:

“São Paulo, 2 de maio de 1980. Prezado Dr. Elias Barbosa, Muita saúde e paz em seu lar. Recentemente, tomei conhecimento, pelo Dr. Hércio Marcos Cintra Arantes, que o nosso estimado Chico Xavier lhe comunicou que a mensagem de minha amada filha Fátima Solange será incorporada em um livro organizado pelo senhor. Fiquei muito feliz. O Dr. Hércio, já havia recolhido os dados da mensagem, e me avisou que lhe enviará todo o material, inclusive o xerox de cada pagina original da referida mensagem, e a foto de Fátima Solange. Envio-lhe, também, em anexo, um exemplar da Folha Espírita, que possui mas dados sobre minha filha. Se o senhor precisar de mim para mais alguns detalhes, é só escrever-me. Submeti-me a cinco cirurgias no braço, em conseqüência do acidente que nos vitimou, levando nossa filha para o plano Espiritual. Por isso, estou lhe escrevendo a máquina. Continuo com o gesso no braço direito. Peço-lhe desculpas pelos erros, uma vez que escrevo apenas com um dedo da mão esquerda. (...) Quando esta carta chegar aí, me comunique, por favor, pois preciso saber se chegou tudo direitinho.

Vou-lhe dar o endereço para que o senhor se comunique comigo: Rua João Moura, 501, apartamento 74, Bairro Pinheiros, São Paulo (SP), CEP 05412. O endereço que o Dr. Hércio tem é outro. Como estou para me mudar, lhe envio o de minha mãe, pois passo o dia todo lá, só indo para casa para dormir, já que não posso movimentar muito o braço. Se o senhor achar conveniente, pode colocar este endereço no livro.

Se pudesse, ficaria escrevendo sobre minha filha a noite toda, mas sei que o senhor tem muitos afazeres. Não se esqueça de me avisar, por gentileza, quando o livro sair. Deus lhe pague por tudo, e que nosso Pai Poderoso dê muita saúde ao senhor e aos seus familiares, abençoando, também, o nosso querido Chico Xavier, pois, através dessas mensagens mediúnicas, nesses maravilhosos livros, é que consegui chegar até Uberaba e ter a felicidade de receber as mensagens de minha amada filha Fátima Solange. Mais uma vez, Dr. Elias, me desculpe, mas estou tão feliz e orgulhosa de saber que a mensagem de Fátima vai sair em um livro para poder consolar tantas mãezinhas que viram seus filhos partirem para a Espiritualidade. Em todos esses livros, notei que existem mais

mensagens de rapazes do que de moças; como eu tinha perdido uma filha, procurava os capítulos assinados por moças, mas, coisa curiosa, mesmo lendo as páginas dos moços, parecia que eram de minha filha para mim. Fátima partiu na idade mais linda de uma jovem _ faltavam cinco meses para completar quinze anos. Sei que existem muitas mães que viram seus filhos partirem, e todas elas estão vibrando para ver a Fátima em um livro, dando suas mensagens de amor e esperança. Estou começando a ser feliz novamente, pois sei que minha filha é feliz no Mundo Maior, e isso me conforta muito. Tenho a missão de continuar criando o filho que Deus me deixou na Terra _ Marcelo _, hoje com treze anos de idade, e muito querido e sempre lembrado pela nossa amada Fátima. Se o senhor se encontrar com o querido Chico, agradeça-lhe por mim, e queira dizer-lhe que estou orando muito pela saúde dele. Fraternalmente, (a) Maria José F. de Assis Campos”.

Sumário biográfico: Fátima Solange nasceu em São Paulo, Capital, no dia 1° de julho de 1963, e desencarnou a 4 de fevereiro de 1978, quando a família (seus pais, ela e Marcelo, seu irmão, na época com onze de idade) se dirigia para Atibaia, Estado de São Paulo, num sábado de Carnaval, no início da Rodovia Fernão Dias, perto de Guarulhos (SP). “Foi um acidente de automóvel, onde um Gálaxie atravessou a pista e se precipitou sobre nós”, segundo sua mãezinha. O casal foi hospitalizado; Marcelo foi o único que não se machucou, e Fátima Solange chegou ao Hospital, já sem vida. Fátima foi sempre motivo de alegria para os seus pais, Sr. Máximo de Assis Campos Netto e Sra. Maria José Falleiros de Assis Campos.

No ano em que desencarnou, iria ela iniciar o seu curso na 8ª. Série, no Colégio Stella Maris, de Irmãs, e depois se transferiu para o Colégio Estadual de 1.º Grau Godofredo Furtado. Segundo nos informa Paulo Rossi Severino2, Fátima pretendia ser médica _ pediatra. Gostava de natação, bailes, decoração, pintura, e tocava violão. Sempre foi amorosa, mas uns três meses antes da desencarnação, parecia inquieta, muito agitada, com atitudes repentinas, que foram se transformando numa tristeza enorme dentro de seu íntimo. Finalmente, num dia de bulício carnavalesco, veio a defrontar-se com a morte do corpo físico que, a seu ver, “teve o aspecto de uma execução”.

Estudo comprobatório do capítulo anterior: 1 – Vovô Ruben: Trata-se do Sr. Ruben Lavoisier, avô materno de Fátima, desencarnado a 19 de junho de 1973. Um detalhe importante dado por D. Maria José: o Sr. Ruben era espírita. 2 – Vovó Brasilina: Sra. Brasilina Bernardo Arenzano, bisavó materna, desencarnada a 7 de maio de 1968. 3 – “Sonhava com a realidade para depois reconhecer que a realidade não era sonho”. Passo digno de um altíssimo poeta, residente na Espiritualidade Superior. 4 – “Sentia-lhe o corpo ferido em meu corpo diferente e as dificuldades de meu pai Máximo, a fim de se desvencilhar das dores que adquirira.” Os pais de Fátima ficaram, realmente, muito feridos; D. Maria sofreu várias fraturas, uma séria no braço, como vimos acima, que foi motivo de várias intervenções cirúrgicas, e o Sr. Máximo sofreu perfuração de pulmão, deslocamento do fêmur, fraturas no braço, e gritou muito, segundo conseguimos apurar. 5 – “Mãezinha, retome as suas atividades e esteja certa de que seguimos juntas.”

Conforme nos informou D. Maria José, depois da desencarnação de Fátima, ela só ia ao Hospital das Clínicas para o seu tratamento ortopédico, e ao cemitério. Antes, visitava amigos, freqüentava o Clube com os filhos, fazia crochê, tricô e bordados. 6 – “Mãezinha, às vezes, o pranto vem como nascente do coração para os olhos e a pessoa chora efetivamente com as lágrimas nas dimensões do sofrimento que nos atinge, mas há consolações ocultas que nos reanimam.”

Sua genitora nos contou que, diversas vezes, desesperada, pegava a foto da filha e pedia, em pensamento, ajuda, tentando obter, de alguma forma, consolação, que chegou, afinal, com a primeira mensagem e as demais que vieram, posteriormente. Para a sua felicidade. 7 – “Querida Mãezinha, peço ao seu coração amigo, como rogo ao meu pai, para que não culpem a ninguém.” Apesar da grande mágoa da família, D. Maria José, na época da entrevista concedida ao nosso confrade Dr. Hércio Arantes, disse que pretendia atender ao apelo da jovem desencarnada, não recorrendo a advogados. Para Fátima Solange o assunto era muito importante, porque, nos cinco parágrafos seguintes, volta ela, de modo bastante claro, a bater na mesma tecla. 8 – “Vovó Brasilina e meus avós Ruben e Máximo me auxiliam em todos os meus apuros na adaptação à vida nova.” Sobre o Sr. Ruben e D. Brasilina, consultemos, respectivamente, os itens 1 e 2, acima.

Quanto ao vovô Máximo, trata-se do Sr. Máximo de Assis Campos, avô paterno, desencarnado em 1928. 9 – Fátima Solange Assis Campos: Quanto à letra de Fátima Solange, ao escrever seu nome no término da mensagem, ao invés de assinar Fátima Solange de Assis Campos, fê-lo sem a preposição que dá ao nome, como sabemos, um cunho aristocrático. Sua genitora, tentando uma comparação, colocou duas assinaturas da filha, quando ainda na Terra, ao lado da sua assinatura depois da desencarnação, como podemos constatar nos facsímiles que tivemos o prazer de ofertar aos leitores, e fez as seguintes considerações, numa carta endereçada ao Dr. Hércio Marcos Cintra Arantes: “Coloquei as duas assinaturas de minha filha para o senhor comprovar. O Assis Campos é perfeito de quando ela estava na 5ª. Série, e o Fátima Solange é do ano de 1977. Coloquei as que eu achei mais semelhantes, porque ela mudava muito a letra, cada vez assinava de um modo, porque gostava de escrever muito em letra de forma.”

Para concluir este já extenso capítulo, transcrevamos os quatro recados que vieram através do lápis do médium Xavier, nas seguintes datas:08/09/78; 13/10/78; 19/01/79 e 16/02/79, todos com os seguintes dizeres na parte superior da lauda de papel: “Maria José de Assis Campos 36 anos – Presente – Pede notícias de sua filha desencarnada: Fátima Solange de Assis Campos – Faleceu: 4-2-78.” Importante considerar: a) que por ocasião da terceira visita ao Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, a família da Fátima Solange, ao invés de um recado, recebeu dela a tão esperada mensagem, na noite de 15 de dezembro de 1978; b) nos dois últimos recados, à frente do nome de D. Maria José de Assis Campos estava escrito: 37 anos.

Eis os recados, que promanaram da Vida Maior: “Jesus nos abençoe. A filha querida se encontra sob a assistência de abnegados Benfeitores da Vida Maior em seu necessário refazimento de forças. Confiemos no amparo de Jesus, hoje e sempre.” “Filha, Jesus nos abençoe.

A filha querida foi recebida pelo avô Ruben que se encontra presente, pedindo-lhe tranqüilidade e fé viva em Deus, na travessia das provas redentoras da Terra. Confiemos no amparo de Jesus, hoje e sempre.” “Filha, Jesus nos abençoe.

A filha querida está presente e agradece o carinho de suas lembranças, prometendo escrever logo que surja uma oportunidade mais favorável à expansão de seus sentimentos filiais. Confiemos no amparo de Jesus, hoje e sempre.” “Filha, Jesus nos abençoe.

A querida filhinha está presente e lhe comunica ao carinho maternal que vem trabalhando carinhosamente em favor de seu fortalecimento e em auxílio aos familiares queridos outros que lhe vivem na lembrança e no coração. Confiemos no amparo de Jesus, hoje e sempre.”

1 Aparentemente. (E.B.) 2 Paulo Rossi Severino, “Fátima escreve do Além: Pede à Mãe que a abençoe e manda um beijo iluminado de lágrima”, Folha Espírita, São Paulo, Julho de 1979, Ano VI, N.º64.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.