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Capítulo 13 de 15
Nos Dias de Céu Azul
Ninguém Morre · Chico Xavier, espíritos diversos
Osmar de Freitas Filho Querida mãezinha Clarice, abençoe-me. Este é um grande momento para seu filho. Um encontro em meio das tempestades que desabaram sobre nós. Tempestades dos sentimentos, da vida, do relacionamento e do coração. Acompanho a sua resistência nas trincheiras da oração e da caridade, sempre buscando forças na fé em Jesus, a fim de sobreviver. Mãe, sei tudo. O que se abateu sobre nós, em casa, teve mais significação para mim do que a própria transformação inesperada a que me vi sujeito. Depois da ocorrência na estrada – um fato que desejo esquecer para não mergulhar em outra noite de sofrimento -, muitas dificuldades surgiram para nossa casa. A dor do meu pai acordou nele um homem diferente, qual se a dor o deixasse na posição de uma estátua de indiferença por fora e de muita angústia por dentro. Papai Osmar. Ainda o vejo robusto, chamando-me ao dever em meus quinze anos.
Ele queria formar-me nas experiências do mundo e enfibrar os meus sentimentos de rapaz para que eu me iniciasse tão cedo quanto possível no desempenho de minhas obrigações. Era eu o menino de que o seu coração querido certamente ainda se lembra, a procurar enfrentar às pressas o trabalho e o estudo conjugados que me conduzissem à situação que ele desejava... Mamãe, o pai tinha razão. Ele me queria independente e firme para viver em meu próprio caminho... Sempre dei a ele todas as razões de que se fazia credor, entretanto, não sabíamos que a morte me aguardaria tão cedo no trânsito, em que de três a três meses me voltava em pensamento e corpo na direção do lar... Aquilo abalou o pai de tal maneira, que ele fornece a impressão de haver morrido na força da vida, continuando a viver, mas imaginando-se morto na intimidade do coração.
Mãezinha Clarice, é preciso compreender e perdoar... Sinta-me agora em papai... Nele sou eu agora o seu filho precisando reviver... Não se entristeça ao vê-lo às vezes menos compreensivo ou aparentemente sem reações afetivas de qualquer natureza... A senhora, Mamãe, que sempre foi imensamente carinhosa para nós todos, compreenda meu pai e veja nele eu mesmo a lhe pedir entendimento e auxílio... Papai sofre, e sofre terrivelmente, porque não conseguiu um telhado de fé para se abrigar. Entretanto, ele permanecerá conosco em nosso refúgio de oração e de paz. A senhora não permita que o desanimo lhe tome as forças. A roupa estragada – o corpo que usei – ficou naquela viagem de retorno à casa, mas estou vivo para continuar em nossas tarefas de conjunto. É verdade que, de momento, ainda não sei como auxiliá-los com os recursos financeiros que tantas vezes sonhei acumular para vê-los mais felizes, mas o coração está repleto de amor e, com amor venceremos, apoiados na confiança em Deus... Peça às irmãs que nos ajudem...
Diga à nossa Célia Maria a ao nosso Durval para confiarem na Divina Providência. Posso tão pouco, no entanto, o que eu consiga fazer para senti-los contentes, com um filhinho no futuro a entrelaçá-los ainda mais na vida, hei de fazer de pensamento erguido a Jesus. Enquanto a criatura desfruta um corpo muito jovem aí no mundo, é difícil entender a força da oração, mas quando tudo perdemos, com a morte inesperada, uma certa maturidade nos aparece de repente. É por isso que sinto agora em papai Osmar um filho para mim, diante da dor que passou a esmagar-lhe o coração. A senhora, querida Mamãe, se encoraje como sempre, recorde Maria Cecília, Geni e todos os corações que se ligam em seu caminho. Viva para nós, abençoando-nos e amando-nos como sempre. Creia que nas atividades de agora, buscando amparar os irmãos sofredores, no grupo de pessoas amigas que passei a integrar, tenho aprendido muito... Tenho aprendido o valor dos minutos e a precisiodade das migalhas a que se dá tão pouca importância nos dias de céu azul!
Tenho aprendido em sua companhia quanto devo fazer para melhorar a mim mesmo, e agradeço a sua dedicação com tudo de melhor que eu tenho no íntimo de minha vida espiritual. Estaremos juntos. Diga ao papai que ele não me perdeu, e sim que fui renovado para colaborar com ele em novo modo de ser. Peço que recebam o companheiro e amigo que escapou ao desastre, qual se fosse eu mesmo... Ninguém julgue teria eu vindo para a Espiritualidade em tempo inoportuno. As tabelas da Lei Divina não sofrem erro algum e por esse documentário da vida que todos somos compelidos a estender na existência do corpo ou fora dele, a minha liberação do corpo físico devia se efetuar qual se realizou. Obedecemos a Deus e aceitemos a nossa parte na vida conforme as nossas necessidades. Mãezinha Clarice, agradeça por mim a todos os corações queridos que me lembraram nas preces. Minha querida avó Maria Pereira ou Maria Gonçalves Pereira tem sido para mim outra mãe, fazendo-me sentir que para ela sou a continuação do caminho que consagra à senhora mesma.
Saudades são nossas, mas as esperanças agora superam nossas dores. Teremos fé em dias melhores e saberemos que Deus jamais nos abandona. Querida Mãezinha Clarice, perdoe-me se escrevi extravasando o coração, não poderia fazê-lo de outra forma porque a sua compreensão e o seu carinho sempre foram o meu abrigo, o santo esconderijo em que recobrava minhas forças para atender aos encargos que abracei. Para as irmãs queridas, para o Durval, Augusto e Allan, companheiros e irmãos do coração, as minhas lembranças; para meu pai a vida que anseio instilar-lhe ao espírito sofrido, e para o seu devotamento, querida Mamãe Clarice, todo o amor e toda a confiança do filho que é sempre seu e que seja Jesus por nossa paz e felicidade. Sempre o seu menino e sua esperança, seu ânimo de viver e seu apoio de todos os instantes que, em tudo isso, encontrou em sua bondade e em sua abençoada vida, todo o apoio e esperança, todo o ânimo e todo o amor de que disponho para continuar a viver no cumprimento dos desígnios de Deus. Sempre o seu filho, sempre seu, Osmar Osmar de Freitas Filho
Psicografia Chico Xavier – Livro “Ninguém morre”. Responsável pela digitação: Lorêni de Paula Motta
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.