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Capítulo 10 de 15

Documentário da Vida

Ninguém Morre · Chico Xavier, espíritos diversos

Osmar de Freitas Filho

Sobre a mensagem de Osmar Freitas Filho – Osmarzinho – a que demos o título de “Nos dias de céu azul”, recebida pelo médium Xavier, no Grupo Espírita da Prece, ao final da reunião pública da noite de 27 de julho de 1979, graças à gentileza dos amigos João Batista Ramos, médium que recebe letra e música dos Espíritos, sobre quem falaremos adiante, D. Antônia Nazareth Cassimiro Ramos, Tony Willian Ramos e Sra. Clarice Pereira de Freitas, residente em Londrina, Estado do Paraná ( Avenida Paul Harris, 1.416 – Cep 86.1000 – Fone 223- 3699), na noite de 3 de agosto de 1981, em Uberaba. Muitos dados colhemos, lendo cerca de três dezenas de cartas de praticamente toda a família, inclusive algumas do próprio Osmarzinho. Apesar disso, achamos de bom alvitre aproveitar trechos da excelente reportagem que fez Marcel Borela de Oliveira, na seção “Espiritismo”, da Folha de Londrina¹, intitulada “Uma prova de sobrevivência da alma: a morte não existe”, estampando a última doto de Osmar, colhida poucos dias antes de sua desencarnação, com o sobrinho Carlos Henrique nos braços.

Eis o que nos diz o distinto jornalista londrinense, na parte introdutória: “ Há exatamente seis anos um veículo partia de Curitiba com destino a Londrina. Dentro dele viajavam dois moços; o que estava ao volante viria visitar seus pais e mostrar o carro novo – o primeiro veículo que ele possuíra, e ninguém desconfiava de que seria também o último. A viagem, contudo, não terminou, pois, à altura do quilômetro 61, entre Curitiba e Ponta Grossa, perto de Palmeira, o carro foi colhido por um caminhão que saiu de sua mão, inesperadamente, sem qualquer chance de desvio. Era o dia 19 de julho de 1975, de madrugada. O rapaz se chamava Osmar de Freitas Filho, natural de Londrina, onde nasceu dia 16.8.1953, filho de Clarice e Osmar Freitas, com residência na Avenida Paul Harris,1416. Osmar viria completar no mês seguinte 22 anos, e estava em Curitiba trabalhando numa gráfica, com vistas aos estudos superiores. Por sinal, ninguém da família sabia ainda – e ele viria a contar - que havia sido aprovado no vestibular de Veterinária.

¹ Folha de Londrina, Londrina, 19/7/81, p. 27. – D. Clarice, numa de suas viagens a Uberaba, deixou o seguinte bilhete, em nosso consultório: “Para entregar ao Dr. Elias: É o nome do rapaz espírita que é o responsável pela coluna espírita do jornal. / Obrigada, (a) Clarice. Autor: Astolfo Olegário de Oliveira Filho (Rua Fernando de Noronha, 1429 – Londrina – PR (Tel. 27-4655). / Título da coluna: “Espiritismo”. Sai aos domingos, desde o dia 30/03/80. /

Jornal: “Folha de Londrina” Tiragem: 36.000 exemplares e circulação estadual, indo também aos Estados de Santa Catarina e Mato Grosso.” (E.B.)

Existe a faculdade do destino? Por que um jovem ainda tão moço partiria desta vida? Seria culpa do motorista do caminhão? Seria alguma falha humana o responsável por perda tão prematura? Quatro anos depois, a mãe, Clarice, tomaria a decisão de ir a Uberaba para saber do médium Chico Xavier alguma notícia a respeito do filho. Era 27 de julho de 1979, e Clarice viajara em companhia de uma senhora amiga, Maria Celeste Vicente, esposa de Bernardo Vicente (Rua Bagatelli, 66, bairro do Aeroporto), que havia perdido também, em condições semelhantes, o filho Ivan Sérgio, desencarnado os dezenove anos, em 9.12.76, em acidente de avião. Quando pôde finalmente abraçar o Chico, já dentro do Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, Clarice disse-lhe que Osmarzinho era o seu único filho e estava ali para saber notícias dele. Em seguida, desmaiou. Momentos depois, quando se restabeleceu da emoção, Clarice recebia do Chico informação de que o rapaz estava muito bem amparado, sob a assistência de D. Maria Gonçalves Pereira. Chico então lhe perguntou: - Quem é Maria Gonçalves Pereira?

Clarice responde que se tratava de sua mãe, portanto, avó de Osmarzinho, desencarnada no ano de 1939. Mais tarde, às 3h30m da madrugada de sábado, Chico Xavier transmitiria ao público diversas comunicações de parentes das pessoas presentes. Entre elas, uma comunicação toda pessoal assinada por Osmarzinho. Clarice está só, mas dona Maria Celeste Vicente – que no dia seguinte teria oportunidade idêntica, ao receber a primeira mensagem do sue filho Ivan – foi testemunha ocular dos fatos. Uma vez transcrita a mensagem de Osmarzinho, o articulista conclui as suas observações acerca da página que tanto consolo, esperança e alegria levou a seus familiares e amigos: “Considerações ligeiras sobre a comunicação de Osmarzinho” O jovem refere-se aí a algumas pessoas que logo identificaremos para nossos leitores. Usa também diversas expressões que eram típicas de seu estilo. Faz, enfim, uma previsão de algo extraordinário que de fato ocorreu oito meses depois. Pessoas citadas – 1. Célia Maria: irmã muito apegada ao Osmar, casada com Durval, e mãe, até então, de um menino.

A Célia é funcionária da Caixa Econômica Federal, em Londrina. 2. Durval: cunhado de Osmar. Eram eles muito amigos. 3. Maria Cecília: irmã de Osmar, logo abaixo da Célia. Cecília é funcionária do Bradesco, Agência Centro de Londrina. 4. Geni: irmã de Osmar e muito jovem à época da morte do irmão. É a caçula da família.

5. Maria Gonçalves Pereira: avó do Osmar, desencarnada em 1939. Foi mãe de D. Clarice. 6. Augusto: cunhado de Osmar. 7. Allan: cunhado de Osmar, mas ele não conhecera em vida. Expressões usuais – Examinando, hoje, a mensagem, declara D. Clarice que o filho colocou na mensagem diversas expressões que eram típicas dele, como, por exemplo: “Diga à nossa Célia...” – ele tinha por hábito usar a expressão desse tipo: “O pai tinha razão...!” – “Aquilo abalou o pai....” – invariavelmente ele se referia ao pai dessa maneira. O mais notável, entretanto, é a frase colocada em seguida ao 8.◦ parágrafo da comunicação: “Ele queria formar-me nas experiências do mundo...” Assegura a família que esta frase consta de uma carta escrita ao pai, pouco tempo antes do acidente, exatamente na última carta dele ao pai. Entendemos que esse detalhe se destinava exatamente ao pai, como prova adicional de que a comunicação é idônea. A previsão – Na primeira vez que menciona os nomes da irmã Célia Maria e do Durval, Osmar se refere à vinda de um filhinho “No futuro a entrelaçá-los ainda mais na vida”.

Ocorre que Célia Maria não poderia ter mais filhos, segundo prescrições médicas. Seu filho Carlos nascera em 27.5.70, nove anos antes da comunicação. De lá para cá, Célia tivera quatro abortos. Ao lerem essa previsão, houve descrença, mas em outubro/79 o casal descobriu de uma nova gravidez, e dia 3 de abril de 1980, oito meses e seis dias após a mensagem, nasceria uma filha eu se chama Scheilla e que vive normalmente, com inteira saúde, confirmando a previsão espírita sobre sua chegada. Advertências – Há recados para muita gente: 1. Aos jovens: Geralmente, a criatura jovem não percebe a força da oração e depois, ao vir a maturidade, a visão da vida é inteiramente outra. 2. A todos nós: Osmar diz estar aprendendo o valor dos minutos, enquanto aqui na Terra tantos de nós desperdiçamos tempo e oportunidade, sem nada edificar de bom. 3. Mensagem de fé: Diz ele: “Estaremos juntos”. Realmente, as famílias que se amam e se querem, reencontram-se após o término da existência física. 4. Há fatalidade?

Diz ele que “ninguém julgue teria eu vindo para a Espiritualidade em tempo inoportuno”. A fatalidade no momento da morte existe; nosso tempo aqui é contado e ninguém sabe se no dia de amanhã ainda estará entre os viventes de corpo físico.” A propósito da fatalidade, consultemos os n.os 851 a 866 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, e o Cap. 6 da obra Enxugando Lágrimas, recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier². ² Francisco Cândido Xavier, Elias Barbosa e Espíritos Diversos. Enxugando Lágrimas, IDE, Araras (SP), 5ª. Edição, Agosto/1982, pp.42-44.

“Uma das coisas mais importantes” – disse-nos D. Clarice – “é que quando conversei, pela primeira vez, com Choco, eu lhe disse:

- O Osmarzinho era meu único filho, Chico! Não falei que tinha filhas, e jamais me referi ao genro. Só este fato e os dizeres próprios dele, a maneira toda pessoal com que ele se expressava, provam a autenticidade da mensagem.” E nos disse mais: a) que Osmarzinho, quando pequeno, pesar um pouco mais, tinha o apelido de “Banha”; b) que quando ele estava com dez anos de idade, houve suspeita de tumor cerebral, mas depois de uma consulta em São Paulo e de conversar com José Arigó, foi o diagnóstico esclarecido e medicado com medicamento que veio da França; c) que trabalhava desde os sete anos de idade, vendendo cacos de vidro, e que ao sair de casa, com quinze anos, seu objetivo era trabalhar e estudar, o que nunca deixou de fazer; d) que ela – D. Clarice, distinta professora de Escola Rural -, e uma filha – cremos que seja D. Célia Maria de Freitas Lessi – foram a Curitiba visitar Osmarzinho, depois de que ele veio de São Murtinho, no litoral, dando-lhe muita alegria; e) que, finalmente, vinha, quando foi acidentado e em seguida reconduzido à Vida Verdadeira, trazendo presente para todos os familiares, e para os pais, em especial, havia comprado uma TV a cores, pelas suas bodas de prata.

No Capítulo 30, voltaremos com novos informes sobre Osmarzinho, notável poeta que dos seis aos vinte e um anos de vida física, sempre escrevia belos poemas para a genitora, comemorativos da “Dia das Mães”, chegando aos doze de idade, a escrever-lhe o seguinte acróstico, gênero dos mais difícieis: Criatura querida Linda como os raios do Sol Amada por seus filhos Rindo, chorando, és bela Isto provo, és criatura de Deus Cantando, sonhando, sou Eu, seu filho Osmar

Porque mesmo chorando, vejo-te a sorrir

Eu sinto orgulho de ti, mamãe Rindo do mundo Estando mesmo tão exausta Idade tu não tens Recebendo de mim Amor, muito amor deste teu filho Osmar

Diante de Deus tu és uma rosa Em frente a nós tu és uma Santa

Faz a todos felizes Restando tão pouco para ti Estou tão feliz por ser teu filho Imenso é este amor Também das minhas irmãs Amar a ti é tão bom Saudades de ti já sinto, quando longe estou....

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.