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Capítulo 3 de 8

Cdd-130 — parte 2 de 7

Na Cortina do Tempo · Edgard Armond

caso, após a preparação e a prece da abertura - é que o ambiente se estabiliza, se acomoda à sua situação definitiva. Curiosa também a disposição das entidades espirituais presentes no salão: todas agrupadas segundo as origens, as filiações comunitárias. Ali estavam hindus, bronzeados, com seus turbantes coloridos, fechados com broches reluzentes, calças estreitas e dólmãs caídos até quase em cima dos joelhos: chineses com túnicas amplas, botas enfeitadas com dragões de cores vivas e gorros escuros; guerreiros - os Cruzados de Ismael- com armaduras antigas e altos montantes; árabes com albornozes brancos e calções largos, fechados nos tornozelos; egípcios e tibetanos, com trajes característicos e os chamados “Filhos do Deserto”, descalços, látegos na mão; Índios americanos do norte, com penachos imponentes caindo até o meio das costas, e Índios brasileiros, das mais variadas tribos, com seus arcos e flechas coloridas; e Incas do Peru, com seus símbolos solares no peito; e os “Irmãos da Esperança” em sua indumentária de franciscanos; e os ramatianos - da cruz e do triângulo - e as suaves entidades femininas que traziam uma cruz azul como emblema; e as do Trevo das Três Folhas, com túnicas coloridas e turbantes brancos e muitas outras, que ali se achavam lado a lado, imóveis, em profundo recolhimento, cada uma delas com seu dirigente à frente. Imaginei comigo mesmo quantos dos encarnados ali presentes não pertenceriam também àquelas fraternidades!

Ao penetrar no salão percebemos o Índice de pureza vibratória da assistência, pois grande parte de seus membros se ligava diretamente às faixas altas do nosso próprio plano

espiritual, eliminando, quase, a fronteira que separa o mundo espiritual do terreno. Percebendo nossa admiração, a gentil companheira explicou: - Por que se admiram? Estamos em reunião privativa de uma fraternidade de iniciação popular espírita4, e o ideal do discípulo é o esforço pela Verdade Maior. O que fazem para se evangelizarem é realmente comovedor e, quando se reúnem como hoje, em atos de maior elevação mental, vibram intensamente, produzindo os efeitos maravilhosos que tanto nos surpreendem. - Sim - responderam alguns - realmente nos surpreendemos; não por ignorarmos a existência desta Fraternidade de Discípulos cujo nome repercute bem alto no céu, mas por ter avançado tanto e por desconhecermos sua organização e métodos de trabalho. Outro disse: - Tenho acompanhado mais de perto seus trabalhos e posso atestar que os métodos são originais, altamente espiritualizantes. Mas antes que o diálogo prosseguisse, nossa atenção foi desviada para a tribuna, onde assomara uma figura simpática e austera, ao mesmo tempo em que o dirigente do trabalho se preparava para iniciá-lo. Desde o início notamos também diferenças de sistema em relação a outros que conhecíamos, de outras casas semelhantes. O dirigente, como anunciou, iniciava a preparação para a abertura, pedindo um recolhimento que já valia como

4 A Fraternidade dos Discípulos de Jesus é constituída pelos alunos que, tendo concluído a Escola de Aprendizes do Evangelho com aproveitamento, solicitam ingresso nessa fraternidade como forma de cooperar ativamente para a predominância da moral evangélica na Terra, através de exemplos dignificantes e trabalhos para o bem dos semelhantes. (Nota da Editora)

poderosa concentração dada, sobretudo a disciplina e a capacidade mental demonstradas pelos aprendizes. Proferiu uma ligeira alocução sobre a natureza dos trabalhos de vibrações, reiterando instruções anteriores e reafirmando como os trabalhadores do Plano Espiritual necessitavam, para a realização de suas tarefas de assistência, principalmente nas esferas inferiores, daquele imenso cabedal de fluidos e ectoplasma que ali se formava; referiu-se, em seguida, às Fraternidades do Espaço que mantinham ali contingentes seus devidamente especializados, como preciosa colaboração aos trabalhos da Casa e convidando por fim a assistência a fazer-lhes a saudação devida, cantando a Prece dos Aprendizes. E, no silêncio profundo reinante soaram, então as, notas do acompanhamento melodioso e as comoventes palavras da prece:

Pai Celeste, Criador, Fonte eterna de bondade; Auxilia-nos, Senhor, A conquistar a verdade.

Abençoa o nosso esforço Para o teu reino atingir; Dá-nos, Pai, a luz que aclara Os caminhos do porvir.

És a glória deste mundo, És a paz e a esperança; És a luz que não se apaga És o amor que não se cansa.

Dá-nos força para sermos, Os arautos do teu amor; Testemunhos verdadeiros Do Evangelho Redentor.

Enquanto o canto se evolava numa poderosa vibração de fé, víamos como o ambiente trepidava de fluidos e se acendia de luzes multicores e como do Alto, uma verdadeira chuva de pétalas de flores caía como uma dádiva e uma bênção reconfortante, que era absorvida por todos. O Dirigente deu a sessão por aberta e anunciou seu prosseguimento: vibrações especiais pela paz do mundo, para os criminosos e deserdados, para os incrédulos, para os lares desajustados, para os trabalhadores honestos, para os desviados do caminho reto na trama terrível do mundo material. Era como um fogo de artifício, as vibrações coloridas dali partindo em todas as direções, entremeadas de raios multicores. Em seguida foram feitas as ligações com os Planos Superiores e o Dirigente solicitou o apoio espiritual de Jesus para o prosseguimento, na pessoa do orador da noite, a quem passou a palavra, declarando encerrada a primeira parte da reunião. O Orador levantou-se e permaneceu silencioso alguns momentos, fitando a assembléia, como a querer gravar na memória seu aspecto alentador e respeitoso; depois, iniciou, saudando e explicando que assumira o compromisso de realizar um curso rápido sobre assunto de sua escolha e que, para não interferir ou antecipar matéria de programa ainda não executado, preferiu fazer um retrospecto da evolução da

humanidade terrestre desde os tempos primitivos até os nossos dias, matéria já selecionada na Escola mas, à qual tinha a esperança de acrescentar detalhes não revelados, trazendo subsídio novo e, assim, tentando emprestar ao seu trabalho alguma utilidade no campo do esclarecimento doutrinário. Com esse preâmbulo simples e modesto, desde logo captou a simpatia do auditório e vimos bem como os pensamentos, concordantes e amorosos, de todos os lados do salão, convergiram para ele. E então iniciou sua dissertação, expondo a matéria, parte da qual motivou a publicação deste livro, num resumo que transcrevemos com mais amplos detalhes, para mais fácil entendimento.

Civilizações Remotas

Os primeiros agrupamentos humanos tiveram lugar em dois continentes desaparecidos há milênios e cuja existência é até mesmo contestada pela História Contemporânea, a saber: A Lemúria, ao sul da Ásia onde, como já sabemos, encarnou a Terceira Raça, a única verdadeiramente autóctone, porque foi a primeira a habitar a Terra, tendo recebido na tradição espiritualista a denominação de Pré-Selenita, porque existiu antes que a Lua surgisse como satélite do planeta. A Atlântida, situada no Oceano Atlântico, entre a Europa, África e América atuais, onde encarnou a Quarta Raça, já mais evoluída, apresentando a constituição humana já completada, tanto na forma física como na psíquica. Em relação aos lemurianos não se pode falar em conhecimento religioso propriamente dito, porque não existia. Os seres humanos naquelas remotas eras estavam ainda na fase constitutiva de si mesmos, apurando e consolidando as formas do corpo físico e, somente em circunstâncias especiais críticas, ante a fúria dos elementos naturais desencadeados quase que permanentemente, voltavam-se para a idéia de um poder invisível maior que aquele que tinham sob as vistas, ao qual pudessem atribuir a criação do mundo. No continente, assolado ainda, no primeiro período que durou milênios, por erupções vulcânicas generalizadas e

intempéries marítimas e aéreas, o maior esforço do Espírito Missionário protetor da raça que ali desceu, foi de preservar o homem, ensiná-lo a defender a vida e os meios de alimentar-se - aliás bastante precários porque as águas invadiam as terras constantemente em quase todas as partes; agasalhar-se em lugares altos, no interior de montanhas; agrupar-se formando tribos, num simples esboço de organização social primária. No segundo período, quando o afastamento das águas permitiu a descida para as planícies, o trabalho do Missionário que veio depois foi, sobretudo, fixar o homem à terra, guiá-lo para a vida pastoril, da qual não passou, aliás, até o fim da vida do continente. Esse continente desapareceu após terem os homens desenvolvido, em um grau inicial, a consciência e a capacidade de raciocínio. Remanescentes desse povo ainda existem na Índia, na África, na Austrália e na Polinésia, mas sempre em estado primitivo, incompatível com a civilização do planeta; povos bárbaros que, em matéria de religião, ainda se encontram na fase primária do totemismo.

Os homens da civilização atlante adoravam o Sol e os astros, os animais e a Natureza em todas as suas manifestações, formando cultos politeístas, que os Protetores Espirituais da Raça toleravam até certos limites, conquanto já houvesse, nos santuários e nos templos, organizações sacerdotais que rendiam culto a um Deus Único - Átman, o Grande Espírito - como fruto do trabalho dos Missionários que ali encarnaram por duas vezes, a saber: Anfion, que criou a Fraternidade dos Profetas Brancos, e Antúlio, muito depois, que fundou Escolas de Sabedoria em vários lugares.

Os atlantes multiplicaram-se formando uma comunidade de nações poderosas e estabeleceram colônias, sobretudo no leste, as quais, após o desaparecimento do continente, desenvolveram-se e expandiram-se com o afluxo dos refugiados, sobretudo na zona do atual Mediterrâneo, ao norte da África e ao sul da Europa, formando os núcleos de vários povos antigos como, por exemplo, os portucalenses, iberos, celtiberos, vascos, geriontes os quais, mais tarde, mesclados com os pelasgos - gregos - concorreram à formação da Europa atual como também deram raízes etnográficas aos berberes, tuaregues, líbios, núbios e etíopes.

A transferência para o Mediterrâneo dos arquivos referentes às conquistas dessa civilização nos campos da ciência e da religião são, em forte resumo, o tema fundamental deste livro que também visa recapitular e complementar conhecimentos constantes de outras obras de pré-história publicadas pelo Autor.5

5 Almas Afins e Os Exilados da Capela, Editora Aliança.

A Morte de Um Continente

Nos últimos tempos da Grande Atlântida, degenerara de tal forma a utilização dos conhecimentos espirituais, que a crença em um Deus Único ficou obscurecida pelas práticas da magia negra, pelo culto dos deuses mitológicos e pelos interesses de ordem puramente material. O surto de mediunidade que naquela época houve como, na Palestina, séculos depois, com Jesus e, em nossos dias, com o Espiritismo, não atingiu a sua meta e desviou-se para caminhos de perdição. Nenhuma atitude se tomava, nenhuma decisão; não se empreendia uma viagem, nem se montava um lar, ou um corpo se amortalhava, sem audiência prévia de sacerdotes, magos, adivinhos, feiticeiros e necromantes. Os ódios se multiplicavam, como as ambições mais desvairadas, pelo uso imoderado dos poderes das trevas. Disputas intermináveis entre famílias e tribos, assassinatos e vinganças pessoais ocorriam por toda parte. E por fim os povos das diversas províncias passaram a aniquilar-se em guerras de extermínio, por influência desses poderes terríveis e aniquiladores que visavam, como sempre, desviar os homens dos caminhos retos da evolução espiritual. Os sacerdotes do Deus Supremo, no silêncio dos seus templos suntuosos, julgavam-se impotentes para impor novos

rumos às multidões e muitos deles ficaram, mesmo, mancomunados com essas forças de corrupção. Eram os guias legítimos e espirituais do povo que cegamente sempre os obedecera, mas quando se deixaram dominar por essas forças, entraram a competir uns com os outros pela posse de poderes sempre maiores e assim se entregaram definitivamente às algemas das trevas. Desprezando as advertências do Plano Espiritual, lançaram-se também à prática de atos condenáveis, que abriram caminho à conquista dos templos pelas forças das trevas. E quando, enfim, crescendo o perigo, quiseram voltar atrás, já não o puderam fazer, verificando, ao mesmo tempo, que sua influência sobre o povo havia desaparecido. E o terror aumentou ainda mais quando constataram que o intercâmbio com o Plano Espiritual se deslocara das esferas da luz para as das trevas e que, na realidade, haviam se transformado, eles mesmos, em agentes dessas forças.

O epílogo dessa situação desesperada foi o afundamento do Grande Continente, de cujos habitantes 60 milhões morreram no mar; alguns milhares alcançaram as terras que se elevaram a oeste na América, formando os povos maias, astecas, toltecas, incas e outros; parte alcançou a região norte do globo, francamente habitável e mais tarde transformada em zona glacial por efeito do desvio do eixo da Terra; parte refugiou-se nas colônias atlantes já existentes, a leste, como já vimos, e a última parte, a mais sã, salvou-se, incólume, na província centro-oriental do continente, que não submergiu e que veio a formar a Pequena Atlântida.

No afundamento do Grande Continente um enorme cometa entrou na atmosfera do globo provocando erupções vulcânicas, abrasamentos, incêndios, maremotos, atraindo a massa oceânica de água a alturas de centenas de metros sobre o nível normal, conforme consta da tradição egípcia antiga, denominada “Mito de Typhon” e da grega, do Faetonte. O cataclismo atlante atingiu também parte do sul do continente americano, provocando o levantamento da cordilheira dos Andes com tudo o quanto havia à sua superfície, como demonstram de forma concludente ruínas de cidades como, por exemplo, as de Tiuanaco, que ainda hoje existem em pontos quase inacessíveis da cordilheira, no Peru e na Bolívia. É fora de dúvida que a aproximação de qualquer astro pode produzir catástrofes e, com a aproximação maior desse cometa, que invadiu a atmosfera da Atlântida, inúmeros fenômenos desastrosos se verificaram, culminando com o afundamento. Segundo cálculos de autores respeitáveis, basta que um cometa, por exemplo, se aproxime a menos de 5 mil quilômetros da superfície da Terra para esvaziar os oceanos e projetar suas águas sobre as terras, em ondulações de mais de 4 mil metros de altura, que bastam para cobrir montanhas.6 Como demonstração do poder atrativo da massa dos astros basta dizer que em 1835 o cometa Halley aproximouse perigosamente da Terra: o diâmetro de sua cabeleira media 560 mil quilômetros, enquanto o da Terra não passa de

6 O cometa Halley teve sua maior aproximação da Terra em 11 de abril de 837, com 6 milhões de quilômetros.

12 mil quilômetros7; com estes números bem se pode imaginar a influência que a massa do cometa pode exercer sobre as terras e as águas do nosso globo, desde que ultrapasse essa distância calculada. Em sua outra visita, em 1910, que muitos homens idosos de hoje lembram-se de terem presenciado, conservou-se mais distante8, mas, mesmo assim, aterrorizou muitas regiões do globo. Por outro lado, a crosta da Terra é extremamente delgada, não passando de sessenta quilômetros de espessura, o que corresponde a um centésimo do raio terrestre. Guardadas as devidas proporções, a crosta compara-se a uma tênue casca de ovo sendo, portanto, suscetível de romper-se com a queda em sua superfície de partículas cósmicas que, periodicamente, sobre ela se projetam, muitas vezes abrindo crateras enormes, de centenas de metros de diâmetro e profundidade, por pesarem milhares de toneladas. Um aerólito caído na Sibéria em 1908, foi visto à uma distância de 600 quilômetros, ouvido a 1.500 e provocou tamanho deslocamento de ar que derrubou homens, animais e prédios, num raio de 700 quilômetros do ponto de queda. Na Atlântida, nas duas vezes, foi o que aconteceu, isto é, essas duas ordens de fenômenos produziram cataclismos fatais, mas não por acaso, como é óbvio, mas como programação do Plano Diretor Cósmico, visando o afundamento do continente e o extermínio de grande parte daquela humanidade, pelos motivos que estamos expondo.

7 O seu núcleo, atualmente, tem dimensões estimadas de 9 x 15 km. Em sua aparição, em 1910, apresentou uma cauda de 110 milhões de quilômetros. (Nota da Editora) 8 Cerca de 8 milhões de quilômetros. (Nota da Editora)

Efetivado, pois, o primeiro afundamento e localizados os seres remanescentes nos pontos a que nos referimos, o tempo transcorreu e a vida retomou o seu curso, apagando as lembranças, as emoções e o terror coletivo gerado pela catástrofe, e a Pequena Atlântida sobrevivente floresceu e, por sua vez, tornou-se o hábitat de um grande povo, do mesmo povo, que se refez como nação, tornando-se também poderoso e influente no mundo do seu tempo.

A Tradição Grega

Falando sobre a Atlântida não se pode deixar de fazer referências ao genial mestre grego Platão, discípulo de Sócrates e precursor do Cristianismo9 que, nos seus famosos diálogos de Timeu e Crítias, oferece interessantes detalhes a respeito, dizendo que Sólon - o legislador de Atenas e um dos sete sábios da Grécia - mais ou menos no ano 600 a.c. viajou para o Egito e esteve em Saís, cidade situada no Delta do Nilo, que havia sido capital do faraó Amés - o Amasis dos gregos - rei da 26ª dinastia, cidade essa construída pela deusa Neit, em cujo templo esteve se instruindo. Em conversa com sacerdotes desse templo soube que, para os lados do ocidente, havia uma grande nação, de clima ameno e estável e onde não havia inverno.

9 O autor refere-se aos estudos morais desenvolvidos por Sócrates e Platão, muito semelhantes a moral cristã, conforme estudo de Allan Kardec na Introdução de O Evangelho segundo o Espiritismo.

Suas costas marítimas possuíam formações rochosas de várias cores e sua religião era o culto do Sol e de Poseidon - deus grego do mar e o Netuno dos romanos. Na capital Poseidônis - a cidade das portas de ouro - havia grandes praças das quais irradiavam ruas largas e grandes canais em perfeita simetria. As fortificações ao seu redor eram cobertas de folhas de cobre e de oricalco, metal brilhante como o ouro, como também os templos e palácios. Uma estátua altíssima, no templo principal, representava Poseidon dirigindo seis cavalos alados e, por fora, era rodeado de estátuas de ouro e marfim representando os reis e as rainhas atlantes. Poseidônis era edificada sobre as encostas de três montes que correspondiam às três pontas do tridente do deus e defendida por três ordens de fossos e altíssimas muralhas. O governo era teocrático, isto é, seus chefes eram representantes do deus, o mesmo sucedendo com os sacerdotes, cujos poderes eram ilimitados.

O primeiro rei desse povo foi Atlas e tão considerável era a importância dessa nação que criou-se, mais tarde, o mito de Atlas - o deus filho de Júpiter - que sustentava o mundo nos ombros. Estes foram, entre outros, os dados fornecidos pelos sacerdotes de Saís, baseados em manuscritos que declararam possuir; cálculos posteriores davam à Pequena Atlântida superfície de 204.880 quilômetros quadrados. Para muitos, estas informações não têm valor histórico, mas é certo que Platão possuía alto senso de justiça e sabedor; e também é certo que os egípcios descendiam dos atlantes oriundos de suas antigas colônias do norte da África.

O Mosteiro de Astlan

Vários milênios haviam passado desde o afundamento do Grande Continente e, na Pequena Atlântida, a vida se tornara, aos poucos, uma reprodução exata do que fora a antiga nação: o mesmo povo, os mesmos vícios, os mesmos instintos de violência, dominação, as mesmas mortais ambições de predomínio material que pressagiavam, em conseqüência, o mesmo fim doloroso e inglório.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.