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Capítulo 5 de 7

A Contribuição de Flávio Josefo [1], o — parte 5 de 7

A Contribuição de Flávio Josefo, o Historiador · Ernesto Bozzano

Triunfo de Tito, óleo de Lawrence Alma-Tadema, 1885,[nota 1] [51] [nota 2][47] / Em junho de 71 Tito regressou para a capital, após derrotar os sediciosos que se rebelaram na Judeia. O conflito saldara-se com a captura ou falecimento de ao redor de um milhão de [52] pessoas, das quais a maioria eram judaicas. Foi destruído Jerusalém e o seu templo, sendo capturadas e [52] escravizadas 100.000 pessoas. A fim de recompensar a sua vitória, osenado concedeu a Tito um triunfo. Durante a celebração do mesmo, os membros da dinastia flaviana apresentaram-se frente do povo romano precedidos por [53] um desfile no que era exibida a pilhagem de guerra. À cabeça da procissão iam Tito eVespasiano, seguidos por Domiciano - em lombo de um semental branco - e o restante da [54] família. Após executar os líderes da resistência judaica no Fórum Romano, foram realizados sacrifícios religiosos [53] no Templo de Júpiter. A fim de comemorar a vitória de Tito foi ordenada a construção do Arco de Tito, sito na entrada sudeste do fórum. O regresso do seu irmão deu ao manifesto a insignificância de Domiciano, tanto militar como politicamente.

Na sua condição de primogênito e mercê à sua experiência, Tito foi designado cônsul em sete ocasiões, censor em uma, e, além disso, foi-lhe concedida o poder tribunício (tribunícia potestas) e o comando do corpo de segurança imperial, a guarda [55] pretoriana; tudo isso durante o reinado do seu pai. Por outro lado, estas concessões confirmavam que Tito era o herdeiro [56] do império. A Domiciano foram-lhe concedidos os títulos honoríficos de césar ou príncipe da juventude (princeps iuventis), além de vários sacerdócios como o de áugure, pontífice, os irmãos arvais, mestre dos irmãos arvais (magister frater arvalium) e sacerdote de todos os colégios [57] (sacerdos collegiorum omnium), embora nenhum cargo com imperium. Exerceu um consulado ordinário em 73 e cinco consulados sufectos em 71, 75, 76, 77 e 79, substituindo quase sempre no posto ao seu pai ou ao seu irmão em meados de janeiro. Durante os reinados de ambos não obteve nenhum [57] cargo público de importância.

Por outro lado, e embora os seus cargos fossem mais formais do que materiais, esses postos serviram sem dúvida para que Domiciano adquirisse uma [57] valiosa experiência tratando com o senado. Muciano, estreito colaborador do seu pai durante o ano dos quatro imperadores, desapareceu completamente da vida pública e é provável que [58] falecesse em 75/77. O verdadeiro poder concentrou-se nas mãos deVespasiano, Tito, e os seus aliados políticos; o senado foi mantido como uma falsa fachada de [59] democracia. A eficácia de Tito como "co-imperador" do seu pai garantiu [60] que após a morte deste (23 de junho de 79) se produzisse uma sucessão pacífica e com poucos câmbios. Tito assegurou ao seu irmão que seria designado para desempenhar cargos de importância durante o seu reinado, embora não o investisse com o poder tribunício nem lhe concedesse cargo [61] com imperium. De todas formas, se bem que Tito pudesse ter em mente outorgar ao seu irmão cargos públicos de importância, vários acontecimentos durante o seu reinado requiriram toda a sua atenção.

A 24 de agosto de 79 [62] o Vesúvio entrou em erupção, enterrando sob metros de cinza e lava as cidades de Pompeia e Herculano. No ano seguinte estourou um incêndio na capital que danou uma parte [63] importante dos edifícios públicos. Por tudo isso, Tito passou grande parte do seu reinado visando a restaurar as propriedades das vítimas. A 13 de setembro de 81, após dois anos no trono, o irmão de Domiciano faleceu por causa de umas febres que contraíra durante uma viagem ao [64] território dos sabinos. As fontes clássicas implicam a Domiciano nesta morte, [65] acusando-o diretamente de assassinato, ou afirmando que abandonou o seu irmão quando este se encontrava muito [54] [66] enfermo. A veracidade destas histórias, sobretudo considerando a subjetividade das fontes coetâneas, é difícil de [66] avaliar. É muito provável que o afeto fraternal fosse mínimo, fato nada surpreendente, pois apenas se conheciam entre [61] eles. Independentemente da natureza desta relação, Domiciano nunca mostrou muita preocupação pelo seu irmão moribundo.

Um dia depois do falecimento de Tito, o senado proclamou Domiciano como imperador e concedeu-lhe poderes tribunícios (tribunicia potestas), o cargo de pontífice máximo, e os títulos de augusto e pai da pátria. Imperador Administração Como imperador, Domiciano pôs pronto fim à falsa fachada de democracia republicana estabelecida pelo seu pai e estimulada [67] durante o reinado do seu irmão. Fez do senado uma instituição obsoleta ao concentrar nas suas mãos os poderes governamentais. À margem do seu poder político, o seu papel como imperador abrangia os aspectos da vida cotidiana da [67] sociedade romana. Constituía o referente cultural, bem como [68] a autoridade moral. Ao embarcar-se numa série de ambiciosos projetos econômicos, militares e culturais destinados a restabelecer a glória que experimentou o império durante o [69] reinado de Augusto, marcou o caminho para uma nova época de prosperidade imperial dirigida pelo governo dos "cinco bons imperadores". Apesar dos seus revolucionários projetos, estava determinado a governar o império conscienciosa e escrupulosamente; deste jeito implicou-se pessoalmente em todas os ramos da [70] administração imperial.

Os éditos publicados durante o seu reinado afetavam os aspectos da vida privada dos romanos, enquanto os impostos, as leis e a moral pública eram aplicados de maneira rigorosa. Segundo Suetônio, a burocracia imperial nunca se desempenhou de maneira tão eficiente que durante o seu período como imperador; a sua opressiva exigência e a sua predisposição à suspeita provocaram os níveis mais baixos da história relativos à corrupção existente entre os governadores [71] provinciais e os funcionários públicos eleitos. Entre os exemplos de zelo pelo controlo governamental nas províncias encontra-se o processo contra o procônsul Baebius Massa, governador da província Bética, quem segundo Plínio, o Jovem, foi acusado de concussão durante o reinado de Domiciano. Embora não atacasse o senado de maneira expressa, os integrantes da câmara consideravam indigno a posição à que foram relegados pela política do imperador. Quanto aos cargos públicos, não houve quase nenhum tipo de favoritismo por motivos familiares, mas foram distribuídos entre os seus homens de confiança. Desse modo rompia com a [72] política nepotista praticada por Tito e Vespasiano.

À hora de assinar os ofícios valorizava acima de tudo a lealdade e a maleabilidade, qualidades que encontrou mais entre os homens pertencentes ao ordo equester que entre os senadores ou os seus familiares, dos quais desconfiava e aos que destituía se não [73] estavam de acordo com a política imperial. A sua autocracia acentuou-se com o fato de permanecer longos períodos de tempo fora da capital, comparáveis aos [74] de Tibério em Capri ou Rodes. Apesar de o poder do senado ter diminuído consideravelmente após a queda da ordem republicana, durante o reinado de Domiciano o poder central não parecia encontrar-se na capital imperial, mas no lugar no [67] que ele se encontrasse. De fato, os membros da corte imperial habitaram em Alba ou Circeu até ser completada a construção doPalácio Flávio, localizado no Monte Palatino. O imperador viajou por todas as províncias ocidentais do império, permanecendo três anos na Germânia e Ilíria. Nessas províncias, combateu as tribos que ameaçavam os seus [75] territórios. Economia

Domiciano revalorizou a moeda ao aumentar em cerca de 12% o conteúdo de prata de cada denário. Esta moeda comemora a deificação do seu filho, falecido por volta de 81 d.C.. A tendência à micro-gestão do imperador tornou-se evidente na sua política financeira. Embora a questão de se Domiciano deixou a economia imperial com dívida ou superávit fosse intensamente debatida, a maioria das evidências apontam a uma economia relativamente equilibrada durante a maior parte [76] do seu reinado. Na sua ascensão ao trono revalorizou a moedaao aumentar em cerca de 12% o conteúdo de prata presente no denário. Porém, uma crise em 85 forçou a desvalorização da divisa, que alcançou o nível estabelecido por Nero em 65. Ainda assim, o seu valor conservou-se acima do nível mantido durante os reinados de Vespasiano e Tito, e a estrita política fiscal de Domiciano assegurou que este padrão se sustivesse os seguintes onze anos.

As moedas cunhadas durante o seu reinado manifestam um considerável grau de qualidade, incluindo uma meticulosa atenção à hora de citar os títulos do imperador e um grande cuidado nos retratos integrados no reverso das moedas, que constituíam refinadas [77] obras de arte. Jones estabelece que durante esta época a renda anual da administração imperial atingia os 1.200 milhões de sestércios, mais de um terço deles destinado à manutenção do [76] exército. Grande parte deste dinheiro subvencionou a reconstrução da capital imperial, cujos danificados edifícios sofreram o incêndio de 64, o ano dos quatro imperadores (69), e [78] a erupção do Vesúvio (79). Para além de um plano de reformas, os projetos urbanísticos de Domiciano eram destinados a renovar o capital cultural do império. Durante o seu reinado foram erigidos ou completados mais de cinquenta novas estruturas, uma quantidade apenas superada pelos [78] construídos sob a administração de Augusto. Entre estas novas edificações destacam-se o Odeão de Domiciano, o Estádio de Domiciano e um imponente palácio construído pelo mestre arquiteto Rabírio.

Esta suntuosa construção, localizada no monte Palatino, seria conhecida como o Palácio [79] Flávio. Restaurou o Templo de Júpiter no Capitólio, cujo teto revestiu de ouro. Completou o Templo de Vespasiano e Tito, o Arco de Tito e o Anfiteatro Flávio; a esta estrutura acrescentou um quarto nível e o acabamento da zona interior [80] nas quais se sentava o público. Para contentar a plebe, a administração imperial investiu por volta de 135 milhões de sestércios [81] em donativos ou congiários. Foram ressuscitados os banquetes públicos, degradados a simples distribuições de alimentos durante o reinado de Nero, e assinadas grandes quantidades de dinheiro aos jogos e espetáculos. Em 86, foram criados os jogos capitolinos, um evento desportivo celebrado cada quatro anos e que integrava competições atléticas, corridas [82] de bigas e concursos musicais e interpretativos. O imperador subvencionou as viagens que efetuavam os competidores de qualquer parte do império, e custeou os prêmios. Foram introduzidas inovações no programa de entretenimentos: as simulações de confrontos navais, as batalhas noturnas e os combates de gladiadores protagonizados por mulheres e [83] anões. Nas competições de carros acrescentaram-se duas novas facções, a de "os ouros" e a de "os púrpuras". Aspectos militares

Reconstrução de uma das atalaiasda Fronteira da Germânia. O mais significativo da política militar de Domiciano foi a expansão e melhora das defesas fronteiriças. As campanhas militares acontecidas durante o seu reinado foram de natureza defensiva, pois o imperador recusava a ideia [84] da guerra expansionista. Militarmente a sua contribuição mais importante foi o desenvolvimento da Fronteira da Germânia, uma vasta rede de caminhos, fortificações e torres de vigilância construídas ao longo do rio Reno a fim de defender o [85] império. travaram-se importantes conflitos; na Gália contra os Catos, e na fronteira do Danúbio contra os Suevos, Sármatase Dácios. A conquista da Britânia continuou sob o comando de Cneu Júlio Agrícola, um competente general que conseguiu conquistar territórios [nota 3] na Caledônia (a moderna Escócia). Em 82 foi fundada [86] uma nova legião a fim de combater osCatos, a I Minervia. Administrou o exército como fizera com o restante de ramos governamentais, com uma incômoda e constante intervenção. Contudo, a sua falta de competência como estratega militar [84] tornou-se alvo das críticas dos seus conterrâneos.

Reclamou vários "triunfos", entre o que se destaca o acontecido para celebrar a vitória sobre os Catos. Porém, estes triunfos constituem simples manobras propagandísticas cimentadas sobre fictícias vitórias em conflitos que não chegaram ao seu término. Tácitocataloga-os como "simulacros de triunfos", e efetua uma dura crítica da decisão do imperador de retirar os [87] [88] efetivos estacionados na Britânia. Contudo, tornou-se consideravelmente popular entre os soldados após permanecer junto a eles três anos de campanha e aumentar um terço o seu [85] [89] salário. Enquanto os seus oficiais pudessem desaprovar as suas decisões táticas, a lealdade que a sua figura exercia no [90] soldado raso era inquestionável. Campanha contra os Catos[editar | editar código-fonte] Quando ascendeu ao trono, o imperador tratou de se lavrar a reputação como militar que não pudera conseguir até então. Em princípios de 82/83, deslocou-se para a Gália visando a renovar o censo; porém, à sua chegada ordenou ao exército iniciar uma [91] campanha contra os Catos. Fundou-se a Legio I Minervia para combater esta tribo.

Os seus homens construíram mais de 75 quilômetros de estradas para descobrir os lugares [86] onde se ocultava o inimigo. Embora sobrevivesse pouca informação a respeito do conflito, a rápida volta do imperador à capital aponta a que os romanos atingiram uma rápida vitória. Organizou-se um elaborado triunfo na sua honra e ele próprio [92] se outorgou o título deGermânico. Os escritores antigos desprezam esta suposta vitória, que descrevem como uma [93] campanha "fora de lugar", da qual deriva um "simulacro de [87] triunfo". O importante papel que esta tribo desempenhou na [85] revolta de Saturnino é sintoma do espúrio da campanha. Conquista da Britânia

Estátua de Cneu Júlio Agrícola, em Bath, Inglaterra. Tácito, através da biografia de Agrícola, o seu sogro, confeccionou o informe militar mais detalhado do período flaviano. O historiador dedica grande parte da obra à campanha [85] que liderou este na Britânia (77–84). À sua chegada à ilha (77/78), Agrícola liderou uma campanha na Caledônia (atual Escócia). Em 82 o comandante romano alcançou territórios e combateu [94] tribos até então desconhecidas para eles. Tácito escreve que a sua administração fortificou a costa orientada para Irlanda e que o seu sogro afirmava com frequência que se podia tomar a ilha com uma só legião reforçada por um destacamento [95] de auxiliares. Agrícola deu refúgio a um monarca irlandês exilado pelo seu povo a fim de usá-lo como desculpa para tomar a ilha. Embora tal conquista nunca acontecesse, certos historiadores - como Vittorio Di Martino - defendem que as tropas romanas penetraram nesse território quer durante uma missão de exploração em pequena escala ou, na falta, uma [96] expedição de castigo.

No ano seguinte, Agrícola formou uma frota e avançou para além do rio Forth, na Escócia. A fim de oferecer um firme cobrimento defensivo ao avanço foi [95] construída a enorme fortificação de Inchtuthil. No verão de 84 o comandante romano enfrentou-se às forças caledônias [94] lideradas por Cálgaco na Batalha de Monte Gráupio. Embora os romanos infligissem uma esmagadora derrota às forças nativas, duas terças partes das hostes caledônias conseguiram escapar e esconder-se nos pântanos escoceses e nas Terras altas. Este exército seria o que finalmente impediu que Agrícola [95] tomasse toda a ilha sob o seu controlo. Em 85 Domiciano decidiu chamar Agrícola a Roma. Agrícola servira mais de seis anos como governador da ilha, mais que qualquer legado consular (legatus consularis) ordinário da [95] época flaviana. Tácito afirma, na obra que dedicou ao seu sogro, que o motivo pelo qual este voltara a ser chamado à capital imperial era que as suas vitórias faziam sombra os [87] modestos triunfos que obtivera o imperador na Germânia.

A relação entre Agrícola e Domiciano não é clara: por um lado o primeiro foi recompensado com honras triunfais e na sua honra foi erigida uma estátua; por outro nunca pôde voltar a exercer cargo público algum, apesar da sua experiência e a sua fama. Embora lhe fosse oferecido o governo da província da África, Agrícola recusou; talvez como consequência da sua má saúde ou, tal e qual escreve Tácito, por temor às maquinações do [94] imperador. Pouco depois que Agrícola regressasse a Roma, o Império Romano entrou em guerra no Oriente com o Reino da Dácia. À medida que se foram requirindo reforços no leste, Domiciano começou a retirar as legiões que estavam despregadas em solo britânico. Foi desmantelada a fortaleza de Inchtutil e abandonados os fortes e demais fortificações da Caledônia. Além disso, foi deslocada a fronteira romana 120 [97] quilômetros para sul. É possível que os mansos militares reprochassem a Domiciano a sua decisão de se retirar, mas para ele os territórios caledônios apenas supunham uma perda de [85] dinheiro para o erário. Guerras Dácias

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