[user_registration_my_account]
Capítulo 5 de 8
Noutra Região — parte 3 de 3
Um Ateu Além do Túmulo · Osvaldo Polidoro
Como poderia contra um tal inimigo? E por que atirar sobre meu pai a minha culpa? E assim, creio, terão de vir a pensar um dia todos aqueles que quiserem, de um modo geral, imputar a segundos e terceiros o peso de suas culpas. Naturalmente, respiramos todos do mesmo ar; mas, não é certo que cada qual respira por si? Assim mesmo, portanto, somos diretamente responsáveis pelo modo como encaramos os problemas fundamentais da vida, como vemos e ouvimos, aceitamos ou negamos.
Sem dúvida, sei ter sofrido a culpa de ter ensinado o ateísmo. Sem dúvida, sei ter sofrido a culpa de ter sido deísta pelo prisma fanático de um moisaísta arrebatado, perseguidor e assassino. Sem dúvida, a felicidade está no equilíbrio, na ponderação, no meio termo, pois nem o negador eliminaria a Deus, nem o crente poderia modificar-lhe a essência. Para mim, mais vale saber um pouco do que crer muito! E saber um pouco é fácil, porque toda obra testemunha um autor, seja lá ele como for, esteja onde estiver, tenha feito como tenha entendido ou podido a sua obra!
Tal é, agora, a minha concepção. E como a chamada Criação cresceu de monta com a desencarnação e o esclarecimento no devido tempo, faço do saber o altar e do agir bem a oferenda. Eis minha religião, no presente. De futuro, espero aumentar-me em tais oblatas. Depois daquele dia, em que me encontrei pela primeira vez com meu pai, quando fora recolhido do seu exílio ressarcitivo, muitas coisas mais se deram, pois que dois anos faz.
Dois anos, sim, com seus dias, suas noites, e todos os atributos concernentes, uma vez que a ordem cósmica impera por estas bandas da vida, pelo menos até onde conheço. Meu pai fora recolhido a uma das muitas casas de reparação. Disso não passam nem é preciso que passem, uma vez que só e nada mais, reparam espiritualmente, moralmente, mentalmente, intelectualmente, e, materialmente em sua natureza essencial. E não se diga que começa do mais material para mais espiritual; em tudo há interpenetração de valores, embora a variação à base de porcentagem, seja um fato indiscutível. É processo reparador, em geral e relativo, aquilo a que é submisso o espírito, quando atirado aos antros abismais, sejam eles de que condições forem.
Condições, sim, porque as formas de purgação variam ao infinito e para todos os efeitos. A complexidade da vida aqui aumenta de muito, sendo que o mecanismo da Suprema Justiça, ganha foros indescritíveis, penetrando as gamas mais íntimas do ser, pela cronologia dos feitos, desde os mais remotos dias de sua história consciencional. Digo consciencional, porque nada sei de quem tenha tido de enfrentar a menor ação praticada como inconsciente, como animal inferior; do mesmo modo, já reconheci casos tremendos e positivos, em que o espírito encarnou, levando no seu pré-traçado programa, o ressarcir faltas cometidas há mais de quinze mil anos antes da encarnação do Cristo Planetário. E eu estive presente a isso, por deferência de amigos de minha mãe, espíritos de alto coturno evolutivo, que como despenseiros dos bens divinos, controlam o movimento dos que lhe são afetos. Eu vi, a um tal espírito, ser colocado frente a uma câmara de visão retrospectiva, uma máquina fenomenal, e ser a sua história revivida, até alcançar aquela encarnação.
Foi ela, depois, focalizada em suas minúcias, para efeito de elaboração de programa, gradativo em suas contínuas e espaçadas contingências, tal como acontecem acidentes na vida de todos, servindo de provas uns, de expiações outros etc. E não pensem que foi um espiritozinho qualquer, um alguém que ainda medre pelo plano do homem médio, do tipo padrão. Foi um dos grandes vultos da história religiosa do Planeta, um dos mais conhecidos mestres de todos os tempos e lugares, um vulto que jamais será banido da história terrícola. E um dos grandes vultos presentes, verdadeiro filtro do Supremo Chefe Planetário, considerou com simplicidade. Digo com simplicidade, porque aquilo que faria arder os miolos de um cidadão encarnado, sem chegar a fim seguro algum, é por eles tratado, como se fosse a coisa mais comezinha da vida.
Elaboração de programa, feliz ou desgraçado, para prêmio de boas ou más ações, para um indivíduo ou para toda a humanidade que seja, qualquer coisa será estudada e aplicada, sem a menor discrepância de qualquer ordem. E ele disse, frente ao mapa de responsabilidades do grande irmão focalizado: – Assim como se portar o ser para com os seus irmãos, assim se portará para com ele a Justiça Divina. Nem um só ceitil da Lei deixará de se cumprir, tal é a disposição intrínseca da própria Lei. No espírito grava-se a história de suas ações, o peso moral de suas obras, aquilo que, mais tarde ou mais cedo, terá de ser revisado, integralmente. E um outro, que bem se sabia sentir, era-lhe menor em tamanho hierárquico, emendou em seguida, lastimoso, assim como quem considera seus próprios erros: – E os comercialistas clericais que prossigam forjando truques e prerrogativas absolventes.
E eu imaginei em meus dias de antanho, quando no tempo da passagem de Jesus pelas vielas da carne; senti um calafrio perpassar todo o meu corpo, substancial relativamente a outros graus dimensórios, mas rijo para mim. Revi mentalmente minhas ações nefandas, beleguim de um fanatismo cruel, que era exercitado em nome de Deus! Revi-me ofertando carnes e sangues, tendo tudo isso de crimes em conta de oblatas à custa das quais, viria a merecer o direito e o poder para eliminar do cenário humano Aquele Excelso Filho, que por suas provas evolutivas, elaboradas no turbilhão das duras e normais provas, pelos mundos siderais, ali estava, manso e humilde, piedoso e sofrido, aguardando da consciência poluída dos irmãos menores... a cruel recompensa. Eu tinha visto, no mapa histórico do tal mestre, a personagem por ele vivida, de estipulador de tais falsas oblatas. Se nem tudo o que hoje os homens manuseiam é do punho do autor atribuído, nem por isso deixou ele de ser o responsável direto pelo espírito do erro.
E ele volveria à carne, por aqueles próximos dias, para, em servindo à Causa do Cristo, nos serviços de restauração do Consolador, de permeio, reparar faltas mui anteriormente contraídas, nos tempos da civilização atlante. Que meditem os meus amigos no que digo, com simplicidade, para que de suas ações não surjam dores para o próximo. Principalmente, se esse tal próximo for do estofo de um verdadeiro Mestre, porque, então, o peso do crime atingirá cumes fantásticos. Pecar contra a Virtude é doloroso feito! E como saberá o homem, ao certo, onde estará ou não escondido o virtuoso ou o vicioso, depois de ambos se acharem mergulhados num corpo denso?
Por isso, sem desprezar o dever de análise comparativa, para efeito de classificação de méritos e valores, digo que o melhor é cultivar aquele amor, aquela tolerância, aquela resignação, tudo aquilo de virtudes de que deu cabal exemplo o próprio Cristo. Eu disse, atrás, que o Cristo não veio para inverter valores, exigindo primeiramente o acerto total e, secundariamente, o culto do Consolador, da Revelação interplanos; afirmo o que disse antes, que ao Consolador cumprirá enveredar o homem, teórica e praticamente, rumo aos seus mais precisos conhecimentos. Pretender que se encare a Jesus como um exemplificador moral, apenas, é tirar-lhe o mérito da função vivida, por Deus outorgada, de revelador da Revelação tornada pública, do batismo de Espírito Santo. Tornar o homem conhecedor, tal e simplesmente é o dever do Consolador. As realizações de ordem moral, isso é lá com o próprio homem, sendo de seu direito inato, ser absoluto responsável, segundo como vir a saber e praticar.
Por isso mesmo, tendo sido o Consolador barrado pelo romanismo, no quarto século da era Cristã, ao tempo do imperador Constantino, com isso barrou-se ao homem o direito de inteirar-se de sublimes conhecimentos. Tudo isso tendo sido por Jesus profetizado, aconteceu, assim como do século quatorze para cá, está sendo trabalhada a restauração do Consolador. O segundo capítulo do Livro dos Atos dos Apóstolos; os capítulos doze e quatorze da primeira carta de Paulo aos Corintos; e A Doutrina Espírita, bem testemunham um só programa elucidativo, tendo por centro de gravidade o intercâmbio entre os planos da carne e do aquém da carne. E como o programa restaurador objetiva um tal relativo informe, que abrangerá ainda um século, a contar do meado do século vinte, eis que cumprirá a todos os homens de boa vontade estudar com serenidade, com simplicidade, colocando o bom senso acima dos interesses subalternos, desses que tudo fazem por cristalizar princípios, desses que da rotina fazem meio de vida, campo vasto para as explorações mais vis. O Espiritismo jamais deverá servir de meio de vida a quem quer, seja a pretexto do que for, tal é o que afirmo, em sã razão.
Isso, materialmente falando. Moralmente falando, o Espiritismo abarca todos os quadrantes de moral já conhecidos, relativamente expostos no curso de todos os tempos. Mental e intelectualmente, fornece elementos para todos os graus de intensidade assimilativa. Filosófica e cientificamente, do mesmo modo, pois impõe-se por graus incontáveis, favorecendo a uns e a outros, imensos campos de pesquisa. Não obstante, por causa dos vícios mentais e de certos erros recalcados, ele mesmo que carreia em si os elementos todos de poder unificador dos credos, fará um grande serviço de desunião, de desagregação, de revolução.
No entanto, como o escândalo não poderá deixar de se fazer intrometido nos movimentos sociais em geral, aquele que por ser dono de igrejinhas que tais, o provocador, esse mesmo responderá por tudo o que de prejuízos causar à Causa do Senhor, sem que um só ceitil lhe venha a ser esquecido. Disto, se não olvide cidadão algum, diga-se ou pense-se o que bem quiser. As chaves da Suprema Justiça, não andam nas mãos de mercenários quaisquer, por se poderem arrogar estes, títulos que tais. Ninguém é ministro de Deus, menos que cumpra seu dever. O dever é segundo as leis da própria vida.
Não, porém, segundo os conchavismos de qualquer matiz, de religiosismos estes ou aqueles. Portanto, aparecendo no vasto painel espiritista, como não poderia deixar de ser, estas ou aquelas prerrogativas ou afirmações, ninguém deverá julgar segundo convenções apriorísticas, mas, sim, segundo a melhor lógica possível, o maior liberalismo são. Nenhum homem, já ficou dito na mensagem “CONSOLADOR, O UNIFICADOR RELIGIOSO”, precisará de inventar a Verdade! O dever do cidadão do universo é, e nada mais, concertar-se com a Ordem Universal! Eis o programa divino, tal como é traçado ao homem.
Fora disso, só a dor terá por recompensa. E não é porque desmanche algo do que é pela Suprema Vontade; é porque prejudica o bem de segundos e terceiros, de coletividades inteiras! E isso, amigos, vem a custar bem caro, muito caro. Entre o homem e as leis, ninguém está, sem ser o próprio homem. Quem, pois, ficaria responsável, sem ser ele mesmo?
Enquanto homem do mundo, vivendo com minha máscara convencional, tinha o hábito de atribuir minhas dores, minhas decepções, aos outros. Hoje, que sei o que sei, das vidas sucessivas, dos feitos bons e ruins, das imensas responsabilidades assumidas, digo que só de uma coisa me lamento – de ter truncado, com minhas atitudes, com meus ensinos, com meus fetichismos moisaístas e etc. o progresso de milhares e milhares de irmãos! Santo Deus! Como esta rememoração me aterroriza! Dá-me, Senhor, oportunidade de reparar tamanhas faltas!...
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.