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Capítulo 192 de 235

Qual A Origem Do Primeiro Pecado?

Textos Divinos V · Osvaldo Polidoro

A tese é normalmente dialética, é ambivalente, no plano das leis de Causa e Efeito, onde o processo evolutivo é e se desenvolve, encaminhando o ser vivente à plenitude consciencional ou psíquica. É um mero caso de antropologia, transcendente por ORIGEM e clássico por FINALIDADE. Como a Ciência Clássica, por militar no campo das ações e das reações experimentais, de ordem exata, não pode atingir o conhecimento das Causas originárias, do plano transcendente, quando muito fica na teoria da evolução biológica, da emancipação pelo autocrescimento. A chamada Sabedoria Antiga, entretanto, com Hermes Trismegisto e Pitágoras a pontificar na ordem teogônica, já cogitava e mantinha, alto e bom som, a certeza da antropologia transcendente, indo localizar e focalizar o homem nas espécies inferiores, nos dédalos da poeira cósmica, da matéria inorgânica e da matéria organizada. Certos andavam e certos andam, aqueles que reconhecem a viagem evolutiva do espírito através dos reinos e das espécies, e, mesmo antes dos reinos e das espécies. Tudo, portanto, mera questão de caráter biológico. Não se faz necessário falar da Terra e de sua demografia; porque os Mundos e as Humanidades, que ora estão postados em altas hierarquias, já foram como a Terra e sua bagagem humana; já singraram os mares da vida inferior, já medraram nos portos da involução e das faltas por inconsciência. Os universos e as almas observam a lei fundamental da UNIDADE, para efeito de ORIGEM, PLANO EVOLUTIVO e FINALIDADE. Pode haver alguma variação no Tempo e no Espaço, na esfera dos matizes, em virtude das aplicações do livre arbítrio humano, que faz com que os Cristos Planetários e Seus Imediatos tomem providências relativas, favoráveis ou cominativas, mas o Plano Geral tem cumprimento, porque as almas, uma vez lançadas no torvelino da existência, devem trilhar a senda evolutiva e devem colimar o grau crístico. Concludentemente, evolução gradativa é responsabilidade gradativa, pois não? É imperioso, portanto, reconhecer a antimatéria e a ultramatéria para focalizar o espírito em sua marcha consciencional, em sua longuíssima caminhada pelos torvelinos da emancipação, do crescimento psíquico através da experiência própria, das registrações íntimas ou psicométricas. O santo, quando assim se possa dizer, é um caso de registração histórica, longamente fermentado e com os seus efeitos em evidência, e tudo em caráter individual, íntimo e profundo! Quanto à antropologia clássica, em virtude das limitações em que a envolvem os elementos de pesquisa, paira na esfera da matéria palpável ou parapalpável. Digo parapalpável porque os fluidos e o eletromagnetismo são reconhecidos constituintes dos organismos animais. Entretanto, como Ciência de Contato, fica nos efeitos tangentes, pouco se incomodando com a antimatéria e a ultramatéria, lá onde começa a centelha a ser movimentada pelos motos energéticos do Cosmo, não sendo mais do que simples autômato, e, aqui, na ultramatéria onde plana em Luz, Glória e Poder, depois da caminhada feita. * * * A NOSSA RESPOSTA FICA NISTO A Raça primitiva ou primata, ou a primeira raça-mãe, ou Eva, habitou a Terra em diferentes pontos e latitudes. Tremendamente bruta, material e extravazando a sua truculência brutal em todos os sentidos, refletia apenas, em seus atos, as taras da animalidade inferior. O sexo, o estômago e a cria, eis os motivos que a faziam movimentar, para viver ou para morrer... Era, contudo, um degrau a mais na escala evolutiva ou do progresso psíquico... Por assim dizer, estagiava numa condição mesológica, em virtude de sua situação hierárquica; e como a hierarquia se revelava tremendamente medíocre, a condição mesológica era brutal e chocante, eivada de perigos e dificuldades. Não havia, portanto, um primeiro erro, uma primeira falta, uma primeira transgressão; havia o reflexo puro e simples da animalidade inferior de onde provinha e ações que correspondiam à gradação evolutiva ou hierárquica do primata humano. Vinha das espécies inferiores e vivia consoante a sua necessidade imediata. Quem tangia ao movimento eram a pança, o sexo e a cria. Como antes vivia por instinto, por instinto vivia também agora, apenas aflorando, nas telas da razão, o engenho defensivo. Por muitos milênios a raça primata ou Eva perambulou pela Terra, enquanto que esta foi, também,

mudando muitas vezes de feição geográfica, aqui e acolá, em virtude de cataclismos telúricos de variada ordem intensiva e de amplidão. Enquanto perambulava, enquanto lutava pelas necessidades exclusivamente imediatas, fermentava lentamente o germe do espírito, o homem ou a raça do porvir, crescida a fim de receber a legião advinda, o Adão que, conforme o delineamento planetário, teria que aportar no mundo onde Jesus sempre fora o Tutelar Máximo. Assim como Eva, ou a primeira raça-mãe, foi evolvendo e lapidando lentissimamente o seu caráter, a fim de um dia ofertar reencarnação a Adão, ou legião advinda, assim mesmo é que o conjunto, a mescla, até ao presente tempo ainda vive em busca do Reino do Céu que é de ordem interior. Desde antes de habitar a matéria inorgânica, vem o espírito lutando, enfrentando situações, primeiro inconscientemente, qual perfeito autômato e a seguir, penetrando aos poucos no plano da consciência total, consciência total que ainda cintila ao longe, nos confins da viagem através dos mundos e das vidas sucessivas. Fechando a resposta, lembro duas verdades: a – Não existem, espiritualmente, fatores isolados e totalmente individuais, em se tratando de formação, movimentação e colimação hierárquica. De um ou de outro modo sempre ficam as centelhas irmanadas, sempre a obra implica em haver trabalho coletivo, serviço de cooperação ou permuta. Se é certo que o Reino do Céu não virá com mostras exteriores; se é certo que cada um deve desabrochá-lo no seu íntimo, também é certo e, mais do que isso, necessário, que haja entre os irmãos trabalho de colaboração perfectível. Se alguém pudesse ver fácil, como a movimentação se faz, desde antes da matéria, depois no seio da matéria inorgânica e logo mais no âmbito da matéria organizada, por certo haveria de compreender a importância das ações coletivas, dos trabalhos fraternos em geral. A Lei de Deus, que não manda ter esta ou aquela religião, porque concita à boa conduta social e ao respeito à Revelação, em tudo e por tudo focaliza o homem como elemento social ou parcela coletiva. O Amor, divinamente exemplificado pelo Cristo, deixaria de ter valor, caso não fosse o homem uma parcela coletiva. E a Revelação, a quem cumpre ilustrar e consolar, não assenta totalmente na necessidade e na obrigação da função coletiva do filho de Deus? b – As faltas e os erros de hoje, depois de tanto terem vivido muitas raças e muitos povos, são ainda reflexos dos erros e das faltas por insuficiência psíquica, o produto da involução, o lastro da animalidade inferior, o resto da barbárie que nos faz ser ainda orgulhosos, egoístas, despóticos e até mesmo sanguinários. Portanto, a pergunta implica neste resumo, como resposta – quem quiser ver o santo, que trate de vê-lo pelo prisma da evolução lentíssima, da movimentação laboriosa e de ordem coletiva; observe a marcha vagarosa das raças e dos povos, através dos ciclos e das etapas históricas; compreenda a função dos luminares da Humanidade, mormente aqueles que se propuseram aos trabalhos de ordem espiritual; focalize os Budas, os Vedas, Rama, Hermes, Zoroastro, Orfeu, Crisna, Pitágoras, os Patriarcas de antes e de após Dilúvio; registre a função do verdadeiro Moisés e faça estágio nos Profetas, a fim de compreender e reviver a Divina Função Missionária de Jesus Cristo, Aquele Celeste Ungido que veio derramar do Espírito sobre toda a carne, tornando a Revelação de alcance geral. E considere que o Espiritismo é o restabelecimento do Caminho do Senhor, da Excelsa Doutrina, fundamentada na Lei que harmoniza e dignifica, no Amor que diviniza e na Revelação que ilustra e consola. Nisto não vai uma simples resposta, uma nuance conceptiva; nisto vai o que se fez visível, a formação da Terra e sua marcha fenomênica, arrastando consigo a massa dos viventes, as legiões em luta pela pança, pelo sexo, pela cria e pelos ideais celestiais... Sim, tudo foi visto em traços largos, em visões milenares, em avançamentos por etapas sucessivas, onde as melhoras foram surgindo, onde as levas humanas foram retornando ao plantel da carne, até chegar aos nossos dias, à hora presente, onde no homem de hoje muito bem se percebe ainda, e infelizmente, a fera e o troglodita de ontem... Mas aonde, graças a Deus, se reconhecem os vislumbres celestiais, as fulgurações divinas, as cintilações nobríssimas que se patenteiam nas ações nobres das criaturas mais conscientes, menos animais e mais psíquicas, cuja visão fá-las antever a finalidade gloriosa, onde brilham já Aqueles que Se fizeram os Cristos dos infindos mundos, as cortes de Seus Imediatos e as legiões angélicas que executam Suas Ordens, dirigindo as Humanidades de ambos os planos da vida. * * *

[Retirado do livrete “Convite à Meditação”, organizado por Rodolpho dos Santos Ferreira. Resposta de Osvaldo Polidoro sobre a origem do primeiro pecado... (em um total de 9 respondentes).]

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.