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Capítulo 174 de 235
O Espiritismo
Textos Divinos V · Osvaldo Polidoro
Tudo em Deus é Eterno, Perfeito e Imutável. Se a Terra não existisse, com o seu Cristo e a sua demografia; se o sistema planetário não existisse, ou a nossa galáxia interior, e tudo quanto ela contém, a Obra Divina seria Eterna, Perfeita e Imutável! A presunção humana faz o homem pensar que está realizando a Verdade para Deus, enquanto que, realmente, muito lentamente vai ele em si realizando a sintonia com Deus e Suas manifestações. Quanto custa para se convencer que é um pontinho infinitesimal da Criação, lançado no turbilhão do Cosmo! Quanto custa para, em crescendo um pouco em si mesmo, no curso dos milênios, empreender algum esforço no sentido de se harmonizar com a Grande Lei! Assim é o homem terrícola, em face do que chamamos Espiritismo ou Consolador, que é a Mensageira Divina, a serviço de Revelação, que impera entre as humanidades encarnadas e desencarnadas, e também nos planos erráticos, pois a vastidão das escalas impõe que haja o serviço de Mensageiria. Por esta razão que, convidado a falar sobre Kardec, respondi que não o faria, para aceitar o encargo de falar sobre o Espiritismo, o Instrumento Informativo, cuja função é advertir, ilustrar e consolar. Porque o Espiritismo é Eterno e de todos os modos, Universal! É cósmico! Se a humanidade terrícola acorda agora para o Consolador, certo é que ele tem acordado, com os seus informes, com as suas advertências e consolações, muitas humanidades para si mesmas e para Deus! Kardec foi e continua sendo apenas o secretário dos Espíritos... Não quero, porque não quero, entrar em pormenores. O que importa é fazer o serviço, não é procurar convencer a quem quer que seja. Moisés e o Cristo procuraram convencer e, no entanto, o mundo é que se convenceu de que eles eram errados, ou mesmo endemoninhados. Venceram pelas obras, não pelo reconhecimento humano. Disseram a Moisés, que não havia de ser príncipe sobre ninguém; e alguém tirará Moisés da História? Jesus, com o Livro de Isaías nas mãos, afirmando ser o cumprimento das promessas do Criador, só não foi atirado de cima de um monte por que sumiu de diante deles. Mais tarde, porém, depois de tanto pedir que Lhe dessem crédito, teve do mundo o prêmio que o mundo Lhe poderia dar – a crucificação! Portanto, vamos falar de Espiritismo, vamos tratar do Consolador Eterno. Tenho aqui nas mãos o livro: O PENTECOSTE; é um dos meus setenta e tantos livros, ou feitos de parceria com os Espíritos. Em sua introdução, contém ele a transcrição de alguns textos bíblicos, textos de integral sentido profético. Estes textos dizem respeito a Jesus e Sua função missionária. Isto é, quando Jesus viria e o que teria a fazer. Antes, porém, de entrar nos textos bíblicos, consideremos as Grandes Revelações da História, de caráter esotérico ou secreto. No curso de mais de duzentos mil anos, falando a diferentes Raças e Povos, e a Continentes que desapareceram por causa de cataclismos, dezenas de Budas falaram. Os ensinos de Rama, de Crisna, dos Hermes e dos Zoroastros, dos Patriarcas de antes do dilúvio e do após dilúvio; os ensinos de Apolo e de Orfeu; a obra de Moisés, toda calcada no Védico-Hermetismo; tudo quanto fizeram os Profetas hebreus; tudo, meus irmãos, veio pela canaleta consoladora e ilustrativa da Revelação. Nunca houve um Grande Iniciado que não fosse um Grande Médium! A teofania andou nos alicerces de todos os movimentos proféticos! Todos eles tiveram suas gloriosas visões, todos eles mergulharam no Reino do Espírito, antes de começar a jornada profética! Não temos tempo, agora, para especificar tais acontecimentos; mas terminamos de escrever: A BÍBLIA DOS ESPÍRITAS, sob o patrocínio dos mesmos Espíritos que viveram aquelas gloriosas etapas dos movimentos iniciáticos. Neste livro, entenda quem puder e quiser, estão somadas todas as Revelações da História. É um trabalho de Síntese Reveladora, é um Extrato da Verdade Revelada, é um livro de todos os servos do Cristo Planetário! As matrizes doutrinárias ali estão expostas, ficando o leitor encarregado de perceber as chaves da Excelsa Doutrina. Dito isso, vamos ler aqui alguns textos; são aqueles textos que dizem respeito ao futuro derrame de Revelação sobre toda a carne; é a futura obrigação missionária de Jesus Cristo! É o Pentecoste profetizado!
Ouçamos os Profetas, os Grandes Médiuns do Povo Hebreu: “Até que sobre nós se derrame o Espírito lá do alto, e o deserto se tornará em Carmelo, e o Carmelo será reputado como um bosque.” – Isaías, 32, 15. Observem o confronto feito, sobre os efeitos da Revelação generalizada, do batismo de Espírito, da função missionária de Jesus, deixando um Pentecoste que deveria ser, mas não foi impassável! Porque Jesus deixou o Consolador, mas veio Roma e tudo corrompeu, no quarto século. Volvamos, entretanto, às profecias que anunciavam a função missionária de Jesus: “Porque eu derramarei água sobre a terra sequiosa, e rios sobre a seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade, e a minha benção sobre a tua descendência.” – Isaías, 44, 3. “E eu lhes darei um mesmo coração, e derramarei em suas entranhas um novo Espírito, e tirarei da sua carne o coração de pedra, e dar-lhes-ei um coração de carne.” – Ezequiel, 11, 19. “E porei o meu Espírito no meio de vós, e farei que vós andeis nos meus preceitos, e que guardeis as minhas ordenanças.” – Ezequiel, 36, 27. “Eu derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, e os vossos velhos serão instruídos por sonhos, e os vossos mancebos terão visões.” – Joel, 2, 28. Aí estão, irmãos, alguns dos quase vinte textos proféticos do Velho Testamento, anunciando sobre a futura missão de Jesus, pois seria Ele o Divino Portador da Graça e da Verdade; e, repito, são quase vinte os textos que assim falam, sobre a generalização do Mediunismo ou da Revelação. Porque, como sabeis, antes de Jesus liberar no Pentecoste a Revelação, tudo era feito em caráter esotérico. A Ciência dos Mistérios, como era chamada antes, foi por Jesus transformada em Conhecimento da Verdade que livra. E para liberar de fato, foi tornada pública, foi entregue ao povo. Vamos agora, irmãos, para os dias da execução; isto é, vamos apanhar as palavras de João Batista e de Jesus, sobre o derrame de Espírito sobre a carne. É ainda deste livro, O PENTECOSTE, que transmito a leitura: “...Eu vos batizo em água para vos trazer à penitência; mas ele vos batizará no Espírito Santo e em fogo.” – Mateus, 3, 11. “Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” – João, 14, 16. “...Porque se eu não for, não virá a vós o Consolador; mas se for, enviar-vo-lo-ei.” – João, 16, 7. Quem procurar, irmãos, nos quatro Evangelistas, encontrará várias expressões contendo o mesmo sentido; isto é, afirmações da parte de Jesus e de João Batista, de que a promessa antiga seria cumprida por Jesus – haveria uma eclosão mediúnica de fartas proporções, que começando em Israel, atingiria os confins da Terra. E a Humanidade teria, como tem de fato na Revelação, o Instrumento que Adverte, Ilustra e Consola. Observem bem, que os dois últimos versículos do Velho Testamento afirmam a reencarnação de Elias, que viria precursando o Cristo! Observem bem, que ambos os nascimentos foram enunciados pela Revelação, tendo falado o Mensageiro Gabriel, o Espírito chamado Gabriel! Observem bem, que Jesus atravessou a vida obrando curas mediúnicas, expelindo maus espíritos e confabulando com os bons. Foi Ele quem afirmou que viriam os anjos ou espíritos subindo e descendo sobre a cabeça do Filho do Homem. E foi Ele, o Divino Modelo, que no Tabor teve contato com Moisés e Elias, na presença de Pedro, Tiago e João, criaturas que tinham faculdades mediúnicas próprias para tais fenômenos. Não nos resta, portanto, senão ir para os dias de após-crucificação, quando o Cristo ressurgido em espírito, comparecendo ante os Apóstolos, anunciou que a promessa do Consolador iria imediatamente ser cumprida. Repito que IMEDIATAMENTE, pois Jesus jamais disse que enviaria o Consolador dezenove séculos depois, como pretendem alguns espíritas, por mera falta de estudos. Vamos, portanto, ao Livro dos Atos, o menos adulterado da Escritura. De agora em diante, irmãos, temos o Cristo-Espírito a falar, e os Apóstolos em pleno cultivo do Consolador, a Graça trazida por Jesus para toda
a carne: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e me sereis testemunhas em Jerusalém, e em toda a Judéia e Samaria, e até às extremidades da Terra.” – Atos, cap. 1. “...E recebereis o Dom do Espírito Santo, porque para vós é a promessa, e para vossos filhos, e para todos os que estão longe, quantos chamar a si o Senhor Nosso Deus.” – Atos, cap. 2. “E foram todos cheios do Espírito Santo, e começaram a falar em várias línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.” – Atos, cap. 2. Três textos são esses, irmãos, que revelam o cumprimento da promessa. Estava cumprida a tarefa de Jesus! O Consolador estava, segundo as profecias do Velho Testamento, e consoante às palavras de Jesus- Homem, plenamente entregue aos homens de boa-vontade! Só restava irem-no cultivando, para que a Terra inteira se enchesse do Conhecimento da Verdade que livra! O Instrumento Divino que Adverte, Ilustra e Consola, estava nas mãos da Humanidade, pago com o sangue inocente de Jesus-Cristo! De agora em diante, irmãos, é o Consolador em curso; teremos os Apóstolos a estender o Evangelho da Verdade, todo ele amparado e lastreado pelo batismo de Espírito, pelos fenômenos mediúnicos em grande esplendor. É aquilo mesmo que os espíritas vivem a fazer, pois o Espiritismo assim se chama, pelo fato de ser a Restauração do batismo de Espírito, trazido por Jesus. Elias, como Kardec, nada mais devia fazer do que repor as coisas no lugar. Assim o determinou Jesus, quando anunciou: “Quando Elias vier de novo restaurará todas as coisas”. Vamos ler os textos que testemunham o batismo de Revelação, o Consolador em plena função, através dos Apóstolos e prosélitos: “E tendo eles assim orado, tremeu o lugar onde estavam congregados, e foram todos cheios do Espírito Santo, e anunciavam a palavra de Deus confiadamente.” – Atos, cap. 4. “Estando Pedro ainda proferindo estas palavras, desceu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra.” – Atos, cap. 10. “E como eu tivesse começado a falar, desceu o Espírito Santo sobre eles, assim como também tinha descido sobre nós no princípio.” – Atos, cap. 11. “Entretanto estavam os discípulos cheios de gozo e do Espírito Santo.” – Atos, cap. 13. “E havendo-lhes Paulo imposto as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo, e falaram em diversas línguas e profetizaram.” – Atos, cap. 19. “Senão que o Espírito Santo assegura, por todas as cidades, dizendo que me esperam em Jerusalém prisões e tribulações.” – Atos, cap. 20. Aí tendes, irmãos, o Consolador entregue pelo Cristo à Humanidade, porém de modo generalizado, de portas abertas. Cometem erro crasso, erro palmar, aqueles espíritas que dizem ter Jesus prometido o Consolador para mais tarde. Tudo isso denota falta de estudo ou de honestidade mental, o que, de qualquer forma, nunca ficará bem em um espírita! Também tereis que compreender, irmãos, que o Espírito Santo ou de Verdade, Paracleto ou Consolador, não era essa coisa de que tratam os católicos e protestantes, entidade vaga e teórica, figura de fachada, mistifório teologal, peça de engodo com que vivem a engabelar as gentes em nome de Deus e do Cristo. Como podeis e deveis observar, através da Restauração, que é o Espiritismo, o Espírito Santo era e é o nome coletivo da Legião Mensageira, dos anjos ou espíritos comunicantes, que comunicando advertiam, ilustravam e consolavam, como é devido. Cumpre saber que Jesus-Cristo não recolheu o batismo de Revelação! Cumpre saber que o Consolador é o testemunho de Jesus-Cristo! Cumpre saber que não há Evangelho sem batismo de Espírito nem Cristianismo sem Consolador! E se houver disso no mundo, sabei que é corrupção, sabei que é obra de Roma, sabei que é trabalho de blasfêmia! Vamos, agora, para as Cartas ou Epístolas; deixemos os Atos dos Apóstolos, os primeiros testemunhos da Graça trazida por Jesus-Cristo, mas testemunhos que já se estendiam por outras terras, raças e povos: “...A caridade de Deus está derramada em nossos corações, pelo Espírito Santo que nos foi dado.” – Romanos, cap. 5. “Por eficácia de sinais e prodígios, em virtude do Espírito Santo, de maneira que, desde Jerusalém e terras comarcãs ao Ilírico, tenho enchido tudo do Evangelho de Jesus-Cristo.” – Romanos, cap. 15.
Observem, irmãos, que os Apóstolos não confundiam os sinais e prodígios em virtude das comunicações mediúnicas, com os ritualismos pagãos, com as vestes fingidas, com os simulacros fetichistas e com os discursos falazes que medram pelas igrejinhas clericalistas que infestam o mundo e querem passar por coisas de Deus e do Cristo. Observem que a bandeira dos primitivos cristãos era a Revelação, a Graça deixada por Jesus, que Lhe custou o preço da crucificação! Avancemos, irmãos, com Paulo de Tarso, nas afirmações do Consolador em curso e disseminação, fazendo o serviço de estender pela Terra o Conhecimento da Verdade que livra: “E a cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito. Porque a um é dada pelo Espírito a ciência, a outro a sabedoria, a outro a fé, a outro a graça de curar as doenças, a outro a operação de milagres, a outro a profecia, a outro o discernimento dos espíritos, a outro a variedade de línguas, e a outro a interpretação das palavras.” – I Ep. Coríntios, cap. 12. Estão aí expostas, pelo Apóstolo dos Gentios, as nove mediunidades fundamentais. De tal modo fez ele a exposição em termos de síntese, que todos os estudos feitos até ao presente, ainda não lhe atingiram a profundidade total. O fato é que, apesar dos erros dos homens, erros espontâneos em alguns casos e propositais em outros, as chaves do Espiritismo aí estão, para convencer aos que desejarem, de cabeça erguida, acima de sectarismos e armados de honestidade mental, fazer as devidas experimentações. Devemos dizer, ainda, que sobre estas mesmas bases Kardec sustentou a tese máxima do Espiritismo; porque enquanto existirem homens capazes de experimentar, capazes em inteligência, capazes em qualidades morais e capazes de serem acima de sectarismos religiosistas; enquanto, repetimos, existirem homens assim capazes, decididos e virtuosos, os testemunhos da Verdade serão práticos, evidentes e acima de fanatismos quaisquer. Assim como são feitas as sessões espíritas hoje, assim mesmo eram feitas as sessões pelos Apóstolos e prosélitos. No capítulo quatorze da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios, muito bem ensina Paulo o sistema de sessões usado por todos eles. E se Roma não tivesse aparecido no cenário da História, para inventar uma Igreja sua e a seu modo e gosto pagã, despótica e sanguinária, por certo que o Evangelho, lastreado pelo batismo de Espírito, pela Revelação, desde muito que teria atingido Jerusalém, a Judéia e Samaria, daí passando aos confins da Terra, conforme disse Jesus aos Apóstolos, naquele contato que está assinalado no primeiro capítulo do Livro dos Atos. A Graça trazida por Jesus não foi a de salvação gratuita, como querem dizer e afirmar os conceitos errados das clerezias dogmáticas. Jesus, pelo fato de ser o Executor da Lei, é o Divino Modelo. E pelo fato de ser Modelo Divino, levou a cruz do Dever ao píncaro das exemplificações necessárias. Quem não vive a Lei de Deus não é discípulo de Jesus-Cristo. Como a Lei não pode ser derrogada, também não é possível ser cristão, fora do Exemplo de Jesus-Cristo! Todos trazem consigo a sua cruz, símbolo do dever a cumprir; e Jesus deixou o Seu Divino Exemplo, para que cada um a tome e faça questão de segui-Lo. O Paracleto, advogado, intercessor ou instrumento de advertência, ilustração e consolo, nada tem que ver com a pretensa Graça Salvadora de que tratam os clericalismos dogmáticos, corruptos e corruptores. Sacramentos inventados por homens não invertem os termos da Lei! O sangue do Cristo não lava os pecados de quem quer que seja! Quem libertará o espírito são as obras, são os aprendizados feitos com o Divino Exemplo de Jesus Cristo! É muito bom andar lendo e meditando sobre os dizeres do capítulo vinte e dois do Apocalipse... O Paracleto ou Consolador, consoante as palavras de Jesus e o testemunho dos fatos, adverte, ilustra e consola; isto é, faz o trabalho de INFORMANTE DA VERDADE, assim mesmo como Jesus afirmou: “Eu tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas vós não as podeis suportar ainda. Quando vier porém aquele Espírito da Verdade, ele vos ensinará todas as coisas...” – João, cap. 16. Bem vedes que Jesus edificou Sua Doutrina, ou que Ele dizia ser do Pai e não Sua, sobre a Revelação. Isso aconteceu no Pentecoste, como está escrito no segundo capítulo do Livro dos Atos, e como já vos li os textos. E agora, passando para as sessões espíritas realizadas pelos Apóstolos e prosélitos, vereis que assim o foi, que assim o é e que assim o será, para os homens inteligentes e prudentes, aqueles que não se presumem mestres de Deus e do Cristo!
Observem, pois, como realizavam sessões espíritas os primitivos cristãos: “E assim as línguas são para sinal, não aos fiéis, mas aos infiéis; porém as profecias, não aos infiéis, mas aos fiéis. Se pois toda a igreja se congregar em um corpo, e todos falarem línguas diversas, e entrarem então incrédulos, ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos? Porém se profetizarem todos, e entrar ali um infiel, ou incrédulo, de todos é convencido, de todos é julgado. As coisas ocultas do seu coração se fazem manifestas, e, assim prostrado com a face em terra, adorará a Deus, dizendo que Deus verdadeiramente está entre vós. Por que haveis de fazer, irmãos? Quando vos congregais, se cada um de vós tem o dom de compor salmos, tem o de doutrina, tem o de revelação, tem o de línguas, tem o de as interpretar, faça-se tudo isto para edificação.” Quero abrir aqui um breve parenteses, para dizer que Roma fez o contrário, passou a guerrear o batismo de Revelação, forjando um clero pagão e idólatra, cheio de malícia e de blasfêmias contra a mesma Revelação. Quero mais ainda lembrar a função do Consolador, do Mediunismo Cristão, segundo os preceitos da Lei de Deus, todo ele instrumento de advertência, ilustração e consolo. Quero dizer que se lembrem das palavras de Paulo, pois ele falava então, precisamente como estamos falando hoje, porque assinalava que o fundamento do Cristianismo é a Revelação tornada pública. “Ou se alguns têm o dom de línguas, não falem senão dois, ou quando muito três, e um depois do outro, e haja alguém que interprete o que eles disserem. E se não houver intérprete, estejam calados na igreja, e não falem senão consigo e com Deus. Pelo que toca porém aos profetas, falem também só dois, ou três, e os mais julguem o que ouvirem. E se neste tempo for feita qualquer revelação a algum outro, dos que se acham sentados, cale-se o que falava primeiro, porque vós podeis profetizar todos, um depois do outro, para assim aprenderem todos.” – I Ep. Coríntios, cap. 14. Aí temos, irmãos, como realizavam os Apóstolos as suas sessões de Revelação ou do Espiritismo. Cumpre repetir, uma vez mais, que o nome de ESPIRITISMO, dado por Kardec à Restauração, somente o foi por ser de fato a Restauração do batismo de Espírito, trazido por Jesus-Cristo, que é a Graça que tira a orfandade. Temos ainda a palavra de outros Apóstolos, dando testemunho de que a Doutrina deixada pelo Cristo é fundamentada na Revelação; temos João Evangelista mandando não aceitar a palavra de qualquer espírito, antes de saber se ele é ou não de Deus ou de Verdade. Pedro manda cultivar com todo carinho o batismo do Espírito Santo, deixado por Jesus-Cristo, pelo fato de constituir o preço do Seu martírio, e inclusive de ser o Anunciador prometido pelo Cristo. Depois de tudo isto, irmãos, resta dizer que Roma, no quarto século, forjou o seu clero e tudo fez para fazer desaparecer a Graça deixada pelo Cristo a começar do Pentecoste. E para cúmulo do erro, para ainda mais avançar nos campos da blasfêmia, forjou a corrupção em nome de Deus, da Verdade, do Cristo e dos vultos do Cristianismo primitivo. No vasilhame da mentira colou o rótulo da Verdade, para melhor enganar e dominar os povos. O Apocalipse conta bem a história da Besta que devia vir, corrompendo raças, povos, reinos e nações... Tendo vindo aqui para falar de Espiritismo, não podia deixar de buscar elementos na tradição profética, nos textos bíblicos, onde conto com três vidas, duas no Velho Testamento. Já disse várias vezes que conheço minhas vidas e função no mundo. E por isso passo, agora, para o restante da palestra, dizendo aquilo que tem acontecido nestes últimos cinco e meio séculos. Quero dizer que há coisas que são dos bastidores do trabalho restaurador, que são íntimas, que eu direi a quem quiser ou não. Eu tenho conhecimento, porque em parte são muito minhas. Delas falo se quero, não devo a ninguém a obrigação de dizê-las, senão que a Deus, a Jesus-Cristo e à Mensageiria Espiritual do Bem, devo a graça de ter parte muito saliente na Restauração da Excelsa Doutrina. Primeiro digo, de passagem, que sobre a Europa, e principalmente sobre a França, deu-se o Grande Conclave determinado pelo Cristo, a fim de serem programados os trabalhos preliminares da Restauração. Isto se deu nos albores do século quatorze, tendo motivado a encarnação de Wicliff, Huss, Joana D’Arc, Lutero e Giordano Bruno, todos cavando os alicerces da Codificação, a Síntese da Restauração. Meus livros de agora encerram os pormenores, porque a parte histórico-profética ficou para esta fase dos trabalhos.
Em segundo lugar, digo que da França o Cristo mandou rumar com os trabalhos para o Brasil; para cá foi transplantada a chamada ÁRVORE DO EVANGELHO. Portanto, irmãos, no Brasil do século vinte a Máquina Informativa tem trabalhado muito bem e com imensos resultados. O Evangelho, conforme está escrito no primeiro capítulo do Livro dos Atos, lastreado pela Revelação, se estende sobre a Terra. Conheço muitos daqueles que trabalham, como encarnados, espargindo a Verdade. Apesar de algumas falhas, que as fraquezas humanas pretendem desculpar, o certo é que o trabalho continua, desdobrando aquelas chaves doutrinárias que a Codificação enfeixa. Nada mais temos feito do que desdobrar as lições dadas pelos espíritos. Poderia entrar em muitos pormenores, citando nomes de prol e trabalhos que se estão avolumando. Isto, porém, faria mais males do que bens, pois é sabido que excessos de personalismo já prejudicam bem a muitos trabalhos. Aquele trabalho que devia ser de equipe, e por orgulhos e vaidades pessoais não o é, redunda em prejuízo da Causa da Verdade. Todavia, para Deus tudo são linhas retas! Tenho escrito, irmãos, para mais de setenta livros, de narrativas sobre os planos erráticos, e todos eles reportando os leitores às verdades histórico-proféticas. Terminei também A BÍBLIA DOS ESPÍRITAS, sumulando neste livro todas as Revelações, deixando marcas do meu agradecimento a todos os Emissários do Cristo Planetário, a todos quantos vieram, no curso dos milênios, semeando pela Terra a semente da Verdade. Eles mesmos foram os que fizeram, no Mundo Espiritual, tudo quanto tem aparecido em forma de livros, nestes últimos dois séculos. Os melhores escritores, mais ou menos conscientes de suas faculdades mediúnicas, nada mais fizeram do que filtrar as lições para o lado de cá. É assim, pois, que termino a minha conversa, lembrando as tradições proféticas, porque o profetismo nunca jamais terminará. Ficam de pé, em Deus, cujas realidades são Eternas, Perfeitas e Imutáveis, a autoridade dos Cristos Planetários e o Serviço de Mensageiria Espiritual. Antes que a Terra existisse, tudo isso já pertencia ao foro da Eternidade! Cresçam os filhos de Deus aqui deste mundinho, que o Infinito os espera, cheio de Luz, Glória e Poder.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.