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Capítulo 27 de 30

49 – A Bíblia dos Espíritas — parte 1 de 2

Orações e Poesias Divinas II · Osvaldo Polidoro

Pelos elementos de ponderabilidade que contém o trabalho abaixo, trabalho de um grande amigo do mundo espiritual, para esta obra o trasladamos; quando outra virtude não contiver, pelo menos lembra o livro que encerra o espírito das maiores Bíblias da Humanidade. CONCEITOS ETERNOS, PERFEITOS E IMUTÁVEIS Como e o que seria Deus, se tivesse que ser segundo as opiniões humanas? Como funcionariam a Lei e a Justiça Divina de Deus, se tivessem que obedecer ao crivo das maquinações religiosistas? Porque o homem se fanatiza pela sua ignorância, enamora-se da sua idolatria, dobra-se ao aguilhão do conchavismo sectário, enclausura-se no círculo vicioso das

3 Segundo o Autor, o Espiritismo é o Cristianismo reposto, que cederá lugar ao Divinismo, doutrina restaurada de Deus, sem falhas, erros ou omissões através do Evangelho Eterno, a Bíblia final prometida por Deus em Apocalipse, 14, verso 6.

vestes fingidas e das imagens, cinge-se ao guante insidioso dos ritualismos e emprega-se de corpo e alma aos tratos da discurseira em torno de textos e de letras mortas; ao invés de procurar a Liberdade através da elucidação mental, em lugar de crescer em Amor através das práticas bondosas, em lugar de Conhecer as verdades Eternas, Perfeitas e Imutáveis, através da Revelação, que é o Consolador deixado pelo Cristo, ele tudo faz para se tornar inimigo de si mesmo pelo exercício do fanatismo religiosista. Pobre homem terrícola, que não aprendeste ainda a ler o Sagrado Livro da Vida Universal! Pobre homem terrícola, que não sabes conversar com o Pai Divino através da Sabedoria e do Amor, tornando-te escravo de malabarismos clericais! Pobre filho de Deus, que afastado dos cinco sentidos da Lei, que são a Moral, o Amor, a Revelação, a Sabedoria e a Virtude, vives para entronizar a ignorância e reverenciar a mentira!

Fanático por um livro, pensas que és dobradamente sábio; sujeito a um conchavismo religiosista, pensas que fazes o melhor possível; adorando imagens, formalismos e rituais, acreditas que és perfeito servo de Deus; pensando segundo os tradicionais paganismos arvorados em igrejas, pretendes estar de posse da Verdade Integral; enfim, fanatizado pela própria ignorância, gritas ao mundo que és o preferido de Deus perante o Cosmo Infinito! Não fizeste a terra que te sustenta o peso e abriga-te qual mãe carinhosa! Não criaste o sol que te envia luz e energia múltiplas! Não pensas com respeito sobre o ar que respiras, que também não é de tua fabricação! A tua nutrição e cobertura são ofertas da Natureza em geral e também produtos do sacrifício de teus irmãos menores em evolução, sendo que a ela e a eles bem poucos pensamentos agradecidos envias! A mulher que chamas perdida, não terá sido ontem a tua mãe lacrimosa?

O assassino, filho criminoso da sociedade famigerada, da qual és parte e relação, não poderá vir amanhã a ser teu pai ou irmão, filho ou protetor na hora da angústia? De quem é, realmente, a riqueza que invejas? Como pensas para com a jovem sensual, hoje radiante de formosura, para amanhã ser devorada pelos vermes e cujo espírito imortal ser obrigado a responder pelas obras? Que dizes da viuvez e da orfandade, das feridas e das tragédias íntimas que teus irmãos silenciam na voragem dos mais atrozes sofrimentos? Todos nós, meu irmão, temos invertido os termos, temos acreditado na mentira e temos desprezado a Verdade que livra; o Evangelho, que foi e é a vida exemplar de Jesus Cristo, que não foi porque não morreu, que não deixou túmulo cheio porque não sofreu corrupção, aí está vivo e estuante de esplendor eterno, porque assenta nos cinco sentidos da Lei de Deus. 22 A Moral, que caracteriza a disciplina fundamental, por isso mesmo harmoniza e dignifica! O Amor, que é virtude estática, dinamizada pela Bondade, sublima e diviniza, fazendo crescer em Luz, Glória e Poder!

A Revelação, o Consolador, trazido como Graça para toda a carne através do sacrifício de Jesus Cristo, revelará no curso dos milênios aquelas verdades que a tua involução presente não permite reconhecer; ela tem por função básica ilustrar e advertir, para atingir o grau de perfeita consoladora! A Sabedoria, a Sabedoria com inicial maiúscula, a iniciática, fará com que te harmonizes com a Unidade Cósmica, com que te sintas parte e relação do Todo Manifestado, outorgando-te o título de verdadeiro sábio! A Virtude, a síntese de todas as realizações divinizantes, por isso mesmo é a marca inconfundível do grau de cristificação individual; fora da Virtude não há grandeza real! A Virtude não usa roupagens exteriores, não é religiosa segundo os conceitos humanos, não se revela através de títulos e de nobiliarquias! A Virtude não faz discursozinhos sectários e não toma de empréstimo as fantasias com que se envolvem os homens que aparentam religiosidade! A Virtude não tem fronteiras, limites, cores, raças, religiões e preconceitos!

A Virtude é Eterna, Perfeita e Imutável como o próprio Deus, por isso mesmo que torna UNO aquele filho que a realiza em si. Meu irmão, escuta este sábio conselho – o Espiritismo pertence ao Pai Divino, porque nenhum homem poderia criar estas dez Verdades Fundamentais: Essência, Existência, Movimento, Imortalidade, Evolução, Responsabilidade, Reencarnação, Revelação, Habitação Cósmica e Sagrada Finalidade: Jesus ou Kardec fabricaram isso? Lembra-te, irmão meu, dos cinco sentidos da Lei de Deus e das Dez Verdades Fundamentais; lembra-te do Espiritismo, que é a Excelsa Doutrina transmitida pelo Cristo Planetário, agora restaurada com este nome. Não te perturbes com os homens ignaros e sectaristas, nem com os que pretendem ser donos do mundo, porque somente Deus é o Senhor de tudo e de todos. Em face das realidades fundamentais acima expostas, o mais tudo é questão de minúcias e pormenores; na Terra ou nos infindos mundos, na carne ou fora dela, todos pertencem à Divina Essência, somos Existentes e Movimentamos com vistas à Sagrada Finalidade. Todas as demais realidades giram em torno dessas, assim como os planetas giram em torno do sol.

Sabendo disso, que é fundamental, procura usar bem a tudo quanto for mais relativo ou circunstancial. Não adores a matéria; use-a sempre bem! Já que te reconheces partícula da Essência Divina, honra-te como tal! Já que te portas assim, convida a teus irmãos para que façam o mesmo, porém com

muito cuidado, pois não convém estragar dádivas e pérolas, consoante a parábola do Mestre. Bem sabes que, encarnado ou desencarnado, terás que estar em alguma parte, de algum modo e fazendo alguma coisa; porque estas três verdadezinhas nunca jamais nos abandonarão. Toma cuidado com as obras, para que não venhas, quando menos o esperes, a estar nas trevas debruçado sobre a dor e prejudicando ainda, muito possivelmente, a vida de algum outro irmão. Toma tento contigo mesmo, porque normalmente ninguém dá senão o que tem; e como somos Existentes, somos obrigados a ter alguma coisa, Luz ou treva, Graça ou desgraça, Amor ou ódio, Virtude ou vício, Verdade ou mentira, Sabedoria ou ignorância, Coragem ou covardia. Esta é a chave das Verdades que já foram reveladas e que estão aguardando revelações pormenorizadas; este é o espírito do livro A BÍBLIA DOS ESPÍRITAS, o livro que deverá vir a ser o segundo travesseiro da tua cama.

Neste mundinho de guerras, pestes e fomes, a Verdade continua necessitando muito de apóstolos; arma-te com o bastão do Conhecimento, da Certeza e da Bondade, tomando parte na luta redentora. Não é favor, é dever! Teu Irmão Espiritual. 50 – AS PROMESSAS DO SENHOR Uma vez que a obra supra-citada endereça, em síntese, à Sabedoria Antiga; uma vez que os desejosos de conhecê-la podem buscar livros apropriados, vamos fazer apenas algumas transcrições textuárias, referentes ao Consolador, lembrando porém que, em outras obras nossas, farta é a documentação a tal respeito. Ei-las: “Quem dera que todo o povo profetizasse, e que o Senhor lhe desse o Seu Espírito” – Números, 11, 29. “Até que sobre nós se derrame o espírito lá do alto; e o deserto se tornará em Carmelo, e o Carmelo será reputado como um bosque” – Isaías, cap. 32. “Porque eu derramarei águas sobre a terra sequiosa, e rios sobre a seca; derramarei o meu espírito sobre a tua posteridade, e a minha benção sobre a tua descendência” – Isaías, cap. 44. “E porei o meu espírito no meio de vós, e farei que vós andeis nos meus preceitos, e que guardeis as minhas ordenanças e que as pratiqueis” – Ezequiel, cap. 36. 23 “Eu derramarei o Meu Espírito sobre toda a carne, e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos velhos serão instruídos por sonhos, e vossos mancebos terão visões” – Joel, 2, 28. Umas vinte vezes o Velho Testamento contém afirmativas desse teor; e como é conseqüente, tudo gira em torno de revelações, através de médiuns ou profetas.

Quanto a quem faria isso e quando, os textos seguintes por si mesmos farão compreender. Porque Jesus viria ao mundo, para derramar do espírito sobre toda a carne ou batizar em espírito. A Revelação, que era de portas fechadas, devia tornar-se de portas abertas, pelo feito de Jesus Cristo. “... ele vos batizará no Espírito Santo e em fogo” – Mateus, cap. 3. “... porque ainda o Espírito não fora dado, em virtude de não ter sido ainda glorificado Jesus” – João, cap. 7.

“Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em Meu nome, Ele vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” – João, 14, 26.

“Quando porém vier o Consolador, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, que eu vos enviarei da parte do Pai, ele dará testemunho de mim” – João, cap. 15. “Quando porém vier aquele Espírito de verdade, ele ensinar-vos-á todas as verdades, porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e anunciar-vos-á as coisas que estão para vir” – João, cap. 16. Vede bem que não se trata de uma espécie de mística do Cristo, ou da Doutrina em si, mas de uma Mensageiria Divina, de um Informador Vivo, que daria testemunho do Cristo, e da Excelsa Doutrina. O Consolador, que é a Revelação ou a Palavra de Deus, teria que ser o veículo da evangelização da Humanidade, tudo começando pelo Povo de Israel. E isto seria, então, o antigo profetismo, perseguido e massacrado pelo clero levita, colocado em termos de generalidade, conforme o desejara Moisés e conforme o anunciaram os Profetas. Vede o que aconteceu depois da crucificação de Jesus, com a Sua volta em espírito, para efetuar o derrame de espírito sobre a carne, para deixar a Igreja Viva, sem clerezias e sem idolatrias quaisquer.

“Porque João na verdade batizou em água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo, não muito depois destes dias” – Atos, cap. 1. “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e me sereis testemunhas em Jerusalém, e em toda a Judéia e Samaria, e até às extremidades da terra” – Atos, cap. 1. Essas coisas foram ditas por Jesus, que retornando em espírito, com isso recordou as antigas profecias e o porquê de Sua vinda ao mundo; porque a

função missionária de Jesus Cristo fora a de generalizar a Revelação, para tornar os filhos de Deus conscientes das verdades Eternas, Perfeitas e Imutáveis de Deus; e também para ir ministrando ensinos pormenorizados, sobre verdades que até então não poderiam ser assimiladas pela imensa maioria do povo. Vede, agora, o que foi sendo a Igreja Viva de Jesus Cristo, edificada sobre a Revelação. “E foram todos cheios do Espírito Santo, e começaram a falar em várias línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem” – Atos, cap. 2. Vede, agora, como o Apóstolo Pedro relembra as profecias, sobre o derrame de espírito ou Revelação sobre toda a carne, testemunhando ter sido Jesus o Celeste Funcionário, enviado pelo Pai, para semelhante empreitada.

“Assim que, exaltado pela destra de Deus, e havendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou sobre nós a esse, a quem vós vedes e ouvis”– Atos, 2, 33. “Porque para vós é a promessa, e para vossos filhos, e para todos os que estão longe, quantos chamar a Si o Senhor nosso Deus” – Atos, cap. 2. Pelo fato de ser a antiga promessa do derrame de espírito ou Revelação, que se cumpria, Pedro lembrou uma das antigas sentenças proféticas; apelou para Joel, como poderia ter apelado para umas vinte outras. “Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E acontecerá nos últimos dias, que eu derramarei do meu espírito sobre toda a carne, e profetizarão vossos filhos, e vossas filhas, e vossos mancebos verão visões, e os vossos anciãos sonharão sonhos” – Atos, cap. 2. O Pentecostes foi o dia da Fundação do Espiritismo, para quem bem queira entender e respeitar os fatos; da Fundação como fenômeno proféticohistórico e levada a termo pelo Cristo Planetário. Estava derramado o espírito sobre a carne!

Estavam abertas as portas dos Cenáculos Iniciáticos! A Revelação, a Palavra de Deus, invadiria o mundo e ensinaria, até mesmo aquelas verdades que Jesus não pode então ensinar! Estava instalada na Terra a Igreja Viva de Jesus Cristo, fora de cleresias e de idolatrias quaisquer! Anunciada pelos Profetas, preparada no seio do povo por Jesus, depois de escorraçado e perseguido pelo Sinédrio, foi também longe do Templo e do Sinédrio que teve o seu nascedouro! Algum dia, quando a Verdade merecer o respeito dos homens, o dia do Pentecostes será a grande data festiva, porque lembrará a função missionária de Jesus Cristo, lembrando também o feito de Elias, que com o nome de Kardec organizou a Codificação, a restauração no devido tempo, como fora predito pelo mesmo Jesus Cristo. 24 Dali em diante, o batismo de Revelação generalizada estava pronto, continuando os trabalhadores do Cristo a grandiosa tarefa; isto é, disseminando pela Terra a Excelsa Doutrina, lastreada pela Graça da Revelação, que lhe dava caráter de Igreja Viva, assim como está escrito em Atos, cap. 1. Vejamos, agora, como se estendia naqueles dias o Espiritismo: “Estendendo a tua mão a sarar as enfermidades, e a que se façam maravilhas e prodígios em nome do teu Santo Filho Jesus.

E tendo eles assim orado, tremeu o lugar onde estavam congregados, e todos foram cheios do Espírito Santo; e, anunciavam a palavra de Deus confiadamente” – Atos, cap. 4. Quando se ler que eles anunciavam a PALAVRA DE DEUS, entenda-se que apregoavam o derrame de espírito sobre a carne, a Graça da Revelação para todos que estava desde muitos séculos prometida no Velho Testamento. Era o grandioso feito do Pentecostes, lavrado pelo Cristo Ressurreto, que devia encher o mundo levando a todos os filhos de Deus os devidos ensinamentos. Porque, em matéria de Doutrina ou de Evangelho, tudo em Jesus foi questão de viver em público os DEZ MANDAMENTOS, para ficar como Divino Modelo. Saiba quem deseje saber, que não há Evangelho sem a Lei de Deus e sem o Batismo de Espírito.

“E foi Ananias, e entrou na casa; e pondo as mãos sobre ele, disse: Saulo irmão, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, envioume para que recobres a vista, e fiques cheio do Espírito Santo” – Atos, cap. 9. Primeiro, tudo isso é Mediunismo ou Espiritismo, ou Revelação, porque o mesmo espírito de Jesus, que falou a Paulo na Estrada de Damasco, foi também falar com Ananias, em Damasco. Segundo, porque era o Batismo de Revelação, a Graça trazida por Jesus, que se estendia pelo mundo. Terceiro, que havendo Paulo recobrado as vistas, e recebendo espírito, ou tornando-se médium, como agora se diz, tornou-se o Cavaleiro Andante do Batismo de Revelação. Nem poderia ser de menos, por dois motivos – um, que o Pentecostes lhe tocou por turno, produzindo o efeito que devia produzir, pelo seu sentido revelacionista prático; e dois, porque o testemunho de Jesus é esse mesmo, é o Batismo de Revelação, não é questão de cleresias, ritualismos, discursos falazes, etc. “Estando Pedro ainda proferindo estas palavras, desceu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra” – Atos, cap. 10. “E como eu tivesse começado a falar, desceu o Espírito Santo sobre eles, assim como também tinha descido sobre nós no princípio” – Atos, cap. 11. Vede bem a condição de médiuns dos Apóstolos, pois todos receberam espíritos comunicantes; eles não eram homens clericais, com vestes fingidas,

idolatrias e rituais, mercancias e politiquismos que tais. Passo a passo a Revelação ganhava elementos, se estendia sobre a Terra, fazendo conhecer as leis de Deus, libertando consciências. “E havendo-lhes Paulo imposto as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo, e falavam em diversas línguas, e profetizavam” – Atos, cap. 19. Se Elias não voltasse ao mundo, como Kardec, para restaurar a prática da Revelação ou do Profetismo, o Espírito Consolador, ou de Verdade, ou Santo, ou Paracleto, ou de Profecia, teria desaparecido do mundo! Foi o monstruoso serviço das trevas, levado a termo por Constantino, na Roma do quarto século. O livro A BÍBLIA DOS ESPÍRITAS informará de tudo a quem deseje conhecer. “Senão o que o Espírito Santo me assegura por todas as cidades, dizendo: Que me esperam em Jerusalém prisões e tribulações” – Atos, cap. 20. Eram espíritos comunicantes, que por todas as partes anunciavam os acontecimentos, como sucede agora com as reuniões espirituais.

Como no tempo dos Profetas do Velho Testamento, quando anjos, espíritos ou almas se comunicavam, já que a função missionária de Jesus Cristo fora derramar do espírito sobre a carne. Quem ler, tenha cuidado com o adjetivo SANTO, porque ele serviu para Roma desvirtuar a realidade da graça trazida por Jesus Cristo, que foi a Revelação generalizada, para daí derivar o esclarecimento da Humanidade. Observem bem o Livro dos Atos, que faz girar a função dos Apóstolos em torno da Revelação; porque o Espírito Santo não era então, a fantocharia em que o converteram depois, quando quiseram que fosse a terça parte de Deus, capacho de todas as patifarias, desaparecendo do seu devido lugar, onde o deixara Jesus, para ser a Mensageiria Divina, a comunicação dos bons espíritos, cuja função é advertir, ilustrar e consolar. Aquele Paulo, com quem Jesus se encontrou mediunicamente, na Estrada de Damasco, enviando-o a Ananias, ele foi quem melhor falou, naqueles dias, sobre as mediunidades conhecidas; porque das reuniões espirituais, ou das reuniões dos Apóstolos, todas eram cópias do Pentecostes, nada mais.

Ouçam Paulo falar das mediunidades conhecidas naqueles dias. “E a cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito. Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra de sabedoria; a outro porém a palavra de ciência, segundo o mesmo Espírito; a outro a fé, pelo mesmo Espírito; a outro a graça de curar as doenças, em um mesmo Espírito; a outro a operação de milagres; a outro a profecia; a outro o discernimento dos espíritos: a outro a variedade de línguas; a outro a interpretação das palavras” – I Ep. Coríntios, cap. 12. 25 Quanto ao modo de reunir dos Apóstolos, como dissemos atrás, tudo eram cópias do Pentecostes; tudo como Kardec tornou a ensinar, podendo haver certas variações, em virtude de variarem as mediunidades; porque, saibamos, muito há que se modificar no curso dos tempos, com a evolução das chamadas criaturas e de suas faculdades. Observemos, entretanto, como eram feitas as reuniões dos Apóstolos.

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