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Capítulo 15 de 15

Capítulo X — parte 2 de 2

Nos Planos da Morte · Osvaldo Polidoro

modo de se impor, causando admiração, prendendo o intelecto; mas a maravilha das maravilhas está no Amor, porque este encerra a um tempo, a maior soma das Virtudes Divinas. Quem sabe é importante, mas quem verdadeiramente ama é muito mais ainda, é glorioso! O meu primeiro grande contato, depois da pequena morte, da largada carnal, foi realmente uma grandiosa entrada na Grande Morte, nos felizes planos da Vida Maior. Se ainda falamos nos planos da Morte, devemos discernir entre uma e outra, pois que, de fato, nem sempre se encontra a Grande Morte, por mais justo e certo que jamais se poderia escapar da pequena morte. Verdadeiramente, uma vez que temos de enfrentar a pequena morte, porque não cuidar daquela que significa a Grande Vida? Outro fato surpreendente, para mim, foi reconhecer, depois da liberdade carnal, que muitos dos amigos e conhecidos da Terra, haviam sido criaturas com quem havia tido contatos em outras vidas, sendo algumas delas elementos consangüíneos, familiares bem chegados. Pude observar, também, que nalguns casos tínhamos tido empreitadas idênticas, trabalhando pela melhora de outros, mas nem sempre focalizando as condições e situações com inteireza de pontos de vista, de onde surgiram não poucos entraves à obra benfeitora. Durante os dias terrenos, por exemplo, alguns confrades sustentaram divergentes pontos de vista, achando que devíamos endereçar práticas e atividades para tais e quais rumos, não faltando quem se desse a interpretações diferentes, quer a conceitos doutrinários, quer a trabalhos mediúnicos. Durante aqueles dias, procurei conselho com os guias, dizendo eles que nem todos podiam focalizar as variantes questões pelo mesmo prisma, por causa das diferenças hierárquicas e psicológicas, além daquelas que decorriam dos princípios educativos admitidos. Contudo, avisaram-me, então, que ninguém tinha obrigação de querer ficar bem com todos, sendo até imperioso, em certos casos, e para determinados fins, que convinha ficar do contra, ser avesso. Ora, como cada facção alegava estar agindo em conformidade com as instruções de seus respectivos guias, tornei a falar com os meus, dizendo eles que isso tudo estava certo no plano geral, mas que viria a estar errado no plano particular, uma vez que o mundo espiritual se caracterizava pela diversidade formidável de regiões e esferas hierárquicas, alojando criaturas de diferentes tonalidades evolutivas, de onde surgiam as divergências de conceitos e de gostos. Vim a encontrar a exatidão da afirmativa, e a razão de ser das vastíssimas modalidades de culto nas hostes espíritas, por causa das variantes regiões e esferas, de onde vêm os encarnados, e de onde são os guias espirituais. Assim

como são divergentes os graus evolutivos, na carne e fora dela, assim são divergentes os conceitos e os matizes doutrinários, práticos e teóricos. A grande regra é melhorar sempre, avançar tantas quantas vezes seja possível, jamais estacar nas vias do progresso; mas, infelizmente, nem sempre as criaturas assim o entendem. Parece estranho, mas é comum que haja dialética para tudo; por isso mesmo, enquanto alguns há que se sacrificam para melhorar sempre, outros há que se esforçam nos domínios da iniqüidade, do mau uso das faculdades e dos recursos que Deus coloca ao dispor de Seus filhos. Nem sempre a vida terrena ensina o melhor, restrita que é por natureza das densidades ambientais; também é certo que nem sempre a desencarnação pode ensinar tudo quanto poderia, visto como não lhe cumpre fazer santos nem devassos, mas apenas entregar o indivíduo a seus próprios merecimentos. Merecimentos quer significar esferas, regiões, locais de habitação, condições e situações, etc. Cumpre, portanto, aprender ao máximo e ao máximo fazer tudo quanto é bom; a mania de adiar para amanhã, ou talvez para o futuro, qualquer iniciativa digna de atenção, tem posto muitos elementos em situação crítica. Olhar para trás, depois da pequena morte, nada resulta! Para melhorar, até mesmo para melhorar, cumpre levar em conta as oportunidades do presente, as ofertas da hora precisa, porque o tempo nem sempre tem o mesmo valor, como capital a ser empregado. Quando chega a ser tarde, para alguns arrependimentos, que outro recurso resta sem ser aguardar novas oportunidades? E quem sabe ao certo em que bases virão, para aquele que se fez de esquecido em face dos mais íntimos e sagrados deveres? Faz poucos dias que, visitando em companhia de meu pai a residência de um confrade, ainda encarnado, fomos surpreendê-lo em atividades francamente condenáveis, metido entre elementos de baixíssimo padrão vibratório, sustentando os piores propósitos. Ora, este homem, apreciavelmente inteligente, que tivera a ventura dos bons conhecimentos doutrinários, por que se enredara com elementos espirituais de baixo padrão? Ouvimo-lo defender sua tese, sua concepção, mais de uma vez, acompanhando-o alguns dias; estava certo de estar em boa companhia e fazendo o bem. E argumentava, com bastante ênfase, que suas influências cresciam, dia a dia, junto ao mundo espiritual. Diante de tamanha descida, lastimei, falando a meu pai: – Não existem, realmente, conceitos e opiniões que não sejam defensáveis; a questão, no entanto, não é convencer a si e aos outros: é convencer a Lei de Harmonia Universal, é conseguir o equilíbrio no porvir. Versado na tarimba dos tremendos sofrimentos, meu pai afirmou:

– A vantagem, Teodoro, é que de tudo chega a hora. Agora, para ele, chegou a hora de pensar assim, movido pelos interesses imediatos; amanhã, quando tiver que deixar o plano carnal, terá que, conseqüentemente, enfrentar outra hora. E poderá, à custa de sacrifícios, chegar a grandes conclusões! Eu sei que não é esse o sistema usado pelos mais prudentes; mas, ponderemos, quem é obrigado a ser prudente de um salto? O bom senso é filho do acaso? Pesaroso, intervim: – Ele teve boas informações doutrinárias; conversou com espíritos cristãos e dignos de apreço. Desvios conscientes terminam custando bem caro! Encolhendo os ombros, meu pai argumentou: – Você ainda não sabe tudo a meu nem a seu respeito; mas eu já revi tudo quanto poderia ter de mais proveitoso e interessante. Que maior falta, do que matar em nome da fé, julgando fazer bem a Deus? Afinal, Teodoro, não é da Lei que ninguém tem o direito de matar? E não matei eu, assim como o fizeram outros, e como tantos outros vivem fazendo ainda? Como regra geral, ou medida coletiva, onde está a prudência? Não observa que, vinte séculos depois de edificada a Igreja Viva, sobre a Revelação, pelo maior espírito planetário, ainda se fazem os piores erros, ainda se aprimoram idolatrias, ressomando aparatos pagãos e comerciais, em nome da fé? Que povo está isento de maus elementos? Onde não espocam taradismos e atos horrendos? Em que parte da Terra a Justiça não sofre corrupção? Qual a religião que não aloja corruptos e marginais da pior espécie? Observando minha tristeza, depois de fazer breve estacato ponderou: – Meu filho, minha vítima de outros tempos! Você está retornando agora do mundo carnal, cheio de belas conquistas, equipado de santas realizações. Sua mente paira num plano superior, longe das misérias das regiões inferiores. Eu sei o quanto se chocam os conceitos e preconceitos, de homem para homem, de local para local, de esfera para esfera. São brutais as divergências, são terríveis as comparações! Entretanto, bem sabe, a Grande Lei põe cobro a tudo, no curso dos tempos e das vidas... Levanta-se ela do íntimo de tudo e de todos, do indivíduo e das coletividades, forçando ao equilíbrio, impondo a ordem, fazendo atingir o ponto final. Não se apoquente, portanto, ao defrontar um irmão que se desvia, depois de saber o que é melhor; isso é triste, mas é possível, porque todos podemos jogar, até certo ponto, com o relativo livre arbítrio. E o erro de um tempo representa a dor de outro tempo, restando ainda, como conseqüência, a experiência para outros tempos, talvez para a eternidade! – É compreensível, mas é doloroso – pontilhei. Encolhendo os ombros, gesto bastante seu em casos tais, retornou:

– É simplesmente humano... As grandes lições teóricas, valem muito para os grandes espíritos; porque os medíocres pensam e agem de outra maneira. Se um companheiro de trabalhos deixa o bom caminho, estribado nos ensinos do Evangelho e da Codificação, e lança-se nas dobras do mediunismo comprometedor, visando vantagens mundanas, isso apenas constitui uma falta humana, coisa que vem dos primórdios da Humanidade. Está jogando com a liberdade relativa que o Céu lhe confere; no porvir, certamente colherá os produtos da falta, nada mais. A Lei é viva e a Justiça vem sempre a tempo. Pior faríamos, lembre-se, empatando tempo com quem o não merece... Vamos à cata de outros, que sabem e querem o melhor. Não percamos tempo com o ruim defunto, como diz o refrão!... Foi, em verdade, cheio de pena que deixei o recinto daquele irmão, que havendo perfilhado a sã Doutrina, descambara nos rumos de práticas nocivas, vindo a se mancomunar com elementos espirituais de padrão bastante inferior, que lhe consumiam o precioso tempo e lhe exigiam práticas viciosas e comezainas deprimentes, em troco de serviços rampeiros, de préstimos comprometedores, advindos por vias escusas. Fomos apreciar, a seguir, em outros recintos, os serviços educativos, com base nos trabalhos mediúnicos escrupulosamente cultivados. Como ninguém ali era de má conduta proposital, ninguém procurava desculpar suas faltas, armando discrepâncias para com os dispositivos da Lei de Deus e dos ensinos do Cristo. O ambiente psíquico era superior, pode-se dizer sublime! Nenhum espírito prometia atos prodigiosos, nem reclamava práticas e quitutes animalescos... Todos insinuavam boas leituras, felizes aprendizados, nobres empreendimentos. Na lembrança de todos estava o Reino do Senhor, que é íntimo a todos os filhos de Deus, e que deve desabrochar à custa de esforços sábios e amoráveis. Fomos colher, enfim, na semeadura do passado, os frutos saborosos da vinha do Senhor! O novo presidente da Casa, lembrando-me o acendrado penhor doutrinário, nas bases fundamentais do Divino Mestre, anunciou aos presentes, com grande alegria: – Faz hoje, meus irmãos trinta dias que o nosso querido irmão Teodoro partiu na direção das plagas superiores da Vida! Bem sabeis o quanto era evangélica a sua formação doutrinária, o culto de sua própria conduta humana! Iremos hoje, em seu louvor, comentar aquele capítulo que lhe era tão caro; aquele capítulo que deve merecer de todos os espíritas grande respeito, porque testemunha, radicalmente, ser o Espiritismo a Restauração do Cristianismo do

Cristo. Faremos a leitura do capítulo quatorze, da primeira carta de Paulo aos Coríntios, onde se lê, onde se aprende que Jesus veio derramar do Espírito sobre a carne, conforme a promessa antiga, e que os Apóstolos, em seguida ao Pentecostes, foram pelo mundo espalhando a grande novidade, a Doutrina da Verdade! Foram lidas e comentadas as palavras de Paulo, fazendo o novo presidente as devidas comparações com os dois primeiros capítulos do Livro dos Atos, para extrair a conclusão irretorquível, de ser o Espiritismo a Restauração do Batismo de Espírito, razão de ser da vinda de Jesus Cristo ao plano carnal. FIM

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.