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Capítulo 14 de 15

Capítulo X — parte 1 de 2

Nos Planos da Morte · Osvaldo Polidoro

Por estas alturas, a minha vida física beirava os sessenta anos, estando minha mãe muito avançada em idade; longe poucas horas da largada final. Estava eu lendo um livro espiritualista, cujas bases doutrinárias vinham dos Vedas, onde haviam sentenças deste porte: “O homem é, como espírito, imortal, esponsável, evolutível e reencarnável; quando livre da matéria, em determinadas circunstâncias pode comunicar-se, falar aos ditos vivos.” “Por natureza Deus lhe deu poderes e virtudes, em estado latente, a fim de que, desabrochando, se eleve à categoria dos Grandes Mestres.” “Cada espírito traz em si, por expressa Lei Suprema, o poder de edificar para si as glórias do Bem ou as trevas do Mal; ele mesmo tem o direito de ser o seu construtor, e tem o dever de fazê-lo, pois a Lei Suprema é, para todos os efeitos, geral e acima de particularidades.” Estava lendo, como disse, tais palavras, quando ouvi alguém dizer, nos meus ouvidos, as seguintes palavras: – Visite sua mãe o quanto antes! Corri à sua residência, encontrando-a recostada num amplo sofá, sofrendo tremenda falta de ar. Colocando-lhe a mão sobre a cabeça, e fazendo oração, procurei passar-lhe fluidos ao máximo, para revigorá-la. Conseguida a melhora, enderecei pensamentos contínuos ao guia que por ela costumava comunicar, a fim de obter algum informe sobre o que fazer. E obtive a comunicação. – Cheia está a medida – disse ele – e bem farta será a colheita no Reino de Deus, que são as regiões felizes, onde vivem os que cumpriram bem os seus deveres, trabalhando pela melhora própria e geral. Embora a separação envolva as criaturas em seu manto de luto, creio que deve sentir imensa alegria, porque é grato perante Deus e o mundo, saber que uma alma viveu a melhor conduta,

executou o programa decente, armazenando glórias para si e conforto para todos aqueles que amam a Verdade e o Bem. Depois de outras breves palavras, partiu, deixando patente que não mais falaria comigo, a não ser na vida espiritual, quando também eu deixasse o plano carnal. Chamado o médico, e feita a consulta, diagnosticou o fim da vida física pelo esgotamento geral. Horas depois, dormindo o sono brando, envolvida por uma legião de amigos, desligou-se e planou a uns dois metros do corpo. Vi perfeitamente que fizeram a operação do corte fluídico, pelo que foi ela afastada por um grupo de irmãos servidores. Só tornei a vê-la na hora do enterramento do corpo, visto que aqueles irmãos a trouxeram. Estava sonolenta, parecia querer dormir, mas estava aureolada e o seu semblante revelava candura contagiante. Observei que os servos do Senhor haviam-na isolado, a fim de que as vibrações dos encarnados não lhe atingissem. Feita uma prece pelos irmãos em Doutrina, a caravana espiritual partiu, assim como todos os demais. Vi que espíritos inferiores ali ficaram, curiosos e perambulantes, tecendo comentários os mais contraditórios, dizendo que ela devia ser alguma protegida de Deus. Se tivesse podido, diria a eles que em Deus não existem proteções nem perseguições, de caráter algum, porque em Deus tudo é segundo leis regentes, fundamentais e eternas, estando em cada um o dever de construir a sua glorificação, pelo trabalho desabrochante. Não foi possível dizer coisa alguma, naquele momento, nem depois, visto que outras foram as ordens recebidas. Ao querer convidá-los, mais tarde, para serem orientados nas sessões espíritas, tivemos ordem em contrário. Não mereciam, ainda, o amparo da Lei, visto como nada haviam feito em vida nem ainda pretendiam fazê-lo na morte. Estavam desprovidos de recursos favoráveis, tendo em contrário, ainda, maus juízos a respeito da Soberana Justiça. Todavia, depois de alguns dias, minha mãe apareceu pela primeira vez; estava em companhia de meu pai e outros, porém era maior do que eles. Se alguém a visse, tal qual como se apresentou, e esse alguém fosse pouco ciente das grandes verdades do mundo espiritual, seria capaz de tomá-la pela Mãe de Jesus. Alguns espíritos, muito menores em hierarquia, já foram assim considerados; gente sem a devida noção dos fatos, gente piegas, tem visto espíritos um tanto luminosos e tem interpretado as coisas de modo exagerado. A gama hierárquica é vastíssima e não é assim tão fácil discernir as tonalidades evolutivas. Todavia, de longe em longe ela comparecia, tomando parte nalguns trabalhos e alegrando a todos com a sua graciosa presença.

Apenas uma vez convidou-me a acompanhá-la, transportando-me a um plano onde a Luz Divina era exposta em grandiosa evidência; devo dizer que eu estava longe daquelas alturas vibratórias, suportando aquela ambiência formidavelmente intensa à custa de sua ajuda. Diante de tamanhas glórias, defronte a tão intensas vibrações, eu tremia e chorava, mergulhado num sentimento de Amor e de Harmonia, como jamais poderia imaginar que existisse. Durante a lenta viagem de retorno, falou-me ela: – O grau ótimo individual é aquele que se caracteriza pela equidade entre o tom vibratório interior e o tom vibratório exterior ou ambiental; naquelas alturas ficam bem aqueles que, por evolução, por capacidade vibratória íntima, estão em sintonia, pairam no mesmo plano. Cheio de gratidão, comentei: – Todavia, mamãe, sou grato pela grandiosa oportunidade; afinal de contas, tenho ido a lugares feios, auxiliando nos serviços socorristas, poucas vezes tendo ido a lugares bonitos. A viagem de hoje, para todos os efeitos, valeu como recompensa e medida estimuladora. Nunca mais, até que viva sobre a Terra, esquecerei semelhante graça de Deus. Já ao lado do meu corpo, ao qual seria entregue, disse-me ela: – Devemos graças a Deus, por tudo quanto nos dá, visto que de tudo podemos extrair grandes lições. Observe que, estando tudo ao dispor dos filhos, nada se consegue de favor. Ao invés, portanto, de ladainhas tolas, de bajulagens e engodos, de rituais pagãos e salamaleques comprados, procuremos agir decentemente, fazendo o bem e aprendendo as grandes lições da vida. Deus quer Amor e Sabedoria e não pieguismos ignaros, tudo isso que o paganismo dos tempos primitivos inoculou nas almas, e que até agora as escraviza e retém nas esferas inferiores do pensamento. Enquanto a criatura apelar para as formas e os meneios, curvando-se aos rituais que são apresentados como atos de adoração a Deus, claro que não estará praticando a sua libertação espiritual. Ao que é material deve-se usar para fins materiais, e ao que é espiritual deve-se atenção espiritual. Se dar culto melhor ao cérebro e ao coração não agrada ao Senhor, muito menos agradará fazer ofertas onde o fetichismo e o paganismo interferem, além de intervir, por acréscimo, a sanha político-comercialista. Devemos, pois, grandes trabalhos à Humanidade. Tome conta de seu corpo, até que Deus queira, procurando trabalhar o quanto lhe seja possível pela melhora espiritual dos irmãos em Origem e Destino. Tomando conta do corpo, tudo era lucidez, como de costume; portanto, de alma encantada e cérebro exuberantíssimo, rendi graças a Deus. Já havia,

muitas vezes, derramado cálidas lágrimas de gratidão; naquele dia, porém, selei a grande ventura, porque foi de todas, a maior das graças recebidas. Não é possível relatar o que seja ter um contato assim com a Luz Divina, Luz que é FUNDAMENTO ONIPRESENTE. Quando cheguei ao tempo em que deveria entregar à Terra aquilo que devia ficar na Terra, fi-lo com a mente voltada à Luz Divina; porque, graças a Deus, não tive a morte como dificuldade, para entrar na Grande Morte como espírito consciente. Ao invés de me apegar ao mundo, tive a ventura de me agarrar à Luz Divina, procurando manter o melhor contato. Ao me achar desligado, pairando sobre o corpo, sentindo em mim uma leveza indescritível, ouvi atrás de mim alguém dizer, com voz potente e penetrante: – Deus quer boas obras e não adorações contemplativas! Receba aquilo que tem de direito, lembrando que é por Lei e por Justiça, nada mais e nada menos, porque assim o quer Deus! Quem oferece idolatrias, recebe idolatrias! Quem oferece crimes, recebe crimes! Quem oferece mentiras e fingimentos, recebe mentiras e fingimentos! Quem oferece Amor e Sabedoria, recebe Amor e Sabedoria! Porque, conforme está escrito, a cada um será dado consoante as suas obras! Eu estava assustado, porquanto a voz era potentíssima, penetrava os espaços e fazia estremecer o mais íntimo da alma. Quando volvi a face, para ver quem emitia aquele brado fantástico, vi que pairava no espaço uma folha de livro, folha de livro que reluzia, que irradiava luzes multicolores, luzes que eram palavras, e palavras que eram aquelas que se achavam no último capítulo do Apocalipse. Quando a calmaria voltou a reinar, foi então que vi um grande número de parentes e amigos, que vinham para me cumprimentar e abraçar. Entreguei-me ao devaneio e, derramando copiosas lágrimas, fui conduzido para bem longe, até que fosse hora de enterrarem o bom instrumento que fora meu corpo carnal. Estava longe de poder falar, tamanha a comoção de que estava possuído; entretanto, um dos grandes amigos, tomando o meu lugar, disse em voz alta, dirigindo-se a Deus, à Luz Divina, que é FUNDAMENTO ONIPRESENTE: – Senhor! Recebe em Teu Seio de Luz e de Glória a gratidão de Teus filhos e servidores! Sábias e justas são as Tuas leis e muito podem colher aqueles que se dão a compreendê-las e a executá-las! Graças a tudo isto, Senhor!

Finda a fúnebre cerimônia, a caravana ergueu-se, conduzindo-me ao local onde ficaria entregue a um sono reparador. Quando acordei, ouvindo música sublime ao longe, e tomado de envolvente embalo deslumbrante, reconheci que ao redor estavam bastantes amigos e parentes. Foram todos vindo e falando, até que minha mãe chegou, a última de todos, feita a imagem da bondade ou da santa maternidade... Eu não sabia o que ela iria dizer, pois em seu meiguíssimo olhar pairava um enigma. Todavia, quando falou, anunciou-me: – Filho! Jesus nos aguarda para trabalhos de suma importância, trabalhos informativos e consoladores. Vamos tratar daqueles que ainda pairam nas regiões inferiores, nas esferas onde as graças de Deus se acham distantes de Seus filhos, quer seja por faltas cometidas, quer seja por ausência de evolução. Para que falar deste reencontro, meu filho, se tantas vezes nos temos reencontrado, no curso das mortes e das vidas? Depois de algumas palavras a mais, perguntei-lhe, assim que pude conversar: – Eu sei que, na Terra ou no Céu, variam ao infinito os ramos do saber e de atividades. Que irei eu fazer? Veio meu pai, saindo dentre os amigos e parentes, colocando-se ao meu lado. Apontando para ele, minha mãe falou: – Não sabe ainda que coisas temos do pretérito, com toda a exatidão; mas, afinal, sabe um pouco. Se quiser saber tudo e da melhor forma, será muito fácil, porque os merecimentos o garantem. No entanto, em linhas gerais, estamos articulados, algumas dezenas de irmãos, a grandes prejuízos. Alguns foram algozes, outros foram vítimas... Deus, porém, quer a todos como a filhos, ensejando oportunidades de paga e de redenção. Graças a Deus, temos conseguido bastante, pois durante séculos temos voltado ao plantel carnal, onde as vítimas abraçam e embalam os algozes, e vice-versa, até que a compreensão e o Amor tomem o lugar da ignorância e do ódio... Olhei bem para meu pai, enquanto ela falava, reparando que ele derramava, em silêncio, copiosas lágrimas. Ela, entretanto, prosseguia: – Eis aí, meu filho, que seu pai o aguarda para serviços de reconciliação e melhoras em geral. Foi ele, em dias que vão longe, o algoz de todos nós, um dos maiores errados religiosos da História, um dos grandes perseguidores dos primeiros cristãos, volvendo mais tarde a reincidir em faltas, tornando-se

inquisidor e dos mais fanáticos... Devemos, portanto, a ele, trabalhos de perdão e de auxílio... Porque muitos outros ainda se acham em piores situações, revoltados e odientos, vingativos que se tornaram, por causa dos tremendos sofrimentos. E, saiba, a todos devemos trabalhos fraternos, em conformidade com a Lei: onde pudermos semear a compreensão, e por ela a reconciliação, e, por esta, a obra de soerguimento em geral, façamo-lo. Porque, um dia, quando todos os grandes divididos estiverem de novo reunidos, viremos a sentir em nossos respectivos corações a maior de todas as graças, que é sentir intensamente a felicidade daqueles que foram os nossos maiores inimigos. A verdadeira glória é filha dileta da Harmonia. Apanhando-nos pelo braço, aproximou-nos, dizendo: – Abracem-se com ardor e carinho, porque tudo isto custou muito a ser obtido!... Eu rendo graças a Deus, porque o programa de trabalhos está em curso e os resultados têm sido grandes. E enquanto penhoro a Deus todas quantas atividades venha a poder executar, reclamo de todos a melhor cooperação, em benefício daqueles que ainda se acham entregues à ignorância e à dor, à idolatria e ao paganismo. Irão ver, e podendo servir, a muitos que se acham afastados da melhor conduta, gemendo e chorando, blasfemando e causando males, esquecidos de si mesmos, alheios aos divinos bens de que são portadores... E lastimando em si mesma a incúria de muitos, propôs: – Vamos, afinal, depois de tantos séculos de luta, vitórias e fracassos, dar um impulso a mais na campanha redentora de nossos irmãos sofredores, daqueles que se acham enredados em nossa história? Vamos dizer-lhes que se esqueçam das contendas individuais e que se lembrem da hora cíclico-histórica que bate às portas da Humanidade? Vamos dizer a eles, meus queridos, que deixem a Justiça por conta de Deus, e que se entreguem aos trabalhos de redenção, porque a hora cíclica é premente, reclama severas atenções? Como tivessem feito, alguns espíritos, desde muitos anos, alusão à hora cíclica em curso, advertindo sobre a sua influência de ordem geral, influência que teria ação irrevogável sobre todas as criaturas terrícolas, encarnadas e desencarnadas, perguntei-lhe: – É assim tão importante a questão cíclica, para que dela todos falem com acendrado zelo? Fixando-nos bem, um por vez, respondeu-me: – Assim como as criaturas têm suas diferentes idades, e devem corresponder a elas, assim os mundos e suas Humanidades devem também

corresponder aos tempos. Quando para um mundo e sua Humanidade aparece uma hora de transição, significa que haverá melhora para uns e piora para outros; porque, verdadeiramente, sempre existem os que ficam para trás, envolvidos em suas infelizes realizações, enredados em seus próprios crimes e apegados a seus próprios conceitos inferiores. Ora, convenhamos, a Terra se acha em hora convulsiva, por causa da transição cíclica, em cujo bojo está saliente e patente a Restauração do Cristianismo do Cristo, ou da Igreja Viva, edificada sobre a Revelação. Incutindo à voz entonação grave, como que a lembrar a grandiosidade da hora em curso, emendou: – Para dizer-lhe o quanto é importante a transição cíclica em curso, quero dizer que a vinda do Cristo se processa através de Seus Imediatos, movimentando as legiões que atingirão até aos mais afastados rincões e mais endurecidos irmãos, sacudindo-os, procurando movimentá-los, acordando-os para o progresso necessário. E se calhar, como infelizmente acontecerá, de muitos não quererem ouvir o grande chamamento, então haverá degradação... Porque, saibamos, quando um mundo e sua Humanidade evolvem, alcançam melhoras, fatalmente descem aqueles que fecham seus ouvidos ao brado de alerta, aqueles que fincam pé em suas estultas convicções. É que a Lei presidente de todos os fenômenos, vigora para todos os efeitos, conferindo a uns na razão direta de seus impulsos progressivos, assim como a outros pela recalcitrância nos erros. A direita e a esquerda, compreendemos, estão ligadas pela mesma força propulsora; a diferença é de ser atrativa ou repulsiva a influência, nada mais. Quem não atende ao apelo atrativo, inclui-se na ala repulsiva. É o fenômeno do peso específico, é auto-classificação, cuja força embaladora, para estacar, só mesmo à custa de tremendos esforços empregados em contrário. Quem se negar aos convites da hora presente, entregando-se à rebeldia ou descaso, no amanhã se terá em péssimas condições, custando muito mais para subir e se harmonizar com a Grande Lei de Harmonia Universal. Refeito da comoção que o afetara, meu pai balbuciou: – É certo que temos dentro de nós mesmos o Reino de Deus; não é fácil, porém, movimentar os recursos construtivos, quando nos apegamos aos imperativos do individualismo, principalmente quando tangidos pelos fanatismos religiosos. Quero crer que hajam muitos errados, tortuosos, que conduzem à treva e suas amarguras; entretanto, parece-me, os errados religiosos quase sempre são os mais ferrenhos e endurecidos. Eu, por exemplo, quando me falavam de reconhecer as faltas, os crimes hediondos, os horríveis morticínios,

sentia crepitar em mim a chama das reivindicações a que julgava ter direitos, endereçando a Deus toda a ira de que era capaz. Hoje tudo isso parece estranho, mas a verdade é que eu pensava ter feito bem a Deus, e a Jesus, matando e trucidando por divergências religiosas; arrogava-me, portanto, direitos que julgava justos e acima de cogitações. E como tudo permanecia em trevas e tormentas, descendo cada vez mais, tanto mais cresciam os ódios em minha alma. Creio que cheguei a ser ódio puro!... – Onde está Jonas? – perguntei-lhe. A lembrança fê-lo sorrir, havendo anunciado: – Jonas está se curando, enquanto se esforça para curar os outros... Leva tão a sério a sua função de passista, que se impõe rigorosa conduta mental. Estuda tudo quanto lhe cai em mãos, demonstrando grande interesse pela chamada Sabedoria Antiga, pelos ensinos dos Grandes Mestres do passado. E como todas as Revelações Antigas são caminhos que conduzem à Síntese Cristã, que se constitui da Lei Moral e do Batismo de Espírito, eis que Jonas enriquece a mente com as leituras proveitosas, enquanto se modifica vibratoriamente com os trabalhos de cura e com as concentrações porfiadas a que se entrega. Já está muito distante daquela característica idólatra e ronceira com que se apresentou naqueles dias, quando o fomos retirar daquela região inferior. – Gostaria de vê-lo – pedi. Minha mãe sorriu, afirmando: – Sem dúvida! E terá de vê-lo, e de auxiliá-lo, pois estamos incumbidos da nobre função de soerguimento. Todos quantos fazem por acertar, aceitando o convite da Verdade, se fazem credores de nossos préstimos. Através dele, e de outros muitos Jonas que se acham agrilhoados aos tremendos crimes, faremos um grande e honroso trabalho, recambiando ao Reino de Deus aqueles mesmos que em nome de Deus praticaram terríveis ações. Já que estamos em melhores condições, façamos tudo quanto seja possível e justo por aqueles que se acham entrevados, desde que manifestem tendências de reajustamento intelecto-moral. Nessa hora, deu presença a senhora Alzira, que me envolveu com o seu halo de luz, amor e simpatia. Sua chegada movimentou a todos os presentes, porque sua elevação absorvia, encantava e sugeria adoráveis emoções. Ela tocava, com o seu amoroso e poderoso tom vibratório, o íntimo das criaturas que se lhe chegavam ao alcance da palavra. As almas que se edificam, que vão ingressando na esfera do Grande Amor, causam esses fenômenos, imantam as pessoas de boa vontade, porque têm o condão maravilhoso de atingir, com as suas emissões vibratórias, a intimidade das almas irmãs. A Sabedoria tem o seu

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