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Capítulo 9 de 12

A História Do Universo — parte 7 de 9

História do Universo

Capitulo VII As trinta e seis semanas anunciadas pelo Criador cumpriram-se, trazendo a noite do santo sábado, na qual subiria ao altar o cordeiro da promessa - aquele que mergulhando nas trevas, faria brilhar nos olhos de Abel o consolo da luz. Semelhante ao cordeiro, Eva sentia naquela noite a dor de dar a luz. Adão, com suas mãos ainda banhadas pelo sangue do sacrifício, envolveu o frágil corpo daquela criança com as peles macias de uma ovelha - vestes que simbolizavam a justiça protetora do Salvador. Contemplando- o acalentado em seus braços, Adão disse-lhe com carinho: "Filhinho, o teu pai é D-us". Deu-lhe então o nome de Abel. Quando no alvorecer Caim testemunhou a alegria de seus pais pelo nascimento daquele filho, foi possuído por sentimentos de ciúmes e mágoas.Com grande ira disse-lhes que, por sua vida, somente os vira chorar. Seria esse pequeno intruso o único digno de suas alegrias?! Adão e Eva com carinho procuraram mostrar a Caim o quanto o amavam, e que o nascimento de Abel não devia entristecê-lo, mas alegrá-lo pelo privilégio de ter um irmão que lhe seria amigo e companheiro; Poderiam trabalhar unidos na transformação do mundo num paraíso de paz. Abel, envolvido pela graça divina crescia em sua natureza física e mental. Ainda pequeno, passou a entender o significado daqueles sangrentos sacrifícios. O pensamento de que o Criador do Universo haveria de tornar-se uma criança como ele, com a missão de oferecer-se em sacrifício como aqueles inocentes cordeiros, para redenção dos pecadores, emocionava-o até as lágrimas. Como Caim, Abel amava a natureza com seus jardins cheios de flores e frutos; Sentia-se também triste ao ver o sol tombar no horizonte, ferido pela escura noite. Contudo, alimentava-se não de sonhos em aventura, mas de esperança e confiança naquele que semelhante aos cordeiros se entregaria ao altar, para depois de aquecer com a luz de Sua verdade o coração do homem em meio à noite de pecado, surgir como o sol de sábado, trazendo consigo a eterna vitória. O casal, fecundado pelo amor divino, gerou duas meninas que, por sua vez, passaram a ser disputadas na grande batalha espiritual pelo destino do Universo. Conscientes de sua responsabilidade, aqueles pais procuravam imprimir na mente de suas filhas, as eternas verdades do reino da luz. Nesse esforço, eram auxiliados por Abel, para quem o plano da redenção era o tema de suas mais doces meditações; Bastava olhar para um cordeiro, vinha-lhe à mente a doce lembrança da redenção prometida. Foi seu grande amor pelo Criador que levou-o a tornar-se num pastor de ovelhas. A influência de Caim, contudo, era negativa sobre aquelas meninas. Ele vivia falando de seus sonhos de aventura. Apontando para o paraíso distante, berço do sol nascente, prometia conquistá-lo um dia com suas forças. Não haveria mais noites, pois ele deteria o sol antes de sua partida. Em sua conquista, transformaria os vales sombrios em jardins floridos repletos de paz. Inspirado por esse ideal, Caim tornou-se lavrador. Plantava jardins que se carregavam de flores e frutos. Lutava insistentemente contra espinhos e cardos, os quais acreditava poder finalmente bani-los completamente com seus esforço . Pobre Caim, escravo de uma ilusão! Caim tornou-se finalmente em estatura semelhante ao pai. Trazia na face corada as marcas do sol que tanto amava, e em seus músculos a força que julgava necessária para detê-lo antes de sua partida. Movido pelos sonhos alimentados desde a infância, preparava-se agora para uma viagem de aventuras: Desceria ao desconhecido vale e caminharia em direção à casa do sol. Não sabia por quantos dias se ausentaria de seu lar, mas tinha a certeza de que seria vitorioso em sua missão. Cheio de entusiasmo, Caim revelou aos seus familiares sua decisão de partir. Todos ficaram preocupados, e procuraram insistentemente fazê-lo desistir de seu plano. No vale, disseram-lhe os pais, habitam animais ferozes, sempre prontos a devorar. Entre risos, Caim procurou convencê-los falando de sua força. Dizia-lhes que em sua jornada, longe de encontrar derrotas, encontraria o caminho perdido que os conduziria à reconquista do sonho desfeito pelo pecado. Abel, conhecedor do verdadeiro caminho que leva à vitória, com lágrimas de compaixão procurou detê-lo, falando-lhe do plano da redenção. Voltando-lhe as costas, Caim saiu contrariado. Irava-se por não encontrar por parte de sua família, nenhum apoio para sua tão nobre missão. Adão e Eva, acompanhados por Abel e as duas filhas, com tristeza seguiram-no implorando para ficar, mas ele adiantando-se em seus passos desceu a colina, mergulhando naquela ameaçadora selva que os separava do paraíso. O entardecer alcançou Caim já distante do lar, naquela floresta perigosa e hostil. As trevas trouxeram ao seu coração temor; Já não era aquele corajoso lutador que prometera vitória em todos os seus passos. Lembrou-se de casa e teve arrependimento da maneira ingrata como havia tratado seus pais naquela manhã. Ali no vale escuro, pela primeira vez ansiou pelo fogo do sacrifício; Contudo, ele jamais acreditara na redenção simbolizada pela morte do cordeiro! Ele cria no poder de sua vida que, aquecida pelo sol, crescia em força e esperança de um dia poder detê-lo sobre um reino de eterna paz e harmonia. No lar, seus pais e irmãos não conseguiam dormir. Tinham vontade de ir em busca do amado Caim, mas onde encontrá-lo? Lembravam dos demônios cruéis que invisíveis infestavam o vale, atormentando os animais que dia após dia iam tornando-se mais ferozes. Em agonia prostraram-se aos pés do Criador invisível e clamaram fervorosamente pela sua proteção. Rogavam-Lhe que o trouxesse de volta para o lar, pois sem ele, tudo era tão triste. O Eterno amava profundamente a Caim e, jamais o deixaria sozinho naquela floresta. Em resposta às preces daquela família aflita, enviou Seus anjos para protegerem-no de todos os perigos. Caim, vencido pelas opressivas trevas da noite que traziam consigo os ventos do temor, tombou irresistente ao solo frio. Ali permaneceu até ter sua coragem e força restabelecidas pela luz do alvorecer. Animado pelo brilho da esperança, continuou seus passos de aventura rumo ao berço do sol : paraíso com o qual sonhara desde sua infância. Seus pés conduziram-no naquele dia através de um vale intensamente marcado pela morte. Com espanto contemplava por todos os lados ossos secos e restos de animais devorados com ferocidade. Aos seus ouvidos atentos, chegavam uivos e gritos de feras ameaçadoras. Embora banhado pelo sol, Caim começou a ficar com medo. Imóvel, lembrou-se do lar, dos conselhos e rogos dos pais; Pensou nas constantes preces que faziam por ele; Estava certo de que não deixariam de clamar por sua segurança ali naquela perigosa floresta, apesar de sua ingratidão. Tomado de espanto, viu finalmente o sol lentamente caminhar para a sua morte diária. Se em sua presença tremia, o que lhe reservaria a escura noite?! Revivendo, contudo, os sonhos que tivera desde a infância, como um soldado que mesmo atingido por um golpe, se levanta num último esforço de vencer, Caim alimentou-se de ânimo; Venceria o medo, e conquistaria toda a selva, banindo dela todos os ossos secos e os sinais de morte. Revigorado pelos ilusórios planos, em passos firmes prosseguiu sua jornada . Pobre Caim! O primeiro de uma multidão que, escravizada pelos mesmos sonhos de progresso, caminharia para dentro da noite, julgando encontrar o berço de toda a luz. Diante dos olhos de Caim que jamais podia imaginar que todo passo que dava o levava para mais longe daquele sol que almejava conquistar, brilhou distante por entre as ramagens uma fulgurante luz. Cheio de curiosidade, apressou os passos, indagando silente : Mas como, se eu o vejo declinar?! Seria outro astro que em seu berço aguardava o momento de partida para aquele suplício diário? Com o coração pulsando forte pela emoção, adiantou-se em seus passos, julgando poder naquele novo dia detê-lo em sua partida; Inauguraria assim um reino de luz, conquistado por sua força. Correndo para a luz, porém, a viu desvanecer quando já próxima; Seria vertigem? Não. Desvanecera simplesmente para revelar-se mais brilhante aos seus olhos. Observando o brilho intenso, Caim ficou perplexo ao ver que procedia da face de um poderoso querubim protetor que, desde a queda de seus pais permanecera ali velando as divisas do Éden. Mudo, Caim contemplava a meiga face daquele anjo que, expressiva de amor, fazia renascer em seu coração emoções da infância. Sentia-se agora esquecido de sua missão, revivendo em lembrança o encontro que tivera com o Criador naquela noite de sacrifício. O querubim era semelhante a D-us, tendo no rosto um brilho de sol. Estampando no semblante preocupação, o anjo depois de contemplá-lo demoradamente perguntou-lhe: - O que busca meu filho? Recordando o seu esquecido ideal, Caim respondeu: - Busco a fonte do dia, o berço do sol." O anjo continuou perguntando: - O que o leva a procurá-lo com tanto anseio". Caim respondeu: - Eu sou amante de sua luz que me faz ver em cada dia o fruto do meu labor. Admiro-o desde a minha infância, por isso trago no peito o ideal de um dia detê-lo sobre o céu". O querubim contemplava-o penalizado, sem saber como convencê-lo daquela ilusão alimentada durante tantos anos. Após um momento de silêncio, o anjo com ar de tristeza, procurando fazê-lo recordar as palavras que o Criador lhe dissera naquele encontro, perguntou: - Com que você irá detê-lo? Confiante, Caim ergueu os braços em resposta. Não construíra enormes jardins com eles?! anjo, num esforço de fazê-lo entender que o sol é um símbolo do Salvador, disselhe: - Caim, nada poderá detê-lo a não ser o amor. Quem ama, caminha na mesma direção. Para onde você o vê caminhar todos os dias? Não é para o ocidente? Segue então os seus passos e jamais o verá chorar lágrimas de sangue. Acompanha-o em sua caminhada e verá que o que você sempre chamou de morte, consiste num alegre alvorecer para um continente além, perdido nas trevas." A afirmação do anjo fez Caim lembrar-se das últimas palavras ditas pelo Eterno naquela noite transformada em dia. Ele dissera que somente o sangue de Seu sacrifício poderia fazer brilhar a luz que triunfaria para sempre sobre as trevas. Contrariado, Caim baixara a cabeça, determinado a não seguí-Lo nessa direção. Abalado, Caim encontrava-se agora diante de uma séria decisão que mudaria o rumo de sua vida e de uma multidão que poderia seguí-lo. Mudo e a tremer permanecia prostrado aos pés do anjo, enquanto renhida luta travava-se em seu íntimo. Desde a infância alimentara um ideal, caminhando na direção de um paraíso o qual julgava poder conquistar pela força. Agora o anjo apontava-lhe um caminho oposto, de amor e sacrifício: o mesmo ensinado pelos pais e pelo Criador. Arrependido, Caim desejou retornar para casa, mas o inimigo se opunha inspirando-lhe vergonha; Como encararia sua família, a quem prometera vitória pela sua força, ao retornar de mãos vazias?! Com o jovem Caim, prostrado aos seus pés, o anjo com voz de ternura instava: - Filho, volte ao lar! Não há caminho de vitória além do amor. Ele poderá ter espinhos e no trajeto um altar, mas é um caminho seguro, pois sempre leva o viajante aos braços de uma família amorosa que, com saudade espera o fruto de seu perdão. Não será humilhante voltar; Não é esse o caminho do sol?! O caminho do orgulho é sempre desconhecido; Em seu trajeto pode ter flores e a promessa de que não haverá altar, mas o seu fim é sempre dentro da noite, distante dos braços aquecidos pelo perdão. Volte ao lar filho! Volte!!! O anjo com seus amorosos conselhos conseguiu finalmente convencer Caim. Ele estava resolvido a percorrer o caminho do amor , desfazendo os passos até ali movidos pelo egoísmo. Aguardaria agora o sol para com ele seguir humildemente rumo ao altar que, não mais lhe falava de derrota, mas de triunfo sobre a morte. Na colina distante, permanecia a família rogando incessantemente por Caim. Em seu anseio, não conseguiam ficar longe daquele altar, berço de lágrimas e sangue. Ali junto a ele, Caim viera ao mundo, banhado pela luz do sacrifício; Ali fora instruído no caminho da salvação. Ali aguardariam com fé, até vê-lo retornar arrependido. Sob o sorriso do anjo, Caim vencido pelo cansaço de seus sonhos desfeitos, adormeceu a um passo do paraíso de muralhas invisíveis - muralhas que somente poderiam ser finalmente transportas pelo amor que sacrifica. Uma brisa suave despertou-o naquela manhã, convidando-o a seguir o sol naquela jornada rumo ao altar. Como dois companheiros avançariam sobre os espinhos, quebrando-os com os seus pés feridos; Como guerreiros caminhariam rumo à colina do entardecer, não para serem vencidos pela noite, mas para destruírem-na em sua fuga. Nessa marcha de resgate, tombariam finalmente sobre o altar distante, não vencidos pela morte, mas conquistando a vida nascida da luz. Com humildade, Caim deu os primeiros passos no caminho do arrependimento - caminho que logo após o altar, lhe descerraria o seu lar de amor. Eram passos movidos por fé, pois diante de si não podia ver a face de seu companheiro, o sol, mas tinha certeza de sua presença, pois nos ombros podia sentir seu calor a acariciá-lo num terno abraço. Eram companheiros de jornada pelo caminho da vitória. Era o sexto dia. Na colina, a família, ansiosa, encontrava-se reunida desde a manhã ao redor do altar, inconsciente da experiência de transformação vivida por Caim lá nas divisas do Éden. Com lágrimas rogavam a D-us pelo querido Caim, ansiando vê-lo retornar. Como era o dia da preparação, uniram-se no trabalho, deixando tudo em ordem para receberem o santo sábado: limaram os jardins, colheram alimento, prepararam as vestes e separaram o cordeiro para o sacrifício. Foi uma atividade muitas vezes interrompida por idas ao altar, onde estendiam demoradamente o olhar sobre o vale, na esperança verem surgir aquele a quem tanto amavam. Caim, embora cansado da longa jornada, continuava avançando com ligeiros passos, desejando alcançar o sopé da colina antes da noite. Podia divisá-la ainda distante, banhada pelo sol poente. O entardecer que até o dia anterior fora visto como a vitória das trevas sobre a luz, processava-se diante de seus olhos. Via agora o sol envolto por nuvens tintas de um vermelho vivo, tombar como um herói vitorioso, prestes a libertar um continente além, do poder da noite. A escuridão envolveu o vale, e nele Caim que, com os olhos fitos no último clarão a dissipar-se no horizonte, esforçava-se em prosseguir em seus passos. Na colina, o patriarca Adão, com o coração a palpitar de saudade, anseio e dor, preparava-se para oferecer o sacrifício. Intercederia como nunca nessa noite pelo seu filho, cuja ausência torturava sua alma. Eva, em passos lentos, cheia de tristeza, seguiu seu esposo rumo ao altar, acompanhada por Abel e suas duas filhas. Sofriam muito naquela noite, pela ausência de Caim. A esperança de revê-lo fora quase que totalmente banida. Num doloroso esforço Adão ergueu o cordeiro, deitando-o sobre o altar. Quão doloroso era sacrificar, mas não havia outro caminho Cabisbaixo em meio às trevas , Caim refletia. Todo o seu passado construído por ilusórios sonhos o via em cacos. Estava no limiar de uma nova vida, como uma criança recém nascida sob a luz do altar. Caim esforçava-se para identificar aquele dia especial, de sua conversão. A lembrança do último sacrifício o conscientizava de ser véspera de sábado. Havia saído de casa no quarto dia da semana, quando os seus passos conduziram-no para dentro de uma noite escura e fria, na qual temeu a morte. Refeito, ao amanhecer do quinto dia, prosseguiu rumo ao desconhecido, até deter-se amedrontado no vale dos ossos, onde a tarde transformou-se em noite. Foi dali que contemplou o brilho do anjo que o atraiu com o seu amor. Detido em meio às trevas, Caim recordava com emoção os conselhos do anjo que o levaram a uma mudança de rumo. Lembrase de seus passos de fé que moveram-no durante todo aquele sexto dia rumo ao lar. Caminhar sob o brilho do sol fora fácil, mas o que fazer agora, quando as trevas o detinham nas selvas?! Caim, porém, alegrou-se ao saber que a escuridão daquela noite seria em breve ferida pela luz do sacrifício. Com anseio aguardava o momento de prosseguir sua jornada, orientado pelo fogo que lhe indicaria o rumo de seu lar. Movido pela dor da saudade e pelo último raio de esperança em abraçar o seu filho, Adão ergueu o cutelo para matar o cordeiro. De seus trêmulos lábios, escapa-se então uma aflitiva prece em favor de seu filho: - Senhor, hoje eu compreendo o quanto sofres com a rebeldia de teus filhos rebeldes, que trocaram o teu amor e o calor de uma família amorosa que vive no seio da luz, pelas trevas do vale, onde o desespero e a morte atraem com ilusões de vitória. Neste momento minha mão está erguida para ferir esta inocente ovelha que, com seu sangue precioso alimentará o fogo da esperança em abraçar o meu filho que se encontra perdido. Faça Senhor, com que o brilho desta chama possa alcançar o meu Caim onde ele se encontra, fazendo-o voltar ao lar arrependido. Todas os súditos do Eterno com emoção contemplavam a comovente cena de significado tão grandioso. Naquele pai tremente e aflito, pronto a sacrificar em favor do filho errante, viam o grande Pai que, para atrair Seus filhos humanos do vale da perdição, ofereceria o maior sacrifício. Após sua angustiante prece, Adão imolou o cordeiro. O fogo da esperança ergueu-se imediatamente em brilhante chama, expulsando as trevas que envolviam aquela colina. Caim que movido pela alegria de ser sábado erguera a fronte nas trevas na expectativa de contemplar o brilho da vitória, ergueu as mãos aos céus agradecido quando viu surgir no escurecido horizonte a estrela da aceitação. Cheio de ânimo prosseguiu em seus passos de fé. Embora lhe fosse impossível enxergar e compreender todos os obstáculos que surgiam em seu caminho fazendo-o tropeçar, mantinha o olhar fixo no brilho do cordeiro imolado, avançando sempre, com a certeza da vitória. Os passos de Caim conduziram-no finalmente para junto da colina, onde podia ver sua família reunida sob a luz do altar. Com o coração pulsando forte pelo cansaço e pela emoção, galgou em ligeiros passos a colina, detendo-se junto ao altar. Sua família, com os olhos cerrados orava por ele. Não conteve as lágrimas, ao ouvir seu pai clamar: -"Senhor! Meu Caim, meu Caim!!! Quando o envolverei em meus braços?! Quisera voltar ao passado, quando com prazer tomava-o no colo. Ele era a minha alegria, e esperava tê-lo sempre salvo junto a mim. Mas oh Senhor! Ele foi crescendo e se afastando, levado pelos seus sonhos de aventura. E hoje, já é o quarto dia sem o nosso Caim! Meu coração está partido pela sua ausência, e já não suporto viver sem ele! Se for possível Senhor, traga de volta o nosso Caim, e que ele seja feliz ao Teu lado. Amém Terminada a prece, Adão abriu os olhos para contemplar a chama do perdão que poderia, quem sabe, atrair seu filho daquele vale sombrio. Seu olhar pousou de cheio em Caim que jazia prostrado junto ao altar. Sem conter a alegria, Adão com um brado de vitória saltou para junto de seu filho, envolvendo-o em seus braços. Toda a família o acompanhou nesse gesto carinhoso, festejando com risos e lágrimas de emoção, o retorno daquele filho e irmão amado. Sob a luz do altar, todos assentaram-se finalmente, passando a ouvir com atenção a experiência passada por Caim naquela densa floresta. Ele contou do medo que sentiu naquela primeira noite fora de casa; falou do vale da morte, onde viu tantos ossos de animais devorados com ferocidade; contou da luz que surgira ao entardecer, fazendo-o apressar seus passos julgando ser o surgimento de um sol. Falou do brilhante anjo que o atraíra para as divisas do Éden, levando-o com seus conselhos e palavras de sabedoria e amor à uma mudança de rumo. Contou de seu retorno, das lutas e tentações que teve de enfrentar a cada passo. Concluiu contando da alegria que sentiu, ao ver naquela noite o surgimento do fogo sobre o altar, que semelhante a uma estrela, guiou os seus passos através daquele vale tomado pelas trevas. Para a família, consolada pelo retorno de Caim, surgiu finalmente o alvorecer da alegre vitória, trazendo em sua brisa o aroma dos verdejantes prados edênicos cobertos de eternas flores. Naquela manhã de sábado, uniram-se em cânticos de gratidão ao Criador, pela vida, pelo perdão, e pela certeza de que sua feliz união jamais seria maculada pelo pecado.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.