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Capítulo 11 de 12
A História Do Universo — parte 8 de 9 — parte 2 de 2
História do Universo
Invisíveis aos olhos de Caim, legiões de anjos procuravam influenciá-lo em sua solene decisão. Em sua luta espiritual, chegou quase a abandonar seus planos, mas seu orgulho repelia repeliu finalmente essa opção: seria humilhante àquelas alturas, confessar diante de sua irmã e de sua família, a inconsistência de sua teologia. Enquanto contemplava no horizonte o último lampejo do arrebol, Caim rompendo com o apelo do Espírito divino, reafirmou-se em sua decisão: Ofereceria flores e frutos em lugar de um cordeiro, inaugurando uma nova modalidade de culto que, certamente, poderia ser aceita pelo Eterno. As trevas baixaram lentamente sobre aquela colina, até cobri-la em semelhança de um espesso manto. O momento era deveras importante , pois decisões de vida e morte estavam por manifestar-se .
O que estava em jogo no posicionamento humano, era o destino do Universo. Nos passos rebeldes de Caim e sua companheira, viam os seguidores do Eterno um grande perigo que poderia dificultar e por em perigo o triunfo do plano da redenção. Tomavam consciência naquela noite, de que Satã e suas hostes, procurariam conduzir a humanidade para formas errôneas de culto, baseadas em filosofias atraentes como aqueles frutos e flores colhidos por Caim, mas que em essência seria uma negação do único caminho da salvação, representado pela morte do cordeiro. Naquela noite, dois novos casais, movidos pelo mais profundo anseio, apresentavam-se diante do Criador com suas ofertas. A aceitação divina descerraria para eles um caminho de felicidade, em resposta aos seus mais acalentados sonhos.
Sua união sob a luz do altar, traria para eles um vislumbre das glórias futuras - aquelas que serão desfrutadas pelos redimidos - a alegria de estarem para sempre unidos ao Redentor, o amante Esposo da alma humana. A não aprovação da oferta, traria amarga decepção, pois além de não receberem a benção do Criador, teriam consciência de estarem trilhando por um caminho de rebeldia, desligados do Autor da vida. Foi com um misto de alegria e tristeza, que Adão e Eva dirigiram-se ao altar naquela noite, depondo sobre o mesmo a ovelha para o sacrifício. Depois de tantos anos junto aos seus filhos, nos quais por palavras e exemplo, procuraram mostrar o caminho da salvação, colhiam agora respostas de obediência e desobediência. Estavam felizes por Abel, e tristes por Caim.
O que mais poderiam fazer por aquele filho rebelde?! Numa última tentativa de fazê-lo reconhecer seu erro, Adão tomando nos braços sua oferta, tateou-se até avizinhar-se do altar de Caim. Ali, com lágrimas a banhar a face, implorou com seu filho a tomar aquela ovelha para o sacrifício. Se aceitasse os seus rogos, veria surgir o fogo da benção divina, caso contrário, permaneceria mergulhado nas trevas. Caim com arrogância, menosprezou a oferta de seu pai, afirmando que o seu altar jamais seria maculados pelo sangue de inocentes animais.
Ferido pela rebeldia e ingratidão de seu filho, Adão retornou ao seu altar, onde juntamente com Eva, continuaram intercedendo pelo futuro de seus filhos. O momento da prova chegara. Todo o Universo estava atento. No coração de todos os filhos da Luz havia um misto de alegria e tristeza: alegria pela oferta de Abel, e tristeza pela confirmação de Caim no caminho da rebeldia. Semelhante a seu pai, Abel ergueu com mãos trêmulas o cordeiro que não opunha resistência.
Desde a infância se apegara a esses inocentes e puros animais, vendo neles um símbolo do Salvador. Seu apego aos cordeirinhos, levara-o a tornar-se pastor. Ele estremecia ante a idéia de ter de sacrificar aquele animalzinho de estimação, mas sabia que não haver outro caminho para se aproximar do Eterno. Unicamente a sua morte poderia descerrar a chama da aceitação, da benção para o seu casamento. Presenciara desde à infância o doloroso ato do sacrifício, mas agora, quando suas mãos deveriam desferir o golpe, hesitava.
Tomado por profunda angústia ante seu dever, curvou a fronte em inconsolável pranto. Caim, movido pelo anseio da união que seguiria à chama da vitória, ergueu as mãos sobre as flores e frutos, invisíveis sobre aquele altar mergulhado na escuridão. Seguro da aprovação divina, voltou os olhos para o céu, e contemplou o fulgor das estrelas. Alegrava-se por saber que em resposta à sua oferta, outra estrela surgiria para se unir àquelas com seu brilho. Adão com a mão erguida chorava em sua prece, lamentando a perdição de Caim.
Por que rejeitara o cordeiro?! O que poderia mais ter feito, para fazê-lo compreender que o seu caminho era de pecado?! Certo de que esgotara todos os meios para ajudá-lo, Adão tombou a cabeça, após desferir o golpe mortal. A chama da aceitação imediatamente iluminou-lhe a face marcada pelo pranto. Consolado pelo brilho da chama que ardia sobre o altar de seu pai, Abel num esforço doloroso ergueu a mão portadora do cutelo da morte - aquele que em sua queda descerraria-lhes a benção imerecida, após causar a dor.
Enquanto trêmulo e pálido permanecia ainda hesitante em suas trevas, Caim do outro lado da chama de perdão acesa no altar de seu pai, clamava pela luz divina. Confiante de estar agradando o Criador com sua oferta, orava: - Senhor, Criador e Rei Universal, Teu reino é de luz e alegria; Tu és como o sol que vitorioso percorre o céu, envolvendo toda a natureza com o seu manto de luz, fazendo-a despertar colorida, em pujante vida. A ti que com o Teu amor fazes brilhar o dia, unindo sob teus raios toda a vida, trago estas flores e frutos que são produtos dessa união. Aceita-os como símbolos de nossa vitória, e faça brilhar sobre nosso altar a chama da eterna benção". Abel, movido por uma profunda dor, cravou finalmente no peito do cordeiro aquele instrumento de morte, fazendo-o adormecer para sempre.
No impulso do golpe, prostrou-se ao solo onde agonizante demorou, refletindo no significado daquele sacrifício. Podia agora compreender a agonia que seu pai experimentava em todas aquelas noites de sacrifício. Caim que silente aguardava a resposta de sua prece, inquietou-se pela demora. Sua inquietação tornou-se finalmente desespero, ao ver surgir além a chama da benção descendo sobre o altar de seu irmão. Tomado então por emoções de tristeza e ira, bradou aos céus: - Senhor, Senhor, não me ouves?!
Não me respondes?! Seus rogos, porém, não trouxeram nenhuma resposta além de um eco vazio, perdido naquela noite. Vencido pela vergonha da tragédia, Caim prostrou-se, revolvendo-se em inconsolável pranto. Satã exultou ao testemunhar o desespero de Caim que, com gemidos maldizia o Criador por não haver se manifestado sobre o altar. Festejava por ter conseguido através do engano levar Caim novamente a manifestar diante do Universo sua rebeldia.
Estava contente também em ver que Caim não estava sozinho em sua queda, mas tinha sua irmã a seguir-lhe os passos. Agora, lutaria para mantê-los cativos sob o seu poder, tornando-os inimigos declarados do Eterno e de seus seguidores. O Criador, embora entristecido pela desobediência de Caim, alegrava-se em poder honrar diante do Universo aquele casal obediente que, no cordeiro imolado, via a promessa de um Redentor que no futuro nasceria para redenção de todos os pecadores que o aceitassem. Abel e sua companheira após consolarem-se da dor do rude golpe, banhados pelos raios aquecidos daquela chama, uniram-se em sublime ato de amor, esse que poderia gerar vida. Adão e Eva que penalizados já haviam previsto a dura decepção de Caim e sua companheira, atraídos pelos seus gemidos, apalparam-se nas trevas, até avizinharem-se de seu altar sem vida.
Ali, movidos por grande desejo de mudar-lhes a sorte, procuraram convencê-los a oferecerem um cordeiro; O tempo ainda lhes era oportuno e se quisessem, poderiam buscar nas pastagens o rebanho, tomando um cordeiro para o altar. Impulsionados pelo orgulho, Caim e sua irmã rejeitaram os conselhos dos pais que somente queriam a felicidade deles. Remoendo em lamúria sua amarga decepção, Caim permaneceu o restante da noite a revolver-se em insônia. Em seus sentimentos e pensamentos, sobrevinham agora as sombras do ódio e da vingança. Estava irado contra o Criador, por haver rejeitado sua oferta.
Contemplando ao longe a chama da aprovação, sob a qual Abel e sua companheira viviam sua feliz união, Caim encheu-se de indizível inveja que explodiu dentro dele num furor sem limites. Lá estava o filho preferido - aquele a quem não tolerara desde a infância. Por que seria ele mais digno?! Por que poderia gozar maiores privilégios?! Inspirado pelo espírito maligno, quando o sol já estava quase raiando, Caim começou a maquinar um terrível crime.
Disse para si: - Se eu não sou digno de viver sob a luz da benção divina, nem tão pouco o meu irmão será; Aguardarei o momento oportuno, para apagar de seus olhos todo o brilho da felicidade. O sol finalmente raiou revelando com sua luz a face transtornada de Caim. Que mudança! Não brilhavam os seus olhos de felicidade ao entardecer?! Todas as hostes da luz preocupavam-se com a situação infeliz de Caim.
Sabiam que em sua decidida rebelião, Satã o afundaria cada vez mais em maior desespero. O Criador conhecendo os planos malignos de Caim, manifestou-se a ele no alvorecer, com o propósito de ajudá-lo a compreender sua necessidade. Invisível aos demais da família, o Eterno dirigiu-se a Caim e, estendendo sobre ele Sua mão amiga, perguntou-lhe: - Filho, por que você está tão irado?! Em resposta, Caim apontando para o altar coberto de flores e frutos, respondeu: - Estou magoado por não teres aceito essa oferta que ofereci com tanta fé. Com palavras cheias de compaixão, o Criador explicou-lhe novamente a necessidade humana da salvação, a qual somente poderia ser alcançada mediante o Seu sacrifício, que era simbolizado pela imolação do cordeiro.
Disse-lhe que sua oferta de gratidão somente poderia ser aceita, após o sacrifício de sangue. Não conformado com as palavras do Eterno, Caim procurou justificar-se. Suas palavras, contudo, que revelavam a grande mágoa de um orgulho ferido, foram finalmente interrompidas pelos conselhos finais de D-us, que estendia-lhe uma única oportunidade, para romper com sua escravidão espiritual: - Somente há um caminho Caim , que é de sacrifício. Se você proceder conforme o seu irmão, será também aceito e abençoado com a chama da benção; Se, todavia, proceder mal, terá selado o seu destino das garras da morte. Após afirmar solenemente essas palavras, o Eterno despediu-se de seu filho, tornando-Se invisível.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.