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Capítulo 4 de 26

Capítulo I – Os Dez Mandamentos (Moisés e os

Como Funciona a Consciência · João Cândido, espíritos diversos

PROFETAS DE ISRAEL) Devido ao atraso espiritual dos habitantes da Terra foi necessário que missionários de Jesus editassem leis para regular a sociedade terrena, bem como informar sobre a Lei Divina. Assim é que, mais ou menos adequadas, foram sendo pensados regulamentos, que, com o tempo, foram sendo substituídos por outros melhores, de acordo com a evolução da humanidade terráquea. Todavia, para que algo de melhor pudesse esperar-se das criaturas humanas do planeta, que teimavam em viver dentro do maior primitivismo, encarnou o Espírito que ficou conhecido como Moisés, com a missão de registrar em livros do estilo da época o que se convencionou chamar de Decálogo, ou Dez Mandamentos. Esse seria um retrato da Lei Divina para as criaturas da fase humana, mais parecendo um Código Penal primitivo do que a Lei Cósmica, válida para todo o Universo.

Todavia, as criaturas de mentalidade superior, ou seja, os missionários vindos de outros mundos mais evoluídos não precisavam daquelas prescrições rudimentares para tomarem conhecimento da Verdade, que lhes vinha pelo conduto da própria mediunidade, ouvindo a consciência, auxiliada pelos Espíritos Superiores que as orientavam. Entendamos esse aspecto da realidade humana, pois os Espíritos Superiores ouvem sua própria essência divina e ouvem os Emissários de Deus ao invés de consultarem alfarrábios, textos novos e anotações de registradores nem sempre evoluídos espiritualmente. As verdades mais importantes normalmente não estão registradas em livros do mundo dos encarnados, mas circulam nos registros do mundo espiritual. A Terra é um mundo recém saído da fase do primitivismo mais denso, tanto que faz apenas quarenta

milênios que sua humanidade ingressou na fase da razão, o que representa muito pouco tempo. A maioria se assusta com esse número, mas é, realmente, um tempo muito pequeno quando se fala em evolução do Espírito. Deixamos de ser um mundo primitivo há alguns milênios e ainda não saímos da categoria de mundo de provas e expiações. Mas, se o progresso coletivo depende da massa enorme de habitantes do planeta, que vive em função do “comer, dormir e reproduzir”, passar a pensar na sua essência divina, o progresso individual está nas mãos de cada um, que pode assumir a meta de superar aquele referencial primitivo e procurar a reconciliação com o adversário interno. As leis exteriores pouco representam para quem está empenhado na harmonização interna. No geral, as pessoas que se baseavam nos Dez Mandamentos, a não ser raras e nobilitantes exceções, procuravam burlar os dispositivos da Lei, mantendo conduta incompatível com aquelas regras, sendo que, por isso, Jesus as chamava de hipócritas.

Feriam a consciência de inúmeras maneiras e acabaram sendo penalizadas no decurso das sucessivas reencarnações, acumulando culpas, que as faziam infelizes e sujeitas às perseguições dos Espíritos das Trevas, que encontravam ali brechas por ode faziam entrar suas induções para o suicídio, os desajustes morais e os vícios, pois ninguém sairá da prisão das próprias culpas sem ter limpado seu mundo interior. Não há como seguirmos adiante, na escalada evolutiva, sem termos pago, perante a própria consciência, os débitos que contraímos, mas a Justiça Divina é de Amor e Caridade e nunca cobra exatamente o que devemos, mas há um mínimo que somente Deus sabe medir e, por isso, está na parábola do trigo e do joio que somente Ele separará o joio do trigo, o que significa que somente Ele analisará se já é suficiente o tempo

do nosso sofrimento e nos passa para um degrau mais elevado. Não há lei externa que justifique nossas falhas morais nem que nos promova sem merecimento. A única Lei que conta é a lei interna, registrada na consciência incorruptível: ela julga e absolve ou condena, sem nenhuma possibilidade de erro. Por isso, ao invés de consultarmos qualquer lei escrita, seja ela de autoria de quem for, devemos mergulhar no nosso próprio íntimo e assim saberemos qual é o veredito a nosso respeito. Com todo o respeito que devemos ao missionário que clareou os horizontes dos primitivos seres da Terra, temos a dizer que, se ele evoluiu ao cumprir sua missão, a humanidade pouco ganhou com isso, pois continuou a não ouvir a voz da própria consciência. Aprendamos a ouvir o que nos é falado através do mergulho profundo no Eu interno, através da mediunidade desenvolvida dentro de técnicas apropriadas, aprendidas agora ou em tempos passados.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.