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Capítulo 14 de 26

Capítulo I – A Viagem Interior

Como Funciona a Consciência · João Cândido, espíritos diversos

A viagem interior tem de ser acompanhada de um mestre, ou seja, um Espírito encarnado ou desencarnado, que inspire confiança ao discípulo, mas faz-se necessária também a presença do que se convencionou chamar de animal de poder, o qual já tenha se revelado ao discípulo e que trabalha ao seu lado como assessor para as empreitadas arriscadas, em que o elemento animal se faz imprescindível, porque o ser humano não está preparado para enfrentar perigos mais sérios. Vê-se que, realmente, há uma técnica para esse trabalho de viagem interior, que não pode ser realizada sem esses requisitos, porque não se trata de um trabalho comum, mas sim de um passo importante na vida do Espírito. A partir dessa viagem, se bem sucedida e se ele realizar a auto reforma moral, irá avançar mais um passo adiante na sua evolução. Paulo de Tarso, por exemplo, não se modificou pelo simples fato de ter encontrado Jesus, mas fez-se necessária sua permanência, durante dois anos, no deserto, a fim de adaptar seu íntimo aos novos referenciais, deixando para traz, integralmente, o “homem velho”.

A evolução do Espírito não se processa de forma simplista, como a maioria imagina, pois há momentos em que é necessário olhar o passado multimilenário e redimir-se dos erros cometidos, mesmo que tais fatos tenham ocorrido há milhares de anos atrás. Quem dirá o que tem de ser corrigido é a consciência e ela só falará nesses momentos de introspecção profunda, no estado alterado de consciência, que é mais propício nos médiuns, devido à sua maior ligação psíquica com o mundo espiritual. Por isso faz-se necessário o acompanhamento de um mestre espiritual e do animal de poder, a que nos referimos linhas atrás.

Essa viagem, normalmente, é induzida, pelo menos na primeira vez, por um orientador encarnado. Hermínio Corrêa de Miranda informou sobre ela, apesar de não entrar em detalhes, para não chocar as pessoas mal informadas. Foi um dos poucos que realizou esse tipo de trabalho espiritual, que ele chamava de regressão de memória. Hermínio, inclusive, realizou esse tipo de atividade socorrista e esclarecedora com Espíritos sofredores, libertando-os das amarras do passado de erros. Mas realizou também esse tipo de trabalho, com algumas variantes, com relação a encarnados, sendo um deles o jornalista Luciano dos Anjos, daí surgindo o livro “Eu sou Camille Desmoulins”. O processo de indução do discípulo ou paciente varia ao infinito, conforme o entendimento dos orientadores encarnados e desencarnados, mas o importante é que, depois de trazido do passado, o paciente ou discípulo esteja imbuído do desejo sincero de realizar a auto reforma moral. Em caso contrário, poderá se perturbar com as revelações negativas e piorar sua vida ao invés de melhorá-la. O objetivo deve ser sempre a cura espiritual e não a satisfação de curiosidade perigosa para a evolução espiritual do paciente ou discípulo.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.