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Capítulo 7 de 14

Brasil — parte 7 de 14

Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho · Chico Xavier, pelo espírito Humberto de Campos

Daí a algum tempo, em subindo ao trono, D. Maria I destituía o marquês de todas as suas funções no reino, banindo-o da corte após rumoroso processo, em que procurou fundamentar a sua condenação. Retirando-se para a Vila de Pombal, desprendeu-se do mundo em 1782, humilhado e esquecido, sob o jugo dos mais pungentes desgostos. (pelo Espírito Humberto de Campos) A INCONFIDÊNCIA MINEIRA Por morte de D. José, ascendeu ao trono sua filha, D. Maria I, a Piedosa, a cuja autoridade ficariam afetas as grandes responsabilidades do trono, naquela época em que um sopro de vida nova modificava todas as disposições políticas e sociais do Velho Mundo.

No seu reinado, Portugal sente esvaírem-se-lhe as forças poderosas e se encaminha com rapidez para a decadência e para a ruína. Não fossem as notáveis influências de um Martinho de Melo ou de um Duque de Lafões, talvez fosse ainda mais desastroso o reinado de D. Maria, escravizada ao fanatismo do tempo e às opiniões dos seus confessores. Por esse tempo, o Brasil sofria o máximo de vexames, no que se referia ao problema da sua liberdade. A capitania de Minas Gerais, que se criara e desenvolvera sob a carinhosa atenção dos paulistas, era então o maior centro de riquezas da colônia, com as suas minas inesgotáveis de ouro e diamantes.

A sede de tesouros edificara Vila Rica nos cumes enevoados e frios das montanhas, reunindo-se ali uma plêiade de poetas e escritores que sentiriam, de mais perto, as humilhações infligidas pela metrópole portuguesa à pátria que nascia. A verdade é que em Minas se sentia, mais que em toda parte, o despotismo e a tirania. O clero, a magistratura e o fisco, juntos aos ambiciosos que aí se estabeleceram, apossavam-se de todas as possibilidades econômicas, presas de criminosa ânsia de fortuna. Os padres queriam todo o ouro das minas, para a edificação das suas igrejas suntuosas; os membros da magistratura consideravam de necessidade enriquecer-se, antes de regressarem a Portugal, com opulentas aquisições; os agentes do fisco executavam as determinações da corte de Lisboa, árvore farta e maravilhosa, onde todos os parasitas da nobreza iam sugar a seiva de pensões extraordinárias e fabulosas. Eram então numerosos na Europa os estudantes brasileiros, os quais de lá voltavam ao país saturados dos princípios filosóficos de Rousseau e dos enciclopedistas.

A independência da América do Norte e a constituição democrática de Filadélfia animam aqueles espíritos, insulados nas montanhas distantes. Por toda a capitania mais rica da colônia, desdobram-se quadros dolorosos da miséria do povo, esmagado pelos impostos de toda natureza. As coletividades de trabalhadores, conduzidas à ruína pelo malogro das minerações, não conseguiriam suportar por mais tempo semelhantes vexames. Em Minas, porém, uma elite de brasileiros considera a gravidade da situação. Intelectuais distintos se sentem compenetrados da maioridade da pátria, que, ao seu ver, poderia tomar as rédeas dos seus próprios destinos.

Iniciam-se os esboços da conspiração. Depois de algumas conversações em Vila Rica, das quais, entre muitos outros, participaram Inácio de Alvarenga, Joaquim José da Silva Xavier, Cláudio Manuel da Costa e Tomás Gonzaga, conversações em que foram adotadas as primeiras providências, a infiltração das idéias libertárias começou a fazer-se através de todos os elementos da capitania, no que ela possuía de mais representativo. José Joaquim da Maia é enviado à Europa para sondar o pensamento de Jefferson, embaixador da América do Norte em Paris, e angariar a simpatia dos brasileiros espalhados no Velho Mundo, para o movimento libertador. Outros estudantes, apaixonados pela emancipação da colônia, os conspiradores mandam a S. Paulo e a Pernambuco, que formavam os dois centros mais importantes do país, com o objetivo de conquistar a adesão de ambos ao movimento.

Todavia, nem Joaquim da Maia conseguiu o auxílio de Jefferson, que apenas chegou a se interessar moralmente pelo projeto, nem os seus companheiros obtiveram o compromisso formal das capitanias mencionadas, para se articular o movimento revolucionário. Pernambuco estava refazendo as suas economias, depois das lutas penosas de Recife e Olinda, e São Paulo se encontrava desiludido, depois da guerra dos emboabas, na qual, muitas vezes, fora vítima da felonia e da traição. A conjuração de Minas, contudo, prossegue na propaganda, sem esmorecimentos. Embriagados pela concepção da liberdade política, mas, dentro dos seus triunfes literários, afastados das realidades práticas da vida comum, os intelectuais mineiros não descansaram. Idealizaram a república, organizaram seus símbolos, multiplicaram prosélitos das suas idéias de liberdade; porém, no momento psicológico da ação, os delatores, a cuja frente se encontrava a personalidade de Silvério dos Reis, português de Leiria, levaram todo o plano ao Visconde de Barbacena, então Governador de Minas Gerais.

O governador age com prudência, a fim de sufocar a rebelião nas suas origens, e, expedindo informes para que o Vice Rei Luís de Vasconcelos efetuasse a prisão do Tiradentes no Rio de Janeiro, prende todos os elementos da conspiração em Vila Rica, depois de avisar secretamente aos seus amigos do peito, simpatizantes da conjuração, quanto à adoção de tais providências, para que não fossem igualmente implicados. Aberta a devassa e terminado o vagaroso processo, são condenados à morte todos os chefes já presos. Os historiadores falam do grande pavor daqueles onze homens que se ajuntavam, andrajosos e desesperados, na sala do Oratório, para ouvirem a sentença da sua condenação, após três longos anos de separação, em que haviam ficado incomunicáveis nos diversos presídios da época. A leitura da peça condenatória, pelo Desembargador Francisco Alves da Rocha, levou quase duas horas. Depois de conhecerem os seus termos, os infelizes conjurados passaram às mais dolorosas e recíprocas recriminações.

Os mais tristes quadros de fraqueza moral se patenteavam naqueles corações desiludidos e desamparados; mas, no dia seguinte, a dura sentença era modificada. D. Maria I havia comutado anteriormente as penas de morte em perpétuo degredo nas desoladas regiões africanas, com exceção do Tiradentes, que teria de morrer na forca, conservando-se o cadáver insepulto e (pelo Espírito Humberto de Campos) esquartejado, para escarmento de quantos urdissem novas traições à coroa portuguesa. O mártir da inconfidência, depois de haver apreciado, angustiadamente, a defecção dos companheiros, reveste-se de supremo heroísmo. Seu coração sente uma alegria sincera pela expiação cruel que somente a ele fora reservada, já que seus irmãos de ideal continuariam na posse do sagrado tesouro da vida.

As falanges de Ismael lhe cercam a alma leal e forte, inundando-a de santas consolações. Tiradentes entrega o espírito a Deus, nos suplícios da forca, a 21 de abril de 1792. Um arrepio de aflitiva ansiedade percorre a multidão, no instante em que o seu corpo balança, pendente das traves do cadafalso, no Campo da Lampadosa. Mas, nesse momento, Ismael recebia em seus braços carinhosos e fraternais a alma edificada do mártir. — Irmão querido — exclama ele —, resgatas hoje os delitos cruéis que cometeste quando te ocupavas do nefando mister de inquisidor, nos tempos passados.

Redimiste o pretérito obscuro e criminoso, com as lágrimas do teu sacrifício em favor da Pátria do Evangelho de Jesus. Passaras a ser um símbolo para a posteridade, com o teu heroísmo resignado nos sofrimentos purificadores. Qual novo gênio surges, para espargir bênçãos sobre a terra do Cruzeiro, em todos os séculos do seu futuro. Regozija-te no Senhor pelo desfecho dos teus sonhos de liberdade, porque cada um será justiçado de acordo com as suas obras. Se o Brasil se aproxima da sua maioridade como nação, ao influxo do amor divino, será o próprio Portugal quem virá trazer, até ele, todos os elementos da sua emancipação política, sem o êxito incerto das revoluções feitas à custa do sangue fraterno, para multiplicar os órfãos e as viúvas na face sombria da Terra...

Um sulco luminoso desenhou-se nos espaços, à passagem das gloriosas entidades que vieram acompanhar o espírito iluminado do mártir, que não chegou a contemplar o hediondo espetáculo do esquartejamento. Daí a alguns dias, a piedosa rainha portuguesa enlouquecia, ferida de morte na sua consciência pelos remorsos pungentes que a dilaceravam e, consoante as profecias de Ismael, daí a alguns anos era o próprio Portugal que vinha trazer, com D. João VI, a independência do Brasil, sem o êxito incerto das revoluções fratricidas, cujos resultados invariáveis são sempre a multiplicação dos sofrimentos das criaturas, dilaceradas pelas provações e pelas dores, entre as pesadas sombras da vida terrestre. A REVOLUÇÃO FRANCESA Em 1792, D. João assumia a direção de todos os negócios do trono português, em virtude da perturbação mental de sua mãe, D. Maria L Época de profundas transições em todos os setores políticos do Ocidente, a regência se caracterizou por inúmeros desastres, no capítulo da administração.

Em 1789, estalara a Revolução Francesa, modificando a estrutura de todos os governos da Europa. Depois da sua reunião em Versalhes, no dia 5 de maio de 1789, os Estados Gerais se transformaram em Assembléia Constituinte e, a 14 de julho do mesmo ano, o povo, oprimido e dilacerado pelas flagelações e pelos impostos, derrubava a Bastilha, esfacelando o símbolo do despotismo da realeza. Luís XVI é guilhotinado a 21 de janeiro de 1793. Instala-se a república francesa sobre um pedestal de sangue, que corre abundantemente nas praças de Paris. A guilhotina decepa todas as cabeças da nobreza.

Após a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, as coletividades da França se haviam entregado àqueles anos de embriaguez no morticínio. Esses movimentos invadem todos os departamentos das atividades políticas da Europa. Todos os tronos se unem, então, para o extermínio da república nascente. Mas, os revolucionários não esmorecem na sua encarniçada resistência. Todas as pessoas suspeitas são decapitadas.

O período do Terror é a grande ameaça ao mundo inteiro. Esse período, porém, se encerra com a morte de Maximiliano Robespierre, no cadafalso para o qual os seus excessos de autoridade haviam mandado inúmeras vítimas. Instala-se, em 1795, o Diretório, que Napoleão Bonaparte faz derrubar em 1799, arvorando-se em primeiro cônsul. As casas imperiais européias observam semelhantes acontecimentos, aguardando um ensejo próprio à restauração do trono que a família dos Bourbons havia perdido. A França, após os desperdícios de força na luta fratricida, caíra nas mãos do ditador inteligente e implacável, que a conduziria ao caminho de todas as aventuras.

De simples oficial de artilharia, Bonaparte chegara, mediante golpes de Estado, ao cargo supremo do país, fazendo-se proclamar imperador em 1804. Sob a sua direção audaciosa, todas as conquistas militares se empreendem. A Europa inteira apresta-se para a campanha, ao tinido sinistro das armas. Pela estratégia dos generais franceses, caem todas as praças de guerra e o imperador vai catalogando o número ascendente das suas vitórias. A esse tempo, todos os gênios espirituais do Ocidente se reúnem nas esferas próximas do planeta, implorando a proteção divina para os seus irmãos da humanidade.

Emissários de Jesus descem com a sua palavra magnânima, a instruir os trabalhadores do Bem, levantando-lhes as energias para os bons combates. (pelo Espírito Humberto de Campos) — Irmãos — elucidam eles —, ordena o Senhor que espalhemos a sua luz e o seu amor infinito sobre todos os corações que sofrem na Terra. As forças das sombras intensificam a miséria e o sofrimento em todos os recantos do planeta. As ondas revolucionárias enchem de sangue todas as estradas do globo terrestre e as trombetas da guerra se fazem ouvir, entoando as notas horríveis da destruição e da morte. Levantemos o espírito geral das coletividades oprimidas, renovando a concepção de liberdade na face do mundo... — Anjo amigo — interpelou um dos operários da luz naquela augusta assembléia —, estarão enquadrados na lei divina os trágicos acontecimentos que se desenrolam na Terra?

Os tribunais se instalam para julgamentos sumários, que terminam sempre por sentenças de morte. As preces das viúvas e dos órfãos elevam-se até nós, nos mais dolorosos apelos, e, enquanto procuramos amparar esses irmãos com os nossos braços fraternos, o banquete da guerra, presidido pelos ditadores, prossegue sempre, como se obedecesse a uma fatalidade terrível dos destinos do mundo. — Irmãos — explica o mensageiro —, o plano divino é o da evolução e dentro dele todas as formas de progresso das criaturas se verificariam sem o concurso desses movimentos lamentáveis, que atestam a pobreza moral da consciência do mundo. A revolução e a guerra não obedecem ao sagrado determinismo das leis de Deus; traduzem o atrito tenebroso das correntes do mal, que conduzem o barco da vida humana ao mar encapelado das dores expiatórias. Os pensadores terrestres poderão objetar que das ações revolucionárias nascem novas modalidades evolutivas no planeta e que múltiplos benefícios se originam das suas atividades destruidoras; nós, porém, não compreendemos outras transformações que não sejam as que se verificam no íntimo dos homens, no augusto silêncio do seu mundo interior, conduzindo-os aos mais altos planos do conhecimento superior.

Se, após os movimentos revolucionários, surgem no orbe novos aspectos de progresso geral, é que o bem é o único determinismo divino dentro do Universo, determinismo que absorve todas as ações humanas, para as assinalar com o sinete da fraternidade, da experiência e do amor. Os Espíritos das trevas se reúnem para a chacina e para a destruição, como acontece atualmente na Terra. Aliando-se às tendências e às fraquezas das criaturas humanas, levam a mentalidade geral a todos os desvarios. Eles julgam estabelecer o império das sombras no plano moral do globo terrestre; mas, a verdade é que todos os triunfos pertencem a Jesus, e as correntes da luz e do bem absorvem todas as atividades, anulando os resultados porventura decorrentes da expansão limitada das trevas. É essa a razão por que, mesmo depois dessas ações destruidoras, florescerão outros núcleos valiosos de civilização.

Até que a fraternidade deixe de ser uma figura mitológica no coração das criaturas humanas, até que estejam extintas as vaidades patrióticas, para que prevaleçam um só rebanho e um só pastor, que é Jesus Cristo, os seres das sombras terão o poder de arrastar o homem da terra às lutas fratricidas. Mas, ai daqueles que fomentarem semelhantes delitos. Para as suas almas, a noite dos séculos é mais sombria e mais dolorosa. Infelizes de quantos tentarem fechar a porta ao progresso dos seus irmãos, porque acima da justiça subornável dos homens há um tribunal onde impera a eqüidade inviolável. A Têmis Divina conhece todos os traidores da humanidade, que passam pelo mundo glorificados pela História; a condenação lhes marca a fronte e aos seus ouvidos ecoam, incessantemente, as palavras dolorosas: — "Caim, Caim, que fizeste dos teus irmãos, maldito?" Somente as lágrimas, no círculo doloroso das reencarnações tenebrosas, lhes abrem uma vereda para a reabilitação, nas estradas eternas do tempo!

Dissolvida a assembléia do infinito, os amigos dos infortunados espalharam-se pelas sendas terrestres, a reerguerem seus irmãos nas lutas redentoras. Napoleão prosseguia, deixando em toda parte um rastro de lágrimas e de sangue. Suas incursões, em todos os países, lhe granjeavam o espólio miserável das posições e das coroas, que o ditador ia distribuindo pelos seus familiares e amigos. O século XIX começava a viver embalado pelo fragor das armas, em todas as direções. Portugal alia-se à Inglaterra, resistindo às ordens supremas do conquistador.

Bonaparte assina um tratado com a Espanha, que já se havia dobrado às suas determinações, e ordena a invasão imediata de Portugal. A Inglaterra, com a sua prudência, sugere à Casa de Bragança a retirada para o Brasil. D. João VI hesita, antes de adotar semelhante resolução. O grande príncipe, tão generoso e tão infeliz, é encontrado, nas vésperas da partida, a chorar convulsivamente em um dos aposentos privados do palácio; mas, aquela decisão era necessária e inadiável.

A frota real velejou do Tejo a 29 de novembro de 1807, a caminho da colônia e, mal havia desaparecido nas águas pesadas do Atlântico, já os soldados de Junot se apoderavam de Lisboa e de suas fortalezas, com ordem de riscar Portugal da carta geográfica européia. Contudo, os gênios espirituais velavam pelos vencidos e pelos humilhados. D. João VI chega ao Brasil em janeiro de 1808, depois de uma viagem cheia de acidentes e contrariedades. O bondoso príncipe encontraria, na terra do Evangelho, a hospitalidade que os reis de Castela não encontraram nas suas colônias da América do Sul, quando acossados pelas mãos de ferro do ditador.

A Casa de Bragança ia dilatar até aqui os limites do seu reino, reconhecida e feliz por encontrar no Brasil a compreensão e a bondade, o acolhimento e o amor. (pelo Espírito Humberto de Campos) D. JOÃO VI NO BRASIL Enquanto as falanges espirituais de Henrique de Sagres se reuniam em Portugal, revigorando as forças lusitanas para a escola de energia, que foi a guerra peninsular, o exército de Ismael voltava-se para o Brasil, a fim de inspirar o primeiro soberano do Velho Mundo que pisava as terras americanas. A esses esclarecidos agrupamentos do mundo invisível, aliava-se agora a personalidade do Tiradentes, que se transformara em gênio inspirador de todos os brasileiros. Ismael reúne os seus colaboradores e fala assim aos devotados mensageiros: — Amigos, um novo período surgirá agora para as nossas atividades na terra do Evangelho. Ao sopro das inspirações divinas, reformar-se-á toda a vida política da pátria onde edificaremos, mais tarde, a obra de Jesus.

Procuremos inspirar a quantos se conservam à frente dos interesses do povo, iluminando-lhes o caminho com as idéias generosas e fraternas da liberdade. Sobre os nossos esforços há de pairar a direção do Senhor, que se desvela amorosamente pelo cultivo da árvore sagrada dos ensinamentos, transplantada da Palestina para o coração do Brasil. Aquela caravana de abnegados espalha-se então, por todos os recantos da pátria, distribuindo com os seus esforços fraternais as sementes de uma vida nova. A 22 de janeiro de 1808, aporta na Bahia a maior parte das embarcações que constituíam a frota real. O povo baiano recebe o príncipe-regente e sua comitiva com as mais carinhosas demonstrações de amizade.

Clarins e bandeiras anunciam, sob um sol quente e amigo, a presença da família real nas terras do Cruzeiro. A cidade do Salvador julga-se de novo nos seus grandes dias, contando com a honra de ser outra vez a capital da colônia; mas, os navios descem ao longo da costa para o Rio de Janeiro. Logo, porém, ao seu primeiro contacto com o Brasil, sob o influxo das falanges do Infinito, o príncipe generoso sente-se tocado da mais alta simpatia para com a Pátria do Evangelho. Ainda na Bahia, graças às suas relações com o Conde de Aguiar, ministro de D. João VI, José da Silva Lisboa, mais tarde Visconde de Cairu, consegue do soberano a abertura de todos os portos da colônia ao comércio universal.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.