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Capítulo 4 de 18

Escuta, Meu Irmão

Através do Tempo · Chico Xavier, espíritos diversos

André Luiz

Não é a tua palavra primorosa a força que te exaltará a inteligência e, sim, o objetivo para o qual se dirige. Não é a dádiva que te confere o título de benfeitor, mas o modo pelo qual te manifestas, através dela. Não é a fortuna material que te faz realmente rico e, sim, a aplicação dignificante das utilidades que reténs a beneficio de todos.

Não é a fama terrestre a claridade que te coroa o nome e sim a benção do Céu sobre a reta conduta que abraçaste em favor do bem coletivo. Não é a lição verbal o poder com que educarás o companheiro de luta, nas tarefas de cada dia, mas o teu exemplo reiterado na edificação comum por intermédio da própria melhoria. Não é a tua crença sectária, embora fervorosa, que te guiará à sublimação na vida espiritual, depois da morte do corpo e, sim, os teus atos de bondade santificante, que serão testemunhas permanentes de tua alma, onde estiveres. Não é a fé sem obras que te iluminará a senda de progresso, mas as obras dignificadoras que conseguires concretizar, em ti mesmo e fora de ti, inspirado por tua fé. Não é a cultura intelectual inoperante que te fará respeitável, e sim o espírito de serviço com que te devotares, em qualquer condição, à felicidade dos semelhantes.

Não é o êxito suscetível de sorrir-te na Terra, por alguns dias breves, a fonte de alegria real que procuras com os melhores anseios de coração, mas a paz de consciência, no dever bem cumprido, nas obrigações de cada dia. Busquemos ser, antes de aparentar e fazer, antes de instruir. A verdade espera nossa alma, em cada ângulo de caminho, dentro de nossa jornada para frente. Assim, pois, construamos o nosso engrandecimento interior, porque, hoje ou amanhã, o Sol Divino projetará sobre nós a sua bendita claridade, revelando-nos, à luz meridiana, tais quais somos.

Psicografia em Reunião Pública Data – 31-3-1950 Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga, na cidade de Pedro Leopoldo, Minas. ESPÍRITA

Cruz e Souza

Companheiro de rudes pés sangrentos Guarda no peito atribulado e aflito As visões que percebes no infinito, Alvoradas, estrelas, firmamentos...

Segue calando os trágicos lamentos Do coração chagado, ermo e proscrito, Mas ergue a luz por templo de teu rito Entre os muros terrestres, desatentos!

Sem dourado bastão para teus sonhos, Transpõe, gemendo, os vórtices medonhos Das sendas abismais para o futuro.

E deixarás no pranto de teus rastros O caminho celeste para os astros E a vitória divina do amor puro.

Psicografia em Reunião Publica Data – 12-9-1958 Local – Centro Espírita Uberabense, na cidade de Uberaba, Minas ESPÍRITAS

Amaral Ornellas

Espíritas, irmãos! Enquanto a sombra densa, Em torvo escárnio à luz, envolve a gleba humana, Ide e estendei na Terra o bem que nos irmana Sem que a treva do mal vos desatine ou vença.

Se o ódio e a incompreensão, o fel, a injuria e a ofensa Perseguem-vos, bramindo, em triste caravana, Abraçados à fé sublime e soberana Tende o dom de servir por vossa recompensa.

Montanha acima, além de pântanos e escombros, Ante o Cristo, avançai, sustendo a cruz nos ombros, Na exaltação do amor que ampara e regenera...

Algemados à dor e à luta em toda a parte, Do fulgente clarão que vos cinge o estandarte Nascerá para o mundo o sol da Nova Era!...

Psicografia em Reunião Publica Data – 12-9-1958 Local – Centro Espírita Uberabense, na cidade de Uberaba, Minas

Dario Velloso

... E tudo jaz ao longe, ante a força da Historia... A cultura da Pérsia e a riqueza do Egito... Surge a Grécia elevando estandarte bendito, Vai-se Roma ostentando a pompa transitória!...

Guerras da antiguidade! O mundo ansioso e aflito... Ascensão, treva e luz, decadência e vitória... O instante de esplendor e a noite merencória Das civilizações sedentas de Infinito!...

E tudo passará para nascer de novo, Céu a céu, flor a flor, ser a ser, povo a povo, Na luz da Evolução soberana e incontida!...

Mas, de tudo a que a Morte imponha o gládio escuro, O Amor renascerá sempre mais belo e puro, Por presença de Deus no sustento da Vida!...

Psicografia em Reunião publica Data – 6-7-1971 Local – Instituto Araguaia, em Goiânia, Estado de Goiás. EVOLUÇÃO E VIDA

Dario Velloso

... E tudo jaz ao longe, ante a força da Historia... A cultura da Pérsia e a riqueza do Egito... Surge a Grécia elevando estandarte bendito, Vai-se Roma ostentando a pompa transitória!...

Guerras da antiguidade! O mundo ansioso e aflito... Ascensão, treva e luz, decadência e vitória... O instante de esplendor e a noite merencória Das civilizações sedentas de Infinito!...

E tudo passará para nascer de novo, Céu a céu, flor a flor, ser a ser, povo a povo, Na luz da Evolução soberana e incontida!...

Mas, de tudo a que a Morte imponha o gládio escuro, O Amor renascerá sempre mais belo e puro, Por presença de Deus no sustento da Vida!...

Psicografia em Reunião publica Data – 6-7-1971 Local – Instituto Araguaia, em Goiânia, Estado de Goiás.

. EXORTAÇÃO

Augusto dos Anjos

Homem, além da sombra transitória, Sob a qual, por azêmola, te arrastas, No turbilhão de células madrastas, A vida esplende em fúlgida vitória.

Foge ao charco de treva merencória E ao campo espúrio de mentiras gastas Das senis ilusões em que te afastas Da grandeza imortal da própria glória.

Abre os braços ao Cristo que te impele A dominar a carne escura e imbele Que a pavorosos pântanos te inclina...

Vence a fera que trazes do passado E subirás ao píncaro estrelado – Ave liberta da mansão divina.

Psicografia em Reunião Publica Data – 28-6-1949 Local – Centro Espírita Amor ao Próximo, na cidade de Leopoldina, Minas FRANCA

Moysés Maia

Franca! Estrela de amor que se encastela Em três nobres colinas de esperança, Guardo-te, além da morte, na lembrança, Fascinante visão ditosa e bela.

Trago-te a gratidão por flor singela De minhalma que em ti vibra e descansa, Tenho contigo a paz e a segurança Na cascata de Sol que te revela!...

Espelho do progresso e da cultura, Fé na bondade é a força que te apura, Trabalho é a gloria viva que te encerra!...

Franca do coração, Franca oficina, Deus te abençoe a vocação divina De honrar a luz do Cristo sobre a Terra!...

Psicografia em Reunião Publica Data – 20-5-1971 Local – Educandário Pestalozzi, na cidade de Franca, Estado de São Paulo JESUS POR NÓS

Emmanuel

Jesus por nós Não basta a experimentação cientifica a estender-se, indefinidamente, em afirmações provisórias, não obstante a respeitabilidade com que nos preside a evolução para a Esfera Superior. Não basta, igualmente, a definição filosófica, muita vez, limitando os vôos do espírito no rumo da glória a que se destina. É imprescindível que o coração se erga ao cérebro, sublimando-lhe as mais intimas cogitações, para que o amor clareie os caminhos da vida.

A nós outros, companheiros de lutas e experiências de outras eras, cabe agora o privilégio de anunciar as verdades novas... Outrora, incompreensivos e rebelados, hostilizávamos o Senhor na pessoa daqueles que no-lo traziam no próprio exemplo. Encastelados na aristocracia do ouro e do poder ou petrificados nos dogmas das igrejas, separados pela vaidade e pela discórdia, em muitas ocasiões, malversávamos as concessões do Alto, quando não consagrávamos à ironia e à perseguição, cercando-lhe o pensamento divino, através das mais deploráveis manifestações de ignorância e de orgulho, de egoísmo e crueldade, descendo, desiludidos e inconseqüentes, aos desfiladeiros da treva. Outrora, convertíamos a existência corpórea em instrumento de preservação da animalidade e do crime, depredando as promessas da luz, cristalizados que nos achávamos na furna de nossa própria miséria!... Hoje, porém, o Espiritismo é a nossa porta de trabalho para a benção do reajuste.

Exumados na aflição e no nevoeiro que nos paralisavam os braços nos precipícios da sombra, somos agora trazidos pela Misericórdia dEle, nosso Mestre e Senhor, à construção da felicidade humana que expressa nossa própria felicidade. É por isso que, convidados ao campo de abençoada luta, não podemos olvidar nossa responsabilidade maior... Cristo em nós para que o mundo ser renove nas excelsas realidades do espírito... Jesus – em nosso pensamento para que saibamos entender e ajudar; - em nossas palavras a fim de que aprendamos a soerguer e auxiliar, ao invés de reprovar e ferir; - em nossos olhos e em nossos ouvidos para que venhamos a encontrar o bem com o esquecimento do mal; - em nossas mãos a fim de que nos decidamos a converter as horas em cânticos de trabalho edificante a favor do progresso comum...

É, sobretudo, amigos, Cristo em nosso coração para que a Boa Nova não seja um tema vazio em nossos lábios, mas sim a própria melodia no Céu a exprimir-se na Terra, onde estejamos, em nome da nossa fé, cultivando a fraternidade e a confiança, a paz e a beleza, em refulgente antecipação do Reino de Deus... Assim, pois, reunidos na oração, não nos esqueçamos de Jesus nas linhas de ação, dentro das quais, sem duvida alguma, o Evangelho por nós é a palavra viva em que o mundo desfalecente compreenderá a infinita bondade de Nosso Pai, a imortalidade da alma, a intangibilidade da justiça e a luz sublime do amor que nos assegurará, por fim, a eterna alegria na eterna ressurreição.

Psicografia em Reunião Publica Data – 19-7-1956 Local – Centro Espírita Caminheiros do Bem, na cidade de Araxá, Minas HUMILDADE, AMOR E LUZ

Casimiro Cunha

Humildade, Amor e Luz Eis fulgente trilogia, Criando e desenvolvendo A Grande Sabedoria.

Mas guardando o trio nobre Que esclarece e que redime Temos, em tudo, a Humildade Brilhando por dom sublime,

Nessa virtude celeste De transcendente beleza É que o Céu se comunica Às bênçãos da natureza.

Vê-la-eis, doce e constante, Presente embora e esquecida, Assegurando, bondosa, Os fundamentos da vida.

A rocha que desprezamos, Sozinha, triste e inferior, É o braço firme da Terra Suportando o vale em flor.

A fonte que chora e canta Batida na pedra dura É corrente generosa Transportando água mais pura.

Os Córregos rebaixados Às furnas de raro acesso Compõe o grande rio Que nos garante o progresso,

A tempestade que sofre Acusação e labéu É força que purifica A majestade do Céu.

A semente pequenina A segregar-se no chão É reserva indispensável De paz, alegria e pão.

O ferro que experimenta A pressão da forja em brasa Conquista graça e respeito Na serventia da casa.

A lagarta rude e feia De mascara monstruosa Tece o fio primoroso Para a seda preciosa.

A pedra pobre a ocultar-se Servindo sem descansar, Assegura o reconforto E a segurança do lar.

O papel simples e frágil Quase inútil na aparência Recolhe as fulgurações Que nascem da inteligência.

A santa simplicidade Em sua auréola bendita

Conserva a gloria de Deus A refazer-se infinita.

Busquemos, pois, a Humildade, Sob as lições de Jesus, E guardaremos conosco As bênçãos de Amor e Luz.

Psicografia em Reunião Pública Data – 26-7-1956 Local – Centro Espírita Humildade, Amor e Luz, na cidade de Monte Carmelo, Minas.

Psicografia em Reunião Publica Data – 25-7-1956 Local – Centro Espírita Luz e Caridade, na cidade de Monte Carmelo, MG INIMIGOS QUE NÃO DEVAMOS ACALENTAR

Emmanuel

Defende o mundo íntimo contra aqueles adversários ocultos que não devemos acalentar. * Decerto, dói-te a ofensa do agressor que te não percebe as intenções elevadas, contudo, a intolerância, a asilar-se por escorpião venenoso, em teu pensamento, é o inimigo terrível que te induz às trevas abismais da vingança. * Indubitavelmente, a crítica impensada do irmão que te menoscaba os propósitos sadios dilacera-te a sensibilidade, espancando-te a alegria, entretanto, a vaidade, a

enrodilhar-se no teu coração por víbora peçonhenta, é o inimigo lamentável que te inclina à inutilidade e ao desânimo. * Em verdade, a calúnia do amigo perturbado lança fogo ao santuário de teus ideais, subtraindo-te a confiança, todavia, a crueldade que se refugia em teu ser por tigre invisível de intemperança e discórdia é o inimigo perigoso que te sugere a adesão ao crime. * Efetivamente, o desprezo que te foi lançado em rosto pelo companheiro infeliz é golpe mortal abrindo-te chagas de aflição nos tecidos sutis da alma, no entanto, o egoísmo a ocultar-se em teu peito por chacal intangível de ignorância e ferocidade, é o inimigo temível que te arroja à frustração. * Não são os flagelos do mundo exterior os elementos que nos deprimem, mas sim os opositores ocultos, conhecidos pelos mais diversos nomes, quais sejam orgulho e maldade, tristeza e preguiça, desespero e ingratidão, que perseveram conosco. Amemos aos inimigos externos que nos desafiam à prática do bem, ao exercício da renúncia, ao trabalho da paciência e à realização da caridade, mas tenhamos cautela contra os sicários escondidos em nós mesmos que, expressando sentimentos indignos de nosso conhecimento e de nossa evolução, nos escravizam à angustia, e nos algemam à dor, enclausurando-nos a vida em miséria e perturbação.

Psicografia em Reunião Publica Data – 9-1-1956 Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga, na cidade de Pedro Leolpoldo, Minas MATERIALIZAÇÃO E DESMATERIALIZAÇÃO

Neio Lucio

O problema da materialização e da desmaterialização revela muitas dificuldades para ser colocado em termos técnicos. Assim me pronuncio, com respeito ao assunto, porque em nossa esfera de ação os enigmas científicos não são reduzidos. Adianto-lhes, porém, que se a vida deve ser considerada um todo ascendente, dentro de seus característicos de aprimoramento e eternidade, o Universo, englobando o Infinito dos Mundos, deve ser interpretado por organismo vivo, sem solução de continuidade, isto é, sem vácuos, em suas manifestações diversas nos ângulos mais remotos da Criação.

Matéria e espírito constituem para nós, ainda no plano em que evolucionamos, duas realidades, das quais até agora não conseguimos descortinar o ponto de integração. Em “nosso lado”, o avanço das Inteligências de minha condição não vai muito além das linhas em que o progresso intelectual da Terra está situado. Somos constrangidos a reconhecer, portanto, que a eletricidade e o magnetismo estão, por enquanto, apenas levemente vislumbrados no campo em que nos exteriorizamos. A matéria que nos serve de base ao esforço de ascensão é a grande desconhecida. Leis vibratórias presidem à integração e à desintegração dos átomos em todos os ângulos da vida e, em nos reportando ao assunto, estimaria poder transmitir-lhes certos apontamentos que vamos estudando aqui, com relação aos poderes mentais.

Tais poderes são tão grandes e de tamanha importância sobre a organização da matéria nos mais variados reinos da natureza visível e invisível que não nos é dado formular algumas de nossas experiências, em terminologia terrestre, porquanto não somente nos faltam recursos analógicos para o cometimento, como também porque as Ordenações Superiores acreditam que esse gênero de revelação perturbaria o clima do progresso humano, por prematura e suscetível de favorecer a ignorância e a maldade. Convençam-se, contudo, de que os “fenômenos de conversão”, como denominamos as trocas entre dois planos, se verificam constantemente. Pelo crivo da química orgânica, milhões de existências surgem aqui, por morrerem aí, e vice-versa. O movimento é incessante. Não há paradas na ação, tanto quanto não há hiatos no Espaço. A vontade é vigoroso fator de prosperidade e decadência. Através do pensamento próprio, cada espírito cria, destrói e recompõe no presente e no futuro. Nossas idéias são como imãs; nossos ideais, turbilhões de força atrativa.

Em torno de cada criatura, jazem os materiais invisíveis que ela mesma deseja e que torna visíveis e palpáveis, na esfera humana, por intermédio da assimilação mental, perispirítica e fisiológica. A alma, onde quer que se encontre, permanece “querendo algo” e, em razão disso, vive criando em processos de cooperação espontânea com o Sumo Poder que rege a Vida Eterna. Diariamente, materializamos e desmaterializamos coisas diversas. Semelhantes faculdades são exercidas por nós, com tanta naturalidade, quanto o ato de respirar. Daí nasce o impositivo de nossa renovação individual para o bem. Nesse sentido, o aprendiz do Evangelho nada mais realiza, quando sincero e operoso, que o dever de adaptar-se aos padrões vivos do Divino Mestre, conduzindo a Ele os materiais de que dispõe, dentro de si próprio, reestruturando-os, gradativamente, até que possa sintonizar-se com o Senhor, de maneira integral.

Baste-nos, pois, por enquanto, a confortadora certeza de que cada espírito é pai e ao mesmo tempo filho das próprias obras e que, sendo livre para fazer, é constrangido a suportar os efeitos da ação ou obrigado a recolher os frutos de suas realizações felizes ou infelizes, compreendendo-se, assim, que todos somos independentes na sementeira e escravos na colheita. Esta é a grande lição do caminho que, por agora, devemos aprender.

Psicografia em Reunião Pública Data – 23-11-1949 Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga, na cidade de Pedro Leopoldo, Minas.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.