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Capítulo 4 de 5
Por Alessandro Zangrando — parte 3 de 4
As Vidas de João Evangelista
protestante nada mais é do que o cumprimento de um clamor por mudança religiosa, ainda que de maneira esporádica através dos anos anteriores à própria origem da reforma. Vejamos então: Nas últimas décadas da Idade Média, a igreja ocidental viveu um período de decadência que favoreceu o desenvolvimento do grande cisma do Ocidente, registrado entre 1378 e 1417, e que teve entre suas principais causas a transferência da sede papal para a cidade francesa de Avignon e a eleição simultânea de dois e até de três pontífices. O surgimento do "conciliarismo" - doutrina decorrente do cisma, que subordinava a autoridade do papa à comunidade dos fiéis representada pelo concílio - bem como o nepotismo e a imoralidade de alguns pontífices demonstraram a necessidade de uma reforma radical no seio da igreja. Por outro lado, já haviam surgido no interior da igreja movimentos reformistas que pregavam uma vida cristã mais consentânea com o Evangelho. No século XIII surgiram as ordens mendicantes, com a figura de são Francisco de Assis. Outros movimentos reformistas surgiram em aberta oposição à hierarquia eclesiástica. No século XII os valdenses, conhecidos como "os pobres de Lyon" ou "os pobres de Cristo", questionaram a autoridade eclesiástica, o purgatório e as indulgências. Os cátaros ou albigenses defenderam nos séculos XII e XIII um ascetismo exacerbado, considerando a si mesmos os únicos puros e perfeitos. Os Petrobrussianos rejeitavam a missa e defendiam o casamento dos padres. No século XIV, na Inglaterra, John Wycliffe defendeu idéias que seriam reconhecidas pelo movimento protestante, como a posse do mundo por Deus, a secularização dos bens eclesiásticos, o fortalecimento do poder temporal do rei como vigário de Cristo e a negação da presença corpórea de Cristo na eucaristia. As idéias de Wycliffe exerceram influência sobre o reformador tcheco João Huss e seus seguidores no território da Boêmia, os hussitas e os taboritas, nos séculos XIV e XV. Entre essas vozes protestantes estava também a do monge dominicano Girolamo Savanarola o qual, a mando do papa, foi preso, torturado e enforcado. Em posição de crítica à igreja romana situou-se Erasmo de Rotterdam. Seu profundo humanismo, conciliatório e radicalmente oposto à violência, embora não isento de ambigüidade, levou-o a dar passos importantes em direção à Reforma, como a tradução latina do Novo Testamento, afastando-se da versão oficial da Vulgata; ou a sátira contra o papa Júlio II, de 1513. Grande erudito dedicado à Teologia, Educação, Retórica e Estudos Clássicos, Erasmo foi também um brilhante satírico, freqüentemente em conflito com as autoridades instituídas e com seus colegas. Em sua obra Elogio da Loucura mostra que a loucura seria uma deusa que conduz as ações humanas — e afirma que ela forma as cidades, mantém os governos, a religião e a justiça. Erasmo estudou e ensinou durante toda sua vida. E dedicou-se à reconciliação dos pensamentos cristão e humanista, no contexto de um conceito universal de "saber", para ele a chave da promoção do entendimento entre os povos. Tornou-se padre e algum tempo depois afirmava que os cristãos devem seguir os ensinamentos simples de Cristo, mas a estrutura da igreja e da vida monástica haviam se tornado distantes do amor de Deus, da benevolência e da prática evangélica, que Erasmo defende na obra Filosofia de Cristo. Em sua obra A instituição do Príncipe Cristão diz que o poder do príncipe é legitimado pela dedicação ao bem comum e pela aceitação dos cidadãos. Era a favor da eleição de um chefe e contrário ao monarquismo hereditário. O objetivo de Erasmo era regenerar a Europa. Ficou conhecido como Erasmo de Rotterdam. Seu nome era Desidério Erasmo e ele nasceu na cidade de Rotterdam, na Holanda, em 1467. Morreu em 1536, aos 69 anos Erasmo-(1467-1536) ficou conhecido como Erasmo de Rotterdam. Seu nome era Desidério Erasmo e ele foi um pregador do evangelismo filosófico. Nasceu na cidade de Rotterdam, na Holanda. Em 1488 ingressou na ordem dos agostinianos e virou padre, depois aceitou o cargo de secretário do bispo de Combai, na França. Em Paris estuda teologia. Escreve Colóquios e Antibárbaros, que é considerada uma obra escolástica, crítica da exaltação dos valores da Antiguidade clássica. Viaja pela primeira vez para a Inglaterra em 1499, onde toma contato com o movimento humanista e conhece aquele que seria seu amigo Thomas More. Traduz o Novo Testamento. Mantém vasta correspondência. Denuncia a vida na igreja como distante da fé. Fala que os cristãos devem seguir os ensinamentos simples de Cristo, sendo que a estrutura da igreja e da vida monástica haviam se tornado distantes do amor de Deus, de Sua benevolência e da prática evangélica que Erasmo defende na Filosofia Christi. Os homens renascentistas se dedicaram-se à várias atividades. Eles começaram a contar a nova realidade. Cervantes, no célebre livro Dom Quixote de la Mancha conta-nos a história de um louco, apegado à valores que já não existiam como a dignidade, decência e nobreza de caráter do cavaleiro medieval. Erasmo de Rotterdam escreve um livro, Elogio da Loucura,(dedicado a Thomas More) onde apresenta a loucura como uma deusa que conduz as ações humanas. Identifica a loucura em costumes e atos como o casamento e a guerra. Diz que é ela que forma as cidades, mantém os governos, a religião e a justiça. Ele critica muitas atividades humanas, identificando nelas mediocridade e hipocrisia. Vejamos o que ele diz sobre: a) a Loucura- a Loucura fala em primeira pessoa no livro, e ela defende sua imagem e ponto de vista. b)as crianças- a alegria da infância a torna a idade mais agradável, porque a natureza dá às crianças um ar de loucura.
c) o casamento- se as mulheres pensassem sobre o assunto veriam que não é vantajoso. Dores no parto, filhos, dever conjugal. Só a loucura para fazerem agir dessa maneira, assim a Loucura é a origem da vida. A única preocupação das mulheres é se tornar mais agradável para os homens. É essa a razão de tantos perfumes, banhos e enfeites. Só a loucura constitui o ascendente das mulheres sobre os homens. d) os filósofos- gabam-se de serem os únicos sábios, mas se tirar-mos o véu de orgulho e presunção veremos que não passam de ridículos loucos. A natureza parece zombar de suas conjeturas, e é risível sua teoria de infinidade dos mundos. Falam de astronomia como se conhecessem os astros palmo a palmo. Na verdade, eles não tem nenhuma idéia segura. Mas a crítica maior de Erasmo é para a Igreja. Ele era cristão, mas era contra a hierarquia dessa instituição (Igreja), que declara guerras, faz cerimônias e rituais em demasia, e discutem eternamente o mistério divino, seno que o mandamento de Cristo é apenas a prática da caridade. Defende um retorno à simplicidade do início da Igreja. Lutero estava juntando adeptos em suas pregações e convidou Erasmo, mas este permaneceu na Igreja católica, apontando defeitos. Mais tarde polemizou contra Lutero a favor do livre-arbítrio, que o protestante não acreditava. Erasmo é considerado o principal pensador do humanismo. Critica os teólogos, pois esses condenam, por poucos motivos, muitas pessoas como hereges. Os bispos vivem alegremente, entregam-se à diversão material e esquecem que o seu nome significa zelo e solicitude pela redenção da alma, mas não esquecem das honrarias e o dinheiro. Os monges, para Erasmo, não fazem nada, mas não dispensam o vinho e a mulheres. O papa não tem a salvação que Cristo fala, pois se tivessem abririam mão de seu patrimônio e dos impostos. Erasmo critica o imposto que a igreja cobra para não condenar as almas após a morte. E os papas aprovam a guerra, que é cruel e desumana. Para Erasmo, milagres e superstições como o inferno, duendes e fantasmas são coisas de ignorantes. Ele tem opiniões também sobre política. No livro A instituição do Príncipe cristão fala da teoria da soberania, o poder do príncipe é legitimado pela dedicação ao bem comum e pela aceitação dos cidadãos. É a favor da eleição do chefe, contrário ao monarquismo hereditário. O objetivo de Erasmo é regenerar a Europa, pondo o ideal evangélico contra as guerras. Para se chegar à paz, tem que se desarmar os países, tirar dos príncipes o direito de declarar guerra e mobilizar a força nacional em favor da paz.
BRUNO, O PANTEÍSTA, LEVADO À FOGUEIRA PELA “SANTA” INQUISIÇÃO.
Introdução ao monismo moderno. O monismo, - que já existira na antiguidade e na Idade Média, - teve seu primeiro grande destaque moderno com Giordano Bruno (1548-1600). Em função a este filósofo, retornamos a algumas considerações introdutórias. Entende-se aqui o monismo metafísico (totalmente geral), distinto do monismo da natureza, que reduz corpo e alma, a duas faces da mesma realidade. E assim também se distinguem o dualismo metafísico (totalmente geral), distinto do monismo da natureza, que distingue corpo e alma como duas realidades distintas e até opostas. É difícil conceituar o monismo metafísico ao homem simples, porquanto ordinariamente ele existe só nos setores filosóficos profissionais. Não é a rigor o monismo um ateísmo, mas uma interpretação impessoal da divindade. Este impessoal da divindade, diz, contudo, de maneira imprópria o que seja a divindade no monismo. A noção de pessoa envolve alguma determinação diferenciadora, e então incorre no risco de atribuir a Deus algum elemento que o diminui, retirando-lhe o caráter de intensivamente infinito e transcendente a todo o ser limitado. Há efetivamente uma aproximação entre monismo e teísmo, de difícil conceituação. Certamente o melhor teísmo é aquele que mais se aproxima do monismo metafísico, porque a personificação conduz o conceito sobre Deus a delimitações difíceis de manter. E o melhor monismo é aquele que mais de perto se aproxima do teísmo, porque a personificação contém características apreciáveis. A querela, no plano metafísico, entre teístas e monistas é de difícil solução, em vista de haver fortes argumentos favoráveis, como também desfavoráveis a uma e a outra posição. Ocorrem diferentes formas de monismo. Modernamente as principais são as que distinguem entre monismo panteísta e monismo materialista. Há também formas monísticas dialéticas. Isto supõe haver outras não dialéticas. Ocorrem também monismos idealistas; isto de novo tem a contrapartida dos monismos realistas.
Historicamente, - como se advertiu, - já houve monismos na antiguidade, como os dos pré-socráticos, e os dos estóicos, neoplatônicos, e outros menos definidos. Estamos aqui a tratar dos monismos modernos. Geralmente os monistas modernos não admitem sobrenaturalismos; usam estar em choque com as religiões fundadas em revelações. Giordano Bruno (1548-1600), combativo e brilhante, foi um inovador dentro da linha platônica, monista e cientificista do Renascimento, todavia precocemente trucidado pelas forças da intolerância, que então tinham a seu serviço os Estados Pontifícios. Nasceu em Nola, no então reino de Nápoles. Encaminhado à vida religiosa, entrou aos 15 anos na Ordem dos Dominicanos. Deveu fugir aos 24 anos, em virtude de suas novas idéias, consideradas heréticas. Bruno passou sucessivamente por Roma, Veneza e Pádua, até fixar-se dois anos em Genebra. A resistência calvinista o levou a conduzir-se para a França. Lecionou em Toulouse e depois em Paris, com aplauso dos liberais. O vigoroso ataque à doutrina de Aristóteles o obrigou em 1583 a abandonar também Paris. Estabeleceu-se então em Londres, sob a proteção do embaixador da França. Lecionou agora, por algum tempo, em Oxford. A seguir acolheu-se à Alemanha, onde ensinou em Wittenberg, depois em Helmstadt e Frankfurt sobre o Meno. Em 1592, já aos seus 43 anos, retornou à Itália, propalando suas idéias em Pádua e Veneza. Finalmente, em 1593 a Inquisição da Igreja Católica obteve êxito, capturando-o, mesmo fora dos limites dos Estados Pontifícios, e o enviando ao seu cárcere de Roma. Não aceitando retratar-se, foi finalmente condenado à fogueira pública, no Campo dei Fiorini. O desastre supremo que envolveu ao filósofo panteísta Giordano Bruno, queimado que foi no alto de uma fogueira, tanto mais comove, quanto mais contundente foi a estupidez da assistência piedosa aspirava o cheiro de sua carne aos poucos sendo queimada. Se ao menos alguém lhe deitado um balde de água, como protesto contra tamanha violência à liberdade de pensamento. Ergueu-se-lhe, quase 300 anos depois, em 1889, uma estátua, no mesmo local, onde em 1593 foi visto ser queimado pela religião oficial. Todavia agora, ao ver-se a estátua altaneira de Giordano Bruno, já eram mais amenas as maneiras de ver e os Estados Pontifícios , executores do crime, já não existiam, porque desaparecidos desaparecido em função à unificação da Itália. Escreveu Bruno em Italiano uma primeira série de obras: • Spaccio della besta besta trionfante (1584); • Degli heroici furori (1585). • Na Alemanha publicou uma série de opúsculos mais abstratos e matemáticos, que estão sob a influência clara de Nicolau de Cusa (vd: • De triplici mínimo et mensura (1591); • De monada, número et figura (1591). A idéia monista da infinitude do mundo foi desenvolvida de maneira nova por Giordano Bruno. Havendo partido da astronomia de Copérnico (1473-1543), que desfazia a posição centrista da terra, colocou, também como este em seu lugar o sol. Por sua vez destituiu o sol de uma posição centrista absoluta, para se imaginar que os sistemas dos corpos celestes poderão ser controlados por outros e outros centros sempre maiores, e assim ao infinito. Atenda-se que Copérnico (em De revolutionibus orbium coelestium, 1543) ainda manteve a esfera exterior fixa, que limitava o universo. Nada disto sobra no pensamento de Bruno, que assim instaura a visão moderna do mundouniverso, a se distender indefinidamente. A fisionomia do infinito de Bruno é panteísta, porque exatamente faz o mundo coincidir com a divindade; nesta condição, deveria conceber o mundo como efetivamente infinito, sem realizar uma esfera exterior como limite. Eis que uma idéia estimulou uma concepção astronômica. O infinito do mundo já houvera sido aventado por Nicolau de Cusa, de quem aliás Bruno tomou algumas idéias. Afirmara o Cusano que sendo Deus infinito, e que, de parte, sendo o mundo uma imitação dos modelos divinos, poderia este mundo ser considerado potencialmente infinito. Capaz de sempre novas imitações, a infinitude embora nunca plenamente realizada, era o mundo a estender-se potencialmente na direção do infinito. Em Bruno a infinitude do universo adquiriu feições novas e de efetiva infinidade, por tratar-se do mesmo Deus; o mundo já não é imagem de Deus, mas ele mesmo. Contudo, o monismo, que Bruno pregara, encontra sérias dificuldades diante de alguns problemas, e que outros monistas tentam explicar a seu modo. O problema central é a da unidade na multiplicidade de que Bruno se ocupa no texto De la causa, principio ed uno. Como pode, segundo ponderou, ser tudo um? O atual e o possível, a forma e a matéria, o corpo e a alma? A essência, o fim, etc? O individual seria apenas uma modificação da unidade-totalidade.
Renovou, também no sentido de resolver o problema, a antiga idéia do todo, que se encontra inteiro nas partes. O máximo, então, coincide com o mínimo, como que um a repetir o outro. Quodlibet in quolibet, - conforme já asseverava Nicolau de Cusa, ou como reaparece sob outra forma em Paracelso com mãe e matrix. Espinoza continuará o esforço de resolver o problema de diversidade na universalidade monista. Desta sorte, uma tradição se vai firmando que tem como primeiros elos, Nicolau de Cusa, Paracelso, Bruno. O problema da diversidade na unidade monista se estende, aliás, à toda a filosofia sobre a divindade. Efetivamente, se Deus tudo é, como pode criar ao seu lado um mundo como entidade independente dele mesmo? O problema se dilata até à Trindade das pessoas em Deus, - como é que pode haver a multiplicidade dessas pessoas, se Deus é a unidade máxima? Os corpos são dotados de forças intrínsecas, e que se exercem como capazes de explicar o movimento e outras causações. Da mesma natureza divina da matéria emanam todos movimentos e todas as determinações que os corpos assumem. Até certo ponto, a tese de Bruno não encontra dificuldade metafísica, porquanto no panteísmo tudo é Deus. Aqui Bruno se afastou da tese de Aristóteles, dos motores externo, que, sucessivamente, transmitem o movimento, e importam em um primeiro motor imóvel, Deus. A solução de Bruno será rediscutida pelos seus contemporâneos imediatos, afetando profundamente as filosofias não panteístas como as de Descartes, Geulincx e Leibniz, porquanto estas encontram dificuldade em estabelecer os corpos como fonte intrínseca própria de movimento A valorização da natureza profunda, que reaparecerá em Hamann e em Goethe, Schelling e em outros românticos, fará com que Bruno seja resgatado do esquecimento à; que fora destinado pela sentença da Santa Inquisição. O gênio profundo, escondido no irracional-universal é peculiar à filosofia germânica, sobretudo da romântica. Aliás o subjetivo é também próprio de toda a filosofia.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.