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Capítulo 1 de 16

Parte 1 de 3

As Vidas de Bezerra de Menezes

Bezerra de Menezes SUAS VIDAS CONHECIDAS

Grupo Divinista Patriarca Jacó

Isaías

Sua voz ecoou entre o povo de Israel durante quarenta anos. Ninguém antes intuiu e descreveu como ele a experiência da eleição do Senhor. A espera do Messias como uma pessoa histórica precisa, nota dominante de toda a sua pregação

Ele é o profeta da fé e da vontade de Deus. Da profecia messiânica e do gênio poético. Não elabora doutrinas: tudo nele é absoluto, peremptório, sem possibilidade de equívocos: as qualidades intelectuais, políticas e morais dos homens não valem nada, só Deus, guia supremo dos acontecimentos humanos, é tudo. Ninguém como ele lutou tão violentamente conta a hipocrisia e a vaidade humana. E foi sempre ele quem intuiu e descreveu, como ninguém havia feito até então, a experiência da eleição do Senhor, deixando-nos a expressão “Sagrado ‘Resto de Israel’”: apesar da traição, o castigo de Deus não se estenderá até o ponto de abandonar completamente a humanidade; entre o povo é escolhido “um Resto”, que será salvo e será testemunha de sua obra. A esse homem foi concedido, oito séculos antes da Encarnação, profetizar o nascimento de Jesus Cristo, do seio de uma Virgem. Atravessando as páginas admiráveis do seu Livro, recompomos a face de um escritor bíblico que, mesmo não possuindo a capacidade de introspecção psicológica de Jeremias, foi definido pelo teólogo Alonso Schökel como “o Dante da literatura hebraica”, pela sua força expressiva. Sua mensagem em certo sentido está sintetizada no seu próprio nome, homólogo ao de Jesus: Isaías, isto é,“Iahweh salva”; Isaías é o primeiro teólogo de Israel de quem conhecemos o nome. Escreveu-se a seu respeito:“Tudo previu, tudo disse, tudo escreveu” (J. Vermeylen).

Um aristocrata que tinha intimidade com o rei “Visão que teve Isaías, filho de Amós, a respeito de Judá e de Jerusalém, nos dias de Ozias, Joatão, Acaz e Ezequias, reis de Judá” (Is 1, 1). Poucas informações encabeçam os 66 capítulos do Livro de Isaías, mas suficientes para inseri-lo em um tempo e em um espaço precisos: os últimos quarenta anos do século VIII a.C. (740-700). A sua vocação profética começou “no ano em que morreu o rei Ozias”, ou seja, em 739 a.C.

Isaías nasceu em Jerusalém, capital do reino de Judá. Teve uma esposa, ela também profetisa. Dois filhos: “Um Resto Voltará” e “Pronto-Saque” (ou Próxima-Pilhagem), nomes simbólicos que anunciam qual seria a sorte do povo: para os ímpios o julgamento e a destruição, para o “resto eleito” a conversão e a salvação. Isaías era uma pessoa muito culta. Conhecia, por exemplo, o nome de todas as plantas e árvores de sua terra. Conhecia a fauna. Conhecia as tradições religiosas do seu povo. De linhagem nobre, tinha intimidade com o rei, tanto que era admitido na presença dele sempre que desejasse. Mesmo quando se encontrava fora do palácio, o rei mandava chamá-lo. A sua pregação parece não ter encontrado tanta oposição, como aconteceu com as de Amós e Jeremias. Podia pregar em qualquer lugar sem medo. Essa pregação se desenvolveu essencialmente em Jerusalém, em uma época particularmente agitada da história dos reinos de Israel e Judá. É o momento em que duas “superpotências” dominam o cenário político: Assíria e Egito, que lutam entre si pela hegemonia no Oriente Médio. Como consequência, alguns estados pequenos, para sobreviverem, colocam-se a favor de um ou de outros desses dois gigantes. Enquanto Israel se alinha imediatamente com o Egito contra a Assíria, o Reino de Judá procura, pelo menos enquanto lhe é possível, ficar fora do fogo cruzado, também graças à sua posição geográfica. Isaías assistiu à conquista da Ásia Ocidental pelos grandes reis assírios Teglat-Falasar III (745-727), Salmanasar V (726-722), Sargon II (721-705) e Senaquerib (705-681). Foi testemunha da queda de Damasco, Samaria, Azoto e grande parte das cidades de Judá nas mãos dos assírios: durante quarenta anos a voz de Isaías ecoou solenemente entre o povo.

Em defesa dos humildes, contra os hipócritas Para traçar coordenadas que possam explicar a obra profética de Isaías, devemos marcar pelo menos quatro momentos principais: O primeiro vai de 740 a 736: são os anos de maior prosperidade de Judá, pois a guerra acontece em lugares distantes dali e as cidades do pequeno reino, sobretudo a capital, Jerusalém, podem prosperar. Mas a riqueza faz vir à tona a injustiça social e o formalismo religioso e cultural: Isaías, então, comunica ao povo, de maneira violenta, a indignação do Senhor para com as classes altas e para com a opulência dos poderosos e dos mercadores, que não se preocupam com as camadas mais pobres da população, formada por camponeses e pastores, protegidos pela lei mosaica. Nesse sentido, o livro de Isaías é apaixonante desde os primeiros versículos do primeiro capítulo (1, 11-17): “‘Que me importam os vossos inúmeros sacrifícios? diz Iahweh. Estou farto de holocaustos de carneiros e de gordura de bezerros cevados (...). Basta de trazer-me oferendas vãs (...). As vossas luas novas e as vossas festas, a minha alma as detesta: elas são para mim um fardo; estou cansado de carregá-lo (...). Ainda que multipliqueis a oração não vos ouvirei. (...) Aprendei a fazer o bem! Buscai o direito, corrigi o opressor! Fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva!’”. “É impossível sublinhar suficientemente bem o interesse de Isaías pela lei divina”, escreve o biblista G. von Rad. “Ele já aparece no uso dos termos ‘justiça’ e ‘direito’, que têm uma função central na pregação de Isaías. (...) É a postura da sociedade diante dessa lei que estabelece se a sua relação com Deus é correta; e isso explica por que as pregações de Isaías são cheias de referências a Jerusalém, onde se encontravam os juízes irresponsáveis. (...) Aos seus olhos, a lei divina é a maior bênção salvífica”.

A política A paz, porém, não perdurou por muito tempo: no período que vai de 735 a 733, começaram as pressões por parte do Egito, de Israel e de Damasco para que Judá fizesse aliança com eles contra a Assíria. Isaías procurou dissuadir o rei Acaz de pedir ajuda à própria Assíria e de se tornar vassalo da potência idolátrica. A recusa do rei em seguir seus conselhos induziu Isaías a anunciar a ruína de seu país como castigo divino. Retirando-se da vida pública, esperou em silêncio por aproximadamente quinze anos a realização das suas profecias. As profecias se realizaram parcialmente, quando o lado setentrional de Judá foi destruído pelos assírios.

Nos anos que vão de 716 a 711 Isaías contestou também o último rei de Judá, com quem teve muito trabalho: Ezequias. Para emancipar-se de uma vez por todas dos assírios, o rei havia pedido o auxílio dos egípcios. Isaías temia sobretudo a contaminação religiosa. Nesse caso também o profeta provou que tinha razão: a insensata política de Ezequias teve como consequência a vitória da expedição do assírio Sargon à Palestina em 711. Ezequias evitou a ocupação estrangeira definitiva porque se apressou em restabelecer o vínculo de vassalagem com a Assíria. Nos anos de 705 a 701, Ezequias tentou novamente reconquistar a independência de Judá. Porém, mais uma vez, Isaías não concordou com as suas estratégias políticas, e de novo teve razão: o país foi invadido, e só milagrosamente Jerusalém foi preservada da catástrofe. Depois da libertação de Jerusalém do cerco assírio comandado por Senaquerib em 701, não se menciona mais Isaías. Segundo uma antiga tradição judaica e cristã ele teria vivido até o tempo de Manassés e teria morrido como mártir.

Deus no centro do cosmo e da história O sustentáculo de todo o ensinamento de Isaías é uma sublime concepção de Deus. Deus é o verdadeiro condutor da história: a Ele prestam homenagens as forças da natureza e as nações da terra. Nada pode se opor à sua vontade. Iahweh incitou a Assíria e a Filistéia para que devorassem Israel: “Mas Iahweh sustentou contra este povo o seu adversário Rason, incitou contra ele os seus inimigos, Aram do lado do oriente e os filisteus do lado do ocidente: eles devoraram Israel de um só trago” (Is 9, 10-11). Diante de Deus o homem desaparece na poeira: é frágil, incapaz e corrupto. É um sopro que passa: “Desisti do homem, que tem o seu fôlego no seu nariz”, diz Isaías (2, 22). O profeta faz uma obra sistemática de desilusão: os desígnios humanos que se opõem ao plano divino não se realizam, não se mantêm; não é por acaso que todos os reis de Judá, que Isaías em vão tenta alertar, nunca conseguem realizar seus planos políticos. O fato é que os homens não entendem os desígnios divinos, pois a realização dos planos de Deus tem os seus tempos e as suas épocas; a história amadurece as decisões celestes assim como o tempo amadurece as plantas e o corpo humano cresce, mas o homem não sabe esperar o momento estabelecido por Deus: “Ai dos que madrugam cedo para correr atrás de bebidas fortes, e à tarde se demoram até que o vinho os aqueça. (...) Mas para os feitos de Iahweh não têm um olhar sequer, eles não vêem a obra das suas mãos” (Is 5, 11-12). Iahweh mantêm relações especiais com Israel, que escolheu como o seu povo entre todas as nações; dos lábios de Isaías saem as definições do Senhor em relação a Israel: “Potência de Israel”, “a sua luz”, “a Rocha”. Muitas vezes é o solícito vinhateiro, o pai do povo, o amigo, o marido que denuncia a infidelidade da esposa. Iahweh é, sobretudo, o “Santo de Israel”, quer dizer, o transcendente, o incompreensível que, todavia, entra em íntimo relacionamento com o povo que escolheu. E é exatamente nesse relacionamento que se insere uma famosa nota característica da teologia de Isaías, segundo a qual Iahweh governa o curso dos acontecimentos históricos e os dirige para o fim que Ele fixou: “Certamente, Iahweh se erguerá como no monte Farasim (...) a fim de realizar a sua obra, a sua obra estranha, a fim de executar a sua tarefa insólita. (...) Porventura o lavrador passa o tempo todo a arar para a semeadura? A preparar e a arrotear o seu solo? Antes, depois de nivelar a sua superfície, não semeia ele a nigela? Não espalha ele o cominho? Não lança na terra o trigo, o painço e a cevada? (...) O seu Deus mostrou-lhe o modo de fazê-lo. Ele lhe ensinou. (...) Tudo isto vem de Iahweh dos Exércitos, maravilhoso nos seus conselhos, grandioso nos seus feitos” (Is 28, 21-29). Há uma fase preliminar no plano de Deus: é o juízo contra o pecado dos indivíduos, do povo de Israel e de todas as nações pagãs. O que é o pecado na teologia de Isaías? É a expressão do orgulho humano que tem várias formas. A indiferença para com a religião: “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem mal, dos que transformam as trevas em luz e a luz em trevas” (Is 5, 20). A vaidade das mulheres: “Visto que as filhas de Sião estão emproadas e andam de pescoço erguido e olhos cobiçosos, visto que caminham a passos miúdos, fazendo tilintar as argolas dos seus pés, o Senhor cobrirá de tinha a cabeça das filhas de Sião, Iahweh lhes desnudará a fronte” (Is 3, 16-17), a presunção e a vilania dos intelectuais são somente manifestação de desprezo pelo Senhor. Mas o castigo divino não se faz demorar: os pecados pessoais são punidos com castigos individuais como a pobreza, a fome, a sede. O Estado por sua vez é condenado à anarquia, à devastação e à desolação do país, à invasão inimiga, ao assédio e ao abandono de Jerusalém.

O Resto sagrado Mas para o Senhor interessa uma única coisa: a salvação. Um dom que não diz respeito a todos, mas somente a uma parte do povo que Iahweh, pelos lábios de Isaías, chama de “Resto sagrado”. É no momento mais difícil da guerra sírio-efraimítica que Isaías reúne ao seu redor um pequeno grupo de pessoas cheias de fé. A Assíria dizimará o povo, mas sobreviverá um Resto, que colocará as suas esperanças somente em Iahweh e não no estrangeiro: “Naquele dia, o resto de Israel, os sobreviventes da casa de Jacó não continuarão a apoiar-se sobre aquele que os fere; apoiar-se-ão sobre Iahweh, o Santo de Israel. (...) Com efeito, ó Israel, ainda que o teu povo seja como a areia do mar, só um resto dele voltará” (Is 10, 20-22). J. Steinmann escreve: “Isaías inaugurou o evangelho do pequeno número dos eleitos (...). Ele não espera nada da grande massa. A salvação é algo de uma elite”. De nada valem então as alianças diplomáticas e a confiança depositada nos recursos e no apoio humano. O que Isaías faz pode ser definido, como sugere o estudioso Stefano Virgulin, “uma política da fé”, proclamando nos momentos mais decisivos da história de Judá que a força está na confiança em Deus e que dessa postura depende a sobrevivência do estado. Há em Isaías uma inegável relação entre fé e política; como escreve ainda Steinmann, “Isaías é um dos maiores gênios de sua raça. Ele transcende o seu tempo, anuncia o porvir, supera o futuro judaísmo, que se fechará sempre mais na religião da Torá”.

O Messias Graças à sua fé, o Resto sagrado participará da salvação concebida escatologicamente como um reino de justiça, de paz, de liberdade e de luz; o reino de Deus, profetiza Isaías, será instaurado pelo futuro rei ideal da dinastia davídica e pedra angular sobre a qual se ergue o edifício: “Eis que porei em Sião uma pedra, uma pedra de granito, pedra angular e preciosa, uma pedra de alicerce bem firmada: aquele que nela puser a sua confiança não será abalado” (Is 28, 16). O rei que virá será dotado de esplêndidas virtudes de poder, sabedoria e força. Isaías anuncia a Acaz a vinda do Messias ainda durante o seu governo. É o momento no qual o profeta procura dissuadir o soberano de pedir ajuda aos assírios, recolocando sua confiança somente em Iahweh: “Pois sabeis que o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a jovem concebeu e dará à luz um filho e pôr-lhe-á o nome de Emanuel. Ele se alimentará de coalhada e de mel até que saiba rejeitar o mal e escolher o bem. Com efeito, antes que o menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, a terra, por cujos dois reis tu te apavoras, ficará reduzida a um ermo” (Is 7, 14-16). Apesar das várias interpretações acerca da identidade do Emanuel, que significa “Deus conosco”, a tradicional interpretação cristã, favorecida pela tradução grega que traduz “jovem mulher” como “virgem”, reconhece no menino o Messias. Mateus reconhece no texto o anúncio do prodigioso nascimento de Cristo por meio de Maria, virgem e mãe. A grandeza de Isaías coincide, portanto, com a promessa de um Messias. Antes de Isaías, tinha-se uma confiança genérica na dinastia davídica, objeto de antigas promessas. Isaías dá um nome concreto para essa espera: anuncia o Salvador. O que ele anuncia é um messianismo novo e criador que, mesmo pertencendo ao Antigo Testamento, encontra a sua realização final no Novo Testamento. O texto sobre o Resto Sagrado é retomado por Paulo, na Carta aos Romanos, em relação ao pequeno grupo de judeus que aceita a fé cristã. Da mesma forma, a passagem referente ao povo obstinado é citada umas cinco vezes no Novo Testamento em Mateus e João. Mas com certeza o mais comovente é o vaticínio sobre Emanuel que se realiza no nascimento virginal de Cristo no Evangelho de Mateus. E ainda: a profecia “o povo que andava nas trevas viu uma grande luz, uma luz raiou para os que habitavam uma terra sombria como a da morte” (Is 9, 1) se realiza quando Jesus começa a sua pregação na Galiléia. Assim como “pedra de escândalo” e “pedra angular” anunciadas por Isaías se referem também a Cristo. Evangelho de Lucas: “Ele foi a Nazaré, onde fora criado, e, segundo seu costume, entrou em dia de Sábado na sinagoga e levantou-se para fazer a leitura. Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías; abrindo-o, encontrou o lugar onde está escrito: ‘O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a remissão dos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor’. Enrolou o livro, entregou-o ao servente e sentou-se. Todos na sinagoga

olhavam-no, atentos. Então começou a dizer-lhes: ‘Hoje se cumpriu aos vossos ouvidos essa passagem da Escritura’” (Lc 4, 16-21).

O messianismo de Isaías é, portanto, um messianismo pessoal: o Messias é uma pessoa história precisa, cujo nascimento ele descreve como um sinal divino. “A espera do Messias, presente em toda a obra de Isaías”, escreve P. Auvray, “contribui para expressar essa serena confiança, que, apesar da severidade de tantos oráculos, permanece como a nota dominante de toda a sua pregação.

Aprofundando um pouco mais sobre Isaías, naBíblia (comentários de Osvaldo Polidro, extraídos de sua obra) “Visão que teve Isaías, filho de Amós, sobre Judá e Jerusalém” - Isaías, cap. 2. Isaías foi um grande vidente e auditivo; viu e ouviu, por essas mediunidades, coisas sobre a sua época e a sua gente, tendo ouvido e visto, também para a posteridade. Não é com idolatrias e fanatismos religiosistas que se consegue tamanha capacidade em dons espirituais ou mediunidades; é com o máximo de respeito à Lei de Deus. Com o passar dos dias, nomes novos vão sendo dados às leis e aos fenômenos, causando isto muita confusão e pronunciações estultas nos cérebros vazios de entendimento. O Profeta é agora o Médium, o Dom de Profecia é agora a Mediunidade, os Anjos são agora os Espíritos, e assim por diante. Os espíritas devem compreender a incapacidade intelecto-moral dos fanáticos religiosistas, não fazendo conta ou caso de suas vociferações. Muito antes de fazerem isso com os modernos Profetas, fizeram eles coisas piores com os antigos, fazendo muito pior ainda com o Cristo. Qual foi o progresso humano, espiritual ou material, contra o qual as clerezias não levantaram armas assassinas? Quem não sabe que os religiosismos sempre dividiram mais as gentes do que as políticas? Pelo menos, lembremos a parábola dos odres e dos panos velhos, que não podem suportar vinho nem remendos novos. Quando espontâneos, ou puros de intenção, merecem pelo menos piedade. São apenas do apostolado da santa ignorância, e, por mais que se lhes explique a lei dos progressos, eles continuam a ser muito coerentes com a própria morbidez dogmática. São os Caifás e os Gamaliel de todos os tempos, que com a aprovação da carrada de mediocridades de que são portadores, pensam que crucificando a Verdade prestam bom serviço a Deus.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.