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Capítulo 3 de 40
Anseio de Amor
Antologia da Espiritualidade · Chico Xavier, pelo espírito Maria Dolores
Maria Dolores
Quando me vi, depois da morte, Em, sublime transporte, E reclamei contra a fogueira Que me havia calcinado a vida inteira Pela sede de amor...
Quando aleguei que fora, em toda estrada, Folha ao vento, Andorinha esmagada Sob o trator ao sofrimento.... Quando exaltei a minha dor, Mágoa de quem amara sempre em vão, Farta de incompreensão....
Alguém chegou, junto de mim, E disse assim:
— Maria Dolores, Você que vem do mundo, E se diz Tão cansada e infeliz, Que notícias me dá do vale fundo De provação, Onde a criatura de tanto padecer Não consegue saber Se sofre ou não?
Você que diz trazer o seio morto, Que me pode falar Dos meninos sem pão e sem conforto, Das mulheres sem lar, Dos enfermos sozinhos, Que a febre e a fome esmagam nos caminhos, Sem sequer um lençol ou a bênção de uma prece, Dando graças a Deus, quando a morte aparece?!..
Você, Maria Dolores, Que afirma haver amado tanto E que deve ter visto O sacrifício e o pranto De quem clama por Cristo, Suplicando o carinho que não tem, Que me pode contar daquelas outras dores,
Daquelas outras aflições Dos que choram trancados em manicômios e prisões, Buscando amor, pedindo amor,
Exaustos de tristeza e de amargura, Como feras na grade, Morrendo de secura, De solidão, de angústia e de saudade?!...
Bem-querer!... Bem-querer!... Ai de mim, que nada pude responder! Que tortura, meu Deus, a verdade, no Além!... Calei-me, envergonhada... Eu apenas quisera ser amada, Não amara a ninguém...
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.