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Capítulo 162 de 239

Evolução Do Espírito

Textos Divinos IV · Osvaldo Polidoro

General Levino Cornélio Wischral Com satisfação lemos no “Diário do Congresso Nacional”, à página 8.184, um bem fundamentado discurso pronunciado na Câmara Federal pelo nobre confrade deputado Campos Vergal. O discurso, mais tarde transformado em debate, examinava a introdução de uma cadeira de Psicologia nas escolas superiores do país. Sobre o assunto em pauta nada podemos acrescentar, visto haver sido focalizado pelo setor científico, apoiado nos mais modernos tratados da psiquiatria. Vamos, todavia, deter-nos um pouco em torno de uma interessante pergunta formulada em plena assembleia reunida na Câmara dos Deputados e registrada à página mencionada daquele Diário Oficial. Lá pelas tantas, impulsionado pelo calor do entusiasmo, o deputado Clidenor Freitas, de cérebro arejado, culto e bem inspirado, pergunta com destemor: – “Os animais também têm alma?”, pergunta essa que causou geral expectativa entre seus pares. Nós, de imediato, responderíamos como aliás foi dito em público, que, não somente os animais têm alma, mas igualmente a têm os componentes do reino vegetal, e até mesmo, não o estranhem, os do reino mineral, providos que são de rudimentar faculdade de senso que chamaríamos de “inteligência insipiente”, princípio vital. Como esta mesma pergunta já houvesse sido formulada por outras pessoas, verbalmente e através de cartas a nós dirigidas, procuraremos fazer aqui uma síntese das sínteses, para se ter uma ligeira ideia da complexidade da resposta. Em algumas laudas faremos o que só se poderia fazer em maçudos volumes. Cada um de nós, criado por Deus, já foi apenas um singelo elétron, um átomo, uma mônada, uma molécula, e agora somos todos um harmonioso conjunto, consciente e ativo, de células obedecendo a um governo central que é a Centelha Divina, partícula do próprio Deus, centelha essa que nós agasalhamos em nosso íntimo, confirmando a evangélica afirmativa de Jesus: – “Sois deuses!” A evolução é contínua e eterna, indo do simples ao complexo e deste ao sublimado. Pessoalmente somos de opinião que cada átomo isolado terá que, no decurso da Eternidade, transformar-se e engrandecer-se até atingir a magnificência de uma Galáxia, ou de uma Via-Láctea. Se pudéssemos enxergar através dos olhos do Supremo Criador dos Mundos, ou seja Deus, veríamos a vastidão deste nosso imenso sistema solar como se fosse um minúsculo e insignificante átomo, este mesmo átomo que os cientistas apenas pressentem e que nem os mais potentes e delicados olhos dos microscópios eletrônicos puderam avistar até hoje. Para atingirmos a configuração do homem atual, tivemos necessidade de percorrer, em lentíssimos e demorados ciclos de aperfeiçoamento, durante bilhões e bilhões de séculos, todas as formas, estruturas e organizações pertencentes aos reinos mineral, vegetal e animal. Mais tarde, sem dúvida, cada um de nós terá de ser categorizado como anjo e arcanjo e, mais além ainda, cada um terá que ser um Cristo Planetário, como Jesus, o governador do nosso planeta Terra o é agora; aliás, quer queiramos quer não, cada criatura é um Cristo em fazimento. Considerando mais objetivamente nossa origem, podemos dizer que já animamos um seixo, um bloco de carvão, uma rocha, uma pedra preciosa como a turmalina ou o diamante. Sim; já íamos esquecendo-nos de dizer que também já demos vida àquela majestosa coluna multicor e brilhante de quartzo ou cristal que aparece aos nossos olhos ricamente ornamentada de arestas, facetas e planos geometricamente exatos, graciosos e atraentes. Desse cristal existe certa espécie trazendo incrustadas pequeninas e delicadas pepitas de ouro luzidio, dando-nos a aparência de uma soberba e orgulhosa dama aristocrata a exibir refulgente “toilette” de gala em noite festiva, na intimidade de encantado palácio medieval. Pois esse mesmo cristal, ao ser despedaçado pelos golpes violentos dos martelos dos homens que o vão explorar industrialmente, só falta chorar! A mutilação é dolorosa; contudo, por abrigar também em seu âmago a Centelha Divina, o cristal é tocado por estranha inteligência e assim reage, luta e lentamente cresce, recompleta-se e, finalmente, fica restaurado. O ex-aleijão mutilado, agora restabelecido e sem mácula, resplandece mais belo que nunca; está refeito, sem cicatrizes! A esta altura dizemos e perguntamos: – Restaura-se o cristal partido; renasce o galho decepado da árvore e novas pernas crescem no lugar das arrancadas a certos crustáceos. Por que com o homem não ocorre o mesmo ao perder ele um membro qualquer? Prossigamos depois deste pequenino parêntese. Incontável tempo preparou-nos o ingresso no reino vegetal, onde começamos por dar vida às células nervosas dos delicados musgos, da melindrosa sensitiva, da causticante urtiga de mau humor e também da plantinha chamada pelos botânicos de drósera, que se alimenta com o sangue dos insetos que ardilosamente fisga e enlaça em sua corola. Já fomos também uma bela e perfumada rosa da espécie “príncipe-negro” ou então um triste e raquítico coqueiro da praia cearense ou ainda uma frondosa mangueira carregada de frutos suculentos ou – quem sabe? – um soberbo e secular pinheiro com aparência de um gigantesco cogumelo ou guarda-chuva a enfeitar as belas campinas do Sul! Após havermos perpassado por todos os ciclos do reino vegetal, fomos impulsionados pelas mãos dadivosas do Criador para iniciarmos outra escalada mais – a do reino animal. Em outros bilhões de séculos tecemos pacientemente o elo vegetal-animal, despertando e exercitando novas faculdades até então embrionárias. Imóveis, inativos e amarrados ao solo, bafejou-nos, enfim, a divina graça do movimento, dádiva dos Céus para uma vida de maior liberdade. Paulatinamente transitamos por todos os ciclos animais movimentando e animando os corpos mais horrendos e esquisitos dos nossos irmãos – os vermes, moluscos, répteis, mamíferos e outros bicharedos mais. Não fiquemos ofendidos ou enojados ao lembrarmo-nos de já haver agitado o corpo esguio da traiçoeira serpente; do viscoso caracol de corpo carnal intimamente ligado à concha de carbonato de cal, comprovando sua origem mineral e demonstrando que é até perfeitamente possível a harmoniosa simbiose minério-animal. Quem sabe se não agitamos também, em graciosos ziguezagues, o corpinho tipo “galhinho seco” do louva-deus reverente e religioso; o do morcego amante das trevas, o da inocente pombinha da paz, o do cão fiel, o do cavalo de porte cavalheiresco ou o do enorme elefante, de olhinhos dóceis e meigos ao saborear sua ração de açúcar, ou então o dos antecessores do popular “Cacareco” do nosso Jardim Zoológico!... Dessa maneira aproximamo-nos do irrequieto e sensual macaco, parente mais do que próximo do “homo sapiens” de que trata a genética do grande e inspirado Darwin... Outro convite mais nos vem dos Céus. Desta vez entregamo-nos a dilatados estágios no mundo espiritual. É no “Astral”, como espíritos imperfeitos, ignorantes e cheios de complexos animais que vamos elaborar um apenas esboço do futuro bípede peludo, horrendo, acanhado e espantadiço. Eis então o bisonho “candidato a gente” transpondo o pórtico da civilização rumo ao tão ansiado reino hominal. Preparados para um aprendizado mais árduo, começamos renascendo algumas vezes como ferozes antropófagos e selvagens na densa mata virgem. Ainda somos animais com acentuada fisionomia de futuros homens... Tímidos, apresentamo-nos em novos renascimentos nas orlas das imensas florestas na pessoa do índio desconfiado a imitar o seu supermodelo – o civilizado. Como seria de esperar, vamos surgir, desta feita, entre o ingênuo e bom caipira e, daí para o colono ou cidadão é coisa de um só passo. Agora, sim! Renascemos povoando países e cidades. Cruzamos continentes, oceanos e céus, lotando modernos e superconfortáveis cadillacs, gigantescos transatlânticos e submarinos atômicos. Velocidade e mais velocidade é a ânsia desesperada da época; todos correm em louca disparada sem saber atrás de que, e a ciência humana, contaminada pelo complexo da pressa ainda maior, transporta as criaturas em superluxuosos pássaros a jato, diariamente, superando seus próprios recordes dos supersônicos viajores celestes. Sem tardança cada um terá o seu individual disco-voador, ricamente decorado para, em questão de poucas horas visitar, num domingo à tarde, Marte, Júpiter ou mesmo a face desconhecida da Lua, volitando alegre e seguro, pelo espaço afora, qual andorinha feliz e despreocupada. Por esta altura, porém, já deixamos muito atrás de nós vastos oceanos de lágrimas, dores e amarguras; assistimos a última guerra atômica que estorricou três quartas partes do planeta, aumentando ainda mais as pestes, fomes e ranger de dentes. Tudo porém passou e a aurora da verdadeira paz diz-nos que estamos às portas de nosso tão desejado paraíso terrestre. O calendário aponta-nos o ano dois mil quatrocentos e pouco. Aqui não mais se observa o confuso e louco formigueiro humano, pois os perversos, rebeldes e teimosos, ou sejam os três quartos da humanidade, foram há tempos desterrados em tétricas e em macabras romarias para os abismos trevosos de outros planetas em formação – lá onde agora se vive a nossa remota idade da pedra lascada, a idade paleolítica. Eis a nova pátria das ásperas e dolorosas reencarnações a que serão submetidos os corruptos, maus, indiferentes e recalcitrantes que não quiseram ouvir o Evangelho do nosso amado Mestre Jesus. E assim, com pequeninas incursões laterais, chegamos ao final do nosso tema. Estejamos convictos de que onde existe algo parecido com o átomo ou partícula ainda menor, aí também existe uma alma, a alma do próprio Deus que tudo enlaça e vivifica com Seu Amor.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.