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Capítulo 1 de 26

Parte 1 de 26

Os Mensageiros · Chico Xavier, pelo espírito André Luiz

Coleção: A VIDA NO MUNDO ESPIRITUAL OS MENSAGEIROS Ditada pelo Espírito: ANDRÉ LUIZ Psicografada por: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER OS MENSAGEIROS 2º livro da coleção “A Vida no Mundo Espiritual” Ditada pelo Espírito: André Luiz (primeira edição lançada em 1944) Psicografada por: Francisco Cândido Xavier Digitalizada por: L. Neilmoris © 2008 Brasil OS MENSAGEIROS 2º livro da coleção: A VIDA NO MUNDO ESPIRITUAL Ditada por: ANDRÉ LUIZ Psicografada por: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER Coleção: “A Vida no Mundo Espiritual” 01 – Nosso Lar 02 Os Mensageiros 03 Missionários da Luz 04 Obreiros da Vida Eterna 05 No Mundo Maior 06 Libertação 07 Entre a Terra e o Céu 08 Nos Domínios da Mediunidade 09 Ação e Reação 10 Evolução em Dois Mundos 11 Mecanismos da Mediunidade 12 Sexo e Destino 13 E a Vida Continua...

Quando o servidor está pronto, o serviço aparece. Índice Os Mensageiros – pag.7 1 Renovação – pag. 9 2 Aniceto – pag.12 3 No Centro de Mensageiros – pag.15 4 O caso Vicente – pag.18 5 Ouvindo instruções – pag.21 6 Advertências profundas – pag.24 7 A queda de Otávio – pag.27 8 O desastre de Acelino – pag.31 9 Ouvindo impressões – pag.34 10 A experiência de Joel – pag.37 11 Belarmino, o doutrinador – pag.40 12 A palavra de Monteiro – pag.43 13 Ponderações de Vicente – pag.46 14 Preparativos – pag. 49 15 A viagem – pag.52 16 No Posto de Socorro – pag.55 17 O romance de Alfredo – pag.58 18 Informações e esclarecimentos – pag.63 19 O sopro – pag.65 20 Defesas contra o mal – pag.68 21 Espíritos dementados – pag.71 22 Os que dormem – pag. 74 23 Pesadelos – pag.77 24 A prece de Ismália – pag.80 25 Efeitos da oração – pag.83 26 Ouvindo servidores – pag.86 27 O caluniador – pag.89 28 Vida social – pag.92 29 Notícias interessantes – pag.96 30 Em palestra afetuosa – pag.99 31 Cecília ao órgão – pag.102 32 Melodia sublime – pag.105 33 A caminho da Crosta – pag.109 34 Oficina de “Nosso Lar” – pag.112 35 Culto doméstico – pag.115 36 Mãe e filhos – pag.118 37 No santuário doméstico – pag.122 38 Atividade plena – pag.125 39 Trabalho incessante – pag.128 40 Rumo ao campo– pag.131 41 Entre árvores – pag.134 42 Evangelho no ambiente rural – pag.137 43 Antes da reunião – pag.140 44 Assistência – pag.143 45 Mente enferma – pag.146 46 Aprendendo sempre – pag.149 47 No trabalho ativo – pag.152 48 Pavor da morte – pag.155 49 Máquina divina – pag.158 50 A desencarnação de Fernando – pag.161 51 Nas despedidas – pag.165 Os Mensageiros Lendo este livro, que relaciona algumas experiências de mensageiros espirituais, certamente muitos leitores concluirão, com os velhos conceitos da Filosofia, que “tudo está no cérebro do homem”, em virtude da materialidade relativa das paisagens, observações, serviços e acontecimentos.

Forçoso é reconhecer, todavia, que o cérebro é o aparelho da razão e que o homem desencarnado, pela simples circunstância da morte física, não penetrou os domínios angélicos, permanecendo diante da própria consciência, lutando por iluminar o raciocínio e preparando-se para a continuidade do aperfeiçoamento noutro campo vibratório. Ninguém pode trair as leis evolutivas. Se um chimpanzé, guindado a um palácio, encontrasse recursos para escrever aos seus irmãos de fase evolucionária, quase não encontraria diferenças fundamentais para relacionar, ante o senso dos semelhantes. Daria notícias de uma vida animal aperfeiçoada e talvez a única zona inacessível às suas possibilidades de definição estivesse justamente na auréola da razão que envolve o espírito humano. Quanto às formas de vida, a mudança não seria profundamente sensível. Os pelos rústicos encontram sucessão nas casimiras e sedas modernas. A Natureza que cerca o ninho agreste é a mesma que fornece estabilidade à moradia do homem. A fauna ter-se-ia transformado na edificação de pedra. O prado verde liga-se ao jardim civilizado.

A continuação da espécie apresenta fenômenos quase idênticos. A lei da herança continua, com ligeiras modificações. A nutrição demonstra os mesmos trâmites. A união de família consangüínea revela os mesmos traços fortes. O chimpanzé, desse modo, somente encontraria dificuldade para enumerar os problemas do trabalho, da responsabilidade, da memória enobrecida, do sentimento purificado, da edificação espiritual, enfim, relativa à conquista da razão. Em vista disso, não se justifica a estranheza dos que lêem as mensagens do teor das que André Luiz, endereçadas aos estudiosos devotados à construção espiritual de si mesmos. O homem vulgar costuma estimar as expectativas ansiosas, à espera de acontecimentos espetaculares, esquecido de que a Natureza não se perturba para satisfazer a pontos de vista da criatura. A morte física não é salto do desequilíbrio, e passo da evolução, simplesmente. À maneira do macaco, que encontra no ambiente humano uma vida animal enobrecida, o homem que, após a morte física, mereceu o ingresso nos círculos elevados do invisível, encontra uma vida humana sublimada.

Naturalmente, grande número de problemas, referentes à Espiritualidade Superior, aí espera a criatura, desafiando-lhe o conhecimento para a ascensão sublime aos domínios iluminados da vida. O progresso não sofre estacionamento e a alma caminha, incessantemente, atraída pela Luz Imortal. No entanto, o que nos leva a grafar este prefácio singelo, não é a conclusão filosófica, mas a necessidade de evidenciar a santa oportunidade de trabalho do leitor amigo, nos dias que correm. Felizes os que buscarem na revelação nova o lugar de serviço que lhes compete, na Terra, consoante a Vontade de Deus. O Espiritismo cristão não oferece ao homem tão somente o campo de pesquisa e consulta, no qual raros estudiosos conseguem caminhar dignamente, mas, muito mais que isso, revela a oficina de renovação, onde cada consciência de aprendiz deve procurar sua justa integração com a vida mais alta, pelo esforço interior, pela disciplina de si mesma, pelo auto-aperfeiçoamento. Não falta concurso divino ao trabalhador de boa vontade. E quem observar o nobre serviço de um Aniceto, reconhecerá que não é fácil prestar assistência espiritual aos homens.

Trazer a colaboração fraterna dos planos superiores aos Espíritos encarnados não é obra mecânica, enquadrada em princípios de menor esforço. Claro, portanto, que, para recebê-la, não poderá o homem fugir aos mesmos imperativos. É indispensável lavar o vaso do coração para receber a “água viva”, abandonar envoltórios inferiores, para vestir os “trajes nupciais” da luz eterna. Entregamos, pois, ao leitor amigo, as novas páginas de André Luiz, satisfeitos por cumprir um dever. Constituem o relatório incompleto de uma semana de trabalho espiritual dos mensageiros do bem, junto aos homens e, acima de tudo, mostram a figura de um emissário consciente e benfeitor generoso em Aniceto, destacando as necessidades de ordem moral no quadro de serviço dos que se consagram às atividades nobres da fé. Se procuras, amigo, a luz espiritual; se a animalidade já te cansou o coração, lembra-te de que, em Espiritualismo, a investigação conduz sempre ao Infinito, tanto no que se refere ao campo infinitesimal, como à esfera dos astros distantes, e que só a transformação de ti mesmo, à luz da Espiritualidade Superior, te facultará acesso as fontes da Vida Divina.

E, sobretudo, recorda que as mensagens edificantes do Além não se destinam apenas à expressão emocional, mas, acima de tudo, ao teu senso de filho de Deus, para que faças o inventário de tuas próprias realizações e te integres, de fato, na responsabilidade de viver diante do Senhor. Emmanuel Pedro Leopoldo, 26 de fevereiro de 1944.

Renovação Desligando-me dos laços inferiores que me prendiam às atividades terrestres, elevado entendimento felicitou-me o espírito. Semelhante libertação, contudo, não se fizera espontânea. Sabia, no fundo, quanto me custara abandonar a paisagem doméstica, suportar a incompreensão da esposa e a divergência dos filhos amados. Guardava a certeza de que amigos espirituais, abnegados e poderosos, me haviam auxiliado a alma pobre e imperfeita, na grande transição. Antes, a inquietude relativa à companheira torturava-me incessantemente o coração; mas, agora, vendo-a profundamente identificada com o segundo marido, não via recurso outro que procurar diferentes motivos de interesse. Foi assim que, eminentemente surpreendido, observei minha própria transformação, no curso dos acontecimentos. Experimentava o júbilo da descoberta de mim mesmo. Dantes, vivia à feição do caramujo, segregado na concha, impermeável aos grandiosos espetáculos da Natureza, rastejando no lodo. Agora, entretanto, convencia-me de que a dor agira em minha construção mental, à maneira do alvião pesado, cujos golpes eu não entendera de pronto. O alvião quebrara a concha de antigas viciações do sentimento. Libertara-me. Expusera-me o organismo espiritual ao sol da Bondade Infinita.

E comecei a ver mais alto, alcançando longa distância. Pela primeira vez, cataloguei adversários na categoria de benfeitores. Comecei a freqüentar, de novo, o ninho da família terrestre, não mais como senhor do círculo doméstico, mas como operário que ama o trabalho da oficina que a vida lhe designou. Não mais procurei, na esposa do mundo, a companheira que não pudera compreender-me e sim a irmã a quem deveria auxiliar, quanto estivesse em minhas forças. Abstive-me de encarar o segundo marido como intruso que modificara meus propósitos, para ver apenas o irmão que necessitava o concurso de minhas experiências. Não voltei a considerar os filhos propriedade minha e sim companheiros muito caros, aos quais me competia estender os benefícios do conhecimento novo, amparando-os espiritualmente na medida de minhas possibilidades. Compelido a destruir meus castelos de exclusivismo injusto, senti que outro amor se instalava em minh’alma. Órfão de afetos terrenos e conformado com os desígnios superiores que me haviam traçado diverso rumo ao destino, comecei a ouvir o apelo profundo e divino da Consciência Universal.

Somente agora, percebia quão distanciado vivera das leis sublimes que regem a evolução das criaturas. A Natureza recebia-me com transportes de amor. Suas vozes, agora, eram muito mais altas que as dos meus interesses isolados. Conquistava, pouco a pouco, o júbilo de escutar-lhe os ensinamentos misteriosos no grande silêncio das coisas. Os elementos mais simples adquiriam, a meus olhos, extraordinária significação. A colônia espiritual, que me abrigara generosamente, revelava novas expressões de indefinível beleza. O rumor das asas de um pássaro, o sussurro do vento e a luz do Sol pareciam dirigir-se à minh’alma, enchendo-me o pensamento de prodigiosa harmonia. A vida espiritual, inexprimível e bela, abrira-me os pórticos resplandecentes. Até então, vivera em “Nosso Lar” como hóspede enfermo de um palácio brilhante, tão extremamente preocupado comigo mesmo, que me tornara incapaz de anotar deslumbramentos e maravilhas. A conversação espiritualizante tornara-se-me indispensável. Aprazia-me, antigamente, torturar a própria alma com as reminiscências da Terra.

Estimava as narrativas dramáticas de certos companheiros de luta, lembrando o meu caso pessoal e embriagando-me nas perspectivas de me agarrar, novamente, à parentela do mundo, valendo-me de laços inferiores. Mas agora... perdera totalmente a paixão pelos assuntos de ordem menos digna. As próprias descrições dos enfermos, nas Câmaras de Retificação, figuravam-se-me desprovidas de maior interesse. Não mais desejava informar-me da procedência dos infelizes, não indagava de suas aventuras nas zonas mais baixas. Buscava irmãos necessitados. Desejava saber em que lhes poderia ser útil. Identificando essa profunda transformação, falou-me Narcisa certo dia: – André, meu amigo, você vem fazendo a renovação mental. Em tais períodos, extremas dificuldades espirituais nos assaltam o coração. Lembre-se da meditação no Evangelho de Jesus. Sei que você experimenta intraduzível alegria ao contacto da harmonia universal, após o abandono de suas criações caprichosas, mas reconheço que, ao lado das rosas do júbilo, defrontando os novos caminhos que se descerram para sua esperança, há espinhos de tédio nas margens das velhas estradas inferiores que você vai deixando para trás.

Seu coração é uma taça iluminada aos raios do alvorecer divino, mas vazia dos sentimentos do mundo, que a encheram por séculos consecutivos. Não poderia, eu mesmo, formular tão exata definição do meu estado espiritual. Narcisa tinha razão. Suprema alegria inundava-me o espírito, ao lado de incomensurável sensação de tédio, quanto às situações da natureza inferior. Sentia-me liberto de pesados grilhões, porém, não mais possuía o lar, a esposa, os filhos amados. Regressava freqüentemente ao círculo doméstico e aí trabalhava pelo bem de todos, mas sem qualquer estimulo. Minha devotada amiga acertara. Meu coração era bem um cálice luminoso, porém, vazio. A definição comovera-me. Vendo-me as lágrimas silenciosas, Narcisa acentuou: – Encha sua taça nas águas eternas daquele que é o Doador Divino. Além disso, André, todos nós somos portadores da planta do Cristo, na terra do coração. Em períodos como o que você atravessa, há mais facilidade para nos desenvolvermos com êxito, se soubermos aproveitar as oportunidades.

Enquanto o espírito do homem se engolfa apenas em cálculos e raciocínios, o Evangelho de Jesus não lhe parece mais que repositório de ensinamentos comuns; mas, quando se lhe despertam os sentimentos superiores, verifica que as lições do Mestre têm vida própria e revelam expressões desconhecidas da sua inteligência, à medida que se esforça na edificação de si mesmo, como instrumento do Pai. Quando crescemos para o Senhor, seus ensinos crescem igualmente aos nossos olhos. Vamos fazer o bem, meu caro! Encha seu cálice com o bálsamo do amor divino. Já que você pressente os raios da alvorada nova, caminhe confiante para o dia!... E, conhecendo meu temperamento de homem, amante do serviço movimentado, acrescentou, generosa: – Você tem trabalhado bastante aqui nas Câmaras, onde me preparo, por minha vez, considerando o futuro próximo, na carne. Não poderei, portanto, acompanhá-lo, mas creio deve você aproveitar os novos cursos de serviço, instalados no Ministério da Comunicação. Muitos companheiros nossos habilitam-se a prestar concurso na Terra, nos campos visíveis e invisíveis ao homem, acompanhados, todos eles, por nobres instrutores.

Poderia você conhecer experiências novas, aprender muito e cooperar com excelente ação individual. Porque não tenta? Antes que pudesse agradecer o alvitre valioso, Narcisa foi chamada ao interior das Câmaras, a serviço, deixando-me dominado por esperanças diferentes de quantas abrigara até então, relativamente às minhas tarefas.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.