[user_registration_my_account]
Capítulo 3 de 7
O Espiritualismo Experimental — parte 2 de 6
Os Espíritos e os Médiuns · Léon Denis
Capítulo II OS FENÔMENOS ESPÍRITAS
Gustavo Le Bon tomou, em 1908, a iniciativa de uma proposição que parecia peremptória: oferecia um prêmio de dois mil francos ao médium que produzisse diante de uma comissão competente um fenômeno de levitação em plena luz. Por que estipular, à plena luz, se é notório que esse fenômeno não é normalmente possível senão com luz suave, visto que a luz viva exerce uma ação dissolvente sobre a força psíquica? Que se diria de um aficionado que exigisse, para admitir a fotografia, que esta se produzisse à plena luz, se pelo menos até agora, o fenômeno necessita da câmara escura? Notemos que a escuridão completa não é necessária para que se produzam as levitações e bastará uma luz vermelha suave para eliminar qualquer outro procedimento ou suposição de fraude. Por outra parte quantos fenômenos naturais conhecidos exigem uma luz muito tênue, senão a escuridão total? 0 sábio imparcial observa a lei, a norma de um fenômeno, mas se guarda, ante tudo, de pretender impor a priori as condições de sua produção.
Os fatos de levitação, sem contato de móveis e pessoas, moldes de mãos e rostos foram observados, em condições que desafiam qualquer crítica, por sábios franceses e estrangeiros. Tiraram-se fotografias, o que descarta de um modo total a objeção da sugestão. A placa fotográfica não é propensa a alucinações. Os experimentos realizados de uma forma rigorosamente científica são muito numerosos. Citemos por exemplo, os do professor Botazzi, diretor do Instituto de Fisiologia da Universidade de Nápoles, em maio de 1907, ajudado pelo professor Cardarelli, senador, e outros sábios. Como admitem que os sentidos podem evidentemente enganar, servem-se de aparelhos registradores que permitem estabelecer não somente a realidade, a objetividade do fenômeno, como também o gráfico da força que atua. Eis aqui' as principais medidas tomadas pelo grupo de sábios já citados, que experimentaram com Eusápia Paladino como médium.
No extremo da sala, detrás de uma cortina, se preparam de antemão sobre uma mesa: 1° - Um cilindro coberto de papel esfumado, móvel em torno de um eixo; 2° - Uma balança pesa-cartas; 3° - Um metrômetro elétrico Zimmermann; 4° - Um pulsador telegráfico unido a outro sinalador elétrico; 5° - Uma pêra de borracha unida por meio de um grande tubo, através do muro, a um manômetro de mercúrio situado no cômodo contíguo. Como se pode ver, um luxo de precauções tomadas pelos indicados sábios investigadores, precauções que deviam dar-lhes segurança, sem dúvida alguma, de que não eram enganados. Nessas condições, todos os aparelhos foram controlados à distância, enquanto as mãos de Eusápia se achavam presas por dois dos experimentadores e formavam círculo a seu redor os demais. Há trinta anos, Eusápia operava em Milão. 0 diário "Itália Dei Popolo" de Milão, publicou, com data de 18 de novembro de 1892, um suplemento especial com as atas de dezessete sessões verificadas naquela cidade.
Está firmado este documento com os seguintes nomes: Schiaparelli, diretor do Observatório Astronômico de Milão; Aksakoff, conselheiro de Estado russo; Brofferio e Gerosa, professores da Universidade; Ermácora e G. Finzi, doutores em Física; Charles Richet, professor da Faculdade de Medicina de Paris, diretor da "Revista Científica", e César Lombroso, professor da Faculdade de Medicina de Turim. Essas atas comprovam a produção dos seguintes fenômenos, obtidos na escuridão, tendo a médium os pés e mãos constantemente presos por dois dos assistentes: Transporte de diversos objetos, sem contato: cadeiras, instrumentos de música, etc.., Impressões de dedos sobre o papel esfumado; impressões de dedos sobre argila; aparições de mãos sobre um fundo luminoso; aparições de luzes fosforescentes; levitação da médium sobre a mesa; deslocamento de cadeiras com as pessoas que as ocupavam; toques sentidos pelos assistentes.” Em suas conclusões, os experimentadores nomeados deixam estabelecidos que, em razão das precauções tomadas, não era possível fraude alguma. "Do conjunto dos fenômenos observados, dizem, deduz-se o triunfo de uma verdade que se fez injustamente impopular."
Que esplendor de linguagem poderia igualar o valor comprobatório desse estilo claro e conciso? A esses testemunhos poderiam acrescentar as centenas de outros de igual valor. Resultarão nulos aos olhos de nossos contraditores e será necessário recomeçar as experimentações a cada nova exigência? As sessões de Eusápia incluem outros fenômenos ainda mais importantes. 0 professor Lombroso escrevia na "Arena", de fevereiro de 1908: "Depois do deslocamento de um objeto muito pesado, Eusápia, em estado de transe, me disse: por que perdes o tempo nestas bagatelas? Eu sou capaz de mostrar-te a tua mãe, mas é preciso que penses nisso intensamente." Estimulado por esta promessa, depois de meia hora de sessão, senti um intenso desejo de ver se ela se cumpria, e a mesa pareceu dar seu assentimento a meu pensamento íntimo, com seus habituais movimentos de sucessivas elevações. Logo, numa semi-escuridão, à luz vermelha, vi aparecer uma forma um tanto encurvada, como era a de minha mãe, coberta com um véu, deu a volta à mesa para chegar até mim, murmurando palavras que alguns presentes ouviram, mas que minha meia surdez não me permitiu entender.
Então, ao suplicar-lhe que as repetisse, presa de uma viva emoção, me disse: "César, filho meu! Depois, tirando seu véu, me deu um beijo." Lombroso recordava a continuação das comunicações escritas ou faladas em línguas estrangeiras, às revelações de fatos desconhecidos tanto da médium quanto dos assistentes e os casos de telepatia. Na Inglaterra, o fantasma de Katie King foi fotografado por Sir. William Crookes, o que destrói toda hipótese de sugestão. Em um discurso pronunciado no dia 30 de janeiro de 1908, na Sociedade de Investigações Psíquicas, de Londres, Sir Oliver Lodge, reitor da Universidade de Ciências ("Royal Society"), fala de mensagens obtidas por certos médiuns mediante a escrita automática. Os comunicantes compreenderam tão bem como nós a necessidade das provas de identidade e fizeram quantos esforços puderam, para satisfazer a esta razoável exigência. Alguns de nós pensamos que as conseguimos, outros ainda duvidam.
Sem deixar de desejar a obtenção de novas provas, eu sou dos que crêem que já se deu um grande passo e que é legítimo admitir nestes momentos que existem relações claras com pessoas falecidas que, nos melhores casos, vêm a nos proporcionar uma nova massa de argumentos, fazendo desta hipótese, a melhor hipótese de trabalho. Com efeito, nós cremos que os malogrados Gurney, Hodgson, Myers e outros menos conhecidos, tratam de pôr-se em comunicação constante conosco, com a intenção bem definida e expressa de nos demonstrar pacientemente sua identidade e dar-nos o controle recíproco de médiuns desconhecidos entre si. As correspondências cruzadas, isto é, a recepção por um médium de uma parte da comunicação e o resto por outro médium, sem que se possa compreender o sentido de nenhuma destas partes por separado sem o concurso da outra, é uma boa prova de que uma mesma inteligência atua sobre os dois autômatos.
Se além disto, a mensagem tem as características de uma pessoa falecida e é recebida dessa forma por observadores que não a conhecem intimamente, podemos ver nela a prova da persistência da atividade intelectual desta pessoa. Se, enfim, obtemos dela um pouco de crítica literária que tem evidentemente seu estilo peculiar e próprio e é impossível que proceda de indivíduos comuns, então tenho que declarar que uma prova tal, absolutamente impressionante, tende a tomar o caráter de crucial. E esta é a classe de provas que a Sociedade pode comunicar sobre este assunto. As fronteiras entre ambos os estados, o presente e o futuro, tendem a apagar-se. Assim como em meio do ressoar da água e dos ruídos diversos, durante a perfuração de um túnel, ouvimos de vez em quando o ruído dos escavadores, que vêm para nós pelo lado oposto, de igual modo ouvimos, a intervalos, os golpes de nossos camaradas passados para Além Túmulo. A todos esses testemunhos agregarei eu o meu pessoal.
Trinta anos de experimentação rigorosa, verificada em ambientes diversos com numerosos médiuns, me demonstraram que, se os fenômenos chamados "psíquicos" se explicam em parte pela exteriorizarão de .Forças que emanam dos vivos, uma quantidade importante deles não se pode explicar mais do que com a intervenção de entidades invisíveis. E estas não são senão os espíritos dos mortos que subsistem sob formas sutis, imponderáveis, cujos elementos pertencem à matéria refinada. A explicação espírita é, pois, a única que responde de uma maneira completa à realidade dos fenômenos considerados em seus múltiplos aspectos. Eles nos proporcionam a prova de que um oceano de vida invisível nos rodeia, nos envolve, e que, para Mais-Além, o ser humano se encontra a si mesmo na plenitude de suas faculdades e de sua consciência. Fiel ao método experimental, vou apresentar alguns fatos mais, que demonstram a realidade de uma intervenção invisível e dão indicações sobre sua natureza e sua identidade. Os fatos me parecem muito mais eloqüentes que todos os comentários.
Eis aqui a cópia de uma ata que tenho à vista: "Em 13 de janeiro de 1899, doze pessoas se reuniram em casa de M. David, praça Corps-Saints, 9, em Avignon, para realizar sua sessão semanal de Espiritismo. Depois de um momento de recolhimento, vimos à médium Mme. Gallas, em transe, voltar se para o Padre Grimaud e falar-lhe com a linguagem mímica utilizada por certos surdos-mudos. Sua rapidez de movimento era tal que rogamos ao espírito que se comunicasse mais devagar, o que fez em seguida. Por precaução, cuja importância se verá em seguida, o Padre Grimaud não fez senão enunciar as letras, à medida que a médium as transmitia. Como cada letra isolada não significava nada, era impossível, ainda que se houvesse querido, interpretar o pensamento do espírito. Somente ao final da comunicação, pudemos conhecê-lo, quando a leu um dos membros do grupo encarregado de transcrever as letras. Ademais, a médium empregou um duplo método: o de enunciar as letras de uma palavra, para indicar sua ortografia, única forma sensível aos olhos,e o de enunciar a articulação, sem ter em conta a forma gráfica, método este que M. Fourcade inventou e que se emprega somente no estabelecimento de surdos-mudos de Avignon. Estes detalhes foram explicados pelo Padre Grimaud, diretor e fundador da dita instituição."
A comunicação, que se referia à obra altamente filantrópica, a que estava dedicado o Padre Grimaud, era assinada por Irmão Foucarde, falecido em Caen. Nenhum dos assistentes, excetuando o venerável sacerdote, conheceu, nem pôde conhecer o autor desta comunicação, nem seu método, embora tenha passado algum tempo em Avignon, faz trinta anos... Assinaram os membros do grupo que assistiram a esta sessão: Tournier, diretor do Banco da França; Roussel, diretor da banda do 58° Regimento; Domenach, tenente do 58° Regimento; David, comerciante; Brémond, Canuel, Sras. de Tournier, Roussel, David e Brémond.
À dita ata se anexa o seguinte testemunho: "O infra-assinado, Grimaud, presbítero, diretor e fundador da instituição para inválidos da palavra, surdos-mudos, tartamudos e meninos anormais, de Avignon, certifica a exatidão absoluta de tudo quanto se detalha acima. Em honra à verdade, devo dizer que estava longe de esperar semelhante manifestação. Compreendo toda a importância da mesma desde o ponto de vista da realidade do Espiritismo, do qual sou fervoroso adepto, não tendo inconveniente em declará-lo publicamente. Avignon, 17 de abril de 1899. Firmado: Grimaud, presbítero “.
Podemos citar, ademais, a aparição fotografada de um colono, relatada por W. Stead, o grande publicitário inglês desaparecido na catástrofe do "TITANIC". Este colono, chamado Piet Betja, era absolutamente desconhecido de Stead, e foi reconhecido mais tarde por vários delegados dá África do Sul chegados à Inglaterra (veja-se a "Revue Spirite de 15 de janeiro de 1909). Falando das provas de identidade proporcionadas por mortos, A. Conon Doyle, o grande escritor inglês, em seu livro "A Nova Revelação", recorda o caso de um espírito desconhecido que dizia chamar-se Manton, haver nascido em Lawrence Lydiárd, e estar enterrado em Stoke Stewingtoín, desde 1677. Demonstrou-se depois, perfeitamente, que um homem assim chamado, viveu e foi capelão de Olivier Cromwell. E acrescentava: "Visto que Miss Julia Ames pôde revelar a Mr. Stead detalhes de sua própria existência nesta terra, que ele não podia suspeitar, e cuja exatidão se comprovou posteriormente, nos encontramos inclinados a admitir como verdadeiras também essas revelações cuja prova não se pôde obter.
E mais ainda, posto que Raymond Lodge pôde descrever uma fotografia da qual não havia encontrado na Inglaterra nenhuma cópia, e cuja amostra se encontrou absolutamente de acordo com a descrição que havia feito dela; e se pôde nos informar por lábios estranhos toda a classe de detalhes de sua vida familiar, cuja exatidão comprovou e certificou seu pai, o reitor 0. Lodge, não é acaso, razoável supor que este Raymond não é menos digno de fé quando descreve as fases de seu próprio gênero de vida, quando se comunica com seus pais? Ou quando Mr. Arthur Hill recebe mensagens de pessoas, cuja existência ignora e comprova que as ditas mensagens são verdadeiras em todos os detalhes, não é uma conseqüência lógica admitir que os espíritos dizem a verdade, quando nos dão a conhecer suas novas condições de existência?"
Posteriormente, em uma conferência pronunciada em Leicester, Sir Arthur Conan Doyle relata o seguinte fato: "Dois amigos seus, o Reverendo Crewe e Mr. ' Philips, advogado, encontraram uma noite na rua Oxford, em Londres, um jovem inglês em estado de embriaguês. 0 padre Crewe, que é clarividente, viu a forma espiritual de uma mulher que estava de pé junto ao jovem e o olhava compassivamente. Acercando-se ambos os amigos, travaram conversação com ele e souberam que este jovem, que havia descido tanto, era sobrinho de um alto dignitário da Igreja. Mr. Crewe falou ao jovem desencaminhado da figura espiritual que havia visto, acrescentando: "Creio que é sua mãe". 0 jovem respondeu: "Descreva tal como era minha mãe." Mr. Crewe ajuntou: "Quando esteja melhor faremos uma pequena sessão." A sessão foi realizada pelos três. Mr. Crewe caiu em transe e a mãe, irmã do alto dignitário eclesiástico, tomou posse dele e falou a seu filho. Quando o médium voltou a si, o jovem soluçava a um lado da mesa e o advogado do outro.
Explicaram então que a mãe do jovem lhe havia repetido as últimas palavras que havia pronunciado no momento de sua morte, acrescentando que ele havia chegado agora a uma fase de seu caminho e que no futuro tudo lhe seria melhor. 0 conferencista acrescentou que havia recebido do citado jovem uma carta dando-lhe todos esses detalhes e concluindo com estas palavras: "Este é meu tributo à causa que me salvou. Vou tratar de não recomeçar." Ao final de sua obra "A Nova Revelação", Sir Arthur Conan Doyle se eleva a altas considerações, e faz observar a influência que exercem estes fenômenos sobre o pensamento e o coração dos homens. E termina com estas bonitas palavras de Gérald Massey: "0 Espiritismo foi para mim, como para muitos outros, o alargamento de meu horizonte mental e a penetração do céu, a transformação da fé em fatos reais; sem ele, não se pode comparar a vida senão a uma viagem efetuada no fundo da adega de um barco, com as escotilhas fechadas, em que o viajante não percebesse outra claridade que a de uma vela, e ao qual, se lhe permite, em uma esplêndida noite estrelada, subir a ponte e contemplar pela primeira vez o prodigioso espetáculo do firmamento resplandecentes da glória de Deus."
Mais recentemente, o pastor Wynn, que goza de certo renome como pregador na Inglaterra, publicou um pequeno volume muito substancioso, em que relata toda uma série de fenômenos, comprobatórios da sobrevivência de seu filho Ruperto. Este jovem, caído gloriosamente nas linhas inglesas, durante o Grande Cataclismo, manifestou-se de diferentes maneiras, por vários médiuns que nem o conheciam, nem a seu pai, em condições notáveis de autenticidade. Mr. Wynn, que era. A princípio cético com respeito ao Espiritismo, chegou a reconhecer sua validade, aderindo a ele publicamente. Em continuação reproduzimos um dos fatos assinalados em sua obra: "Ruperto vive."
0 autor se expressa assim:
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.