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Capítulo 4 de 5

História De Um Diagnóstico — parte 2 de 2

História de um Diagnóstico Complicado

espécimens existem apenas no astral inferior e, geralmente, são espíritos dominados pela corrupção, infelizes irmãos nossos, que tomam as configurações e fisionomias que melhor os identifiquem com a ínfima faixa vibratória em que vegetam. Não há palavras na linguagem humana que possam retratar com exatidão esse doloroso quanto lúgubre panorama. Só assim nos capacitamos da misericórdia de DEUS, por estarmos inibidos de enxergar este autêntico quadro de suplícios. Novas visões, como num filme em terceira dimensão, apresentam-se à médium. O Grupo de Socorro Médico procede a cuidadosa operação cirúrgica para desentranhar, limpar e remover importunos e emaranhados focos danosos, distribuídos pelo corpo todo do enfermo. O perispírito, ou melhor, uma “secção de espírito” de Orbone é destacada do conjunto “alma-corpo” e levada a uma mesa e operação próxima, invisível para nós, onde clínicos e enfermeiros espirituais procedem a vigorosa e aprofundada limpeza, enquanto o paciente permanece firme a nosso lado. Aparelhos semelhantes rascadeiras (pentes de ferro) são postos em bruscos movimentos para eliminarem da aura do enfermo a grossa e insuportável fauna zoológica de larvas. A lufa-lufa é enorme e os recipientes destinados à coleta do material deletério tornam-se insuficientes, tamanha é a quantidade de vermes, ovóides e toda sorte de bichos astrais. Enquanto a operação se realizava lá no corpo etéreo de Orbone, este, sentado perto de nós, apenas suspirava, de vez em quando, melancolicamente, e os Espíritos Assistentes, em número de uma centena, acomodados no anfiteatro, endereçavam a JESUS, o Bondoso Cristo-Médico, tal como nós os encarnados, preces ardentes pelo bom êxito da operação. Logo após alguns ajudantes penetraram no recinto, apelidado por nós de “sessão-sala de operações”, trazendo de longe, da praia oceânica, alguns potes, contendo um líquido azulado, quase gasoso; o conteúdo fora derramado sobre o perispírito do enfermo, enquanto auxiliares friccionavam vigorosamente seu corpo. Os órgãos internos, tanto do corpo etéreo como do físico, de carne, foram igualmente limpos da incômoda fauna microbiana, sendo usado para a desinfecção outro líquido medicamentoso à base de sucos de vegetais. Quando os Cirurgiões Espirituais começavam a desanuviar os recônditos escaninhos do cérebro, totalmente obstruídos devido ao mau emprego do pensamento e, quando iam proceder à limpeza da língua do enfermo, agindo os médicos simultaneamente no “duplo” e no “físico” de Orbone, sucedeu à médium vidente um caso desagradável. A língua de Orbone, desde há muito, se achava por demais avolumada e ressequida, o que até impedia que ele falasse livremente. Os Médicos do Espaço desde longo observaram que esse órgão estava infestado por milhares de vermes anelídios, naturalmente, invisíveis a nossos olhos. Mal o músculo falante segregava a necessária substância emoliente destinada à natural função da língua, imediatamente a enorme flora de vermes se lançava esfomeada sobre o viscoso suco, para devorá-lo. A médium, ao acompanhar com interesse a tarefa, deveras repugnante aliás, dos Clínicos Espirituais, que espichavam para fora da boca aquela língua intumescida e suja, começou a sentir em sua própria língua cócegas insuportáveis, justamente pela influenciação magnética do que assistia. Quando esse órgão enfermo estava sendo escovado à rascadeira, com energia, foi a médium tomada de violentos enjôos, por pouco não vomitando em plena sessão. Rápidas fricções são agora aplicadas no “duplo” de Orbone, pondo em rítmico movimento os músculos, rins, pulmões, circulação do sangue, plexos e coração, o que igualmente beneficiará, enormemente, os órgãos idênticos do corpo de carne. Quantas e quantas vezes os Cirurgiões do plano Espiritual, estes bons Bezerra de Menezes, Miguel Couto e outros, operaram primeiramente no “duplo”, por antecipação, enquanto o enfermo está entregue, muitas vezes, a profundo e restaurador sono! Por isso, quando o nosso operador terreno tiver de realizar a intervenção cirúrgica prevista, encontrará já bem melhorado o campo operatório ou mesmo já executada a sua tarefa. E, quantas vezes os Médicos Espirituais guiam e mesmo tomam a mão vacilante do cirurgião terreno, entregue a nervosa expectativa, para executar, com maestria, a intervenção! O autor deste relatório conhece dois médicos cirurgiões, que seguidamente experimentam esse divinal auxílio. Enfim, estejamos certos: - onde houver sinceridade e amor pelo próximo, ninguém precisa preocupar-se, pois DEUS se fará presente, no justo momento necessário, e sempre através de seus magnânimos Mensageiros do Bem, sejam Espíritos ou encarnados. Quase no final de nossa sessão de curas, como se viesse para proceder a uma inspeção, aproxima-se de Orbone o grupo de espíritos, que se achava acomodado no anfiteatro. Destaca-se dos presentes a figura iluminada e bondosa de Bezerra de Menezes, que fala com satisfação a todos, dizendo: “Graças a DEUS, o nosso doente recebeu, no dia de hoje, um novo envoltório para sua alma, espécie de capa protetora e reluzente, como se uma couraça defensora contra iniquidade; ele que se exercite, de agora por diante, no “AMAI-VOS UNS AOS OUTROS” e saiba perdoar de coração, já não digo sete vezes setenta vezes, porém algumas vêzesinhas, para não mais ser obrigado a dar pasto a milhares de seres do astral inferior, que cada um atrai, toda vez que faz pouco do Evangelho de JESUS!” Ainda outros quadros apareceram, e a vidente percebe a conversa entre dois Espíritos, recomendado um, que parece ser médico, a um prestimoso auxiliar: - “Para coroação desta difícil tarefa, seria conveniente proceder-se a rigorosa limpeza psíquica no lar do enfermo”. Com extrema facilidade capta a médium a conversa inaudível aos presentes e transmite-a mentalmente a Polidoro. Este, então, diz ao enfermo, que fixe no pensamento, firmemente, o interior de sua residência, para que a turma da faxina lá possa chegar sem dificuldades. O transporte da comitiva pelo espaço fora foi, como é lógico, de modo instantâneo, pois se processou com a velocidade do próprio pensamento. A médium, deixando o seu corpo sentado na sala de sessão, desdobrou-se e, em espírito, acompanhou também o cortejo das vassouras, penetrando em toadas as dependências do lar desconhecido para ela. Nenhum daqueles moradores se apercebeu de qualquer coisa, que pudesse parecer anormalidade. A sensitiva começa agora a descrever com minúcias as pessoas, os móveis, os utensílios daquela residência, e o nosso enfermo apenas vai confirmando tudo, de fisionomia admirada. Nas sessões, é comum esse fenômeno, em que o espírito da médium, à semelhança de um locutor colocado a quilômetros de distância, transmite a seu aparelho-receptor (corpo da médium) o que ali longe vê e faz. Em seguida, a turma da limpeza, constituída de Bons Pretos Velhos, Caboclos, Africanos e índios, todos Espíritos Boníssimos, pitorescamente apelidados de “sanitaristas”, iniciou o trabalho com alvoroço e ânimo. Nossos olhos nada enxergariam, nem tampouco os habitantes daquele lar veriam do que pertencesse ao Plano Espiritual; no entanto, os videntes puderam notar perfeitamente o objetivo psíquico a ser atingido, pois que este fora aclarado e tornando vivaz ao máximo. Assim é que foi notada, aderente ao teto, às paredes e sobre o chão, enorme quantidade de emplastros de nojenta substância fluídica, servindo essa putrefata matéria de alimento a vasta legião de espíritos inferiores, de horripilantes feições; eram monstros vivos, locomovendo-se pesadamente, cobertos alguns de pelos pretos e sujos, outros revestidos de uma camada de ásperas escamas em cujos interstícios agasalhavam outros tantos milhares de parasitos microscópicos; enfim: - aquele ambiente era um exato inferno, pior ainda do que o descrito por Dante. Ali, naquele lar, habitavam criaturas fantásticas, metade besta ou fera, metade de compleição humana. Não é raro ver-se, por estes purgatórios criados pelos homens, espíritos que, com prazer, se dissimulam em repelentes animais, rastejando como cobras, pelo chão, apresentando endemoninhadas carrancas humanas. Aliás, as lides domésticas na casa de Orbone se processavam em clima de violentas discórdias; por isso, de contínuo, recebiam os maléficos impactos daqueles invisíveis diabinhos . De tal maneira eram todos influenciados, que o doce lar rápido descambou em tablado de contendas, rixas e ódios; todos ali viviam impacientes, nervosos e coléricos, sem uma razão justa ou aparente. Nesse agressivo ambiente foram os “sanitaristas” observados em estafante labor. Suarentos e cansados, porém com entusiasmo, utilizavam-se de potentes aspiradores para a troca do ar contaminado, vasculhos e escovões, elétricos, sabão, ácido fênico e vassouras às dezenas; era um batalhão de faxineiros em ação! Acompanhando o trabalho desses abnegados Servidores, foi visto com que destreza extraíam do interior dos colchões, travesseiros, acolchoados e móveis estofados, esquisitos amarrados, onde se podiam ver cabelos, pedaços de tecidos e fitas, raízes, palhas e terra para ali transportados pelos espíritos malévolos, em estado fluídico, após tornados sólidos e visíveis. Os Servidores, enquanto coletavam aquele material, simultaneamente o desmaterializavam; com isso, anulavam seus poderes prejudiciais. O lixo fluídico e o resíduo peçonhento de insetos, larvas e elementares eram transportados em carrinhos-de-mão para o fundo do pomar, onde outra turma de Espíritos enterrava o espantoso entulho. Nunca se poderia imaginar tamanha quantidade de sedimentos deprimentes e destruidores, com aparência de placas bolorentas, na certa constituída de condensados pensamentos imorais e criminosos. Se este relato diz respeito a um lar, que dizer, então, sobre a intensa ação de astral inferior nas boates, nos cabarés e “dancings”, onde a atmosfera reinante é impregnada de constantes desejos libidinosos, sensuais, de vaidade e de ciúme? Os frequentadores desses locais pestilentos, ao se retirarem para suas casas, costumam levar encravado em suas auras pouco dessa perigosa herança. E ainda dizem, os de vida vazia, que ali foram buscar um pouquinho de felicidade... Prossigamos, no entanto: Por último, penetrou na residência de Orbone um grupo de três espíritos encapuzados, na certa hierofantes, providos de esquisitos pulverizadores. Rápidos feixes luminosos impregnaram toda a residência de salutar e benéfico magnetismo, transformando o tristonho e doentio lar em perfumado ninho de amor; dessa maneira, o Mundo Espiritual cumpriu seu dever; cumpre agora a Orbone tratar de resgatar com amor os seus erros e crimes de vidas passadas. Dona Júlia, outra médium do grupo, percebendo que o Dr. Bezerra está presente, transmite desde a seguinte mensagem: - Os CÉUS desejam, com veemência, que a classe médica desta nobre Pátria do Evangelho tome a iniciativa de estabelecer uma espécie de CONGRESSO MÉDICO DA ALMA, para estudo e pesquisa da suprema obra-prima do CRIADOR DOS MUNDOS que, no caso, é o maravilhoso conjunto “Corpo-Alma”. Tratando a ciência médica da anatomia, da fisiologia e da higiene humanas, é evidente que essa mesma ciência seria enriquecida de modo exuberante se se dedicasse ao milenário e até agora insolúvel problema:- Por que sofremos? entrelaçando-o porém, com a doutrina reencarnacionista e com a Lei do Karma, ambas tão lógicas quanto de facílima compreensão. Desta maneira, a medicina atual teria dado seu maior passo desde Hipócrates, porque os maiores flagelos de nosso planeta, isto é, a dor física e os sofrimentos morais, ficariam totalmente explicados e claros como a luz do Sol, o que certamente apressaria o tão esperado advento das bem-aventuranças para o paraíso terrestre. Logo no início das investigações, veríamos, com prazer, os nossos mais austeros cientistas e os sisudos sábios do século XX a exclamarem, admirados: - “Mas...o problema é assim tão simples?” A sessão já finalizava, quando o doente Orbone, algo confuso com tantas revelações novas, retornando à realidade de sua situação, perguntou ao irmão Polidoro: - “E sobre o meu diagnóstico, que posso saber?” Polidoro fraternalmente respondeu: - “O Doutor Bezerra, inicialmente, diria, como JESUS: - a semeadura é livre, porém a colheita é obrigatória e, quanto ao diagnóstico, na certa declararia: - Insuficiência Evangélica”.

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