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Capítulo 3 de 5

História De Um Diagnóstico — parte 1 de 2

História de um Diagnóstico Complicado

COMPLICADO

General Levino Cornélio Wischral

A nossa marcha evolutiva, pelo tempo e pelo espaço, através de complexos e milenários estágios pelos reinos mineral, vegetal e animal, objetivando alcançar a pureza dos Anjos ou Arcanjos, pode processar-se por duas maneiras, ou melhor, através de dois caminhos de progresso. Para se chegar a esse elevado grau, pleno de sabedoria e amor, temos, pois, à nossa disposição duas vias, que são: a da dor e a do amor, cuja opção é de exclusiva competência do nosso livre-arbítrio. Naturalmente, a primeira das vias é coberta de sofrimentos, lágrimas, espinhos, ranger de dentes e sangue; ainda assim, estes benditos recursos da Providência engrandecem a alma, porém com lentidão, quase sempre de modo compulsório e através do vicioso círculo de longas e emaranhadas reencarnações expiatórias, com vistas ao trabalho regenerador de resgate de crimes e erros do passado. A segunda via, a do amor, é a estrada evolutiva ideal, que os Céus estimariam que fosse percorrida por todas as criaturas, pois esta é inspirada pela Luz Divina; por isso mesmo, a evolução é de contínua ascensão, sem tropeços, rápida e perfeita. Infelizmente, a humanidade prefere a primeira via, a mais difícil, a que representa a bíblica “porta da perdição”. Enfim, podemos progredir orientados pelo bafejo da Revelação Celeste ou então sermos impulsionados pela força coerciva da dor, que nos arrastará penosa e demoradamente pelos planos inferiores das trevas. Este o intróito, que julgamos necessário fazer. Procuraremos seguir, neste comentário, uma pessoa que optou, em vidas passadas, pelo caminho mau, e isso e desde épocas remotas. O nosso estudo, ou melhor, o presente relatório será organizado com recursos os mais exatos, oferecidos pelo Mundo Espiritual para os que tratam da Mediunidade com respeito. Muito nos ajudarão a psicometria, a clarividência e o magnífico conhecimento do ainda incompreendido “Eterno Presente”. Não é nosso intuito apresentar ao público uma caprichosa e atraente narrativa, estilo ficção, tão a gosto na atualidade, porém um relatório rigoroso e verdadeiro, tipo “sinal vermelho de alerta” para a nossa conduta na sociedade. Estamos reunidos em sessão, nos moldes propostos pelo apóstolo Paulo em sua primeira epístola aos Coríntios, capítulos 12 e 14, e convictos de estar JESUS na presidência do banquete espiritual. O irmão Polidoro está com a tarefa de coordenador dos trabalhos; todos estão de mãos dadas, em potente e luminosa corrente magnética, como era de uso entre os antigos iniciados. A pessoa enferma do espírito e do corpo é o sr. Orbone J. Bórgia que está presente. Tem 45 anos de idade, foi desiludido pela medicina oficial após haver peregrinado, por mais de vinte e cinco anos, em romaria diária pelos consultórios, estações de cura, sanatórios e mesmo casas de algumas benzedeiras. Já ingeriu toneladas de produtos farmacêuticos; já foi perfurado por milhares de seringas de injeções; possui pilhas de chapas de Raio X e um aprimorado arquivo de receitas médicas; contudo, continua padecendo desesperadamente. Pouco conhece da doutrina de Allan Kardec, e menos ainda da universal lei de causa e efeito, e agora espera do Espiritismo o mágico passe da cura instantânea. Esta é a “folha corrida” de Bórgia. Após a prece inicial, o grupo desfez a corrente magnética, ficando apenas a mão direita da médium Tina, que tem faculdades psicométricas, pousada levemente sobre a mão esquerda de Orbone. Em transe, sem demora, é a sensitiva levada a enxergar, em desdobramento, por conseguinte, longe de seu corpo físico, uma distante paisagem, parecendo até anterior à Idade Média. Provavelmente, está sendo observada a legendária Assíria, e a época mostra ser mesmo antes da vinda de JESUS ao planeta. Tudo aparece com extraordinária nitidez, ainda mais apurado do que se poderia ver em moderno cinemascope ao se utilizarem óculos especiais para se viver dentro da terceira dimensão. Agora a médium convive com toda intensidade, e de modo natural, aquela remota existência, parecendo perfeitamente familiarizada com a época, possivelmente no ano 100 A.C. Lá estão habitações primitivas, tendas de pastores, caminhos difíceis, veículos pesados, animais, utensílios grosseiros, muitas pessoas em vestimentas esquisitas, inclusive o nosso enfermo presente à sessão. Todos se movimentam e falam; o ambiente é colorido, real e inconfundível; todos vivem, sentem, trabalham e repousam. A médium acha esquisito, porque ouve claramente a fala deles, quem sabe, até expressa em aramaico, etrusco, grego antigo, hebreu ou baixo latim; ela não compreende a significação das palavras em si, por não possuir tais conhecimentos; no entanto, sabem perfeitamente o que combinam e o assunto de que falam. Polidoro intervém no relato, abrindo um parêntese, para esclarecer que o psicômetra presente, de nome Jacinto, possuindo faculdades descritivas tão apuradas quanto minuciosas, possibilitaria, com os elementos por ele, então fornecidos, a reconstrução, com inacreditável fidelidade, do famoso Templo de Jerusalém, do Rei Salomão, sem que fosse omitida qualquer minudência de sua rica e exuberante arquitetura. Se quiséssemos, poderíamos enxergar, diz Polidoro, neste momento em que aqui estamos reunidos, os engenheiros fenícios, elaborando no longínquo passado, com grande afã, os cálculos, planos e projetos, traçados há quase três mil anos atrás para a edificação desse extraordinário monumento. Igualmente, seriam vistos os papiros, contendo os projetos, mesmo que estes já houvessem sido destruídos há milênios. Aliás, toda e qualquer ação do homem, mesmo em pensamento, fica estereotipada no éter cósmico, sem nunca se confundir ou desfazer. O entendimento do chamado “Eterno Presente” capacitará a criatura a sentir, ver e acompanhar a mencionada construção, que durou, talvez, oito ou nove anos, em uma fugaz fração de segundos, se muito. Lá por volta do terceiro milênio, muitos de nós, que estamos lendo essa croniqueta, havemos de olhar lá, bem atrás, e vermo-nos a nós mesmos, animando formoso cristal ou brilhante água-marinha. Veremos, após, que estávamos animando uma meiga plantinha, quem sabe a tímida sensitiva ou mesmo aquele tristonho e solitário coqueiro da praia cearense; depois, nós nos veríamos, perdoem-nos, movimentando o corpinho ágil de uma nojenta barata ou então o corpo de um cão de raça fidalga, ou mesmo o de um cavalo inteligente, que só faltava falar... Mais próximo ainda, iríamos ver-nos na floresta virgem, vivendo a figura temida de um feroz antropófago, e assim por diante, até aparecermos, docemente, volitando a bordo de nosso individual disco-voador, em direção a Marte ou vindo de Plutão. Raciocinando sobre o “Eterno Presente”, certa pessoa pede permissão para expor uma idéia deveras original e ousada. Eis o que diz: “Se tudo assim é, não tenho dúvidas de que uma equipe de psicômetras, videntes, taquígrafos, desenhistas e médiuns de incorporação, reunida com propósitos sinceros e honestos, assistida pelo Mundo Espiritual, seria capaz de recompor integralmente, e sem falhas, o Velho e o Novo Testamento, escoimando-os de erros propositais e não propositais, recolocando nos devidos lugares as confusões registradas e eliminando os acréscimos feitos com malévolas intenções”. Não julgo isso impossível, pois, quantas vezes dizem, e disso tenho certeza, que os psicômetras divisam nitidamente personagens anteriores à Era cristã, como Moisés, Isaías, Buda, Confúcio etc. Quantas vezes enxergaram a inconfundível Figura de JESUS, levando atrás d’ ELE as multidões de doentes, esfarrapados e esfaimados do Sermão da Montanha! Quantas vezes vêem a Maria, José, Apóstolos, discípulos e uma infinidade de vultos bíblicos inclusive São Lucas, hoje despido, no Espaço, do corpo daquele que entre nós foi Bezerra de Menezes, o médico mais venerado pelos espíritas! Aqui fica, pois, lançada a idéia sobre a reforma da Bíblia, para que nela pensem os entendidos... Reiniciando as atividades em torno da pessoa enferma, começa para os médiuns videntes a exposição de quadros vivos, que se sucedem com grande clareza, num luminoso encadeamento. O fenômeno é tão natural que a psicômetra se julga presente ao que enxerga. Agora é focalizada, de modo particular, a pessoa de Orbone, de aparente fisionomia à atual, usando rica roupagem de lã, enfeitada de peles e veludos, à moda, quem sabe, do Cáucaso. Ali era visto há mais de 2.100 anos atrás, Orborne atendendo pelo nome de Zaadi; era personagem importante e rica, relacionada, porém, com a exploração do tráfico ilícito de venenos. Agora, é ele visto em seu vetusto solar, recebendo a visita de excêntrico indivíduo, que vem adquirir certo pó amarelado, que a médium também pôde ver. Combinam alguma coisa com muito interesse e bem às escondidas; tudo indica tratar-se de algum violento tóxico; alguém deve ser morto sem deixar vestígios. Observa-se que o traficante é também notável alquimista da antiguidade; é seu ramo de negócio, aliás lucrativo. Agora Zaadi faz o outro cheirar o pó, naturalmente para convencê-lo de que o produto é bom e eficaz. O cheiro é suave, contudo penetrante, o que, por mais estranho que seja, é também sentido pela médium, que estremece levemente ao experimentar em suas narinas o odor, que aquele homem aspirava havia mais de dois mil anos atrás. A sensitiva dirige-se aos presentes à sessão e pede que meditem sobre mais esta pálida amostra do “Eterno Presente”. Zaadi, do legendário Cáucaso, ou seja, nosso Osborne presente à reunião, continuou seu lucrativo negócio, inescrupulosamente, contraindo, como é lógico, tristes e escabrosos débitos para serem resgatados em suas futuras vidas. E a psicômetra continua a observar Orbone, nascendo e residindo em diversos países, sempre, porém, irresistivelmente imantado ao antigo comércio dos venenos. E, como se isso não lhe satisfizesse, entregou-se também à prática da feitiçaria, tornando-se, em uma das suas vidas, um afamado mago da magia negra. Cada vez mais descambava para as profundezas do abismo criminal o nosso Orbone. Em assuntos de bruxaria tornou-se mestre, lidando com espíritos ignorantes ou perversos como se tratasse com escravos. Por dinheiro, “amarrava”, ou melhor, imantava espíritos maus às pessoas visadas para serem mortas ou acidentadas, vivendo, pois, entre bonecos de cêra, figuras exóticas, ervas venenosas, amuletos, talismãs e rezas diabólicas. Dessa maneira fora visto na Judéia, onde era conhecido pelo nome de “Isaac - o bruxo”. É identificado após, entre os anos 700 e 800, no velho Egito, pelo nome de “Hamlet – o encantador”. Ainda em recuada época, fora visto na Grécia, como fascinador, atendendo por certo nome que, em nossa linguagem, significaria o “Resolve-Tudo”. Finalmente, nesse seu rosário de perversidades fora visto em Roma, pelo ano de 1.500, intimamente ligado às tragédias dos Bórgia, cujo nome conserva, sem ser por acaso. Agora, conta-nos a médium vidente: Inspiradas pela Justiça Divina, seguiram-se muitas vidas de resgate e duras expiações, suportando Orbone as piores misérias físicas. Algumas vezes nascia morfético, outras vezes vinha como aleijado, paralítico, cego e até numa delas nasceu sem braços e sem pernas. Ainda hoje permanecem ao redor de Bórgia dezenas de espíritos vítimas de seus crimes; gritam, choram, gemem e gesticulam exigindo justiça. Bórgia já está melhorando; no entanto, a dor física continua a martirizá-lo sem cessar, e ele diz amargurado: - “Padeço injustamente”. Por conta da Pena de Talião, e dentro da Lei do Choque-de-Retorno, absorve ele grande estoque de drogas, sedativos e injeções, na ânsia de se curar, quando, ao contrário, se intoxica cada vez mais, em virtude de seu organismo não mais poder eliminar as toxinas que, mau grado seu, vão se acumulando ininterruptamente. Suas vibrações são baixas, em virtude de seu pecaminoso passado. Envolve-o uma camada de fluidos degenerados, dando pasto a monstruosa e repugnante fauna zoológica, invisível aos homens e microscópios dos investigadores. Vampirizam-no larvas, infusórios, ovoides e elementares; são entes vivos, aviltados ao ínfimo grau, em constante agitação como se estivessem continuamente excitados ou esfomeados, formando compacta e sufocante couraça em torno do enfermo. Orbone, bem a contragosto, sustenta esses pequeninos de gigantesco poder nocivo, que lhe sugam toda a vitalidade. São parasitos, que se entranham, inicialmente, na aura como venenosos estiletes, atingindo após o interior do corpo físico, onde produzem misteriosas e incuráveis moléstias indefinidas pela ciência, que, infelizmente, pouco ou nada pode fazer, por não desejar entregar-se ao estudo do conjunto “alma-corpo”. Estas perniciosas larvas fluídicas, em incalculável quantidade, agarram-se à vítima, como carrapatos ávidos de sangue, chegando a se colocarem umas sobre as outras como, mal comparando, jabuticabeira carregadinha. Se qualquer um de nós tivesse a visão de um espírito evoluído, veria naturalmente Orbone como mísero pigmeu asfixiado sob os escombros de um arranha-céu, tal massa de maldades que o comprime; em resumo: - é a sua colheita!... Chega agora a vez de a médium vidente examinar esse deprimente conjunto de Orbone, ou seja, seu corpo e sua alma. Ela nos informa que uma equipe de Socorristas Espirituais está presente à sessão; vê os doutores Bezerra de Menezes, Miguel Couto, Osvaldo Cruz, Camucet, Fajardo e outros médicos de Espaço; vê ajudantes, enfermeiras, irmãs de caridade, mesas operatórias, bandejas de remédios, aparelhos e instrumental cirúrgico os mais modernos, ainda nem sonhados pelo homem terreno. A médium nota que Orbone é anestesiado por um Espírito, por meio de instantâneo passe-de-sopro. Um dos auxiliares liga pequenino aparelho à corrente elétrica, aproveitando, com espanto da vidente, a própria rede de nosso recinto. Apenas feito o contato do aparelho com qualquer parte carnal do enfermo, todo o interior do corpo anatômico se ilumina, irradiando intensa luz, expondo com abundantes pormenores a totalidade dor órgãos, que, translúcidos, se apresentavam trabalhando como incomparável máquina divinal. Orbone de nada se apercebeu, nada viu, nada sentiu, permanecendo indiferente a tudo; enquanto isso, a médium estremece, perplexa ante aquela coluna de luz viva, daquele magnífico instrumento de carne, que DEUS concede às criaturas para sua evolução. É visto o sangue a correr no interior das veias os pulmões a respirarem em harmoniosas contrações e dilatações; a encantadora faina do fígado, do coração e dos rins a distribuírem vitalidade através das engrenagens da máquina. Tudo é visto com extrema exatidão, como que através de poderosa lente de aumento; até o cérebro, coisa notável, é percebido envolto por uma camada multicor, que o médico O. Cruz diz serem pensamentos recebidos ou gerados pelo paciente, e que tomam a cor , a forma e a configuração daquilo sobre o que Orbone está raciocinando. É incrível; no entanto, até a delicadíssima e alegre agitação das células microscópicas pode ser observada. Como todas as coisas de DEUS, o que se desenrola na sessão, no plano etérico, era incomparavelmente nítido e fulgurante, sem, no entanto, ofuscar a vista dos apreciadores videntes! Enquanto o nosso complicado Raio X enxerga com dificuldades enormes de fora para dentro, aquele insignificante aparelho, do tamanho de uma caixa de fósforo, ilumina os mais ocultos escaninhos de dentro para fora. Quando permitido pela LEI SUPREMA, os Médicos invisíveis, utilizando instrumentos minúsculos, como o visto na nossa sessão, podem operar, curar ou desmaterializar raízes cancerosas, fístulas, úlceras, furúnculos etc; operações espirituais são operadas com tal êxito que não deixam vestígios ou cicatrizes; e o povo diz então: - são “milagres”. Aliás, para convencer a turma dos “São Tomés”, tais cicatrizes são algumas vezes deixadas à vista, de propósito, mas nem assim eles acreditam... Os Facultativos Espirituais focalizam, em seguida, o revestimento exterior do paciente, examinando a incômoda e grossa camada de fluidos, que o enfaixa, e na qual parte de uma imensa fauna de larvas e elementares vive agarrada, parte entranhada nas carnes de Orbone. Os Socorristas ficam até penalizados ao examinarem aquele repugnante complexo. A médium nota que chega um grande número de espíritos; são estudantes das universidades do Espaço; são observadores, médicos recém falecidos na Terra, e outros que foram convocados para estudar esse caso bastante raro. Todos se acomodaram ao redor do enfermo colocado no centro de pequeno anfiteatro; nós, os encarnados, também estávamos ali entrelaçados com os invisíveis, sem que, para eles, constituíssem obstáculos. O imediato do Dr. Bezerra, com uma varinha na mão, aponta os agregados hostis à superfície da epiderme do enfermo; de vez em quando introduz a varinha “mágica” no interior dos rins, o fígado, coração e cérebro, para apontar e denunciar infusórios, que, aos milhares, sugam as poucas energias do paciente. Agora, ele nos aponta estranhas e nojentas configurações animalescas, que se movimentam na aura lodacenta do enfermo, em gomosa substância; são espíritos, não há dúvida, que tanto desceram na escala do aviltamento moral, que hoje são apenas torpes, inconscientes e informes excrescências com aspecto de horríveis bichos, vegetando no meio a que foram atraídos por vibrações afins ou por simpatia. A terminologia espírita, no dizer do cientista espiritual André Luiz, classifica tais seres de ovóides. A médium atemoriza-se, surpreendida, ao observar aquelas criações fluídicas, invisíveis aos olhos humanos. Aparecem lagartas negras, polvos e longos e penetrantes tentáculos, minúsculas serpentes, lesmas, cavalosmarinhos, ziguezagueando velozes; este macabro conjunto fora visto colado ao peito de Orbone. É incrível o panorama! A médium esfrega os olhos, pensando haver penetrado num mundo fantástico, onde o mito, a utopia e o mistério tomam milagrosamente formas reais! Ela dis preferir ver tudo calada, pois acha impossível e mesmo incompreensível o que está vendo. O nosso dirigente Polidoro solicita, então, dos presentes, o concurso de uma maior dose de energia magnética para a sensitiva algo enfraquecida e hesitante. Restabelecido o equilíbrio, continua a pesquisa. Eis que em torno do cérebro são vistas formas de ouriços marinhos, actínias e medusas firmemente agarradas à cabeça, exaurindo as já diminutas reservas mentais do paciente. Na altura dos órgãos genitais são vistas asquerosas formas de varejeiras sem asas, pulgões brancos, escorpiões, de coloração azulácea, enquanto que pela altura do ânus se notavam repulsivas aranhas peludas e insetos parecidos com gorgulhos. O aglomerado no interior e sobre o plexo solar era constituído de seres horripilantes, que se assemelhavam a tênias, carrapato e sanguessugas. Pelas mãos e pelas pernas eram vistos crustáceos, que se assemelhavam a lagostas e caranguejos, impedindo os movimentos desses membros. Realmente, é inacreditável a descrição desses compactos aglomerados de seres fluídicos, vivos, cada vez mais entranhados no corpo de carne. Poucos, na certa, acreditarão; contudo, não importa! Por ser oportuno, esclarecemos que há médiuns de efeitos físicos com a possibilidade de extrair, por exemplo, da aura do enfermo, um desses cavalos-marinhos invisíveis, que se materializam à vista dos incrédulos, continuando vivos por muito tempo. Ainda hoje existe, na Capital Federal, praticamente extraída do ar, uma dessas criações retirada de trás de uma estante de livros; é uma enorme serpente materializada, pesando aproximadamente quarenta quilos. Continuam sendo vistos, no plano imponderável, pelos clarividentes, animais exóticos, larvas repugnantíssimas, cuja existência é totalmente desconhecida dos zoologistas. São de aparência medonha; verdadeiros fantasmas, que nos fariam correr de terror; estes

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