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Capítulo 3 de 43

Dedicatória

Cartas e Crônicas · Chico Xavier, pelo espírito Humberto de Campos

Num belo apólogo conta Rabindranath Tagore que um lavrador, a caminho de casa, com a colheita do dia, notou que, em sentido contrário, vinha suntuosa carruagem, revestida de estrelas. Contemplando-a, fascinado, viu-a estacar, junto dele, e, semi-estarrecido, reconheceu a presença do Senhor do Mundo, que saiu dela e estendeu-lhe a mão a pedir-lhe esmolas.

O quê? - refletiu, espantado - o Senhor da Vida a rogar-me auxílio, a mim, que nunca passei de mísero escravo, na aspereza do solo?

Conquanto excitado e mudo, mergulhou a mão no alforje de trigo que trazia e enfrentou ao Divino Pedinte apenas um grão da preciosa carga.

O Senhor agradeceu e partiu.

Quando, porém, o pobre homem do campo tornou a si do próprio assombro, observou que doce claridade vinha do alforje poeirento. O grânulo de trigo, do qual fizera sua dádiva, tornara à sacola, transformado em pepita de ouro luminescente.

Deslumbrado, gritou:

- Louco que fui! . Porque não dei tudo o que tenho ao Soberano da Vida?

Na atualidade da Terra, quando o materialismo compromete edificações veneráveis da fé, no caminho dos homens, sabemos que o Cristo pede cooperação para a sementeira do Evangelho Redivivo que a Doutrina Espírita veicula. E, entregando este livro humilde à circulação das idéias renovadoras - trabalho despretensioso que não chega a valer um grão de trigo da verdade -, imagino nestas cartas e crônicas, que passo às mãos de leitor amigo, um punhado de acendalhas para o lume da Nova Revelação, e repito, reverente, ante a bondade do Eterno Amigo:

- Ah! Senhor! . Compreendo a significação de teus apelos e a grandeza de tua magnificência, mas perdoa ao pequenino servo que sou, se nada mais tenho de mim para te dar!

Uberaba, 18 de abril de 1966.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.