[user_registration_my_account]
Capítulo 3 de 3
Allan Kardec — parte 3 de 3
Allan Kardec – Sua Vida e Sua Obra · André Dumas
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE O MÉTODO DE ALLAN KARDEC Em A Gênese, o fundador do espiritismo moderno afirma que "a ciência é convocada a constituir a verdadeira gênese, conforme as leis da natureza (27) que "se a religião se recusar a caminhar com a ciência, a ciência prosseguirá só" (28), e que: "Enquanto o homem não conheceu as leis que regem a matéria, e enquanto não pôde aplicar o método experimental, andou errando de sistema em sistema no tocante ao mecanismo do universo c à formação da Terra. Tanto na ordem moral como na ordem física se tem dado o mesmo; a fim de fixar as ideias tem faltado o elemento essencial: o conhecimento das leis do princípio espiritual. Este conhecimento estava reservado à nossa época, como o conhecimento das leis da matéria foi obra dos dois últimos séculos." (29) Em Obras Póstumas, os textos da Constituição do Espiritismo afirmam nitidamente a necessidade de precisão e clareza em todos os pontos da doutrina e o seu caráter essencialmente progressivo: (27) Cap. IV, § 3, 15, 16, 17. (28) Idem, § 9. (29) Idem, § 15.
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE Porque ela não se deixa embalar por sonhos irrealizáveis no presente, não se segue que deva imobilizar-se. Apoiada exclusivamente nas leis naturais, não pode variar mais do que essas leis, mas se uma nova lei for descoberta, deve juntar-se às demais; não deve fechar as portas a qualquer progresso sob pena de se suicidar; assimilando todas as ideias conhecidas como justas, quer sejam de ordem física ou metafísica, nunca será ultrapassada, sendo esta uma das principais garantias da sua perpetuidade. (30) O exame profundo da obra de Allan Kardec, de toda a sua obra, permite-nos não nos afastarmos das linhas essenciais e definir claramente sua metodologia: O espiritismo — escreve ele — dirige-se aos que não crêem ou que duvidam, e não aos que têm fé e aos quais esta lhes basta; ele não diz a quem quer que seja que renuncie ás suas crenças para adotar as nossas e nisto é coerente com os princípios de tolerância e de liberdade de consciência que professa... acolhei dedicadamente os homens de boa. vontade, dai-lhes a luz que procuram, pois com os que julgam já possui-la não tereis êxitos. (31) (30) Obras Póstumas, Constituição do Espiritismo, II - Dos Cismas. (31) Revista Espirita, dezembro, 1863, p. 367.
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE Não deixaremos, contudo, de nos dirigir aos crentes, mas principalmente aos que nos procuram, pois muitos deles se tornaram materialistas por indiferença ou à falta de melhor: Apresentemos-lhes alguma coisa de racional e eles a aceitarão pressurosos. Esses poderão compreender-nos, porque estão mais próximos de nós do que poderíamos supor. Mas, aos materialistas diremos: Não falemos nem de revelações, nem de anjos, nem do paraíso; eles não nos compreenderão; mas se nos colocarmos no seu terreno, provar-lhes-emos, porém, que as leis da filosofia são suficientes para nos dar razão, o resto virá em seguida. (32) E Allan Kardec precisa o seu pensamento numa passagem que consideramos essencial e de extrema importância: No espiritismo, a questão dos espíritos está em segundo lugar, não constituindo seu ponto de partida... Sendo os espíritos simplesmente a alma dos homens, o verdadeiro ponto de partida, é, portanto, a existência da alma. Ora, como pode então o materialista admitir a existência de seres que vivem fora do mundo material, quando ele próprio se (32) O Livro dos Médiuns, 1ª. parte, cap. III, § 21.
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE considera apenas matéria? Como pode ele crer na existência de espíritos à sua volta? Se não admite o seu próprio espírito? Em vão se acumularão aos seus olhos as provas mais palpáveis que ele contestará, porque não admite tal princípio. Todo o ensino metódico deverá partir do conhecido para o desconhecido; para o materialista, o conhecido é a matéria; parti, pois, da matéria e procurai antes de tudo demonstrar-lhe que há nele próprio alguma coisa que escapa às leis naturais; numa palavra, antes de torná-lo espírita, procurai fazê-lo espiritualista; mas para isto, torna-se necessária outra ordem de fatos, devendo-se proceder, por outros meios a um ensino muito especial; falar-lhe de espíritos antes de ele estar convencido de que tem uma alma é come çar pelo fim, pois ele não poderá admitir conclusões sem que aceite premissas.
Antes, porém, de se tentar convencer o incrédulo, mesmo através dos fatos, devemos assegurar- -nos da sua opinião sobre a existência da alma, ou seja, se ele crê na sua sobrevivência ao corpo, na sua individualidade após a morte; e se a sua resposta for negativa, então terá sido tempo perdido falar-lhe de espíritos. (33) Este "ensinamento muito especial", ao qual Allan Kardec faz alusão e consiste em começar pelo começo, conforme mais tarde o afirmou Alexandre (33) O Livro dos Médiuns, 1ª. parte, cap. III, § 19.
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE Aksakof, Camille Flammarion, Ernesto Bozzano e Gabriel Delanne, destina-se, antes de tudo, ao estudo e à demonstração, nos seres vivos, de faculdades além das limitações corporais — demonstração que hoje em dia constitui a missão histórica da parapsicologia — daquelas faculdades que envolvem a atividade autônoma da alma. São estes conhecimentos conseguidos através de uma investigação metódica do conhecido ao desconhecido, servindo a primeira demonstração de introdução ao estudo das manifestações póstumas, por uma aproximação de conclusões e a partir de premissas, e a segunda demonstração como complemento da primeira, ou seja, a sobrevivência da alma, tal como afirmou vigorosamente o grande filósofo Henri Bergson — perante qualquer decepção que possamos experimentar quanto aos parapsicólogos que se preocupam em não nos deixar sair do campo materialista — "se os fatos, estudados independentemente de todo o sistema nos levam, pelo contrário, a considerar a vida cerebral, a sobrevivência torna-se tão verossímil que a obrigação de a provar competirá antes àquele que o nega do que ao que a afirma porque, a única razão para crer na destruição da consciência após a morte é a visão da decomposição do corpo, e esta razão deixa de ser válida se a independência da quase totalidade da consciência relativamente ao corpo é ela própria também um fato." (34) (34) Henri Bergson: Fantasmas de Vivos e Investigação Psíquica (discursos presidenciais na Sociedade de Investigações Psíquicas de Londres, 28 de maio de 1913), em A Energia Espiritual (Imprensa Universitária de França).
Edição Digital: Pense - Pensamento Social Espírita www.viasantos.com/pense março de 2009
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.