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Capítulo 2 de 3
Allan Kardec — parte 2 de 3
Allan Kardec – Sua Vida e Sua Obra · André Dumas
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE A unidade de substância é muito claramente enunciada. Allan Kardec, com a sua ponderação habitual, acentua: O oxigênio, o hidrogênio, o azoto, o carbono e todos os corpos que nós consideramos simples não são mais que meras modificações duma substância primitiva. Na impossibilidade em que ainda nos encontramos de remontar, a não ser pelo pensamento, a esta matéria primitiva, esses corpos são para nós verdadeiros elementos, e podemos, sem maiores consequências, considerá-los como tais, até nova ordem. A possibilidade das transmutações (que se obtêm nos laboratórios actuais de física atômica) é igualmente designada como conseqüência normal da unidade da matéria: A mesma matéria elementar é susceptível de experimentar todas as modificações e de adquirir todas as propriedades? — Sim, e é isso que se deve entender quando dizemos que tudo está em tudo. Quanto a sabermos se isto é exato, "a opinião dos que não admitem na matéria mais do que dois elementos essenciais: a força e o movimento, entendendo que todas as demais propriedades não passam de efeitos secundários, que variam em conformidade à intensidade da força e à direcção do movimento", os instrutores invisíveis respondem afir-
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE inativamente, mas insistem na estrutura interna dos elementos: Esta opinião é exata. Falta somente acrescentar que, também, segundo a disposição das moléculas, como se vê, por exemplo, num corpo opaco que se pode tornar transparente e vice-versa. Quanto à forma das moléculas ele é: Constante para as moléculas elementares primitivas, mas variável para as moléculas secundárias, que são aglomerações das primeiras. Isso a que chamais moléculas está ainda longe da molécula elementar. (15) Esta última consideração dá-nos a conhecer claramente os constituintes inter-atômicos de hoje em dia, tais como os electrões, os protões, os neutrões, demonstrando seguidamente e sem ambiguidade a afinidade entre a matéria e a eletricidade: O fluido universal, ou primitivo, ou elementar... é suscetível de inúmeras combinações: o que chamais de fluido elétrico, fluido magnético, são modificações do fluido universal, que não ê, propriamente dito, senão matéria mais perfeita, mais sutil e que se pode considerar independente. (16) (15) Allan Kardec: O Livro dos Espíritos, 1857, livro I, cap. II, § 24 a 30. (16) Allan Kardec: O Livro dos Espíritos, livro I, cap. II, § 27.
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE A infinita variedade de formas e graus de condensação da matéria existente no universo tem sido ao longo dos tempos designada por matéria, pois entendemos que matéria é tudo aquilo que impressiona nossos sentidos e é impenetrável: Do vosso ponto de vista isto é exato, porque não falais senão do que conheceis; mas a matéria existe em estados que ignorais. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil que nenhuma impressão vos cause aos sentidos. Contudo, é sempre matéria, embora não o seja para vós. (17) Com efeito, a ciência moderna revela-nos hoje em dia a existência no universo de estados extremamente rarefeitos da matéria; assim, a substância da estrela da Antares é um gás em média mil vezes mais impalpável do que o ar que respiramos. A densidade das nebulosas visíveis, como a Orion, é um milhão de vezes inferior à máxima até hoje conseguida do vácuo e obtida nos laboratórios terrestres. Apesar disso, a densidade destas nebulosas é ainda dez mil vezes superior à das "nuvens cósmicas provenientes dos nevoeiros que dificultam as observações astronômicas". (18) A confirmação científica dos ensinamentos referentes à matéria recebidos por Allan Kardec, demonstram-nos ao mesmo tempo a evidente possi- (17) Allan Kardec: O Livro dos Espíritos, livro I, cap. 11, § 22. (18) Jetan Tribaud: Energia Atômica e Universo.
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE bilidade do caráter mais ou menos "fluidico" ou mais ou menos "tangível" das formas espirituais materializadas, no decorrer das sessões espiritas. * * *
Em 1905, um investigador nessa data ainda desconhecido, chamado Albert Einstein, demonstrou matematicamente a equivalência da matéria e da energia. Resultando — todas as técnicas "nucleares" são baseadas neste fato — que a matéria é a energia em movimento e que a massa é em função da velocidade. São os movimentos extremamente rápidos das "partículas" da energia dentro dos átomos, que produzem a massa da matéria. Sabemos, no entanto, que a energia considerada até hoje como essencialmente impenetrável, possui uma massa e que, por exemplo, a energia irradiada pelo sol proveniente da sua substância, representa quatro milhões de toneladas de luz. Ora, em O Livro dos Espíritos lemos: (19) A ponderabilidade é um atributo essencial da matéria? — Da matéria tal como a entendeis, sim; mas não da matéria considerada como fluido universal. A matéria etérea e subiil que constitui esse fluido é para vós imponderável, e nem por isso deixando de ser princípio da vossa matéria pesada. (19) Allan Kardec: O Livro dos Espíritos, 1, cap. II, § 29.
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE Se substituirmos "fluido", "matéria etérea", por energia, a resposta está perfeitamente de acordo com as concepções e conceitos modernos. Allan Kardec igualmente afirma: "a gravidade é uma propriedade relativa: fora das esferas de atração dos mundos, não há peso, do mesmo modo que não há alto nem baixo", bastará substituir "esferas de atração dos mundos" por "campos de gravidade" e assim obteremos uma expressão cientificamente mais exata quanto à linguagem contemporânea.
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE ALLAN KARDEC EVOLUCIONISTA O codificador do espiritismo moderno não foi somente um precursor no domínio da constituição energética da matéria, mas também no da biologia. Ensinou a transformação progressiva das espécies e a origem animal do homem. Exprimindo-se claramente a este respeito na sua obra de síntese, A Gênese, publicada em 1868: Por pouco que se observe a escala dos seres vivos do ponto de vista orgânico, reconhece-se que, desde o líquem até à árvore e desde o zoofito até ao homem, existe uma cadeia que se eleva gradativamente sem solução de continuidade, cujos anéis têm um ponto de contato com o anel precedente: acompanhando passo a passo a série dos seres, diríamos que cada espécie é um aperfeiçoamento, uma transformação da espécie imediatamente inferior. Visto que o corpo do homem está em condições idênticas aos outros corpos, química e constitucionalmente, que ele nasce, vive e morre da mesma maneira, ele deverá ser formado nas mesmas condições.
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE Ainda que possa ferir o seu orgulho, o homem tem de se resignar a não ver em seu corpo material mais do que o último anel da animalidade na Terra. È este o inexcedível argumento dos fatos, contra o qual ele protestará em vão. (20) Aliás, não foi necessário aguardar 1868 para ele nos ensinar a doutrina da evolução. A este propósito, o capitão Bourgés escreveu no seu trabalho intitulado Psicologia Transformista, Evolução da Inteligência: (21) "No decurso da sua viagem espirita em 1862, Allan Kardec visitou-nos em Provins, onde nos encontrávamos em guamição militar. Tivemos a satisfação de ter o Mestre entre nós, durante alguns dias. Em suas conversas, ele não escondia a nossa origem animal, falando-nos do progresso que o espírito tem de conseguir para chegar à perfeição. Recomendava- -nos, essencialmente, que aprofundássemos todos os ramos da ciência, assegurando-nos que através dela nos elevaríamos e encontraríamos em O Livro dos Espíritos os elementos que deveríamos conhecer e abraçar. Assim, em 1868 demos-lhe conta do andamento dos nossos trabalhos e da descoberta que julgávamos ter feito nos estudos das obras de Darwin, quanto à evolução do espírito, tal como hoje nos é apresentada." (20) A Gênese, cap. X, § 28. (21) Citado por Ch. Truffy, Palestras Espíritas, 2ª. Palestra, pp. 157-158.
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE Portanto, três anos somente após a publicação de A Origem das Espécies para a Seleção Natural, por Charles Darwin, dois anos antes do trabalho de Thomas Huxley, O Lugar do Homem na Natureza, no qual ele proclamava o parentesco do macaco e do homem, já Allan Kardec ensinava a origem animal do homem, enquanto que o próprio Darwin somente em 1871 abordou abertamente este problema em A Descendência do Homem. Isto acontece numa época em que eminentes homens, como Fabre, Flouriens, Claude Bernard e Quatrofages, uns porque eram discípulos de Cuvier, outros por razões de ordem religiosa, se opunham ao evolucionismo e sustentaram em França uma tal oposição a estas novas ideias que, em 1873, o Instituto de França recusa eleger Darwin como seu correspondente estrangeiro. Basta situarmos Allan Kardec no ambiente intelectual da sua época, para bem avaliarmos até que ponto o seu pensamento era vanguardista.
Ele já havia, com efeito, ultrapassado, antes de Henri Bergson, Gustave Geley ou Teilhard de Chardin, a etapa estritamente materialista que o evolucionismo atravessou no seu início: Quanto mais o corpo diminui de valor a seus olhos (os olhos do homem), mais o princípio espiritual ganha importância; se o primeiro o nivela com os ignorantes, o segundo o eleva a uma altura incomensurável. Vemos o círculo onde o animal se detém; não vemos o limite que possa alcançar o espírito do homem.
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE O materialismo pode, por aí, perceber que o espiritualismo, longe de pôr em dúvida as descobertas da ciência, e sua atitude positiva, vai mais longe provocando-as, pois é certo que o princípio espiritual, que tem sua existência própria, não pode sofrer nenhum dano. O espiritismo caminha a par com o materialismo, no terreno da matéria; admite tudo o que este admite; porém, onde o materialismo se detém, o espiritismo prossegue. O espiritismo e o materialismo são como dois viajantes que caminham lado a lado, partindo do mesmo ponto; chegados a uma certa distância, um diz: "Não posso ir mais longe"; o outro continua a sua rota e descobre um mundo novo. (22) Substituamos "materialismo" por "parapsicologia" e teremos um mesmo programa de colaboração e de adiantamento que caracteriza o esforço da renovação que atualmente prosseguimos. (22) A Gênese, cap. X, § 29-30.
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE ALLAN KARDEC E AS RELIGIÕES É situando o pensamento e a obra de Allan Kardec no contexto da sua época que poderemos apreciar o seu caráter vanguardista, sob o ponto de vista científico. Da mesma forma podemos compreender as suas posições quanto às questões religiosas. Quando estudamos atentamente a obra de Allan Kardec, nela encontramos três períodos distintos: após a exposição da doutrina, a parte filosófica da ciência espirita em O Livro dos Espíritos e depois a parte experimental, com a teoria científica dos fenômenos e sua classificação, em O Livro dos Médiuns. Num segundo período, apercebemo-nos de que Allan Kardec perante o sucesso inesperado do seu primeiro trabalho, sentiu-se na necessidade não só de renunciar ao isolamento e à sua tranquilidade, como também de responder às insistentes solicitações de milhares de correspondentes ávidos de conhecer o espiritismo, embora não desejassem romper com as suas crenças, às quais se encontravam radicados. É este um período insólito e que poderemos considerar de concessão à socie-
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE dade. É assim que Allan Kardec — que embora desde a sua juventude tivesse acalentado a esperança duma reforma evangélica do cristianismo — sentindo-se na obrigação de esclarecer, quanto à sua religião, os cristãos que se lhe dirigiam, publica a Imitação do Evangelho, título primitivo do Evangelho Segundo o Espiritismo, e seguidamente O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo. Entre estas obras e A Gênese, publicada mais tarde, medeia um pequeno período em que o "crente" cristão e o professor de ciências parecem dominar-se alternadamente e cujas contradições não podem escapar a uma análise atenta (o espiritismo estava definido não só como uma ciência positiva, tendo por base a observação dos fatos sem ideia preconcebida, como também a revelação dos ensinamentos de Jesus) e que caracterizam este seu período de confusão e mesmo de retrocesso, se considerarmos as suas consequências atuais, pois encobre gravemente o caráter não confessional, laico e universal da doutrina em sua essência.
É exclusivamente nesta parte da obra kardequiana que se apoiam as correntes ideológicas que pretendem ignorar os seus dois primeiros trabalhos e os cinco anos de pensamento ativo que decorreram entre a publicação de O Evangelho Segundo o Espiritismo e o falecimento do Mestre, pretendendo fazer do espiritismo — isto para grande satisfação dos seus adversários — uma nova religião, tendo em vista uma certa forma de cristianismo, baseada num esquema muito elementar afastado quanto possível da real e complexa evolução religiosa da humanidade, a de uma "terceira revelação"; a dos
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE espíritos, em seguimento da segunda, a do Cristo, e que sucede à primeira, a de Moisés! * * * No entanto, a ideia do caráter universal e evolutivo do espiritismo, distinto de todos os cultos e encontrando a sua força essencial na observação científica e indução racional, domina toda a sua obra. Na sua viagem de 1862 junto dos vários grupos da província, ele declarou que "se o espiritismo se colocasse abertamente no terreno de qualquer religião, ele se afastaria das outras", perpetuando assim "o antagonismo religioso que ele pretende esbater", que "as questões de moral são de todas as religiões e de todos os países" e que "o espiritismo é um terreno neutro no qual todas as opiniões religiosas se podem encontrar e dar as mãos." (23). Talvez que se Allan Kardec tivesse nascido num país muçulmano, as circunstâncias fossem outras, e ele poderia ter escrito, com maior ou menor oportunidade, "O Alcorão Segundo o Espiritismo", ou se até tivesse nascido na Índia, "O Upanishads e o Bhagavad-Gita Segundo o Espiritismo". Se os estudos sobre os textos sagrados da Índia antiga na época de Allan Kardec estivessem sufi- (23) Allan Kardec: Viagens Espiritas em 1862. Instruções particulares dadas nos grupos em respostas a algumas das perguntas formuladas, XI.
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE cientemente desenvolvidos, certamente que ele não teria sido menos categórico, quanto ao valor dos seus ensinamentos, do que o foi o papa João XXIII quando da sua viagem à Índia. Este ponto de vista é confirmado pela análise que insere na "Introdução" de O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864), comparando a doutrina de Sócrates e Platão aos princípios do espiritismo, e ainda pelo profundo estudo dedicado a Maomé e o islamismo (Revista Espirita, agosto e novembro de 1866) e, remontando às suas origens, descreve a mediunidade de Maomé, contesta a veracidade das narrativas difamantes, "acentua" o profundo sentimento de piedade que o animava, a ideia grande e sublime que ele fazia de "Deus", cita passagens do Alcorão relativas ao retorno à Terra "para nos corrigirmos" e a "máxima caridade e tolerância que gostaria de ver em todos os corações cristãos". (24) É a aurora dum terceiro período, a que pode- (24) As línguas, literaturas e religiões da Índia e da Pérsia eram muito pouco conhecidas no Ocidente naquela época.
Foi o sábio orientalista Eugênio Burnouf (1801-1852} que reconstituiu, com a ajuda do sânscrito, a língua zenda empregada nos livros sacros iranianos e atribuídos a Zoroastro (Zaratustra). Através de outros trabalhos muito importantes, Burnouf revelou a origem, os princípios e a história do budismo. O primeiro tomo da sua Introdução à História do Budismo foi publicado em 1844. Sabemos no entanto que todo o período decorrido entre 1828 e 1849 foi inteiramente consagrado por Léon Rivail, o futuro Allan Kardec, à reforma do ensino e a seus trabalhos pedagógicos. Ele não teve nessa altura nem posteriormente, conhecimento destas investigações no domínio das religiões, pois deixou-se empolgar pela expansão do movimento que havia criado e promovera.
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE remos chamar de reparação e prosseguido por Allan Kardec até à sua morte. Um desses últimos testemunhos, que por desejo unânime dos seus mais próximos colaboradores a "Sociedade Espírita", é o dólmen erigido em seu túmulo, como "a mais expressiva demonstração do caráter do homem e a obra que ele se esforçou por simbolizar" (Revista Espirita, junho de 1869). Dólmen evocador da filosofia céltica que Allan Kardec tanto admirava e que, desde a introdução do cristianismo na Gália, foi objeto — não o podemos ignorar — de cruéis perseguições, cujos monumentos, usos e tradições foram sistematicamente destruídos e desfigurados.
Este período de reparação ou correção, manifesta-se muito nitidamente com a publicação de A Gênese, Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo em janeiro de 1868, onde a noção de "revelação" ultrapassa o caráter um pouco primário que imprimiu nos seus dois trabalhos precedentes, a fim de apresentar a revelação permanente, contínua e progressiva da ciência, como início para o estudo do mundo físico (astronomia, geologia, paleontologia, fisiologia) e culminando no conhecimento do mundo espiritual. Este aspecto fundamental, consolidado pelo pensamento de Allan Kardec, do qual Gabriel Delanne, através da sua obra científica, foi o continuador e porta-voz quando declarava que "o espiritismo se suicidaria se se deixasse arrastar por certas formas cultuais existentes hoje em dia" (25) — se afir- (25) Gabriel Delanne - As Conseqüências Filosóficas do Espiritismo, Revista Científica e Moral do Espiritismo, outubro de 1910.
ALLAN KARDEC, SUA VIDA E SUA OBRA - André Dumas PENSE ma ainda no seu Projeto da Constituição do Espiritismo publicado na Revista Espirita (dezembro de 1868) que com seus comentários e outros textos da mesma revista recolhidos por P. G. Leymarie e publicados em Obras Póstumas, constituem de fato o testamento filosófico de Allan Kardec. Confirma ele, ainda mais categoricamente, o caráter não cultual, não-sectário, não-religioso do espiritismo, que "teve como todas as coisas o seu período primário" e que definia como "resultante de milhares de observações feitas em todos os pontos do Globo, que lhe eram enviadas e que ele coligia e coordenava". Ainda, no último número da Revista Espirita redigido por ele (abril de 1869) e que saiu a público no próprio dia do seu falecimento (31 de março de 1869), ele comparava a "profissão de fé espirita americana", aos princípios fundamentais da doutrina segundo "a escola europeia" tal como ele os enunciava (26) — última expressão que deu à doutrina — confirmando claramente o caráter estritamente científico-filosófico desta e a sua neutralidade total perante quaisquer tradições religiosas. Estes princípios fundamentais, que vêm enunciados no final do presente trabalho, completam, assim, o preâmbulo do Credo Espirita. (26) Revista Espirita, abril de 1869, pp. 102 e 106.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.