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Capítulo 34 de 35
Confiante
Além da Morte · Divaldo Pereira Franco, pelo espírito Otília Gonçalves
O tempo abençoava-me a vida com as excelentes oportunidades de serviço e aprendizado. A morte não me ceifara a felicidade de trabalhar. Ao contrário, desdobrarame as possibilidades de produzir. A vida que não cessa é acionada pelo trabalho que não pára. Em toda parte o trabalho é a alavanca básica de movimentação mantenedora do equilíbrio. Patrimônio legado pela Divindade, o trabalho representa honra e glória para o espírito sedento de evolução e aprimoramento. Enquanto nos retemos na vida física, não sabemos valorizar-lhe a expressão contribuinte para a integração no Bem Sem Limites. Constitui-se mais desagradável obrigação, da qual necessitamos libertar-nos, do que propriamente, bênção substancial de harmonia interior e satisfação evolutiva. Por educação deficiente, vemos no trabalho um meio de subsistência e acúmulo de pertences que, entretanto, passam com o tempo.
No mundo do espírito, descobrimos surpresas, que tal mister, longe de ser uma imposição é, em realidade, uma oportunidade abençoada, porqüanto, tudo girando em torno da construção incessante, a alma se sente honrada com o prêmio de cooperar na sublimação de todas as coisas. Entibiada pelo interesse imediatista, no plano físico, a alma encarcera-se num modo deficiente de examinar a vida e desrespeita a concessão da luta, descobrindo meios de fuga e lucros. Através de leis sutis e hábeis, que encurtam o horário do labor, conclamando o homem à ociosidade e à insensatez, num repouso imerecido, onde a mente livre de responsabilidade e preocupação elevada se entrega aos hábitos depressivos, o homem perde a alegria e o ânimo, fazendo do trabalho um adversário da paz íntima... Sem o objetivo mais nobre que o trabalho sugere, o homem se faz um autômato inconsciente, sem roteiro, perdendo-se em si mesmo, entre inquietações e repetições de falsas necessidades, adquirindo neuroses e psicoses que terminam por destruir-lhe a vontade.
Na esfera nova de lutas, onde me encontro, o Espírito deseducado no dever experimenta agonias indescritíveis, porque evolução é fruto de lutas que não cessam e felicidade é resultado do dever bem cumprido. Só o dever realmente vivido pode responder com favores recíprocos aos apelos veementes do espírito. Procurei, em razão de tudo isso, ajustar-me ao programa de conquistas, alojando no íntimo os propósitos humildes de esforçar-me e vencer-me através do desenvolvimento de recursos, na dedicação ao serviço de cooperação. Em face de tantas concessões da vida ao meu espírito atribulado e cheio de dívidas, um horizonte glorioso desabrocha risonho à minha alma ansiosa por liberdade e amplidão. A misericórdia celeste pode ser entendida fora dos limites apertados dos dogmatismos religiosos e o Pai Amantíssimo parece crescer em mim, de maneira empolgante e entusiástica. Em toda parte, minha filha, a vida desenrola-se num dossel maravilhoso de promessas e harmonias. A noite é sucedida pelo dia. A dor afastada pela saúde.
Oódio superado pelo amor. Omedo dominado pelo fervor da coragem. E a fé, rutilante e imponente, clareia-nos hoje a senda, convidando-nos à conquista. Arrebentam-se as cadeias da crença tradicional e a realização intelectiva proporciona um patrimônio inestimável para a vitória certa. De alma confiante, contemplo o porvir. Muitos e sucessivos obstáculos se erguem ainda à minha frente, aguardando superação e conquista. Mas, com o Senhor no coração e na mente, não me atemorizo. Com a claridade do entendimento lúcido, o resgate que me convoca a retorno oportuno ao caminho do dever reencarnacionista, se, por um lado, me faz meditar profundamente, por outro, não me atemoriza, embora eu compreenda e sinta quantas quedas e recuos ocorrem na liça das batalhas. Encontro-me informada, hoje, de muitos que fracassam, nas tarefas em que seguem empenhados, muito antes de entrarem nelas. Os adversários do ontem cerceiam-nos a marcha, dificultam-nos as possibilidades, distendem-nos espinhos ou nos amolecem o caráter na comodidade e no prazer. Mas sigo confiante no Senhor Jesus, Guia e Amigo Nosso, que jamais Se esquece de socorrer os servos mergulhados nos ásperos combates. Nele confio. Nele deposito todas as esperanças, oferecendo-Lhe a existência, mil vezes, se necessário, pela infinita ventura de honrá-lo e amá-lo.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.