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Capítulo 2 de 35
Esclarecimentos Oportunos
Além da Morte · Divaldo Pereira Franco, pelo espírito Otília Gonçalves
“Vi logo que cada Espírito, em virtude de sua posição pessoal e de seus conhecimentos, me desvendava uma face daquele mundo, do mesmo modo que se chega a conhecer o estado de um país, interrogando habit antes seus de todas as classes, não podendo um só, individualmente, informar-nos de tudo (Allan Kardec — Obras Póstumas — 11ª Edição da FEB — Página 241.) À medida que recuperava a tranqüilidade Além da Morte, quando as vibrações da carne se diluíam no grande mar do esquecimento, longe das impressões mais fortes do plano físico, desejei retornar aos seres queridos que ficaram na retaguarda, para narrar-lhes a minha experiência. Examinando, porém, as limitações que me incapacitam, compreendi, de cedo, a impossibilidade que dificultava a realização do meu desejo. Sem cultura intelectual acadêmica, habituada apenas aos problemas do lar humilde, sempre distante das belas letras, não fui aquinhoada, quando na Terra, com as dádivas do Saber.
Desejava, entretanto, falar aos companheiros de luta, adverti-los, mostrar-lhes as surpresas da vida espírita, oferecer-lhes as impressões pessoais, concitando-os ao trabalho renovador que o Espiritismo oferece a todos, no abençoado campo das realizações imperecíveis. Embora informada pela Doutrina Espírita de que a vida continuava, esclarecida pela Obra de André Luiz, a que me afeiçoara quando encarnada, esbarrei, assim mesmo, com surpresas e inquietações, à semelhança de turista confuso que, em visita à grande cidade, embora conduza no bolso o livro-guia, procura insistente e desarvoradamente endereços que não sabe onde se encontram... Quantas aflições e remorsos, receios e ansiedades visitaram minha alma, depois do túmulo, não sei dizer. Constatei que a vida prossegue sem grandes modificações, oferecendo a cada alma, no cadinho evolutivo, as bênçãos ou punições de que se faz credora. Atormentados do sexo continuam ansiosos. Escravos do prazer prosseguem inquietos. Servos do ódio demoram-se em aflição. Companheiros da ilusão permanecem enganados. Aficionados da mentira dementam-se sob imagens desordenadas. Amigos da ignorância caminham perturbados.
Somente as almas esclarecidas e experimentadas, na batalha redentora, caminham em liberdade, desfrutando a dádiva da esperança entre sorrisos e realizações. Verifiquei o significado real da Fé. Ao invés de ser aceitação passiva de crença religiosa é, antes, programa de ascensão e renovação interior. Conduzir a claridade pura do Cristianismo, na mente e no coração, é alta concessão do Céu que ninguém desrespeitará impunemente. E afirmei a convicção de escrever algumas páginas sem a preocupação de fazer literatura nem apresentar soluções de transcendência metafísica aos velhos problemas da alma, tão bem estudados e debatidos desde há muito, nas Escolas que se preocupam com o assunto. Objetivei, apenas, dar mais um grito de alerta, dirigindo à minha própria filha os apontamentos que agora vêm a lume. Deixei que a mente evocasse as
cenas que vivi Além da Morte, amparada pelas irmãs Liebe e Zélia, benfeitoras incansáveis que se encarregaram, desde as primeiras horas, de me sustentar a alma atribulada, ensej ando-me a longa caminhada de restabelecimento. Não me inspirou, uma só vez, a idéia de escrever um livro, considerandome, conforme já o disse, incapaz de o fazer. Amparada pelo meu Guia Espiritual, foi-me possível, entretanto, realizar o mínimo que agora ofereço ao caro leitor para a sua meditação, rogando-lhe desculpas. São anotações de um coração para outro coração que se encaminha para o túmulo. São expressões que você mesmo encontrará mais tarde, queira ou não, acredite ou não. São referências escritas com lágrimas e sob terríveis acúleos de dor. Não acalento outro anseio, senão despertar alguém na carne para a responsabilidade da vida, durante a travessia física no barco da existência planetária. Perdoe-me, pois, o leitor interessado em aprofundar conhecimentos, se pouco lhe pude oferecer.
Conservo a alegria de trazer as minhas páginas a você, animada pelas expressões do Codificador do Espiritismo quando afirma “que se chega a conhecer o estado de um país, interrogando habitantes seus de todas as classes... Esse é o país da minha atual residência, relatado pelo amor de uma mãe que na vanguarda adverte a filha em caminho da Eternidade, apontando o velho roteiro evangélico, sempre atual: “FAZER A OUTREM O QUE SE DESEJA QUE OUTREM LHE FAÇA”. Agradecendo a Jesus e à Mãe Santíssima, sou a irmã humílima e reconhecida. Otília Gonçalves. Salvador, 15 de janeiro de 1960.
Além da Morte Todos os dias chegam corações atormentados, alem da morte. E apezar do horizonte aberto, jazem no chão como pássaros mutilados... Loucos, sob a hipnose da ilusão. Suicidas, descrentes dos proprios méritos. Criminosos sentenciados no tribunal da consciencia. Malfeitores que furtaram de si mesmos. Doentes que procuraram a enfermidade. Infelizes a se imobilizarem nas Trevas. * * * Alcançando a Grande Luz assemelham-se a cegos da razão ante a sabedoria da natureza. Por mais se lhes mostre a harmonia do Universo e por muito se lhes fale dos objetivos da vida, continuam desditosos e dementados. Ha quem diga que os chamados mortos nada tem a ver com os chamados vivos, entretanto, como os chamados vivos de hoje, serão os chamados mortos, de amanhã, com possibilidade de se perturbarem uns aos outros caso perseverem na ignorancia —, cultivemos na Doutrina Espírita o instituto mundial de esclarecimento da alma, a fim de que o pensamento regenerado consiga redimir as suas proprias criações que substancializam a experiencia da Humanidade nas várias nações da Terra. * * * É por isso que saudamos neste livro mais um brado de renovação e esperança, concitando-nos ao aproveitamento das horas.
Fixemos a atenção. O médium é o braço do semeador. A emissária é a mão que semeia. A mensagem é a semente de encarnados e desencarnados, a palavra de amor e exortação que nos é trazida ao entendimento, assimilando-lhe os valores impereciveis porque, em verdade, andam sempre avisados e felizes os que trazem consigo “os olhos de ver” e “os ouvidos de ouvir.” André Luiz (Página psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier na reunião mediúnica do Centro Espírita Uberabense, na noite de 13 de janeiro de 1960, em Uberaba, M”A GÊNESE”) (*) Ortografia conforme o original.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.