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Capítulo 8 de 30

Preparando Uma Sortida

A Caminho do céu · Osvaldo Polidoro

Estareis fartos de instruções como estas, graças ao que outros já fizeram, de ordem superior, isto é, por mandato da Diretoria Planetária, segundo os canais competentes; mas, minha vida é muito para o meu universo pessoal. E quero fazer de mim aquilo que posso. Ofereceram-me oportunidade? Eu a aproveitarei. Recebi, e Fábio também recebeu, uma cartilha. Um livrinho que versa sobre tudo um pouco, contendo ilustrações sobre a Terra e seus planos etéreos, a começar do seu centro. É fácil de ser lido, e também entendido, de modo geral. É o diagrama da Terra total. Com a leitura desse livrinho, os pensamentos sublimaram e a restauração da saúde se processou rapidamente. Também com relação à família a coisa mudou, pois o livrinho ensina a usar o pensamento, como dínamo transmissor de ondas. Basta se pense com inteligência e amor, pois o mais é enviar mensagens, mentalizando a pessoa ou ambiente em geral. Também para a captação ou absorção dos elementos cósmicos, dos fluidos superiores, deve-se proceder do mesmo modo, ensina o livrinho. O pensar é o poder de reunir o fluxo e o refluxo, num só propósito, que relativamente ao espírito, ou para tudo o mais que entre na composição da vida, de ordem moral, mental, intelectual ou material. O ser é um centro dinâmico e o cérebro é sua estação para captar e transmitir. Como se pode saber e sentir, do melhor ao pior, assim se pode servir ou prejudicar. Apenas, ensina o livrinho, é lei da vida, antes de arruinar a outrem, quem mal sabe e mal age, a si mesmo em primeiro lugar se prejudica, revestindo-se de aura e elementos perniciosos. É certo, pois, que pelo pensar cada qual se coroa de modo próprio. E sabe-se que uma coroa infecta não será destruída assim à toa. Perdão não existe; o que por obra se fez, por obra se terá que desfazer. O resto é falso. E não se diga que a dor seja um ramalhete de flores, por isso pode ser dito por quem esteja em paz, em gozo, para efeito de retórica ou ênfase literária. A realidade é que a dor é um monstro que se levanta do crime, do erro, da corrupção, havendo só uma arma para vencê-la — o uso do bom senso! O bom senso é conhecimento e amor. Flor, ou ramalhete delas, só a paz e o gozo o podem ser; o mais é falso, a prática ensina-o muito bem. De resto, faça cada qual a sua análise, quando esteja nos abismos infernais, ou com a tremenda dor, de ordem seja qual for. Isso digo do mais profundo de mim mesmo, com a sinceridade máxima, por querer a paz e detestar a tormenta, seja de que aspecto for.

A dor, como fenômeno mecânico deve ser estudada e eliminada, pela base. Nunca poderia ser mais que conseqüência de maus feitos, de desequilíbrio. Logo, nunca será flor e nem brinde do céu. É apenas o testemunho da falta. Cumpre, pelo sintoma, ir à causa e repará-la. O bonito está no agir com inteligência, com esmero, no sentido de liquidá-la o mais pronto. Tecer-lhe elogios, levantar-lhe pedestal, cantar-lhe odes, isso nunca farei. Revivi tristes e dolorosos cometimentos, sofri os tremendos horrores. Singrei o chão lamacento e esfacelei as carnes nos pedregais infindos. Quero que aqueles de meus irmãos, que me vierem a ler, pensem da dor o que eu penso — que é um monstro que precisamos eliminar, o mais ligeiro possível, usando de todos os recursos da razão e do caráter em geral. Deus não nos quer sofrendo. Para a glória é que somos voltados, não para o pranto e ranger de dentes. E não se diga que à dor cumpre encaminhar ao bem; vi legiões de tremendos e horripilantes seres, que, afogando-se nos limbais e pútridos abismos, nem assim ostentavam outra atitude em face da Justiça Suprema, que não fosse de ódio e rebeldia. Antes da dor, que é famigerada filha da mazela, a quem devemos apelar são às ações nobilitantes, inteligentes, produtos das divinais virtudes despertas. Punição é para os teimosos, para os delinqüentes. Uma vez estudada a dor, em suas origens, devemos tudo fazer por liquidá-la. O resto é louvaminheira gratuita, de gente que de medo, pensa fazer-se recatada. E dirijo-me seja a quem for, porque penso e sinto assim, estribado em Jesus Cristo, que não falou em pranto e ranger dos dentes, pensando em flores ou ramalhete delas... Usemos, pois, o poder mental, para criar liberdade e céu. Certo dia, quando passeava por uma avenida da região, em companhia de Fábio e uma senhora convalescente, surgiu-nos Mesquita pela frente, trazendo no semblante feliz, a boa nova: — Iremos, hoje à noite, à crosta. Estejam prontos às sete horas. — Eu também? — quis saber a senhora. — E por que não? — tornou Mesquita — Já está muito melhorada. Além do mais, como ireis ver, os fluidos emanados dos encarnados são revigorantes e curativos. Há casos em que, em virtude de faculdades, para efeito de cumprimento de missão, seres encarnados, oferecem elementos fluídicos maravilhosos. Valem por cadinho renovadores. — Agradeço a oferta, senhor Mesquita — disse a senhora. — Agradeço a Deus a oportunidade de servir, e aos amigos em geral o consentimento, para que meus planos de solidariedade se concretizem. Tenho em vista um programa de trabalhos. E sem findar um período preparatório, como encetar o complementar? Eis, portanto, que sou eu quem carece de vossa boa vontade. — Nem sei o que pensar... nem sei o que dizer — murmurou Fábio, ante aquela torrente de fraternidade, em que Mesquita se revelava.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.