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Capítulo 5 de 30

Uma Vida Pouco Aproveitada

A Caminho do céu · Osvaldo Polidoro

Não vos estou falando por necessitar de espairecimento, muito menos por diletantismo, a levantar tese para efeito de discussão. Falo-vos, amigos, por ser essa a questão, uma daquelas que me fez perder bom tempo de conquistas relevantes. A encarnação só chega a ser compreendida, como força de lei e ao mesmo tempo facultativa, para efeito de aprendizados, por alcançar a moralização por elaborar internamente, depois do trespasse. Na carne, ou durante tal estágio, amigos, a encarnação tresanda a conceito qualquer, verdadeiro ou falso, realístico ou de fundo sectário, angélico ou diabólico, assim como se coloque o agente pensante, em ângulo mais ou menos vantajoso de observação. Para depois dessa senhora a que chamais morte, então, toma ela o seu aspecto grave, cristalino, de lei agente no concerto divinal da vida. E das coisas e dos seres, pois de tal modo os reinos e planos da vida se interpenetram, que, para efeito de tal execução, dificilmente se sabe quem mais se movimenta, se o plano inteligente, se o elemento dito amorfo. Um fará com consciência, o outro não; mas eu digo que é do movimentar de leis e elementos. Movem-se, como se diz, mundos e fundos para o funcionamento da lei de reencarnação. E tenha ou não o homem discutidor, crente, cético ou fanático, conhecimento de sua exeqüibilidade funcional, ela se levanta à sua frente, como a máquina de fazer santidade. Válvula que é dos processos de prova, de expiação e de missão, é ela, de fato, por meio de quem o Senhor faz santos. E quanto arrependimento tardio se presencia! De quem não sabia e podia ter sabido; e de quem sabia e não deu ao feito a devida atenção. É certo que a morte prepara, para todos, enigmas só por ela decifráveis, mas é certo, também, que dar regular atenção às leis do Senhor é medida de salvaguarda. Negar a reencarnação é negar parte da Sabedoria Divina; e é negar precisamente aquela parte que de mais perto nos toca e diz respeito, porque ela é, sem favor nem receio, o instrumento ascensional por excelência, a válvula evolutiva. Se temos um Supremo Chefe Planetário, devemos a essa lei. E se Esse Chefe ofusca a luz material dos sóis com a Luz Espiritual, devemos a que lei? O ser deriva de Deus, mas deriva com as faculdades em latência. E é à lei reencarnacionista que fica entregue o processo para a patenteação devida e necessária. Somos deuses por natureza. Ao reencarnacionismo ficamos obrigados, para efeito dos despertares necessários. Pelo livre arbítrio podemos retardar ou apressar, o mais sublime dos desfechos da vida. O mais é questão

de meio ambiente e disposições secundárias. Não importa saber se deve passar-se na Terra, no espaço, noutro planeta ou noutros concertos metagaláticos... Porque havendo o Ego, há faculdades latentes e a reencarnação dará conta do recado. O livre arbítrio humano será pela razão conhecido e respeitado; e por razão posto a bem funcionar e produzir frutos imortais. Foi assim que cheguei a saber, depois de tanto viver e aprender. Mas viver e aprender com quedas e triunfos, por pretender depor, em certo tempo da caminhada ascensional, contra os princípios do Senhor. Não era do meu credo essa idéia de renascer na carne. Negava a lei de Deus, a bem do conchavismo de homens a que me dava a obedecer. Que coisa tola! Mas se faz disso, também, não é certo? Depois, com a desencarnação, os artigos e parágrafos do crentismo terreno se esvaem, rompem-se à luz do supremo realismo. E a gente fica como se fosse um cavaleiro a pé. Nem chega a saber como fez, para dizer não ao Senhor e sim ao convencionalismo religiosista do mundo. Não teria sido, então, muito mais fácil compreender que a lei convencional só é certa quando marcha paralela à lei fundamental? E em lugar de negar cem por cento, por que ao menos não ocorreu deixar a coisa em suspenso, até que melhores alcances fossem conquistados? Minha última vida por entre vocês, portanto, foi cingida pelo manto opaco dos convencionalismos menos elegantes. Que houvesse devoção ao credo esposado, por que Deus haveria de com ele se entender!... Não era o homem segundo Deus; deveria ser, para estar certo, Deus segundo o homem. Eis do que está cheio o mundo!

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.