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Capítulo 4 de 4

A Infância De Cristo — parte 3 de 3

Infância de Pedro

XXXIX. Uma Encomenda do Rei Um dia, o rei de Jerusalém mandou chamá-lo e disse: — Eu quero, José, que me faças um trono segundo as dimensões do lugar onde costumo sentar-me. José obedeceu e, pondo mãos à obra, passou dois anos no palácio para elaborar esse trono. Quando ele foi colocado no lugar onde deveria ficar, perceberam que de cada lado faltavam dois palmos à medida fixada. Então o rei ficou bravo com José, que temendo a raiva do monarca, não conseguiu comer e deitou-se em jejum. O Senhor perguntou-lhe qual era a causa do seu receio e ele respondeu: — É que a obra na qual trabalhei durante dois anos está perdida. O Senhor Jesus respondeu-lhe: — Não tenhas medo e não percas a coragem. Pegue este lado do trono e eu o outro, para que possamos dar-lhe a medida exata. José fez o que havia lhe pedido o Senhor Jesus e cada um puxou para um lado. O trono obedeceu e ficou exatamente com a dimensão desejada. Os assistentes, vendo esse milagre, ficaram estupefatos e deram graças a Deus. Esse trono fora feito com uma madeira do tempo de Salomão, filho de Davi, e que era notável por seus nós, que representavam várias formas de figuras.

XL. Os Meninos Num outro dia, o Senhor Jesus foi até a praça e vendo as crianças que se haviam reunido para brincar, juntou-se a elas. Essas, tendo-o visto, esconderam-se e o Senhor Jesus foi até uma casa e perguntou às mulheres que estavam à porta, onde as crianças haviam ido. Como elas responderam que não havia nenhuma delas na casa, o Senhor Jesus disse-lhes: — Que vocês estão vendo sob este arco? Elas responderam que eram carneiros com três anos de idade e o Senhor Jesus gritou: — Saí, carneiros, e vinde em direção ao vosso pastor. Imediatamente as crianças saíram, transformadas em carneiros, e saltavam ao seu redor. As mulheres, tendo visto isso, foram tomadas de pavor e adoraram o Senhor Jesus, dizendo: — Jesus, filho de Maria, nosso Senhor, tu és verdadeiramente o bom Pastor de Israel. Tem piedade de tuas servas que estão em tua presença e que não duvidam, Senhor, que tu vieste para curar e não para perder. O Senhor respondeu que as crianças de Israel estavam entre os povos como os Etíopes. As mulheres disseram: — Senhor, conheces as coisas e nada escapa à tua infinita sabedoria. Pedimos e esperamos a tua misericórdia. Devolve a essas crianças sua antiga forma. O Senhor Jesus disse, então: — Vinde, crianças, para que possamos brincar. Imediatamente, na presença das mulheres, os carneiros retomaram a aparência de crianças.

XLI. Jesus Rei No mês do Adar, Jesus reuniu as crianças e colocou-se como o seu rei. Elas haviam estendido suas roupas no chão para fazê-lo sentar-se sobre elas e haviam colocado sobre sua cabeça uma coroa de flores. Como os satélites que acompanham um rei, elas se haviam enfileirado à sua direita e à sua esquerda. Se alguém passava por lá, as crianças faziam parar à força e diziam-lhe: — Vem e adora o rei, para que obtenhas uma feliz viagem.

XLII. Simão, o Cananeu Nisso chegaram alguns homens que carregavam uma criança em uma liteira. Esse menino havia ido até a montanha com seus colegas para apanhar lenha e, tendo encontrado um ninho de perdiz, pôs a mão para retirar os ovos. Uma serpente, escondida no ninho, no entanto, mordeu-o e ele chamou os companheiros para socorrê-lo. Quando chegaram, eles o encontraram estendido no chão e quase morto. Alguns familiares vieram e levaram-no à cidade. Ao chegaram ao local onde o Senhor Jesus estava sentado em seu trono como um rei, com outras crianças à sua volta, como sua corte, essas foram ao encontro dos que carregavam o moribundo e disseram-lhes: — Vinde e saudai o rei! Como eles não queriam aproximar-se por causa da tristeza que sentiam, as crianças traziam-nas à força. Quando estavam na frente do Senhor Jesus, ele perguntou-lhe por que estavam carregando aquela criança. Responderam que uma serpente a havia mordido e o Senhor Jesus disse às crianças: — Vamos juntos e matemos a serpente! Os pais da criança que estava prestes a morrer suplicaram para que os deixassem ficar, mas elas responderam: — Não ouvistes que o rei disse vamos e matemos a serpente? Devemos seguir suas ordens. Apesar da sua oposição, eles retornaram à montanha, carregando a liteira. Quando chegaram perto do ninho, o Senhor Jesus disse às crianças: — Não é aqui que se esconde a serpente? Eles responderam que sim e a serpente, chamada pelo Senhor Jesus, saiu e submeteu-se a ele. O Senhor disse-lhe: — Vai e suga todo o veneno que espalhaste nas veias dessa criança. A serpente, arrastando-se, sugou todo o veneno que ela havia inoculado e o Senhor, em seguida, amaldiçoou-a e, fulminada, morreu logo em seguida. Depois o Senhor Jesus tocou a criança com sua mão e ela foi curada. Como ela se pusesse a chorar, o Senhor Jesus disse-lhe: — Não chores, serás meu discípulo! Essa criança foi Simão de Cananéia, de quem se faz menção no Evangelho.

XLIII. Jesus e Tiago Num outro dia, José havia mandado seu filho Tiago para apanhar lenha e o Senhor Jesus se havia juntado a ele para ajudá-lo. Quando chegaram ao lugar onde ficava a lenha, Tiago começou a apanhá-la e eis que uma víbora mordeu-o e ele se pôs a gritar e a chorar. O Senhor Jesus, vendo-o naquele estado, aproximou-se e soprou o local da mordida. Tiago foi imediatamente curado.

XLIV. O Menino que Caiu e Morreu Um dia, o Senhor Jesus estava brincando com outras crianças em cima de um telhado e uma delas caiu e morreu na hora. As outras fugiram e o Senhor Jesus ficou sozinho em cima do telhado. Então os pais do morto chegaram e disseram ao Senhor Jesus: ` — Foste tu que empurraste nosso filho do alto telhado. Como ele negasse, eles repetiram mais alto: — Nosso filho morreu e eis aqui quem o matou. O Senhor Jesus respondeu: — Não me acuseis de um crime do qual não tendes nenhuma prova. Perguntemos, porém, à própria criança o que aconteceu. O Senhor Jesus desceu, colocou-se perto da cabeça do morto e disse-lhe em voz alta: — Zeinon, Zeinon, quem foi que te empurrou do alto do telhado? O morto respondeu: — Senhor, não foste tu a causa da minha queda, mas foi o terror que me fez cair. O Senhor recomendou aos presentes que prestassem atenção a essas palavras e todos eles louvaram a Deus por este milagre.

XLV. O Cântaro Quebrado Maria havia mandado, um dia, o Senhor Jesus tirar água do poço. Quando ele havia cumprido a tarefa e colocava sobre a cabeça o cântaro cheio, ele partiu-se. O Senhor Jesus, tendo estendido o seu manto, levou para sua mãe a água recolhida e ela se admirou e guardou em seu coração tudo o que havia visto.

XLVI. Brincando com o Barro Um dia, o Senhor Jesus estava na beira do rio com outras crianças. Haviam cavado pequenas valas para fazer escorrer a água, formando assim pequenas poças. O Senhor Jesus havia feito doze passarinhos de barro e os havia colocado ao redor da água, três de cada lado. Era um dia de Sabbath e o filho de Hanon, o Judeu, veio e vendo-os assim entretidos, disse-lhes: — Como podeis, em um dia de Sabbath, fazer figuras com lama?" Ele se pôs, então, a destruir tudo. Quando o Senhor Jesus estendeu as mãos sobre os pássaros que havia moldado, eles saíram voando e cantando. Em seguida, o filho de Hanon, o Judeu, aproximou-se da poça cavada por Jesus para destruí-la, mas a água desapareceu e o Senhor Jesus disse-lhe: — Vê como está água secou? Assim será a tua vida. E a criança secou.

XLVII. Uma Morte Repentina Certa noite, o Senhor Jesus voltava para casa com José, quando uma criança passou correndo na sua frente e deu-lhe um golpe tão violente que o Senhor Jesus quase caiu. Ele disse a essa criança: — Assim como tu me empurraste, cai e não levantes mais. No mesmo instante, a criança caiu no chão e morreu.

XLVIII. Jesus e o Professor Havia, em Jerusalém, um homem, chamado Zaqueu, que instruía os jovens. Ele disse a José: — José, por que não me envias Jesus para que ele aprenda as letras? José concordou e também Maria. Levaram, pois, a criança para o professor e assim que ele o viu, escreveu o alfabeto e pediu-lhe que pronunciasse Aleph. Quando ele o fez, pediu-lhe para dizer Beth. O Senhor Jesus disse-lhe: — Dize-me primeiro o que significa Aleph e aí então eu pronunciarei Beth. O professor preparava-se para chicoteá-lo, mas o Senhor Jesus pôs-se a explicar o significado das letras Aleph e Beth, quais as letras de linhas retas, quais as oblíquas, as que tinhas desenho duplo, as que tinham pontos, aquelas que não tinham e porque tal letra vinha antes da outra, enfim, ele disse muitas coisas que o professor jamais ouvira e que não havia lido em livro algum. O Senhor Jesus disse ao professor: — Presta atenção ao que vou te dizer! E pôs-se a recitar clara e distintamente Aleph, Beth, Ghimel, Daleth, até o fim do alfabeto. O mestre ficou admirado e disse: — Creio que esta criança nasceu antes de Noé. Virando-se para José, acrescentou: — Tu o conduziste para que eu o instruísse, mas esta criança sabe mais que todos os doutores. Depois disse a Maria: — Teu filho não precisa de ensinamentos.

XLIX. O Professor Castigado Conduziram-no, em seguida, a um professor mais sábio e assim que o viu. ordenou: — Dize Aleph! Quando o Senhor Jesus disse Aleph, o professor pediu-lhe que pronunciasse Beth. O Senhor Jesus respondeu-lhe: — Dize-me o que significa a letra Aleph e então eu pronunciarei Beth. O mestre, irritado, levantou a mão para bater nele, mas sua mão secou instantaneamente e ele morreu. Então José disse a Maria: — Daqui por diante, não devemos mais deixar o menino sair de casa, pois qualquer um que se oponha a ele é fulminado pela morte.

L. Jesus, o Mestre Quando contava doze anos de idade, levaram Jesus a Jerusalém por ocasião da festa e, quando ele terminou, eles voltaram, mas o Senhor Jesus permaneceu no templo, em meio aos doutores, aos velhos e aos mais sábios dos filhos de Israel, que ele interrogava sobre diferentes pontos da ciência, mas também respondia-lhes as perguntas. Jesus perguntou-lhes: — De quem é filho o Messias?" Eles responderam: — Este é o filho de Davi. Jesus respondeu: — Por que então Davi, movido pelo Espírito Santo, chama-o Senhor, quando diz que o Senhor disse ao meu Senhor: senta-te à minha direita para que coloque teus inimigos aos teus pés'?" Um importante rabino interrogou-o, dizendo: — Leste os livros sagrados? O Senhor Jesus respondeu: — Eu li os livros e o que eles contêm. Dito isso, explicou-lhes as Escrituras, a lei, os preceitos, os estatutos, os mistérios que estão contidos nos livros das profecias e que a inteligência de nenhuma criatura pode compreender. E o principal entre os doutores disse: — Eu jamais vi ou ouvi tamanha instrução. Quem credes que seja essa criança?

LI. Jesus e o Astrônomo Havia lá um filósofo, astrônomo sábio, que perguntou ao Senhor Jesus se ele havia estudado a ciência dos astros. Jesus, respondendo-lhe, expôs o número de esferas e de corpos celestes, sua natureza e sua oposição, seu aspecto trinário, quaternário e sêxtil, sua progressão e seu movimento de leste para oeste, o cômputo e o prognóstico e outras coisas que a razão de nenhum homem escrutou.

LII. Jesus e o Médico Havia entre eles um filósofo muito sábio em medicina e ciências naturais e quando ele perguntou ao Senhor Jesus se ele havia estudado a medicina, este expôs-lhe a física, a metafísica, a hiperfísica e a hipofísica, as virtudes do corpo, os humores e seus efeitos, o número de membros e de ossos, de secreções, de artérias e de nervos, as temperaturas, calor e seco, frio e úmido e quais as suas influências, quais as atuações da alma no corpo, suas sensações e suas virtudes, a faculdade da palavra, da raiva, do desejo, sua composição e dissolução e outras coisas que a inteligência de nenhuma criatura jamais alcançou. Então o filósofo ergueu-se e adorou o Senhor Jesus, dizendo: — Senhor, daqui em diante serei teu discípulo e ter servo.

LIII. Jesus É Encontrado Enquanto Jesus assim falava, Maria apareceu, junto com José, pois fazia três dias que procuravam por Jesus. Vendo-o sentado entre os doutores, interrogando-os e respondendolhe alternadamente, ela lhe disse: — Meu filho, por que agiste assim conosco? Teu pai e eu te procuramos e tua ausência causou-nos muita aflição. Ele respondeu: — Por que me procuráveis? Não sabíeis que convinha que eu permanecesse na casa de meu Pai? Eles não entendiam as palavras que ele lhes dirigia. Então os doutores perguntaram a Maria se ele era seu filho e tendo ela respondido que sim, eles exclamaram: — Ó feliz Maria, que deste à luz tal criança. Ele voltou com os pais para Nazaré e ele lhes era submisso em tudo. Sua mãe conservava todas as suas palavras em seu coração e o Senhor Jesus crescia em tamanho, em sabedoria e em graça diante de Deus e diante dos homens.

LIV. Via Oculta Ele começou desde esse dia a esconder os seus segredos e seus mistérios, até que completou trinta anos, quando seu Pai, revelando publicamente sua missão às margens do Jordão, fez soar, do alto do céu, essas palavras: — É meu filho bem-amado no qual coloquei toda minha complacência. Foi quando o Espírito Santo apareceu sob a forma de uma pomba branca.

LV. Doxologia É a ele que humildemente adoramos, pois ele nos deu a existência e a vida. Ele nos fez sair das entranhas de nossas mães, tomou, por nós, o corpo de homem e nos redimiu, cobrindo-nos com sua misericórdia eterna e concedendo-nos a graça do seu amor e de sua bondade. A ele, portanto, glória, poder, louvores e domínio por todos os séculos. Que assim seja!

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.